II. İNSANIN FİİLLERİ
II. 2. Adalet ve Zulüm
organização dos espaços e o tempo, o clima da classe, a escuta competente de adultos que sinceramente se interessam pelas elaborações infinitas que as crianças fazem, coisas do mundo externo e interno. Acolher, como adultos, as mensagens invisíveis que atravessam as imagens requer uma aproximação delicada, aberta ao possível e ao incerto (STACCIOLI, 2014, p. 98).
Os estudos de Staccioli (2014) contribuem, sobretudo, em relação à necessidade de acolher as mensagens invisíveis nos desenhos das crianças. Por não saber como se desenha o pensamento, o acolhimento dos adultos em relação às mensagens invisíveis necessita de uma aproximação cuidadosa e sem a preocupação com as incertezas daquilo que será visto. Esse modo de se aproximar das imagens requer uma leitura à qual não estamos acostumados. Uma leitura que trilha percursos incomuns. O professor, como um observador atento, que sabe ler nos olhos das crianças e no silêncio de seus alunos, estará apto a desafiar e a esperar o processo de cada um (Staccioli, 2014).
Conforme já afirmamos, além do desenho, é preciso considerar outras dimensões das Artes Visuais tais como escultura, pintura, instalação, performance etc. com o objetivo de possibilitar às crianças da Educação Infantil compreenderem e dialogarem com as diferentes produções da cultura e da Arte contemporânea. Nesse sentido, outra autora que destaca a Arte como experiência estética das crianças é Osteto (2010), que dentre outras coisas reafirma a importância da presença acolhedora do adulto no processo exploratório que cada uma vivencia. Segundo esta autora, os processos expressivos abrem espaços e oportunidades para que as crianças tenham acesso à produção cultural e artística da humanidade, favorecendo a sua aproximação aos códigos estéticos. Para a autora, é preciso encorajar as ia ças e pe i e taç o, po ue pa a o st ui , da fo a, i e ta , o po , p oduzi com diferentes materiais é fundamental conhecer e conquistar certa intimidade com esses ate iais OSTETO, , p. 32). Como as crianças poderão dominar certos códigos da Arte, da pintura com tinta de várias cores e diferentes texturas, com pinceis de tamanhos e formas também distintas, com lápis de diferentes formatos e qualidades, com giz, carvão etc, se não exercitarem constantemente esse processo de experimentação? (Osteto, 2010).
Como as crianças poderão escolher o material ou suporte que melhor as atende em suas descobertas expressivas, se não tiverem a oportunidade de conhecer e escolher? Há um determinismo nas práticas escolares que inviabiliza inclusive formas alternativas de
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experimentação. Construir juntamente com as crianças pincéis feitos com cabos de vassoura, estopa e blusas de malha velhas, pode ser uma experiência rica e desafiadora para as crianças e professores. Ao mesmo tempo esse pincel alternativo pode se tornar um problema porque vai deslocar as ações das professoras, das crianças e da escola. É possível usar esse pincel dentro da sala de aula onde as crianças estarão assentadas em suas cadeiras e mesas? Que tipo de papel será usado? Essa pintura será mesmo em papel? Quais espaços serão utilizados? Os espaços da escola possibilitam esses deslocamentos? Essas perguntas podem nos ajudar a desviar um pouquinho nosso olhar tão pragmático sobre as mudanças que podem ocorrer nas práticas das professoras e nos espaços da escola, quando um simples cabo de vassoura muda de função. As UMEIs estão preparadas para receber um pincel de um metro e meio em seu almoxarifado? Há lugar para ele na escola e nas práticas pedagógicas? O que existe é um discurso elaborado no âmbito da Educação Infantil a respeito da necessidade de ampliar os repertórios artísticos das crianças e suas experiências com as Artes de maneira que as múltiplas linguagens das crianças sejam consideradas. No entanto, o que temos visto é,
...a si plifi aç o e o e po e i e to da A te e u a e s o escolarizada, encerrada no fazer e visando a um produto, colocando em aç o o es o pa a todos , siga o odelo , assi ue se faz . Na Educação Infantil, frequentemente, a Arte mostra-se com a roupagem de um conteúdo a ser ensinado em determinados momentos ou um conjunto de técnicas e instruções para o exercício de habilidades específicas (os t a alhi hos e as ati idades a tísti as o po esse a i ho . OSTETO, 2010, p. 31)
Nesse sentido, consideramos que as Artes Visuais não são atividades que acontecem de forma isolada ou esporádica, mas precisam constituir e atravessar o cotidiano das instituições de Educação Infantil, porque sua presença na vida das crianças pode contribuir para ampliar o olhar de cada uma sobre o mundo e suas experiências estéticas. Além disso, uma questão que ainda precisa ser considerada nas práticas escolares está relacionada ao fato de que na Edu aç o I fa til as A tes Visuais o pode se o fu didas o dei a faze , o a t o
o he ida li e e p ess o difu dida o ode is o. Pa a Osteto , e p essa ta não é fazer o que o outro solicitou, porque dessa forma não seria possível mobilizar os sentidos, ressignificando o que foi percebido e vivido pela criança. Para a autora, o papel do professor neste processo em que as crianças estão se inserindo na discussão e na experimentação da Arte é o de ser um interlocutor que dá suporte às crianças no momento da criação.
