3.3 Esnek Emek Talebinden Anlık Emek Talebine: Saha Araştırması Bulguları
3.3.2 Esneklikten Anlık Emek Talebine
3.3.2.2 Ajans mı? İstihdam Bürosu mu?
O documento de Aires da Mata Machado, consolidado no livro O negro e o garimpo em Minas Ger ais r esultou de uma viagem de férias realizada em 1928 ao município de Diamantina, em São João da Chapada (FIGURA 3), onde o autor escutou “umas canções em língua africana ouvidas outrora nos serviços de mineração”.48
FIGURA 3 – Mapa de Minas Ger ais e r egião de Diamantina
Este canto surpr eendeu também os viajantes europeus, que estiveram em todo o Brasil, durante quatro séculos (XVI ao XIX), para documentá-lo. Segundo Fryer, a primeira r eferência aos vissungos está possivelmente registrada em um dos multivolumes do viajante botânico Saint-Hilaire:
“Uma passagem escrit a pelo bot ânico fr ancês Augustin Pr ouvençal de Sai nt- Hilair e (1770-1853), que viajou pelo Br asil nos anos de 1816-22 e publicou post er iorment e um r el at o det alhado de sua viagem em di ver sos vol umes, par ece const it uir a r efer ência mais ant iga aos cant os dos gari mpeir os. El e se espant ou que os miner ador es tivessem que r ealizar seu ár duo e cont ínuo t r abalho com as per nas constant ement e na água e r ecebessem comida de má- qualidade, duas cir cunst âncias que os l evavam à det er ior ação físi ca: ‘Agr upados em gr andes númer os, t ais infeli zes homens se diver t em em seu t r abalho, cant am em cor o os hinos (cânt icos) de sua t er r a nat iva.”49
48 MACHADO FILHO. O negr o e o gar impo em Minas Ger ai s, p. 13.
49 FRYER. Rhyt hms of Resistance: African Musical Heritage in Brazil, p. 52: "What seems to be the earliest
33 Há ainda as pinturas de John Mawe (FIGURA 4) e Carlos Julião (FIGURA 5), que ilustraram, respectivamente na primeir a e segunda metade do século XVIII, africanos escravizados em trabalhos de mineração na região do Serro Frio, hoje Diamantina. Não é impossível imaginar, aqui, a paisagem sonora na qual estari am envolvidos, entoando vissungos.
Aires da Mata Machado Filho, linguista que era, inter essou-se, sobretudo, por conhecer os cantares africanos, que de alguma forma haviam sido preservados na região, e que havia escutado quando criança, visto que era nascido em Diamantina: “entendi, posteriormente, de realizar, de vez, o velho plano de recolher os ‘vissungos’,
Saint-Hilaire (1770-1853), who tr avelled through Brazil in the years 1816-22 and later published a detailed multi-volume acount of his travels. He was struck by the miners having to do their hard and ceaseless w or k with their legs constantly in w ater and by the poor food they were given, two circumstances which led to their pysical decline: 'Joined together in very large numbers, these unfortunat e men amuse themselves in their work; they sing in chorus the hymns (canti ques) of their native land'."(tradução minha)
FIGURA 4 – Pintura de John Maw e: mineração no Serr o Frio (Diamantina)
Fonte: SILVA. Fi gurinhas de brancos e negr os: Carlos Julião e o mundo colonial português, p. 54.
FIGURA 5 – Pintura de Carlos Julião: mineração no Serr o Frio (Diamantina)
Fonte: SILVA. Figuri nhas de br ancos e negr os: Carlos Julião e o mundo colonial português, p. 53.
