Foram analisados nesse estudo 3.623 recém-nascidos internados em UTIN participantes da RENOSPE durante o período compreendido entre julho e dezembro de 2007. Destes, 654 (18,1%) evoluíram para óbito no período neonatal durante a internação na unidade de cuidados intensivos neonatais. Quase ¼ dos recém-nascidos (152/654 – 23,2%) evoluíram para óbito nas primeiras 24 horas de vida e 68,5% (448/654) desses óbitos ocorreram na primeira semana de vida do recém-nascido internado em UTIN.
5.1.1 Variáveis do nível distal: raça/cor, escolaridade e ocupação materna
A distribuição total da amostra de recém-nascidos internados em UTIN no Nordeste do Brasil segundo a raça mostrou que 1.769 (48,9%) eram pardos, 369 (10,2%) brancos, 171
(4,7%) negros e 12 (0,3%) asiáticos e indígenas. Em relação a essa variável, valores missing
totalizaram 1.302 (35,9%), sendo 1.051 (35,4%) entre os sobreviventes ao periodo neonatal internados em UTIN e 251 (38,4%) entre os recém-nascidos que evoluíram para óbito. A diferença entre os percentuais dos valores ignorados da variável raça entre o grupo de recém- nascidos sobreviventes e óbitos não foi significativo (p=0,150) (Tabela 1).
A relação entre as cinco categorias da variável raça/cor (branca, negra, pardo e asiático/indígena) com as categorias descritas e óbito/sobreviventes (desfecho) em UTIN no periodo neonatal, não apresentou significância estatística utilizando-se com propriedade o Teste Qui-Quadrado, visto que o percentual de caselas com frequência esperada inferior a cinco foi de 12,5%, portanto inferior a 20% (χ2=2,41; 3 graus de liberdade; p=0,492).
Tabela 1 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo a raça/cor e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
Raça/cor Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n % Branca 314 85,1 55 14,9 369 10,2 Negra 137 80,1 34 19,9 171 4,7 Parda 1.457 82,4 312 17,6 1.769 48,9 Asiático/indígena 10 83,3 02 16,7 12 0,3 Ignorado/branco* 1.051 80,7 251 19,3 1.302 35,9 Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável raça/cor entre sobreviventes (35,4%) e óbitos (38,4%): p=0,150.
Em relação à escolaridade materna em anos de estudo, a distribuição da amostra de recém-nascidos internados em UTIN na rede RENOSPE para o ano de 2007 revelou que pouco mais da metade das mães (2.101/57,9%) possuíam 4 a 11 anos de estudo, 368 (10,2%) das mães tinham entre 0 e 3 anos de estudo, 212 (5,9%) tinham 12 anos a mais de estudo e em 942 (26,0%) questionários aplicados na pesquisa RENOSPE a informação sobre os anos de
estudo materno encontrava-se ignorado ou em branco. Apesar de elevado percentual de valores missing desta variável, não houve diferença na distribuição em ambos os grupos de recém-nascidos sobreviventes até 28 dias de vida e que evoluíram a óbito durante a internação em UTIN: 783 (26,4%) e 159 (24,3%), respectivamente, com p=0,269 (Tabela 2).
Verificou-se a inexistência de associação significante no nível de 95% de confiança entre as categorias da variável escolaridade materna em anos de estudo (0-3 anos, 4-11 anos, 12 anos de estudo e mais) com o desfecho (óbito em menores de 28 dias ocorrido em UTIN) utilizando o Teste Qui-Quadrado (χ2=4,88; 2 graus de liberdade; p=0,086).
Tabela 2 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo escolaridade materna e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
Anos estudo/mãe Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n % 0-3 304 82,6 64 17,4 368 10,2 4-11 1.721 81,9 380 18,1 2.101 57,9 12 ou mais 161 75,9 51 24,1 212 5,9 Ignorado/branco* 783 83,1 159 16,9 942 26,0 Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável escolaridade materna entre sobreviventes (26,4%) e óbitos (24,3%): p=0,269.
A distribuição da variável ocupação materna foi analisada em duas categorias: dona de casa e as demais ocupações analisadas em conjunto, devido à diversidade de categorias ocupacionais. Mais de 1/3 (1.434/39,6%) das ocupações maternas encontradas na amostra de recém-nascidos internados em UTIN referiram trabalho materno em casa, 1.165 (32,2%) enquadrou-se em outras categorias ocupacionais e em 1.024 (28,3%) a informação nos questionários da RENOSPE encontrava-se ignorada ou em branco (Tabela 3). A distribuição dos valores ignorados entre os dois grupos do desfecho analisado nesse estudo distribuiu-se
igualmente: 827 (27,9%) entre o total de sobreviventes e 197 (30,1) entre aqueles que evoluíram para óbito em UTIN (p=0,250).
