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AHLÂKIN DEĞİŞİP DEĞİŞMEYECEĞİ PROBLEMİ

sua natureza abrangente e transitória e, talvez, até de forma mais extensiva e natural, isto é, não apenas utilizando lápis e papel como suporte e material, mas com qualquer material e instrumento (pedra, graveto, as próprias mãos, alfinete, galho,...) e qualquer superfície material (vidro, argila, parede, chão, terra, muro...), experiências estas que a escola deveria absorver de maneira mais ágil e abrangente (DERDYK, 2014. p. 129).

Diante das observações feitas por Wilson e Wilson e Derdyk sobre o desenho, podemos trazer alguns exemplos de trabalhos desenvolvidos por Holm (2005), artista plástica e professora na Dinamarca, que reforçam as discussões pontuadas por esses autores. Para Holm (2005) apresentar para as crianças artistas de culturas diferentes e com isso chamar a atenção delas para essas diferenças, introduz as crianças nos inúmeros estado do ser, deixando claro que não existe um padrão a ser seguido. Como artista e professora, Holm (2005) argumenta que é preciso estar sempre atento aos materiais, sons, odores, às estações do ano, cores e sabores, que segundo ela abrem os sentidos, desconstruindo e reconstruindo as percepções estéticas das crianças. Um bom exemplo, citado por ela, foi a proposta de um desenho definido como se do As ga as . So e esse t a alho ela diz,

o artista dinamarquês Michael Bredtved visitara a Escola de pintura várias vezes. Uma vez, ele me ensinara um bom exercício de aquecimento, usei com os alunos: todos tinham carvão e pequenos lápis de cera colados, com fita adesiva em cada dedo. Grandes folhas de papel foram coladas no chão e nos ca aletes. Ago a e a ho a de dese ha o as ga as . N o e a f il pi ta daquela forma. Nem era essa a intenção: era um experimento de desenho. Mas, na verdade, os desenhos feitos desse modo, muitas vezes acabam sendo mais interessantes. Grandes e vivos. Sempre uso música para acompanhar processos desse tipo (HOLM, 2005, p. 88).

De acordo com a autora, diante desse trabalho algumas crianças comentaram que o exercício tinha sido bom porque puderam perceber as diferenças do carvão e do giz de cera ao desenhar uma linha e que, além disso, observaram também que o dedo mínimo trazia traços mais fracos, enquanto o indicador desenhava com mais expressividade, mais força. Para Holm o a tísti o o ue faze os dele. Vo te de se esfo ça pa a defi i-lo. Isto torna o p o esso uito ais at ae te. Todas as soluç es s o a í eis HOLM, 2005, p. 89). Trabalhar com imagens variadas com as crianças possibilita um maior envolvimento delas no processo de produção, que não se resume ao produto final.

A preocupação da autora foi possibilitar às crianças uma experiência distinta de desenho, em que o processo vivido por elas, na produção do trabalho, tivesse mais significado. Desenhar com garras é muito diferente de desenhar com lápis e papel, por isso as sensações mudam cada vez que novos desafios são propostos (Holm, 2005). Em relação aos materiais a autora

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afirma que de maneira geral estamos sempre escolhendo técnicas de

desenho/pintura/modelagem para as crianças. Mas, pela sua experiência, ela observa que quando é oportunizado às crianças escolherem materiais diferenciados, elas o fazem com muita propriedade. Conseguem encontrar aquilo que é mais adequado para o que se propôs a fazer. Elas são capazes de utilizar materiais que nenhum adulto sonharia ser possível. Outro e e plo itado po Hol e ol e do o dese ho foi o Ret ato po telefo e ue segundo ela partiu de