34 como lhe chamam, reunindo ainda o vocabulário e a gramática da ‘língua banguela’, certamente transfor mada em nosso meio.”50
O próprio autor afirma, em dois momentos, que o registro iria propiciar, aos compositores considerados eruditos, material para músicas vindouras, o que de alguma forma contribuiria para a construção do nacionalismo brasileiro: “estamos pr ecisando de um movimento em prol do regionalismo musical, dirigido por compositores ver sados e honestos, para não ficar mos à pr essa imaginados, na Avenida e adjacências.”51 Em seguida ele escreve: “nos vissungos, os compositores de peças eruditas encontrarão o mais cri stalino manancial. Villa-Lobos, Mignone e seus seguidores terão a escolher fart a messe de temas autênticos. Pensávamos neles, enquanto nos esforçávamos par a gr afar tais melodias de r ar a e esquiva cadência.”52
A busca pela autenticidade e purismo, já para os pri meiros nacionalistas, significava encontrar a essência da constituição da nação. Merhy afir ma que: “A preocupação dos intelectuais com alguns princípios de coleta de canções na virada do século XVIII para o XIX tornou o purismo um dos pontos centrais dos métodos de registro.”53 Aires da Mata Machado, ao registrar os vissungos, parece de alguma forma querer assegur ar um material diverso ao encontrado nas culturas da Europa. Nesse sentido, Merhy nos auxilia ainda quando afirma que:
a i déi a de nação br asileir a no iníci o do século XIX no Br asil não t em qualquer cor r espondênci a com a idéia de nação br asilei r a desenvolvida mais t ar de, no século XX. A soci edade r ecebia, na época, os primeir os est ímul os par a buscar uma pr odução minimament e independent e da mat riz portuguesa e eur opéia.54
Aires assume o compromisso de empreender os registros com a maior precisão: “houve o maior empenho em colher, com fidelidade, as melodias.”55 Entretanto, acr editamos que o registro escrito através das partituras, justamente por estar por demais inserido nos ideais europeus, não atesta tanta fidelidade quando comparamos com a gravação feita dezesseis anos depois, na mesma regi ão, por Luiz Heitor, como procuraremos mostrar no capítulo de análise dos documentos.
50 MACHADO FILHO. O negr o e o gar impo em Minas Ger ai s, p. 13. Grifo nosso. 51Ibidem, p. 69.
52Ibidem, p. 69.
53 MERHY. As transcrições das canções populares em Viagem pelo Br asil de Spix e Martius, p. 177. 54Ibidem, p. 178
35 Desta forma, empreendeu Aires, com a colaboração de Araújo Sobrinho, o registro de 65 canções. A obra foi publicada pela primeir a vez em 1943 pela editora José Olímpio. Entretanto, segundo Queiroz:
ent r e 1930 e 1940, Air es publicou em capít ulos, na i mpor t ant e Revista do Arquivo Municipal, de São Paulo, o r esult ado de sua pesquisa sobr e esses cant os de t r adição bant o [...] e ainda 8 capít ul os de est udo sobr e a cult ur a afr o- br asil ei r a no cont ext o do t rabal ho da mi ner ação de di amant es.56
De acordo com Queiroz, a segunda e ter ceira edição foram publicadas, respectivamente, em 1964 pela Civilização Brasileira e em 1985 pela editora Itatiaia, em parceria com a EDUSP.
A presença da cultura negra na cultura brasileira é um elemento central que o autor procura enfatizar :
É que, se a língua naci onal não passa de mer a t endênci a, se o t ipo nacional se encont ra em for mação, ni nguém discut e a exist ência da música brasilei ra. Mui t o mais do que o pr odut o de t r ês raças t ri st es, nossa música é o r esul t ado da influência negr a. E ai nda bem que já se foi o t empo em que havi a o r eceio de dizer essas coi sas, pelo medo de compr omet er nossa pr ecári a br anquidade.57
No capítulo VIII, Aires ressalta a i mportância do cantar par a a população do povoado de São João da Chapada. Segundo ele: “vinda a abolição, os negros só queriam trabalhar com patrão que não proibisse os vissungos.”58
Ele aponta também a origem banto dos vissungos:
É de not ar a fr eqüência com que as melodias t erminam na dominant e e na mediant e. Tr at a-se de uma part icularidade que disti ngue a música negr a. A mesma expr essiva anomalia not ou ent r e os achicundas da Angol a a pr ofessor a Améli a de Mir anda Rodri gues (Bol. Da Soc. Luso-Africana). Essa apr oximação confirma e document a a pr ocedência bant o dos vissungos.59
A etnolinguista Yeda Pessoa de Castro confirma esta origem: “a própria denominação vissungo corresponde ao substantivo umbundo ovisungo, plural de ocisungo, que significa louvores e ocor re geralmente na expressão imba ovisungo, cantar, louvar, exaltar”.60
56 QUEIROZ. Vozes da África em terras diamantinas, p. 1. 57 MACHADO FILHO. O negr o e o gar impo em Minas Ger ai s, p. 67. 58Ibidem, p. 66.