A relação entre as duas categorias da variável ocupação materna (dona de casa/outras ocupações) e o desfecho analisado nesse estudo (óbito ocorrido em UTIN em menores de 27 dias de vida) não mostrou associação estatisticamente significante no nível de 95% de confiança, apresentando Teste Qui-Quadrado χ2=1,05 (IC95% 085-1,29), p=0,667.
Tabela 3 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo ocupação materna e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
Ocupação materna Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n %
Dona de casa 1.186 82,7 248 17,3 1.434 39,6
Outras 956 82,1 209 17,9 1.165 32,2
Ignorado/branco* 827 80,8 197 19,2 1.024 28,2
Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável ocupação materna entre sobreviventes (27,9%) e óbitos (30,1%): p=0,250.
5.1.2 Variáveis do nível intermediário I: idade materna, gestações anteriores, abortos anteriores, natimortos anteriores
O nível intermediário I da modelagem multinível utilizada nesse estudo compreendeu variáveis relacionadas à faixa etária materna e aos antecedentes obstétricos.
Observou-se pela distribuição da amostra de recém-nascidos internados em UTIN participantes da pesquisa RENOSPE para o ano de 2007 que a idade materna variou de 12 a 51 anos, valores mínimo e máximo respectivamente. A mediana da idade materna foi de 24 anos, a moda encontrada foi de 20 anos e a média de 25,004 anos (desvio padrão=6,928).
A distribuição da idade materna compreendendo as categorias menores de 14 anos, 15- 19 anos, 20-29 anos, 30-39 anos e 40 anos e mais estão apresentadas na Tabela 4. Observou- se que 1.790 (49,4%) das mães dos recém-nascidos internados em UTIN participantes desse estudo tinham entre 20-29 anos de idade, 798 (22,0%) entre 30-39 anos, 790 (21,8%) tinham idade compreendida entre 15-19 anos, 107 (3,0%) possuíam 40 anos e mais e 85 (2,3%) eram mães com 14 anos a menos. As perdas em relação a essa variável na amostra estudada foram de 53 (1,5%) do total e distribuiu-se igualmente entre sobreviventes e óbitos, com percentual de perda de 45/1,5% e 08/1,2% respectivamente (p=0,572).
A relação entre as cinco categorias da idade materna (menores 14 anos, 15-19 anos, 20-29 anos, 30-39 anos, 40 anos e mais) e o desfecho estudado nessa casuística utilizando o Teste Qui-Quadrado não ficou estabelecida em nível de 95% de confiança (χ2=5,29; 4 graus de liberdade; p=0,258). Admitindo-se outro ponte de corte na variável idade da mãe (menos de 20 anos, 20-34 anos e 35 anos e mais), a relação entre essa variável e óbito em UTIN ocorrido recém-nascidos com até 27 dias de vida, assumiu valor do Teste Qui-Quadrado de χ2=4,40; 2 graus de liberdade; p=0,110, permanecendo sem força de associação com o desfecho analisado nesse estudo, no entanto, alterando o valor da probabilidade de relação do fenômeno.
Tabela 4 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo faixa etária materna e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
Faixa etária materna (anos)
Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n % < 14 65 76,5 20 23,5 85 2,3 15-19 631 79,9 159 20,1 790 21,8 20-29 1.475 82,4 315 17,6 1.790 49,4 30-39 663 83,1 135 16,9 798 22,0 40 ou mais 90 84,1 17 15,9 107 3,0 Ignorado/branco* 45 84,9 08 15,1 53 1,5 Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável faixa etária materna entre sobreviventes (1,5%) e óbitos (1,2%); p=0,572.
A variável denominada número de gestações anteriores e analisada nesse estudo como nível intermediário I na determinação do óbito ocorrido em UTIN durante o periodo neonatal, apresentou a seguinte distribuição: 2.383 (65,8%) das mães tinham 1-2 gestações anteriores, 791 (21,8) entre 3-4 gestações anteriores e 398 (11,0%) de 5 gestações a mais. O percentual de perdas (missing values) totalizaram 51 (1,4%), sendo 44 (1,5%) entre os sobreviventes e 07 (1,1%) entre os óbitos (p=0,386) (Tabela 5).
