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Ajans Destekleri İzleme ve Değerlendirme Faaliyetleri

Belgede 2020 YILI ARA FAALİYET RAPORU (sayfa 61-69)

TR52 BÖLGESİNDE TARIMDA BİTKİSEL ÜRETİMİN MEVCUT DURUMU

7.1.4 Ajans Destekleri İzleme ve Değerlendirme Faaliyetleri

Mais relevantes que os sujeitos a que o dispositivo se aplica são as hipóteses em que se pode aplicá-lo. É que, conforme ensina Hugo de Brito Machado Segundo37, houve certa aceitação doutrinária e jurisprudencial da tese de que o mero inadimplemento tributário seria infração de lei, permitindo a responsabilização daquele investido na gerência da pessoa jurídica.

Quanto aos diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas de direito, muitas arbitrariedades ainda têm sido praticadas pelas várias esferas de poder tributante, com suposto amparo no inciso III do art. 135 do CTN. A maior delas, e que praticamente engloba ou dá origem a todas as outras, consiste em considerar os dirigentes de pessoas jurídicas indistintamente responsáveis pelos tributos devidos por estas. Afirma-se, para tanto, de modo demasiadamente simplista, que o não pagamento de tributo no prazo é “infração de lei”, e os que dirigem pessoas jurídicas que não pagam determinado tributo são responsáveis pelo seu adimplemento.

Assim, as hipóteses de aplicação da previsão legal carecem de uma análise mais detida, a fim de que se compreenda seu real alcance, evitando sua utilização indevida.

3.2.2.1 EXCESSO DE PODER

Nos termos do art. 997 do CC38 e o artigo 154 da Lei 6.40439 estabelecem, respectivamente, os limites dos poderes dos administradores das sociedades por quotas e por ações.

37 SEGUNDO. Hugo de Brito Machado. Op. Cit. p. 237

38 Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além

de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: [... ]VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições;

39 Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para

lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa.

O que se vê desses dispositivos é que cabe ao contrato social ou ao estatuto a designação de poderes dos dirigentes da pessoa jurídica.

Dessa forma, o excesso de poderes é verificado quando um administrador pratica atos que vão além daqueles que lhe são designados pelo ato constitutivo da sociedade.

Por outro giro, quando o administrador, com poderes de gestão numa dada sociedade, pratica um ato em nome da sociedade que ultrapasse os limites contidos no estatuto ou contrato social, estaremos diante de um ato exercido com excesso de poderes.40

Sendo assim, se o administrador de uma sociedade pratica atos que não estão dentro das previsões de seus poderes e, em razão destes atos, é gerada uma obrigação tributária, este administrador deverá responder solidariamente por este débito, conforme é tratado no mesmo trabalho antes mencionado.

Destarte, se o excesso de poder realizado pelo administrador, em nome da sociedade, catalisar um débito fiscal, aquele será obrigado a satisfazer o crédito e, conseqüentemente, extinguir a exigibilidade em nome próprio, pois a sociedade, que possui personalidade distinta do administrador, em nenhum momento autorizou tal conduta.41

3.2.2.3 VIOLAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO

De outro lado, a violação ao contrato social ou estatuto caracteriza- se pela prática de atos em expressa violação ao ato constitutivo, ou seja, quando o dirigente está proibido de realizar determinado ato e, ainda assim, o realiza.

Cabe trazer à baila o exemplo apontado por Itamar Gaino, citado por Emanuel Carlos Dantas de Assis42.

Assim, se o contrato social, por exemplo, vedar a aquisição de bem imóvel sem a anuência dos demais sócios, e um deles, sozinho, fizer tal aquisição, responderá esse sócio pelo Imposto sobre a Transmissão de Bens Inter-Vivos (ITBI), a cargo originalmente da pessoa jurídica.