59Ibidem, p. 69-70.
36 Os vissungos faziam parte de todas as atividades diárias. Aires descreve diversos momentos deste cantar, conforme destacamos nos trechos abaixo, extraídos do capítulo XVII:
Os negr os no ser vi ço cant avam o dia int eir o. Tinham cant os especiai s par a a manhã, o meio-dia e a t arde. Mesmo ant es do sol nascer , pois em regr a começava o ser vi ço alt a madr ugada, diri gi am-se à lua, em uma cant iga de evi dent e t eor r eligioso.61
Regist r am as canções o moment o em que o pat r ão, saindo de casa, se di rigia par a a l avr a. Not e-se ainda que os t r abalhador es não dei xavam de r ezar seu ‘Padr e Nosso’, de que colhemos duas variant es.62
Mui t o i nt er essant e er a a mult a. Quando al guma pessoa chegava à lavr a, er a logo mult ada pel os miner ador es com uma canti ga apr opriada, exi gi am al guma coisa do r ecém-chegado. Uma vez sat isfeit o o pedido, seguia-se à mult a o agr adeciment o com danças, ritmos de car umbés e enxadas.63
Havi a uma cert a obr igação exigida pelos negr os de acompanhar as cant igas do ser vi ço.64
Há canti gas especiais par a conduzir defunt os a cemit éri os di st ant es.65
As mesmas cantigas de miner ação, pel o menos algumas como os Padr es-Nossos, usam-se nas cerimônias que acompanham o l evant ament o do mast r o.66
Er a comum, nos gr andes ser vi ços de miner ação em que t r abalhava númer o consider ável de negr os, haver vár ios cant ador es “mest r es”, l ogo rivais. Dividiam-se em gr upos, cada um com os seus adept os, que for mavam o ‘cor o’.67
Segundo Aires, a tradução sumária dos vissungos é chamada pelos cantador es de fundamento68, o que sugere que são a estrutura, a base cultural daquela população. O
autor assinala ainda que há um certo aspecto místico nos “fundamentos”, visto que alguns só podem ser transmitidos para os iniciados. Ele destaca esse ponto em três passagens do seu texto, fazendo refer ência às respostas dos entrevistados quando ele solicitava o canto e a sua tradução: “mas nem tudo ele ensinou. Há umas que ele não canta pra ninguém”;69 “dessa daqui só posso dizer que ngombe é boi. O mais não”70 e “eu
61 MACHADO FILHO. O negr o e o gar impo em Minas Ger ai s, p. 66. 62Ibidem, p. 66. 63Ibidem, p. 66. 64Ibidem, p. 67. 65Ibidem, p. 70. 66Ibidem, p. 70. 67Ibidem, p. 71.
68 Segundo os mestres do Reinado de N. S. do Rosário, o Reinado está assentado sobre três pilares: o fundamento, o mandamento e o sacr amento.
69Ibidem, p. 67. 70Ibidem, p. 67.