alguns telefones antigos retirados dos armários com toda sua parafernália. Na aula de hoje, comecei chamando por telefone uma das crianças. Naja, e a o seu o e, e a ago a a a tista. Al , eu gosta ia de e o e da o retrato da minha tia. Ela tem grandes bochechas redondas, os olhos são muito pertos um do outro, um é verde e o outro é azul, o nariz, um pouco a e itado. A o a fi a... , e assi po dia te. A ideia ue o a tista pi te o retrato encomendado. Isso durou toda a tarde. Era incrivelmente divertido o que eles podiam encomendar para cada um. Eu tive essa ideia no verão, quando trabalhei com Kestutis, da Lituânia. Ele me contou que frequentemente pintava retratos dessa maneira, quando a pessoa que ele estava pintando vivia a muitos quilômetros de distância. As crianças da Oficina de Arte são fantásticas, elas trabalham praticamente o tempo todo. Uma coisa leva a outra (HOLM, 2005, p. 142).

Uma reflexão possível em relação ao que apontam Wilson e Wilson (2008), Derdyk (2014) e Holm (2005) é considerar a importância de a criança aprender sobre todos os tipos de materiais que tenham acesso, enquanto exercitam suas experiências em Arte. Vimos na experiência apresentada por Holm(2005) que as garras feitas de giz de cera/carvão e os telefones velhos são objetos bons para o exercício exploratório em Arte. Na atualidade interpretamos a Arte de diferentes formas. Por isso, a nossa maneira de entendê-la precisa ser mais flexível e menos presa a padrões predeterminados.

Ainda sobre a temática do desenho, outro autor que nos ajuda a entender o desenho das crianças é Staccioli (2014) que nos convida a refletir sobre a invisibilidade no desenho das crianças. O autor argumenta que a compreensão do significado do desenho na infância poderá auxiliar o professor na sua maneira de intervir e valorizar as ações e pesquisas das crianças no exercício constante de desenhar. Para isso, seria preciso, segundo ele, conhecer a história do desenho infantil na educação.

Staccioli (2014), professor na Universidade de Florença na Itália, afirma que apesar de muitos estudiosos pesquisarem sobre o desenho infantil, as produções gráficas das crianças foram tardiamente analisadas pela história da educação. Somente nas revistas didáticas do século

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XIX foi possível encontrar alguns escritos sobre esse tema e Staccioli (2014) indica Conrado Ricci como um dos primeiros pesquisadores a publicar um volume inteiro tratando especificamente do desenho infantil, intitulado L’Arte dei ba bi i, de 1887. Nesse volume é ap ese tada u a do u e taç o de i age s e a efle o de Co ado Ri i so e o dese ol i e to da ep ese taç o g fi a as ia ças e so e a sua elaç o o a A te (STACCIOLI, 2014, p. 96). Fica também explicitada, nesse volume, a importância de ensinar o desenho nas escolas públicas. Segundo Staccioli, Ricci notou numa exposição em Bolonha, entre os desenhos dos adultos expostos, que haviam também desenhos de crianças que o fascinaram mais que os desenhos dos artistas. Depois dessa exposição, entrou em contato com seus amigos que trabalhavam em várias escolas e a partir daí começou a coletar os dese hos das ia ças ue fo a de o i ados A te i g ua . Esses dese hos despe ta a a atenção e muitos outros professores e pesquisadores passaram a seguir essa tendência.

Staccioli (2014) apresenta Georges Rouma (1913) e Georges – Henry Luquet (1927) como autores relevantes, de países europeus, que também discutiram a linguagem gráfica dos desenhos Infantis. Estes autores, segundo Staccioli, foram inspiradores de Mário de Andrade em sua coleta de desenhos infantis aqui no Brasil. As produções gráficas das crianças, segundo Staccioli, são significativas e representativas. As divergências entre os pesquisadores do desenho infantil também revelam diferentes concepções de criança e de infância.

