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A. AĠLENĠN OLUġUMU

6. Ailede Çocuk Sayısı

Há alguns anos, contadores e técnicos contábeis experientes, com profundos conhecimentos técnicos e legais rumavam para a carreira acadêmica com a finalidade de difundir as informações adquiridas ao longo de sua vida profissional. Atualmente, o docente de contabilidade, além de necessitar dos conhecimentos e das habilidades da profissão contábil, necessita de conhecimentos teóricos, estruturais, didáticos e pedagógicos.

Essa formação ampla e complexa é adquirida com a experiência de mercado e com o aperfeiçoamento contínuo por meio de cursos de pós-graduação, como os de especialização e, principalmente, mestrado e doutorado. A exigência de professores com uma formação mais completa é imposta pelo mercado e, principalmente, pelas IES que seguem regras do MEC, no qual exige segundo a Lei nº 9.394, art. 52, inciso II, pelos menos um terço do corpo docente das IES com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado.

Além da exigência de uma titulação, o professor de contabilidade também enfrenta outro desafio: aliar os conhecimentos teóricos e práticos, tornando o teórico tão importante quanto o prático, e o prático agradável e de fácil entendimento. Pois, quando um estudante ouve pela primeira vez as palavras ‘débito’, ‘crédito’, ‘balanço’ e ‘razonete’, tende a antipatizar com a contabilidade se os seus significados e importâncias não forem compreendidos. Para isso, não basta ao docente de contabilidade ter o domínio da prática contábil, ele deve conhecer a teoria e o embasamento dos métodos e dos sistemas utilizados.

Ademais, o professor necessita de habilidades didáticas e pedagógicas para envolver o aluno no processo de ensino-aprendizagem. Ele precisa guiar o aluno para que o mesmo aprenda a aprender, estimulando-o no caminho da pesquisa e da reflexão. As aulas de Ciências Contábeis devem procurar a participação ativa do aluno no processo de aprendizagem, com métodos que possibilitem o desenvolvimento de habilidades para o questionamento, a análise crítica e capacidade para a tomada de decisão.

Um estudante ao analisar, questionar ou explorar está utilizando suas experiências anteriores, informações técnicas, conhecimentos, métodos e a compreensão para solucionar um problema. Dessa forma, o indivíduo está pensando criticamente, está questionando, explorando formas de pensamentos, normas e procedimentos com a finalidade de obter um

profundo entendimento, para posteriormente propor alternativas que visem o ajustamento e o aprimoramento do assunto.

De uma maneira geral, o professor de contabilidade pode ser responsável por estimular esse pensamento crítico, mas para isso precisa ter uma formação e uma preparação voltada para a reflexão da teoria, ensinando os alunos a aprenderem e não mais preparando profissionais obsoletos, uma vez que a tecnologia evolui mais rapidamente que os conteúdos programáticos (HERNANDES et al., 2006).

Laffin (2002, p. 2), defende que:

As questões didático-pedagógicas, como preocupações teórico-práticas que possibilitam a reflexão das ações do dia-a-dia no processo ensino-aprendizagem, ainda não são tomadas como fundamentais nesta área de ensino. Neste contexto, as teorias da educação, assim como as contribuições da sociologia, da psicologia e da filosofia apresentam-se como descoladas da realidade da formação do professor de contabilidade... As contribuições das ciências humanas são vistas por estes, na maioria das vezes, de forma desintegrada da análise dos fenômenos sociais. Pode-se buscar indicações para superar os problemas relatados na obra de Morin (2002a) aonde são apresentados alguns fundamentos centrais referentes ao aspecto do ensino que, em muitos casos, permanecem ignorados ou esquecidos pelos educadores, e que poderiam ser seguidos pelos docentes da área contábil:

1 atualmente a educação se atenta em transmitir conhecimentos, mas não se preocupa em fazer conhecer o que é conhecer;

2 além de conhecer é preciso compreender, e a educação para a compreensão está ausente do ensino, pois comunicação não garante compreensão;

3 o conhecimento é uma aventura incerta que comporta em si mesma o risco de ilusão e de erro, assim a educação deveria incluir o ensino das incertezas, ensinando os princípios de estratégias que permitam enfrentar os imprevistos, o inesperado (MORIN, 2002a).