37 não posso ensinar. Meu mestre não me ensinou. Mandou outro. Nem todo fundamento a gente pode dar.”71
A publicação de Aires é de extrema importância para a compreensão dos elementos bantos/ africanos na for mação da cultura brasileira. Segundo Queiroz,
O int er esse na pr eser vação desse pat r imôni o hist órico e cul t ur al br asil eir o e o r econheciment o do papel r elevant e da Ar t e nesse pr ocesso t êm l evado al guns ar t ist as e pesquisador es a desenvolver est r at égi as de valor ização e r evi t alização das línguas e cult ur as africanas que for am vivas em Minas no per íodo da mi ner ação, r eduzindo-se a vest ígios espar sos a par t ir sobr et udo do século XX.72
A partir da segunda metade do século XX, as canções registradas por Aires foram re-elaboradas em gr avações por diversos artistas. Em 1982, foi gravado o LP O canto dos escr avos por Clementina de Jesus, Doca e Geraldo Filme. “Cerca de quinze anos depois, em Minas Gerais, o músico Gil Amâncio e o poeta e músico Ricardo Aleixo incluíram um desses cator ze vissungos no espetáculo e CD Quilombos urbanos.”73 Queiroz afirma ainda que:
Ao fi nal da década de 90, a Associ ação Cul t ur al Cachuer a! gr avou, na voz de Ivo Silvér io da Rocha, cont r amest r e do Cat opé de Milho Ver de (di str it o do Ser r o), t r ês ”cant os par a car r egar defunt os em r ede”, que constituem a pr imeir a faixa do CD Congado Mineiro, lançado pela It aú Cult ur al, na sér ie Document os Sonor os Br asilei r os. Junt ament e com as gr avações que const it uem as faixas 12 e 17 do CD Festa do Rosário – Serro, lançado por Caxi Raj ão em 2002, esses são os únicos r egist r os sonor os dos Cat opés de Milho verde, gr upo que mant ém vi vos ainda hoje, em seu r eper t ório r it ual, al guns desses cant os da t r adição bant o.74
É importante ressaltar, entretanto, que estas gravações distinguem-se do material coletado em áudio por Luiz Heitor, visto que os intérpretes partiram do registro de Aires. Merhy nos auxilia sobre esse aspecto: “a música composta em notação gr áfica, que parte da página para o instrumentista, choca-se constantemente com a prática de compor ou de 'inventar música’ por tradição auditiva.”
E assim se estabelece o segundo registro fundamental deste tr abalho: as gr avações de Luiz Heitor da década de 40, que também resultam dos movimentos nacionalistas e folcloristas do Brasil no início do século. Para Vilhena, o início do século XX no Brasil foi marcado pelo que nomeou como Movimento Folclórico Brasileiro, entr e
71Ibidem, p. 67.
72 QUEIROZ. Vozes da África em terras diamantinas, p. 3. 73Ibidem, p. 2.
38 os anos de 1947 e 1964, datas que marcam a criação da Comissão Nacional de Folclore (1947) e o golpe de 1964 (quando foi afastado seu então diretor, Edison Carneiro). As gr avações de Luiz Heitor que iremos analisar, contudo, antecedem este período, e são datadas de 1944. Na verdade, o início do Movimento Folclórico é o ponto culminante das diversas discussões que vier am à tona desde o início do século XX. O século XIX foi marcado, no Brasil, por importantes mudanças: em 1822, torna-se independente de Portugal; em 1888, ocorre a abolição da escravidão; e em 1889 é proclamada a República. Tais mudanças apontam também para uma modificação do pensamento colonial e para a constituição de ideais que pudessem unificar o país. Estas discussões estariam presentes desde o início do século XX em diversos encontros e congr essos, inclusive na Semana de Arte Moderna. Contudo, um dos fatos mais marcantes, e que gerarou o interesse em registr ar o material que apresentar emos aqui, foi a nomeação de Mário de Andrade par a a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, onde ele decidiu
empr eender a Missão de Pesqui sas Folclór icas em 1938, com a i nt enção de gr avar t odos os exemplos musicais que pudesse e o mais rapidament e possível, par a assi m gar ant ir um r egi st r o “pur o”, ant es que a vert iginosa cor r ent e do r ádio atingisse as manifestações fol clór icas e as det ur passe.75
Assim, no início do século XX, os intelectuais brasileiros desejavam preservar e registrar as manifestações populares e, entre eles, estava Luiz Heitor Cor rêa de Azevedo:
cumpr e-nos, por t ant o, t omar as medi das necessár i as par a r emediar a t r ansformação ou desapar eciment o da ar t e popul ar t r adici onal que est amos t est emunhando. Dur ant e séculos, t odos os cr onist as que el a pr ivar am t r ansmit i r am-nos o seu ent usiasmo. Temos de proceder ao ar quivament o do que ainda r est a, par a ser vir de amost r a aos póst er os e for necer aos pesqui sador es element os par a melhor empr eender o pr ocesso de for mação do homem br asileir o.76
Foi na viagem aos Estados Unidos da América, a convite do diretor Charles Seeger, para servir de consultor para a Divisão de Música da União Pan-Americana, em 1941, que Luiz Heitor conheceu Alan Lomax, o então diretor do Archive of American Folk Song da Library of Congr ess em Washington. Nesse momento, a política entre os dois países, devido à Guerr a, gerou uma cooperação militar e cultural:
Depois que os Est ados Unidos ent r ar am na II Guer r a Mundial, Washingt on est ava bast ant e pr eocupada com a penet r ação do Eixo nas Amér i cas,
75 PRASS. Moçambi ques, quicumbis e ensaios de pr omessas: um re-estudo et nomusicológico entr e
quilombolas no sul do Brasil, p. 115.
