6.1.1 Posição no turno
TABELA 1: Distribuição das ocorrências de uai e ué/uê quanto à posição no turno
uai ué/uê
Número Peso Relativo % Número Peso Relativo % Total
Começo 45 0.79 83 9 0.21 17 54
Meio 42 0.40 59 29 0.60 41 71
Fim 91 0.41 61 57 0.59 39 148
Total 178 95 273
O fator ‘posição no turno’ foi o primeiro selecionado pelo Goldvarb (2001). De acordo com a tabela, a frequência de uso de ‘uai’ é superior em relação à ‘ué/uê’ nas três posições analisadas, sendo a posição final a mais frequente. Quanto ao peso relativo, verifica-se, uma polarização. ‘Uai’ tende a ocorrer preferencialmente em posição inicial de turno (.79), enquanto ‘ué/uê’ tem as posições de meio e fim como favorecedoras (.60/.59). Os dados estatísticos apontam para uma tendência geral: ‘uai’ em início de turno e ‘uê/ué’ em posição medial e final.
6.1.2 Posição na sentença
TABELA 2: Distribuição das ocorrências de uai e ué/uê quanto à posição na sentença
uai ué/uê
Número % Número % Total
À esquerda 46 74 16 26 62
No interior 4 44 5 56 9
À direita 128 63 74 37 202
Total 178 95 273
O grupo de fatores ‘posição na sentença’ não foi selecionado pelo Goldvarb (2001). Em níveis de frequência, tem-se que ‘uai’ ocorreu mais nas posições à esquerda e à direita (46/16- 4/5-128/74). Comparando com o grupo de fatores ‘posição no turno’, a diferença reside na
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posição final. A forma ‘uai’ é pouco favorecida na posição final de turno, porém é muito recorrente na posição à direita da sentença. Houve um número baixo de ocorrências no interior das sentenças e a diferença observada entre as duas formas não permite afirmar que houve um favorecimento de ‘uê/ué’ na posição interna.
6.1.3 Presença x ausência de negação
TABELA 3: Distribuição das ocorrências de uai e ué/uê quanto ao contexto de negação
uai ué/uê
Número Peso Relativo % Número Peso Relativo % Total
Sem negação 135 0.27 75 44 0.73 25 179
Com negação 43 0.62 45 51 0.37 55 94
Total 178 95 273
Esse fator foi selecionado pelo Goldvarb (2001). Observa-se que a ocorrência de ‘uai’ é favorecida em contextos com negação (.62), em oposição a ‘ué/uê’, cujo contexto favorecedor é sem a presença de marca negativa.
6.1.4 Sexo/Gênero
TABELA 4: Distribuição das ocorrências de uai e ué/uê quanto ao sexo/gênero
uai ué/uê
Número Peso Relativo % Número Peso Relativo % Total
Homens 138 0.55 68 64 0.45 32 202
Mulheres 40 0.34 56 31 0.66 44 71
Total 178 95 273
O terceiro grupo de fatores selecionado pelo Goldvarb (2001) foi ‘sexo/gênero’. Os resultados revelam, em peso relativo, que os homens usam mais a variante 'uai' (.55). As mulheres tendem a utilizar mais as formas ‘ué/uê’ (.66). Essa correlação leva à hipótese de que
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'ué/uê' sejam não estigmatizados. A frequente busca da mulher pela ascensão social e sua maior responsabilidade em relação à criação dos filhos forçam um cuidado maior com a linguagem. Os resultados do próximo fator analisado, a escolaridade, poderão confirmar a avaliação de 'ué/uê' em contraposição a 'uai' depreendida aqui. A expectativa é o favorecimento de 'ué/uê' pelos mais escolarizados.
6.1.5 Escolaridade
TABELA 5: Distribuição das ocorrências de uai e ué/uê quanto ao nível de escolaridade
uai ué/uê
Número Peso Relativo % Número Peso Relativo % Total
Primário 99 0.63 75 32 0.37 25 131
3º Grau PSET 37 0.46 57 27 0.54 43 64
3º Grau PCET 42 0.31 53 36 0.69 47 78
Total 178 95 273
O nível de escolaridade também foi selecionado pelo programa Goldvarb (2001). Note que, em frequência, os três níveis de escolaridade investigados realizam mais a forma ‘uai’. O peso relativo revela que os informantes com até 7 anos de escolaridade tendem a usar a variante ‘uai’ (.63) e essa tendência decresce com o aumento da escolaridade e da exigência de título para exercer a profissão (.46/.31). Conclui-se, então, que pessoas com nível superior de escolaridade favorecem o uso das formas ‘ué/uê’ (.54/.69). Esse resultado reforça a hipótese de que apenas 'uai' seria uma forma estigmatizada.
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6.1.6 Faixa etária
TABELA 6: Distribuição das ocorrências de uai e ué/uê quanto à faixa etária
uai ué/uê
Número % Número % Total
18-25 32 61 20 39 52
26-40 61 65 32 35 93
41-60 36 59 25 41 61
> 60 49 73 18 27 67
Total 178 95 273
Gráfico 1: Distribuição das ocorrências de uai e ué/uê quanto à faixa etária
O grupo de fatores ‘faixa etária’ não foi selecionado pelo Goldvarb (2001). Nesta parte, considerou-se importante a introdução do gráfico referente à tabela para melhor visualização dos resultados. Observa-se que as variantes se encontram em variação estável.
6.1.7 Domínio discursivo
O domínio discursivo não foi selecionado como significativo pelo Goldvarb (2001). De acordo com informações do C-oral Brasil I (2012), a diferença entre contexto familiar/privado e
0 10 20 30 40 50 60 70 80 > 60 41-60 26-40 18-25 uai ué/uê
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público busca retratar o papel com o qual o falante interage com outros indivíduos: (a) em relações familiares ou com amigos (privado/familiar) ou (b) em situações profissionais/institucionais: vendedor/cliente, aluno/professor, colega de trabalho, etc. Os dados da tabela (7) mostram que a frequência de ‘uai’ é maior nos dois contextos (139/79-39/16).
TABELA 7: Distribuição das ocorrências de uai e ué/uê quanto ao domínio discursivo
uai ué/uê
Número % Número % Total
Privado 139 64 79 36 218
Público 39 71 16 29 55
Total 178 95 273
6.1.8 Domínio da interação
As três tipologias interacionais referem-se a textos dialógicos. De acordo com informações do C-oral Brasil I (2012), a tipologia ‘conversação’ diz respeito aos diálogos com mais de dois participantes. O ‘diálogo’, aqueles textos dialógicos em que há a participação predominante de dois participantes. O ‘monólogo’ refere-se a diálogos em que um dos participantes é instigado a produzir turnos bastante longos, como em entrevistas em que é solicitado ao entrevistado contar/relatar um acontecimento de sua vida.
TABELA 8: Distribuição das ocorrências de uai e ué/uê quanto à interação
uai ué/uê
Número % Número % Total
Conversa 108 63 61 37 169
Diálogo 60 67 29 33 89
Monólogo 10 66 5 34 15
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O Goldvarb (2001) não selecionou o grupo de fatores domínio interacional. De acordo com a tabela (8), em níveis percentuais, ‘uai’ é mais recorrente em todas as três tipologias (63/37-67/33-66/34). Tanto ‘uai’ quanto ‘ué/uê’ foram mais frequentes nas tipologias conversa e diálogo. Isso revela o forte desempenho desses itens na interação.