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112 Acil Hizmetleri

Belgede 2014 YILI BÜTÇE SUNUMU (sayfa 96-100)

Esta pesquisa teve como objetivo compreender que aprendizagens vão construindo, professoras, que atuam na educação infantil, ao se proporem educar para relações étnico-raciais positivas no dia-a-dia escolar. No decorrer da análise dos dados, sobretudo das entrevistas, fui identificando dimensões de processos de aprendizagens das e nas relações étnico-raciais.

A questão de pesquisa tem como função orientar os caminhos pelos quais o estudo vai se aproximando e desvelando, em particular no presente caso, os processos de aprendizagem de professoras, ao se proporem educar para relações étnico-raciais positivas. Cabe ressaltar que a questão de pesquisa não assume o papel forçoso de encontrar dados que a respondam e nem mesmo o de se limitar a esses. Como ensina Gatti (2001), “a busca da pergunta adequada, da questão que não tem resposta evidente, é que constitui o ponto de origem de uma investigação científica”.

Orientada, assim, pela questão de pesquisa: Que aprendizagens vêm tendo

professoras que atuam na Educação Infantil ao buscarem promover, no dia-a-dia escolar, a educação das relações étnico-raciais? e, contando com a colaboração das

participantes da pesquisa, professoras que atuam na educação infantil, o estudo chegou aos resultados apresentados neste capítulo.

Esses resultados deixaram evidente que as propostas de trabalho das professoras, para a educação das relações étnico-raciais, vinham se formando antes mesmo de construírem atividades com esse propósito, nas oportunidades que tiveram de conviver em relações étnico-raciais em diferentes dimensões da vida. Os resultados mostraram

125 também que relações étnico-raciais que observaram e vivenciaram em diferentes contextos influenciam em suas visões e indicam como agir em classe e na vida.

Esses mesmos resultados também são demonstrados em estudos como os de Vieira (2002), Moraes (2006), Verrangia (2009) e de Vangrelino (2004) 12. Dentre outras contribuições, ensinam que as várias dimensões da vida em que se aprende/ensina/aprende se interconectam, não sendo dissociados de processos educativos ocorridos a partir da escola àqueles construídos em outros espaços. Os estudos mencionados, assim como a pesquisa que aqui se conclui, mostram que as aprendizagens decorrentes do convívio em família, do convívio em outros espaços sociais – igrejas, festas, passeios, dentre outros –, incidem sobre as experiências profissionais no sentido de construir estratégias de desempenho e relações com colegas e de gerar novas aprendizagens. Dessa forma, fica evidente, a escola não é o único lugar privilegiado de educação, tanto dos/as alunos/as quanto dos/as professores/as.

Sobretudo Moraes (2006) e Verrangia (2009) identificam em seus trabalhos experiências de vida de professores que incidem nas relações étnico-raciais que mantêm com seus alunos(as) e sobre encaminhamentos que fazem ou não para corrigir distorções dessas relações.

Na presente pesquisa, todas as professoras, tanto as que atuam em sala de aula como na função de direção, em suas falas deixam ver que vêm educando-se em relações étnico-raciais em diferentes espaços e momentos da vida. Estas experiências influenciam processos educativos por que são responsáveis. Dizendo de outra forma, essas experiências informam sua intenção pedagógica com objetivo de educar as relações entre diferentes grupos étnico-raciais que compõem a população brasileira, combatendo o racismo e discriminações.

É importante destacar que esta atuação pedagógica não se pauta na busca de técnicas para melhor passar um conteúdo, mas de compromisso social de combate às discriminações, buscando estratégias para combater o racismo e fortalecer identidades de alunos/as negros e não-negros. Buscam estratégias para intervir em relações que desencadeiam atitudes discriminatórias da parte de uns e sofrimento da parte de outros.

Como demonstra Simão (2005), mesmo que a escola negligencie as tensas relações étnico-raciais existentes em seu ambiente, tratando os/as professores/as ou não dessas relações, as crianças percebem e criticam a atuação dos/as professores/as. Eles/as

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Todos os trabalhos citados são pesquisas em educação de mestrado e doutorado realizados na Universidade Federal de São Carlos, pela Linha de Pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos.

126 identificam, sofrem ou promovem a discriminação, mas também lamentam que os adultos, seus pais e professores/as, os deixem sozinhos para tratar dessas questões. Os adultos silenciam, nada dizem ou fazem, como se as relações étnico-raciais tensas não existissem.

Na pesquisa de Simão, os/as alunos/as sugerem o que é preciso fazer para que sejam superadas relações de desigualdade e preconceito. As professoras da pesquisa aqui relatada valem-se de suas experiências pessoais para não deixarem seus alunos/as sozinhos/as e buscam possibilitar condições para que superem experiências negativas relacionadas ao seu pertencimento étnico-racial.

Nesse processo, alunos(as) e professores(as) ensinam e aprendem. Equivocadamente, muitas pessoas pensam que na escola as aprendizagens se limitam a um processo vivenciado apenas pelos estudantes, o que não é verdade, pois professores ao ensinarem também aprendem na relação com seus alunos/as. Como ponderou Vieira (2002) ao buscar compreender como foi aprendendo a ser professora na prática docente, a formação inicial oferece suporte imprescindível para chegar à docência, entretanto, o dia-a-dia da prática educativa, nas relações “com outras pessoas, alunos, colegas, futuras professoras, administradores, comunidade”, se desencadeiam aprendizagens fundamentais para o desenvolvimento da profissão.

Como já dito são em experiências da vida, na família, como estudantes, em outros ambientes, que elas se educam para as relações étnico-raciais e esse educar-se apresenta peculiaridades importantes que se referem ao seu próprio pertencimento étnico-racial, como também identifica Verrangia (2009, p.193) em sua pesquisa, “o pertencimento étnico-racial é um dos elementos-chave nos processos educativos vividos” por professores.

O educar-se ao longo da vida nas relações étnico-raciais ocorre na experiência de todas as participantes. Porém, para as professoras negras, a consciência de seu pertencimento étnico-racial está dada numa esfera de desigualdade entre negros e brancos, o que se revela em suas experiências diárias. Já as professoras brancas só passam a perceber relações raciais desiguais depois de participarem de cursos de formação continuada, ainda que em todas as suas relações sociais, antes e fora da escola, mas também dentro dela, se eduquem para essas relações, que podem ser opressivas e discriminatórias.

Ressignificar a história fez com que as professoras brancas se reconhecessem para reconhecer o outro. Todas as mulheres da pesquisa, brancas e negras, professoras

127 que cotidianamente convivem com experiências variadas, vão aprendendo a lidar com as relações étnico-raciais, angariando conquistas e, enfim, auxiliando na construção de pedagogias anti-racistas.

Belgede 2014 YILI BÜTÇE SUNUMU (sayfa 96-100)