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Para manter o universo imaginário das crianças em movimento necessita-se de tempo, espaço e ações concretas no fazer diário da escola e da sala de aula. Um tempo pensado e planejado para acolher a Arte, a qual se constitui num ritmo desacelerado. Em Arte, é preciso tempo para dei a as oisas a o te e e . Pa a Osteto , se isso, i a ia el e te, ha e a i po- sição de ritmos, estabelecendo a força da determinação cronológica, limitando experi ias (OSTETO, 2006, p.33). A autora afirma, que o desafio para o professor é exercitar um planejamento que seja transformador do tempo. Um tempo que muitas vezes escraviza e tira das crianças e dos adultos a condição de pensar calmamente, pausadamente. No entanto, não acredito que o professor sozinho seja responsável pela transformação do tempo na escola. O funcionamento da instituição escolar acontece a partir de uma lógica estabelecida por diferentes agentes, inclusive o professor. Mas não apenas ele. No caso da UMEI pesquisada para esta dissertação, a rotina das crianças segue regras gerais estabelecidas pela própria Secretaria Municipal de Educação.
Albano (2010) também traz contribuições sobre os possíveis efeitos do tempo e do espaço nas práticas em Artes Visuais. Para esta autora, o ateliê é o espaço em que o artista exercita seu processo criativo. Lugar onde ele experimenta e constrói novos conhecimentos. No entanto, antes de se aquietar no ateliê para produzir qualquer coisa que seja, seu olhar vasculha o mundo em busca de novas impressões para desenvolver suas produções. O trabalho do artista é completamente diferente do que acontece na escola. Na escola não se formam artistas e, além disso, as crianças, apesar de fazerem uso das ferramentas da Arte para se expressarem, não são artistas. No entanto, de acordo com a autora, é possível proporcionar experiências significativas em que as crianças sejam levadas, assim como os artistas, a vasculharem o mundo à sua volta, tornando-se u o se ado ate to. Pa a a auto a a es ola, o ai o, a cidade, a família, com suas formas, cheiros, cores e sabores, são os primeiros elementos de o tato ue as ia ças t o o u do ALBANO, , p. . Nesse se tido, ela afirma a necessidade de registrar as impressões das crianças sobre os mesmos elementos deixando explicitados seus gostos e suas a e s es , possi ilita do ue elas e o heça dife e ças e semelhanças. A autora cita Garcia Marques ao escrever sobre suas lembranças da pré-escola que evidenciam o valor das experiências estéticas vividas pelas crianças na Infância.
Os professores estimulavam os cinco sentidos mediante exercícios práticos e ensinavam a cantar. Com o talento e a beleza da diretora Rosa Elena Fergusson estudar era algo tão maravilhoso como brincar de estar vivo. Aprendi a apreciar o olfato, cujo poder de evocações nostálgicas é arrasador. O Paladar, que afinei até o ponto de ter provado bebidas com sabor de janela, pães velhos com sabor de baú, infusões com sabor de