O ensino de contabilidade está, muitas vezes, limitado à transmissão dos conhecimentos contábeis com ênfase no tecnicismo associado aos conteúdos mecanicistas, formando profissionais voltados mais para os aspectos técnicos. Essa visão e concepção é passada pelo docente que transmite o conhecimento e direciona o aprendizado. É interessante buscar relações com as ciências humanas para tornar o futuro contador mais crítico e consciente de suas funções e responsabilidades profissionais e sociais.

O trabalho apresentado por Nossa (1999a) enumera algumas das deficiências no ensino de contabilidade. Na década de 80, essas deficiências eram causadas por carência de bons profissionais, falta de preparo do corpo docente, falhas nas metodologias de ensino aplicadas, falta de integração entre os professores, falta de adequação do currículo e de programas bem definidos sobre a prática contábil.

Na década de 90, fazendo referência ao trabalho de Schmidt, Nossa (1999a, p.41) destaca que “[...] uma das maiores deficiências na educação contábil no Brasil é a falta de treinamento para os professores dos cursos de Ciências Contábeis”. Aponta para o baixo número de docentes com cursos de Mestrado e Doutorado e relaciona as instituições que possuem a maioria dos docentes em formação inicial (menos de cinco anos na atividade de ensino) com o baixo desempenho dos alunos.

Além dessas deficiências, o autor (NOSSA, 1999b), ao investigar as causas do baixo desempenho acadêmico dos professores de Ciências Contábeis, constatou os seguintes motivos:

i. expansão extraordinária dos cursos – o rápido crescimento do número de cursos na área de contabilidade exigiu a contratação de professores com pouca experiência acadêmica, na maioria profissionais oriundos do setor empresarial;

ii. círculo vicioso existente no ensino e o descaso com a educação – em função da falta de exigências e avaliações criou-se um círculo vicioso em torno do ensino, no qual as escolas não cobram dos professores, os professores não cobram dos alunos, e os alunos não cobram nem das escolas nem dos professores;

iii. falta de investimento por parte das Instituições – pois a maioria das IES particulares estão interessadas na lucratividade, investindo apenas o mínimo necessário para atingir seus objetivos;

iv. maior atração por parte do mercado profissional e falta de incentivo à carreira acadêmica – baixa remuneração e falta de um plano de carreira leva para o mercado de trabalho pessoas que poderiam atuar no magistério;

v. má contratação de professores pelas instituições – falta de exigência de conhecimentos pedagógicos, de teste de capacitação técnico-profissional e nível cultural dos professores no momento da contratação;

vi. reduzido número de cursos de mestrado e doutorado, falta de pesquisa e pouco conhecimento em cultura geral – “pequeno número de cursos stricto sensu em Contabilidade, a falta de cultura geral e humanística e a falta de tempo para a pesquisa leva a maioria dos professores a aceitar coisas como verdades absolutas, sem discuti- las”. (NOSSA, 1999b, p.14).

Com relação aos motivos apontados por Nossa, alguns deles estão sendo minimizados, como é o caso da expansão dos cursos de graduação e do número de cursos de mestrado e doutorado. No primeiro semestre de 2007, doze programas de pós-graduação (doze de mestrado e dois1 de doutorado) estavam efetivamente habilitados para formar professores e pesquisadores, oito programas a mais do que aqueles existentes em 1999. Dessa forma, o número de mestres, principalmente, aumentou, gerando uma disponibilidade maior de profissionais habilitados para a área do ensino. Contudo, um dos fatores que este trabalho objetiva verificar é a formação desses professores em relação aos conhecimentos didático- pedagógicos e técnico-científico citados por Nossa como uma deficiência não verificada no momento da contratação do docente pela IES.