40 SANTOS, Robson Sant’Ana dos. A figura dos administradores e sua responsabilidade face ao artigo 135 do Código Tributário Nacional. 2007. 165f. Dissertação (mestrado em

direito). Programa de Pós-Graduação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2007. p. 129

41 Ibid. p. 130

42 GAINO, Itamar. Responsabilidade dos sócios na sociedade limitada. São Paulo: Saraiva, 2005.

p. 46 apud ASSIS, Emanuel Carlos Dantas de. Responsabilidade tributárias dos sócios e administradores de empresas. 2006. 202f. Dissertação (mestrado em direito). Programa de Pós- Graduação em Direito da Faculdade de Direito, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2006. p. 177

Note-se que o fato gerador foi praticado pela pessoa jurídica, isto é, o imóvel foi adquirido em seu nome. Todavia, ante a expressa vedação nos atos constitutivos da sociedade para este tipo de conduta por parte do sócio gerente, este será responsabilizado pelo débito tributário gerado.

3.2.2.4 INFRAÇÃO DE LEI

Quanto aos dois critérios apresentados anteriormente, não há muitas controvérsias que sejam dignas de maiores tergiversações. É, todavia, na hipótese de infração de lei que se cinge a maior problemática do art. 135 do CTN.

As obrigações tributárias, em decorrência do princípio da legalidade, por certo decorrem de leis, como trata Hugo de Brito Machado43.

Pelo princípio da legalidade tem-se a garantia de que nenhum tributo será instituído, nem aumentado, a não ser através de lei (CF, art. 150, inc. 1). A Constituição é explicita. Tanto a criação como o aumento dependem de lei.

Diante da existência de lei prevendo a criação de um tributo e comandando as pessoas, físicas ou jurídicas, a pagá-lo dentro de determinado prazo, surgiu a interpretação de que o não pagamento de débito tributário é infração de lei e resulta na responsabilização pessoal dos dirigentes de pessoas jurídicas ao seu pagamento, aplicando-se, para tanto, o art. 135 do CTN tese que foi inclusive aceita por parte da jurisprudência, como se vê:

TRIBUTARIO - EXECUÇÃO FISCAL - PENHORA DE BENS - RESPONSABILIDADE DO SOCIO - ARTIGOS 135 E 136, CTN. 1. O

SOCIO RESPONSÁVEL PELA ADMINISTRAÇÃO E GERENCIA DE SOCIEDADE LIMITADA, POR SUBSTITUIÇÃO, É OBJETIVAMENTE RESPONSAVEL PELA DIVIDA FISCAL, CONTEMPORANEA AO SEU GERENCIAMENTO OU ADMINISTRAÇÃO, CONSTITUINDO VIOLAÇÃO A LEI O NÃO RECOLHIMENTO DE DIVIDA FISCAL REGULARMENTE CONSTITUIDA E INSCRITA. NÃO EXCLUIA SUA

RESPONSABILIDADE O FATO DO SEU NOME NÃO CONSTAR NA CERTIDÃO DE DIVIDA ATIVA. 2. MULTIPLICIDADE DE PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS (STF/STJ). 3. RECURSO IMPROVIDO.44 (GRIFOU-SE)

43 MACHADO, Hugo de Brito. Op. Cit. p. 37

44 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão no Recurso Especial 63.257. Relator:

PEREIRA, Milton Luiz. Publicado no Diário de Justiça em 11/03/1996. Disponível em: < http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?processo=63257&&b=ACOR&thesaurus=JUR IDICO&p=true>. Acesso em 13 de janeiro de 2016.

Como se viu, a responsabilização tributária dos administradores era, inclusive, objetiva. Ou seja, o mero inadimplemento de obrigação tributária autorizava que se redirecionasse automaticamente o processo de execução fiscal contra o gestor da pessoa jurídica.

Acatar esse entendimento, todavia, leva a completa supressão da limitação de responsabilidade dos sócios e administradores de pessoas jurídicas na seara tributária, eis que de nenhuma utilidade será este instituto, pois os gestores serão sempre responsáveis por dívidas tributárias da sociedade, ainda que o inadimplemento não seja motivado por qualquer ato ilícito, violando de todo o princípio da autonomia patrimonial.