Observou-se que não houve associação estatisticamente significante em nível de 95% de confiança entre as categorias da variável número de gestações anteriores e o desfecho (óbito ocorrido em UTIN antes de 28 dias de vida do recém-nascido), apresentado Teste Qui- Quadrado χ2=1,14, com 2 graus de liberdade e p=0,565.
Tabela 5 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo número de gestações anteriores e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007. N.º gestações
anteriores
Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n % 1-2 1.940 81,4 443 18,6 2.383 65,8 3-4 654 82,7 137 17,3 791 21,8 5 ou mais 331 83,2 67 16,8 398 11,0 Ignorado/branco* 44 86,3 07 13,7 51 1,4 Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável n.º gestações anteriores entre sobreviventes (1,5%) e óbitos (1,1%); p=0,386.
A distribuição da variável número de abortos anteriores mostrou que 2.333 (64,4%) das mães da amostra de recém-nascidos internados em UTIN desse estudo não referiram aborto anterior, 642 (17,7%) tiveram entre 1-2 abortos, 57 (1,6%) entre 3-4 abortos e 08 (0,2%) tiveram 5 ou mais gestações interrompidas anteriores. O valor absoluto e percentual de valores ignorados ou em branco dessa variável foi 583 correspondendo a 16,1% do total da amostra. A distribuição dos valores missing entre sobreviventes e óbitos ao periodo neonatal de recém-nascidos internados em UTIN foi de 459 (15,5%) e 124 (19,0%) respectivamente, existindo diferença significativa entre os percentuais de perdas entre os grupos (p=0,029) (Tabela 6).
Não houve diferença entre as categorias da variável número de abortos anteriores (nenhum, 1-2 abortos, 3-4 abortos e 5 e mais abortos) e o desfecho analisado nesse estudo (óbito em UTIN em menores de 28 dias), apresentando p=0,712; χ2=1,37 com 3 graus de liberdade.
Tabela 6 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo número de abortos anteriores e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
N.º abortos anteriores Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n % Nenhum 1.926 82,6 407 17,4 2.333 64,4 1-2 533 83,0 109 17,0 642 17,7 3-4 44 77,2 13 22,8 57 1,6 5 ou mais 07 87,5 01 12,5 08 0,2 Ignorado/branco* 459 78,7 124 21,3 583 16,1 Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável n.º abortos anteriores entre sobreviventes (15,5%) e óbitos (19,0%): p= 0,029.
A distribuição da amostra de recém-nascidos internados em UTIN analisada nessa pesquisa em relação à variável natimorto anterior evidenciou que 2.857 (78,9%) não tiveram filhos nascidos mortos, 118 (3,3%) tiveram 1-2 natimortos, 07 (0,2%) referiram de 3-4 natimortos e apenas 02 (0,1%) tiveram 5 ou mais filhos nascidos mortos anteriores. Os valores ignorados dessa variável foram 639 (17,6%) e distribuíram-se igualmente entre sobreviventes (507/17,1%) e óbitos (132/20,2%), com valor p=0,062 entre as proporções (Tabela 7).
Nessa casuística não foi estabelecida associação estatisticamente significante entre natimorto anterior e óbito em UTIN entre recém-nascidos menores de 28 dias, com p=0,823, 3 graus de liberdade, χ2=0,91.
Tabela 7 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo número de natimorto anterior e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
N.º natimorto anterior
Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n % Nenhum 2.354 79,3 503 17,6 2.857 78,9 1-2 100 84,7 18 15,3 118 3,3 3-4 06 85,7 01 14,3 07 0,2 5 ou mais 02 100,0 - - 02 0,1 Ignorado/branco* 507 79,3 132 20,7 639 17,6 Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável n.º natimorto anterior entre sobreviventes (17,1%) e óbitos (20,2%): p= 0,378.