Outras deficiências também podem ser destacadas como: a falta de conhecimento prático prejudicando a explanação e a exemplificação de problemas contábeis, principalmente aqueles relacionados a temas técnicos e específicos, como é o caso de perícia contábil, contabilidade governamental, auditoria, entre outros; e a falta de conhecimento social e político, afetando discussões relacionadas aos problemas do país, da economia, da ética empresarial, da ética profissional.

Essa discussão demonstra a importância do aprimoramento e treinamento do professor de contabilidade, que pode ser obtido por meio de experiências no mercado, pesquisas, investigação e aperfeiçoamento através dos cursos de pós-graduação.

Os cursos de pós-graduação são classificados em Lato Sensu e Stricto Sensu. A expressão latina Lato Sensu significa “em sentido amplo”, “em sentido geral”. O MEC caracteriza esses cursos como de especialização direcionados à área profissional, de mercado, com um objetivo técnico-profissional específico para ampliar e estender o conhecimento e com caráter de educação continuada. Possuem duração máxima de dois anos e estão

enquadrados nesta categoria os cursos de especialização, de aperfeiçoamento e os cursos designados como MBA (Master of Business Administration).

Em oposição, a expressão latina Stricto Sensu significa “em sentido restrito”, identificando os cursos de uma linha mais restrita do saber, com o objetivo de aprofundar o máximo possível determinando ramo do conhecimento. Esse estudo analisa somente os programas de pós-graduação Stricto Sensu, sendo ao longo do trabalho denominado de pós- graduação. Assim, na pós-graduação Stricto Sensu estão incluídos os cursos de mestrado (acadêmico e profissionalizante) e doutorado.

O mestrado é a primeira etapa da carreira acadêmica e está direcionado para a formação inicial de docentes e pesquisadores. Tem por finalidade proporcionar o desenvolvimento de competências e habilidades para a docência e possibilitar a formação de pesquisadores com amplo domínio do seu campo de saber. A diferença entre o mestrado acadêmico e o mestrado profissionalizante é que este prioriza a formação prática ao invés de uma formação somente acadêmica. Além disso, de acordo com a Portaria Capes nº. 080/1998, o mestrado profissionalizante deve atender aos seguintes requisitos: (i) estrutura curricular vinculada a sua especialidade focada na aplicação profissional de forma flexível e compatível com o tempo mínimo de um ano; (ii) corpo docente formado predominantemente por doutores, podendo uma parcela ser constituída de profissionais de qualificação e experiência inquestionáveis na área; (iii) carga horária dos docentes compatíveis com as necessidades do curso admitindo o regime de dedicação parcial; (iv) apresentação de trabalho final (dissertação, projeto, análise de casos, desenvolvimento de instrumentos, equipamentos, entre outras).

O doutorado é a etapa madura da carreira, na qual a dedicação à pesquisa é acentuada e o aprimoramento intelectual é necessário. Tem por objetivo aprofundar os conhecimentos do pesquisador, possibilitando uma melhor qualificação, um amplo domínio do seu campo e a habilidade de conduzir uma investigação original.

A pós-graduação na área de contabilidade deve ter como objetivo, além da formação de pesquisadores, a responsabilidade pela formação competente do professor de graduação, estabelecendo a discussão de questões didático-pedagógicas no tocante aos métodos de produção do conhecimento contábil.

Os programas de mestrado e doutorado em contabilidade têm por objetivo (i) formar professores para desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão em Ciências Contábeis; (ii) formar pesquisadores de alto nível, habilitando-os para a continuidade dos estudos científicos; (iii) produzir conhecimentos teóricos que tenham um alcance prático; e (ix) disseminar os conhecimentos contábeis.

Benzer Belgeler