A ênfase dada às imagens infantis, de acordo com Staccioli (2014), se deu num período de o i ado a des o e ta da i f ia ue su giu a pa ti de estudos dese adeados so e a diferença da inteligência com base em graus e níveis – à procura de uma sequência ordenada e universal da evolução psicológica das crianças e de suas capacidades cognitivas (a partir do teste mais famoso, o da Escala Binet – Si o STACCIOLI, , p. . Desde então, os primeiros testes de desenhos passaram a ser utilizados e sua proposta era medir a inteligência não verbal, o desenvolvimento mental e intelectual do desenhista. A quantidade de detalhes representados pelo desenhista era uma das maneiras de medir o nível de sua inteligência o que confirmava que as crianças representam o que conhecem (Staccioli, 2014).

Muitas mudanças ocorreram ao longo do tempo, apesar do teste da figura humana continuar servindo de referência em muitos países do mundo. Segundo Staccioli (2014), essas diferenças em relação aos desenhos voltavam-se o a pa a u a di e s o e oluti a, o a pa a u a di e s o a tísti a; o a pa a a di e s o psí ui a; o a pa a a di e s o o u i ati a (STACCIOLI, 2014, p. 97). Em suas pesquisas na área de desenho e infância, o autor discute

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uma dimensão do desenho que, segundo ele, ainda é pouco explorada, que são as representações metafóricas presentes nos desenhos das crianças. Sua pesquisa nos convida a entrar no universo das imagens infantis, o que para ele representa um campo complexo que exige de nós, de alguma maneira, nos despirmos de expectativas pré-concebidas. Sua intenção é buscar o invisível nos desenhos infantis, aquilo que não está explicito nas imagens que fogem dos modelos gráficos usuais, dos estereótipos que evidenciam imagens compreensíveis no instante em que são visualizadas. Staccioli pontua que a complexidade dos desenhos infantis fica evidenciada,

quando as crianças buscam, através do desenho, comunicar algo aos outros ou a si mesmas. Explicar o mundo não é uma operação simples, nem mesmo para os adultos. Muitas vezes nos faltam palavras para dizer o que pensamos ou queremos que os outros compreendam. Nesses casos, precisamos de desvios linguísticos, contornos de palavras, de similitudes, de metáforas. Sabemos de maneira implícita que não podemos dizer completamente o que gostaríamos de comunicar, conscientes de que o modo com o qual percebemos, pensamos, elaboramos determinado evento é, de qualquer forma, incomunicável, mas que ao mesmo tempo, esse evento quer ser explicitado, trazido à luz, iluminado. Trata-se de uma operação altamente produtiva seja no plano cognitivo, seja como tomada de consciência do próprio ser no mundo (STACCIOLI, 2014, p. 97).

Nesse sentido, Staccioli alerta, sobre as ações das crianças pequenas que tentam pela primeira vez desenhar o próprio pensamento, suas elaborações, sua experiência de vida e suas e oç es. Pa a ele p e iso e o aja as ia ças a dese ha e o ue pe sa a , a representar o que pode parecer não visível é pedagogicamente importante e didaticamente difícil. Difícil porque os costumes culturais (das professoras, mas também dos parentes, dos companheiros maiores) permaneceram na antiga noção de que as representações servem pa a ost a o isí el STACCIOLI, , p. . Qua to ais ealista fo o dese ho, ais ele será valorizado na cultura adulta dominante. Como consequência dessa forma determinista de tratar o desenho, muitas crianças, por não reconhecerem essa solicitação, porque essa é uma maneira distorcida para elas de compreender as imagens, podem perder o interesse e parar de desenhar e isso não acontece apenas com as crianças, mas também com os adultos (Staccioli, 2014).

Albano (2010) é outra autora que contribui com a reflexão sobre o desenho. Porém, em seu trabalho, ela analisa a perda do interesse das crianças e dos adultos pela prática do desenho, mostrando que a expressão através da verbalização foi mais explorada, principalmente na escola, diferentemente da dimensão visual, que para a auto a, i e u a apa e te at ofia ,

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Benzer Belgeler