5.1.3 Variáveis do nível intermediário II: consulta pré-natal, tipo de parto, duração da gestação, uso de corticoide antenatal e intercorrências durante a gestação
A variável consulta pré-natal foi analisada nesse estudo em três categorias relacionadas ao número de avaliações realizadas durante a gestação: a) não realizou pré-natal, b) fez entre 1 e 6 consultas e c) realizou 7 e mais consultas. Dentre as mães dos recém- nascidos internados em UTIN no ano de 2007, 482 (13,3%) não realizaram acompanhamento pré-natal, 2.318 (64%) da amostra realizou entre 1-6 consultas e 638 (17,6%) realizaram 7 e mais consultas de pré-natal. Em 185 (5,1%) essa variável encontrava-se ignorada ou em branco nos questionários analisados da RENOSPE, no entanto sem diferença nas proporções entre sobreviventes (151/5,1%) e óbitos (34/5,2%) (p=0,905) (Tabela 8).
A relação entre as três categorias da variável número de consultas pré-natal (nenhuma, 1-6 consultas e 7 consultas e mais) e óbito ocorrido em UTIN entre recém-nascidos com
menos de 28 dias de vida, apresentou significância estatística em nível de 95% de confiança utilizando o Teste Qui-Quadrado com 3 graus de liberdade (χ2=38,11; p<0,001).
Tabela 8 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo número de consultas pré-natal e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
N.º de consultas pré- natal
Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n % Nenhuma 358 74,3 124 25,7 482 13,3 1-6 1.895 81,6 423 18,2 2.318 64,0 7 ou mais 565 88,6 73 11,4 638 17,6 Ignorado/branco* 151 81,6 34 18,4 185 5,1 Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável n.º consulta pré-natal entre sobreviventes (5,1%) e óbitos (5,2%): p= 0,905.
O tipo de parto foi variável de exposição analisada nesse estudo em três categorias: parto vaginal/normal, parto operatório/cesariana e parto fórceps. Do total da amostra de recém-nascidos internados em UTIN que participaram da pesquisa RENOSPE, 1.676 (46,3%) nasceram de parto normal, 1.891 (52,2%) foram partos operatórios e 22 (0,6%) oriundos de parto fórceps. A perda dessa variável em relação ao não preenchimento foi de 34 questionários, correspondendo a 0,9% do total da amostra. Entre os sobreviventes e óbitos em UTIN, o percentual de valores ignorados em relação a essa variável foi de apenas 23 (0,8%) e 11 (1,7%), respectivamente, no entanto, existiu diferença entre valores missing em ambos os grupos (p= 0,038) (Tabela 9).
A associação entre tipo de parto e óbito em UTIN em recém-nascidos menores de 28 dias foi estatisticamente significante em nível de 95% de confiança, apresentando χ2=48,39; 2 graus de liberdade; p<0,001.
Tabela 9 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo tipo de parto e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
Tipo de parto Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n % Vaginal 1.296 77,3 380 22,7 1.676 46,3 Operatório 1.631 86,3 260 13,7 1.891 52,2 Fórceps 19 86,4 03 13,6 22 0,6 Ignorado/branco* 23 67,6 11 32,4 34 0,9 Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável tipo de parto entre sobreviventes (0,8%) e óbitos (1,7%); p=0,038.
A média da duração da gestação na amostra de recém-nascidos internados em UTIN integrantes da RENOSPE foi de 33,614 semanas, com desvio padrão de 4,164, cujos valores mínimo e máximo foram 20 e 43 semanas gestacionais respectivamente. A mediana e moda da idade gestacional foram 34 semanas gestacionais. Cruzando a variável idade gestacional e tipo de parto, observou-se que dos 1.839 partos operatórios ocorridos entre os recém-nascidos internados em UTIN, 1.377 (52,5%) destes tinham idade gestacional estimada em menos de 37 semanas e em 462 (25,7) a idade gestacional igual ou superior a 37 semanas gestacionais.
Em relação à duração da gestação a categorização considerada nesse estudo foi: menor ou igual a 36 semanas gestacionais e maior ou igual a 37 semanas gestacionais. Observou- se que 2.639 (75,5%) dos recém-nascidos internados em UTIN eram prematuros e 857 (24,5%) nasceram a termo. Os valores absolutos e percentuais de informação ignorada ou em branco da variável duração da gestação foram de 127 (3,5%), distribuídos igualmente entre os dois grupos do desfecho considerado nessa casuística, 101 (3,4%) entre os sobreviventes e 26 (4,0%) entre os aqueles recém-nascidos que evoluíram para óbito dentre da UTIN e antes de completar 27 dias de vida (p=0,470). Entre aqueles que evoluíram para óbito, excetuando-se as perdas, 556 (88,5%) eram prematuros e 72 (11,5%) tinham idade gestacional igual ou superior a 37 semanas. Entre o grupo denominado sobreviventes, 2.083 (72,6%) tinham idade
gestacional menor ou igual a 37 semanas e 785 (27,4%) 37 semanas gestacionais e mais (Tabela 10).