Por esse motivo, não se deve entender que o não pagamento de tributos devidos pela sociedade seja considerada infração de lei por parte do administrador. Veja-se, o tributo é devido pela pessoa jurídica, sendo desta a responsabilidade pelo seu pagamento. Se assim não o faz, é esta quem deve responder pelas consequências do inadimplemento. Cite-se, a respeito, a lição de Leandro Paulsen45:

O mero inadimplemento de obrigação tributária é insuficiente para configurar a responsabilidade do art. 135 do CTN na medida em que diz respeito à atuação normal da empresa, inerente ao risco do negócio, à existência ou não de disponibilidade financeira no vencimento, gerando, exclusivamente, multa moratória a cargo da própria pessoa jurídica.

Com efeito, entender o contrário acarreta a aplicação da exceção como regra, como leciona Hugo de Brito Machado46.

Não se pode admitir que o não pagamento do tributo configure a infração de lei capaz de ensejar tal responsabilidade, porque isto levanta a suprimir-se a regra, fazendo prevalecer, em todos os casos, a exceção. O não cumprimento de uma obrigação qualquer, e não apenas de uma obrigação tributária, provocaria a responsabilidade do diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica de direito privado inadimplente. Mas tal conclusão é evidentemente insustentável. O que a lei estabelece como regra, isto é, a limitação da responsabilidade dos diretores ou administradores dessas pessoas jurídicas, não pode ser anulado por esse desmedido elastério dado a exceção.

Assim, o que se mostra adequado quando da aplicação do dispositivo em análise é que o ato ilícito tenha ocorrido antes ou

45 PAULSEN, Leandro. Op. Cit. p. 167 46 MACHADO, Hugo de Brito. Op. Cit. p. 169

concomitantemente ao fato gerador do tributo, excluindo-se, portanto, o inadimplemento tributário, vez que este se dá após a constituição da obrigação. O ilícito é, assim, prévio ou concomitante ao surgimento da obrigação tributária (mas exterior à norma tributária) e não posterior, como seria o caso do não pagamento do tributo. A lei que se infringe é a lei comercial ou civil, não a lei tributária, agindo o terceiro contra os interesses do contribuinte.47

E mais, diversamente do que asseverou o Superior Tribunal de Justiça na ementa anteriormente transcrita, não se pode cogitar de ser o caso de aplicação de responsabilidade objetiva, pois consiste na prática de atos dolosos, impondo-se a responsabilidade subjetiva do administrador. Nos ensinamentos de Sacha Calmon48:

A responsabilidade, como é da melhor doutrina e jurisprudência, não é simplesmente objetiva, exigindo ato doloso ou culposo para induzir a responsabilidade pessoal do sócio.

A conduta prevista no art. 135 do CTN (infração de lei) há de ser, portanto, praticada intencionalmente pelo dirigente da pessoa jurídica, nos termos dos ensinamentos de Betina Treiger Grupenmacher49.

A Autoridade Fazendária deve demonstrar – de forma inequívoca –, a prática intencional tendente ao não recolhimento ou à redução do tributo devido para, após, inseri-los na condição de sujeito passivo da obrigação tributária.

O ônus da prova, como não poderia ser diferente, compete ao fisco, devendo este demonstrar que, em decorrência dos atos praticados pelo gestor, houve a geração da obrigação tributária.

Não se deve deixar de enfatizar que cabe ao Fisco o ônus de provar a ocorrência dos motivos circunstanciais que autorizam a responsabilização dos administradores. Assim, se o Fisco não puder demonstrar que ocorreram atos concretos de excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos, descabe a inclusão de diretores, sócios e gerentes na execução fiscal.50

Atualmente, a corte superior modificou seu entendimento, editando a Súmula 430, cujos termos são os que seguem:

47 BALEEIRO. Aliomar. Direito tributário brasileiro (anotado por Misabel de Abreu Machado

Derzi). 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2003.

48 COELHO, Sacha Calmon Navarro. Op. Cit. p. 750

49 GRUPENMACHER, Betina Treiger. Código Tributário Nacional Anotado. Coord.: GRILLO,

Fábio Artigas; SILVA, Roque Sérgio D’Andrea Ribeiro da.

O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente.51

Com esse entendimento, o tribunal eliminou talvez umas das maiores arbitrariedades da legislação tributária, que se constituía em verdadeiro atentado aos direitos fundamentais do contribuinte.

Belgede 2020 YILI ARA FAALİYET RAPORU (sayfa 61-69)