76 AZEVEDO apud PRASS. Moçambi ques, quicumbis e ensaios de pr omessas: um re-estudo etnomusicológico
39
par ticularment e no At lânt i co Sul. O Br asil, uma import ant e font e de mat éria pr ima par a os esfor ços de guer r a americanos, est ava localizado soment e a ci nco hor as de vôo por bombar deir o do Senegal cont rolado pel o i nimigo na cost a oest e da África.
Ant es de Pear l Har bor , o Pr esident e Get úlio Var gas havia declar ado a neut r alidade do Br asil. Mas em 1942, os al emães afundar am cinco navios br asil ei r os per t o do lit or al br asil eir o e aí Var gas mudou sua posi ção.77
Essa política de boa vizinhança gerou a cooperação entre o Archive of Folk American Songs da Library of Congress e as obras dos musicólogos brasileiros envolvidos com a corrente do folclore nacional. Também lá havia o desejo de registrar, da mesma forma que aqui, as músicas das Américas em suas formas mais puras. Foi assim que a Library of Congr ess encomendou ao etnomusicólogo norte-americano Alan Lomax a montagem de um acervo a partir de gravações da música popular de diversos países das Américas. Segundo Prass,
Com um discur so em pr ol do apoio do desenvolviment o mút uo das Amér icas, os EUA buscavam gar ant ir que os países l at ino-americanos ficassem ao seu l ado na guer r a, com os Al iados. Assim, que as r elações diplomát icas ent r e o Br asil e os EUA passavam por um moment o muit o int enso, mot ivado pelo discur so do “pan-ameri canismo”, suscit ado por essa pol ítica. As ár eas da cult ur a possuíam uma ênfase especial nesse pr ocesso e, por isso, o “pan-amer i canismo” t eve conseqüências det er minant es par a os est udos latino-amer icanos de folcl or e.78
Durante sua estadia nos EUA, Luiz Heitor recebeu convite de Alan Lomax par a realizar gravações do que fosse possível das músicas do saber popular em nosso país. Em carta a Mário de Andr ade, Luiz Heitor escr eveu:
[...] Tenho vist o coi sas ext r aor dit ár i as, nos campos que nos i nt er essam. A Libr ar y of Congr ess possui um Ar chive of Amer cian Fol k Song, dir igido por Alan Lomax que est á equipado com penso que nenhuma out r a or gani zação do Gêner o em qualquer par t e do mundo. O seu “Recor ding Labor at or y” é como o de uma ver dadei r a indúst ria de di scos. Tem um engenhei r o a dir igi-lo, est údios especializados, um gr ande númer o de máquinas par a r egist r os de som (que est ão const ant ement e em t r abalho, em vár i as par t es: nest e moment o uma se encont ra no Alaska!). Vi aj ei com o pequeno caminhão const r uído especialment e par a colet a fonogr áfica de fol clor e. Dent r o dele se acha i nst alado t odo mat er i al pr eciso par a essa t ar efa, inclusive dínamos, t r ansformador es e longos enr olament os de fi os que per mit em que o micr ofone t r abalhe a uma distancia do caminhão. Em dois dias que passei com esse cami nhão ao sul da Vir gínia o pessoal colheu discos que pr eenchem 10 hor as de r ot ação! [...] A execução da músi ca é sempr e pr ecedida de um int er r ogat ório habilment e ar r anj ado por A. Lomax. O Ar chi ve of Ameri can Folk Song est á cr escendo ver t iginosament e, poi s