Houve associação estatisticamente significante com efeito protetor entre duração da gestação e o desfecho (óbito em UTIN), com Odds Ratio=0,34 (IC95% 0,26-0,45) e p<0,001. Invertendo-se a tabela de contingência, a probabilidade de óbito entre prematuros resultou em
Odds Ratio=2,91 (IC95% 2,23-3,80) e p<0,001.
Tabela 10 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo a duração da gestação em semanas e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
Duração da gestação Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n %
≤ 36 semanas 2.083 78,9 556 21,1 2.639 72,8
≥ 37 semanas 785 91,6 72 8,4 857 23,7
Ignorado/branco* 101 79,5 26 20,5 127 3,5
Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado: duração da gestação em semanas entre sobreviventes (3,4%) e óbitos (4,0%); p=0,470.
A variável dicotômica uso de corticoide antenatal (sim/não) foi avaliada nesse estudo entre a população de recém-nascidos com peso ao nascer inferior a 1.500 gramas, devido ao preenchimento mais exato desta variável em relação à idade gestacional. O valor da amostra totalizou 1.162 recém-nascidos internados em UTIN integrantes da RENOSPE cujo peso ao nascer foi inferior a 1.500g. Dessa subamostra de recém-nascidos, 508 (43,7%) fizeram uso de corticoide antenatal, 537 (46,2%) não foi indicado o uso de corticoide antenatal e em 117 correspondendo a 10,1% da subamostra, a variável encontrava-se ignorada ou em branco. A distribuição entre os valores da perda da variável entre sobreviventes e óbitos foi de 54 (7,7%) e 63 (13,6%), respectivamente. Houve diferença significativa entre as perdas dos grupos do desfecho (p= 0,001) (Tabela 11).
A variável denominada uso de corticoide antenatal nesse subgrupo de recém-nascidos e sua relação com o óbito ocorrido em UTIN, excluídos os registros ignorados ou em branco, apresentou Odds Ratio=1,63 (IC95% 1,25-2,12), p<0,001. A Tabela 2x2 invertida em relação ao desfecho (óbito em UTIN: sim/não), mostrou associação com efeito protetor entre aqueles que utilizaram corticoide antenatal e o risco de óbito em UTIN (OR=0,61; IC95% 0,47-0,79;
p<0,001) na subamostra de recém-nascidos com peso inferior a 1500g.
Tabela 11 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo o uso de corticoide antenatal em recém-nascidos com peso inferior a 1500g
e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007. Uso de corticoide
antenatal
Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n %
Sim 344 67,7 164 32,3 508 43,7
Não 302 56,2 235 43,8 537 46,2
Ignorado/branco* 54 46,2 63 53,8 117 10,1
Total 700 60,2 462 39,8 1.162 100,0
*% ignorado variável uso de corticoide antenatal entre sobreviventes (7,7%), óbitos (13,6%): p=0,001.
Analisando-se o uso de corticoide antenatal com idade gestacional compreendida entre 24 a 34 semanas (período indicado para administração de corticoide) o número da subamostra é de 2.011 recém-nascidos internados em UTIN. Destes, 790 (39,3%) utilizaram corticoide antenatal e 907 (45,1%) não foi administrado. Do total da subamostra de recém-nascidos com 24 a 34 semanas gestacionais, em 314 (15,6%) dos formulários da pesquisa RENOSPE a informação referente à utilização de corticoide antenatal encontrava-se ignorada ou em branco. As perdas entre os dois grupos do desfecho óbito em UTIN considerado nesse estudo foram similares, sendo 240 (15,8%) entre os sobreviventes e 74 (15,2%) entre aqueles que evoluíram para óbito em UTIN, apresentando p=0,726 (Tabela 12).
Houve associação estatisticamente significante entre uso de corticoide antenatal e óbito em UTIN na subamostra de recém-nascidos com 24 a 34 semanas gestacionais. Entre aqueles recém-nascidos com 24-34 semanas que fizeram uso de corticoide antenatal a chance de não evoluir para óbito em UTIN foi de OR=1,34 (IC95% 1,06-1,69), p=0,010. Invertendo-se a Tabela de Contingência, a relação entre uso de corticoide antenatal e óbito assumiu efeito protetor (OR=0,75; IC95% 0,59-0,94; p=0,010).
