A produção de petróleo mundial, em 2011, foi 83,6 milhões de barris/dia, dividida de forma desigual pelas regiões do mundo. As maiores regiões produtoras são: o Oriente Médio (31%), a Europa e Eurásia18 (22,8%), as Américas do Sul e Central (13,7%) e a África (12,2%). Esta desigualdade, muitas vezes, não está relacionada à localização das reservas provadas de petróleo (1,4 trilhões de barris). Isto significa dizer
18 Europa e Eurásia: refere-se aos países listados da Europa (membros europeus da OCDE mais a Albânia, a Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Croácia, Chipre, Antiga República Jugoslava da Macedónia, Gibraltar, Malta, Roménia, Sérvia e Montengro, na Eslovénia) e da antiga União Soviética (Arménia, Azerbaijão, Belarus, Estônia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Letônia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia, Uzbequistão).
que as maiores reservas nem sempre estão situadas em grandes regiões produtoras, como observado na Figura 4.
Assim, um indicador importante é a relação entre as reservas provadas e produção (R/P), pois revela o ritmo de exploração que cada região pode ter, considerando a disponibilidade de petróleo futura. A Figura 4 mostra a evolução das reservas provadas nas várias regiões produtoras no período de 1981 a 2011. As novas descobertas de jazidas na Venezuela e no Brasil, na última década, possibilitaram que o suprimento de petróleo da região da América Sul e Central (93,9 anos) se tornasse superior ao do Oriente Médio (81,9 anos), mantendo constantes os níveis de produção. Já a África conta com 35,8 anos de exploração de petróleo de acordo com o indicador de R/P, a Europa e Eurásia 21,7 anos, a Ásia do Pacífico 14,8 anos e a América do Norte de apenas 14,8 anos (Figura 5)
Figura 4 - Distribuição das Reservas Provadas de Petróleo –1981, 1991, 2001 e 2011.
Fonte: BP Statistical Review of World Energy, 2012.
Se a produção for avaliada, independentemente da região, é possível observar que os países pertencentes à Organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP - são responsáveis por 43,2% da produção mundial e detêm 72,6% das reservas mundiais.
Já os demais países produtores (NÃO OPEP) respondem por 56,8% da produção e 27,4% das reservas. Dentre os principais países produtores de petróleo, exibidos no Figura 6, merecem destaque os EUA, Rússia, China, Canadá e México (NÃO OPEP), a Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes e Venezuela (OPEP).
Enquanto os países pertencentes à OPEP aumentaram suas reservas em 2,5% (1,2 trilhão de barris), entre 2010 e 2011, os países que não fazem parte da OPEP não registraram acréscimo (456,3 bilhões de barris). Segundo previsões da EIA, a importância da OPEP deverá se elevar com o aumento de sua produção, que chegará a 46% em 2030, nível alcançado somente em 1977, o que será, claramente, um dos principais fatores determinantes para o mercado e para os preços internacionais do petróleo. Visto isso, fica evidente a necessidade da descoberta de novas jazidas, particularmente em países NÃO OPEP, visando ampliar a segurança em relação ao abastecimento de petróleo e reduzir o poder dessa organização.
Figura 5 - Razão entre Reservas Comprovadas e Produção Anual (anos) – 2011
Fonte: British Petroleum, 2012
Além do esforço de reduzir a concentração das reservas provadas nos países da OPEP, outro ponto importante é a redução da participação do petróleo na matriz energética mundial. Perante essa necessidade, a Energy Information Administration
(EIA) calculou que seriam necessários investimentos de US$ 270 trilhões para a redução da dependência do petróleo na matriz energética mundial atual (de 80% para 50% em 2050), número considerado praticamente inatingível (EIA, 2013).
Figura 6 - Maiores Produtores de Petróleo no Ano de 2010 (em mil barris/dia)
Fonte: BP Statistical Review of World Energy, 2011
A Figura 7 mostra que, no período compreendido entre 1980 e 2010, houve crescimento da produção mundial de petróleo em, praticamente, todas as regiões, com maior destaque para o Oriente Médio, Américas Central e Sul. Até o ano de 2008, o crescimento econômico mundial, liderado basicamente pela China, aumentou o consumo de energia, o que impulsionou a produção de petróleo em todas as regiões. Além disso, a necessidade de maior suprimento de energia proporcionou o acelerado processo de busca por novas reservas.
Após a crise financeira internacional, mais precisamente entre 2008 e 2009, a retração da economia mundial provocou uma contração na demanda por energia, o ajuste da oferta foi a redução de 2,5% (82 milhões de barris/dia para 79,9 milhões de barris/dia) do volume de petróleo produzido no mundo e 7% na produção dos países da OPEP.
Em 2010, o volume de petróleo produzido no mundo aumentou (2,3%), passando de 80,3 para 82,1 milhões de barris/dia. O aumento foi registrado em todas as regiões, com exceção da Europa e Eurásia, que apresentaram queda de 0,5%. Nesse período, os países da OPEP incrementaram sua produção em 2,9%, graças, sobretudo, aos países do Oriente Médio pertencentes ao grupo, que registraram um acréscimo de 2,2% enquanto o total produzido por esta região correspondeu a 30,7% da produção mundial, no mesmo período.
Figura 7 - Produção Mundial de Petróleo – 1980 a 2010 (mil barris/dia)
Fonte: BP Statistical Review of World Energy, 2011
Mas o maior aumento relativo da produção de petróleo, após a crise, foi verificado na região Ásia-Pacífico (4,7%), decorrente, essencialmente, do aumento de 7,1% na produção chinesa, que alcançou 4,1 milhões de barris/dia. As Américas Central e do Sul apresentaram alta de 3,5%, impulsionada, especialmente, pelos incrementos na produção da Colômbia (18,8%), do Peru (8,2%) e do Brasil (5,3%), enquanto a América do Norte produziu apenas 2,5% a mais.
Nos últimos anos, a busca pela garantia do suprimento de energia tem desencadeado um processo de reorganização geográfica da indústria petrolífera. Maiores esforços tecnológicos têm proporcionado encontrar e produzir petróleo em
regiões como a América do Sul, Austrália, Sudeste Asiático, Alasca e África (EIA, 2012).