Tabela 12 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo o uso de corticoide antenatal em recém-nascidos com idade gestacional entre 24-34 semanas
e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007. Uso de corticoide
antenatal
Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n %
Sim 620 78,5 170 21,5 790 39,3
Não 663 73,1 244 26,9 907 45,1
Ignorado/branco* 240 76,4 74 23,6 314 15,6
Total 1.523 75,7 488 24,3 2.011 100,0
*% ignorado uso de corticoide antenatal entre sobreviventes (15,8%), óbitos (15,2%): p=0,726.
A variável independente do nível intermediário II denominada intercorrências na gestação agregam as seguintes variáveis com desfecho dicotômico: infecção urinária, corioamnionite, sofrimento fetal agudo, ruptura prematura das membranas amnióticas, retardo do crescimento intrauterino, trabalho de parto prematuro, descolamento prematuro de placenta, hipertensão arterial sistêmica prévia, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, oligodrâmnio, diabetes gestacional, diabetes prévio, HIV positivo, antígeno HBsAg/Hepatite B, Sífilis, Toxoplasmose.
Em relação à infecção urinária na gestação, 952 (26,3%) das mães da amostra de recém-nascidos internados em UTIN integrantes da RENOSPE no ano de 2007 no Nordeste do Brasil apresentaram esta intercorrência durante a gestação, 2.155 (59,5%) não tiveram
infecção do trato urinário e em 516 (14,2%) do total, essa informação encontrava-se ignorada ou em branco. Os valores missing desta variável foram igualmente distribuídos nos grupos desfecho (sobreviventes e óbitos em UTIN), sendo 426 (14,3%) entre os sobreviventes e 90 (13,8%) entre aqueles que evoluíram para óbito (p=0,713) (Tabela 13).
Não foi estabelecida associação estatisticamente significante entre as categorias da variável infecção urinária na gestação (sim/não) e o desfecho óbito em UTIN (OR=0,97; IC95% 0,72-1,19); p=0,747).
Tabela 13 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo ocorrência de infecção urinária na gestação e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
Infecção urinária Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n %
Sim 776 81,5 176 18,5 952 26,3
Não 1.767 82,0 388 18,0 2.155 59,5
Ignorado/branco* 426 82,6 90 17,4 516 14,2
Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado infecção urinaria na gestação entre sobreviventes (14,3%), óbitos (13,8%): p=0,713.
Da amostra de recém-nascidos estudada nessa casuística, 255 (7,0%) apresentaram corioamnionite, 2.893 (79,9%) não apresentaram essa complicação e em 475 (13,1%) dos formulários a informação encontrava-se ignorada ou em branco. Em relação às perdas 380 (12,8%) foi entre aqueles que não evoluíram para óbito em UTIN e 95 (14,5%) entre os que morreram até 28 dias de vida enquanto internados em UTIN (p=0,236) (Tabela 14).
Houve associação estatisticamente significante em nível de 95% de confiança entre ocorrência de corioamnionite e óbito em UTIN (OR=0,62; IC95% 0,45-084); p=0,001). Analisando-se a Tabela de Contingência invertendo-se as caselas do desfecho, observou-se
Tabela 14 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo ocorrência de corioamnionite e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
Corioamnionite Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n %
Sim 191 74,9 64 25,1 255 7,0
Não 2.398 82,9 495 17,1 2.893 79,9
Ignorado/branco* 380 80,0 95 20,0 475 13,1
Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável corioamnionite entre sobreviventes (12,8%), óbitos (14,5%): p=0,236.
A ocorrência de sofrimento fetal agudo foi variável analisada nesse estudo no bloco intermediário II do Nível 1 (individual) da estrutura hierárquica proposta para análise do óbito ocorrido durante o período neonatal em UTIN. Da amostra de recém-nascidos internados em unidades de tratamento intensivo, 580 (16,0%) apresentaram sofrimento fetal agudo e 2.178 (60,1%) não apresentaram injúria fetal ocorrida durante o trabalho de parto. O percentual de perdas por falta de preenchimento dessa variável ocorreu em 865 questionários, correspondendo a 23,9% da amostra e foi distribuída entre os grupos desfecho: 688 (23,2) entre aqueles que não evoluíram para óbito e 177 (27,1%) entre os que morreram durante os 27 primeiros dias de vida e que se encontravam internados em UTIN. Houve diferença significativa em relação aos valores missing dessa variável nos dois grupos do desfecho analisado nesse estudo (p=0,036). (Tabela 15).
Houve associação entre sofrimento fetal agudo e a ocorrência de óbito em UTIN (OR=0,71; IC95% 0,56-0,90; p=0,003). Invertendo-se as caselas do desfecho da Tabela de Contingência, o valor de OR assumido é de 1,14 (IC95% 1,11-1,78), caracterizando a chance de óbito em UTIN dado a ocorrência de injúria fetal durante o trabalho de parto.
Tabela 15 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo ocorrência de sofrimento fetal agudo e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007.
Sofrimento fetal agudo
Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n %
Sim 456 78,6 124 21,4 580 16,0
Não 1.825 83,8 353 16,2 2.178 60,1
Ignorado/branco* 688 79,5 177 20,5 865 23,9
Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado da variável sofrimento fetal agudo entre sobreviventes (23,2%), óbitos (27,1%): p=0,036.
A Tabela 16 mostra que a variável denominada ruptura prematura das membranas, anteriormente designada amniorexe prematura, esteve presente em 920 (25,4%) da amostra de recém-nascidos analisada nessa casuística. Em 1.887 formulários RENOSPE (52,1%) não houve menção a essa intercorrência e 816 (22,5%) corresponderam às perdas por ausência de informação ou preenchimento ignorado. O percentual da perda de informação distribuiu-se igualmente entre os dois grupos do desfecho (óbito em UTIN), sendo 655 (22,1%) entre os sobreviventes e 161 (24,6%) entre aqueles que evoluíram para óbito (p=0,162).
Não houve associação estatisticamente significante em nível de 95% de confiança entre ruptura prematura das membranas e óbito em UTIN (OR=0,94; IC95% 0,76-1,16;
p=0,566).
Tabela 16 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo ocorrência de ruptura prematura das membranas e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007. Ruptura prematura
das membranas
Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n %
Sim 753 81,8 167 18,2 920 25,4
Não 1.561 82,7 326 17,3 1.887 52,1
Ignorado/branco* 655 80,3 161 19,7 816 22,5
Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
O retardo do crescimento intrauterino esteve presente em 241 (6,7%) da amostra de recém-nascidos internados em UTIN integrantes da RENOSPE e em 2.505 (69,1%) formulários não houve menção a essa intercorrência. Do total, 880 (24,3%) corresponderam a valores em branco ou ignorado. A distribuição dos valores missing dessa variável entre os dois grupos do desfecho considerado nesse estudo, mostrou existir diferença (697/23,5% entre os recém-nascidos sobreviventes; 183/28,0% entre os que evoluíram para óbito em UTIN;
p=0,015 (Tabela 17).
Não houve associação entre retardo do crescimento intrauterino e a ocorrência de óbito em UTIN (OR=0,82; IC95% 0,58-1,16; p=0,236).
Tabela 17 - Distribuição dos recém-nascidos internados em UTIN segundo ocorrência de retardo do crescimento intrauterino e desfecho (sobreviventes e óbitos). RENOSPE, 2007. Retardo do crescimento
intrauterino
Sobreviventes Óbitos Total
n % n % n %
Sim 193 80,1 48 19,9 241 6,7
Não 2.079 83,1 423 16,9 2.502 69,1
Ignorado/branco* 697 79,2 183 20,8 880 24,3
Total 2.969 81,9 654 18,1 3.623 100,0
*% ignorado retardo do crescimento intrauterino: sobreviventes (23,5%); óbitos (28,0%); p=0,015.
O trabalho de parto prematuro foi variável independente analisada como intercorrência durante a gestação/parto. Da amostra de recém-nascidos internados em UTIN, em 1.443 (39,8%) dos formulários RENOSPE havia sinalização de trabalho de parto prematuro, 1.422 (36,2%) não houve menção a essa intercorrência e em 758 (20,9%) dos formulários encontravam-se em branco ou com informação ignorada. Os valores missing entre os grupos do desfecho binário desse estudo distribuíram-se igualmente, sendo 615 (20,7%) entre os
recém-nascidos que evoluíram com alta da UTIN e 143 (21,9%) entre aqueles que evoluíram para óbito em UTIN (p=0,512) (Tabela 18).
Observou-se associação estatisticamente significante entre trabalho de parto prematuro