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A BANKASI OPERASYONEL RİSK SERMAYE GEREKSİNİMİNİN

3. BÖLÜM

3.5. A BANKASI OPERASYONEL RİSK SERMAYE GEREKSİNİMİNİN

Com a declinação de competência feita pela Polícia Federal, a investigação sobre a morte de Rubens Paiva retornou, por determinação judicial, ao âmbito do Exército em 30 de dezembro de 1986 – quase três meses depois da conclusão da PF. A portaria de abertura do IPM foi realizada pelo então chefe do Comando Militar do Leste (CML), general Rubens Mario Brum Negreiros, que designou como encarregado do IPM o general Adriano Aúlio Pinheiro da Silva.

O IPM foi desenvolvido no Palácio Duque de Caxias no centro do Rio em duas etapas. A primeira iniciou no dia 5 de janeiro de 1987 e se encerrou no dia 25 de fevereiro de 1987, com a apresentação de um relatório de 25 páginas. Um aspecto que chamou atenção logo nas primeiras páginas do IPM foi uma clara orientação para responder e atender todos os quesitos listados pelo MPM na petição entregue à Justiça Militar. No primeiro despacho do general, ele

189 Procedimento Investigatório Criminal do MPM Nº01-67.2011.1101, Acervo Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, p. 110.

requisitou as folhas de alteração de Amílcar Lobo, convocou testemunhas já ouvidas na PF e pediu os nomes completos e as lotações dos militares não intimados anteriormente.191

Ao todo, foram realizados seis despachos para convocação de testemunhas e requisição de documentação. Todas as pessoas que já tinham se apresentado na PF foram intimadas novamente e outras sete, sobretudo militares citados em entrevistas e solicitados pelo MPM, também foram ouvidas no IPM. O general encarregado fez questão de ressaltar no relatório final que também ouviu o chefe do CODI à época da prisão de Rubens Paiva, major Francisco Demiurgo Santos Cardoso, embora o MPM não tivesse incluído seu nome na lista de requisições ao IPM.

Além disso, ele reiterou que solicitou às unidades do Exército todos os documentos pedidos pelo procurador-geral e o general pontuou a decisão dele de demandar outros ofícios: jornais da época do crime, registros da 19ª Delegacia de Polícia que atendia à região da ocorrência, documentação do Comando Geral do Corpo de Bombeiros sobre o atendimento ao incêndio do veículo militar, os atendimentos médicos de Amílcar Lobo nos Hospitais da Lagoa e de Ipanema e, ainda, o registro da 96ª Delegacia de Polícia (Vassouras), sobre um suposto atentado sofrido pelo psiquiatra como retaliação.

Na apresentação de resultados do IPM, o general fez um resumo das principais informações extraídas das declarações das testemunhas e foi nesse momento que começou a se evidenciar o limite de sua investigação. Ao analisar os depoimentos isoladamente, é necessário ressaltar detalhes aqui considerados cruciais. Cecília Viveiros de Castro e Marilene Corona, as duas pessoas que foram presas junto com Rubens Paiva, solicitaram que um advogado acompanhasse o momento do termo de declarações, mas o general negou a solicitação de ambas

“considerando a relevância que o sigilo das investigações impõe na presente fase do inquérito (Art. 16 CPPM).”192 Uma justificativa pouco compreensível já que o artigo referido pelo general diz somente que “o inquérito é sigiloso, mas seu encarregado pode permitir que dele tome conhecimento o advogado do indiciado”.193

Os depoimentos de Cecília e Marilene foram os únicos que continham dois militares como testemunhas das declarações. Todos os outros foram assinados exclusivamente pelo general encarregado, pelo escrivão e pela testemunha. Nessas circunstâncias, levando em

191 É o nome dado aos registros funcionais dos militares.

192 Procedimento Investigatório Criminal do MPM Nº01-67.2011.1101, Acervo Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, p. 148.

193 Ver decreto-lei n°1.002 de 21 de outubro de 1969. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del1002.htm. Acesso em 20 jul. 2016.

consideração a situação vivida por ambas em 1971, Marilene se reservou o direito de depor apenas em juízo e Cecília informou que não tinha nada a acrescentar em relação ao depoimento prestado na PF. Entre os militares, com exceção de Amílcar Lobo, nenhum deles assumiu qualquer fato em relação à tortura, morte ou ao desaparecimento de Rubens Paiva. Todos limitaram suas declarações a corroborar a versão do Exército produzida em 1971.

Nos termos de declarações não ficou claro em que medida o general encarregado tentou efetivamente investigar e contradizer qualquer dúvida em relação às negativas de envolvimento apresentadas pelos militares. No relatório final, as únicas ressalvas aos depoimentos apresentados por ele estão justamente nas declarações de Amílcar Lobo, ao levantar dúvida sobre o fato do médico não lembrar de alguns nomes de militares que o acompanharam na noite em que ele disse ter visto Rubens Paiva ferido dentro do DOI-CODI. O general também informou, por exemplo, que não encontrou registros de atendimento médico de Lobo nas ocasiões em que ele disse ter sofrido atentados contra a sua vida.

Desse modo, ao responder os principais quesitos formulados pelo MPM, o general se apoiou nas negativas dos militares para dizer no relatório que não foi possível saber o nome do militar que acompanhou Amílcar Lobo no atendimento a Rubens Paiva – já que o médico também não se recordava. As omissões na apuração do caso se apresentaram pela forma como foram conduzidos os depoimentos e não pela ausência de cumprimento dos pedidos, como na PF. Assim, o Exército atendeu à sua maneira as solicitações.

O general também anexou as respostas do Comando Militar do Leste (CML) sobre a impossibilidade de localização de vários documentos pedidos, como a escala de serviço de 15 a 30 de janeiro, já que teriam sido supostamente destruídos. Pouco antes de apresentar a

conclusão final, o general apresentou um tópico chamado “Outras Considerações” no qual teceu

apresentação e análise sobre algumas instituições do Exército. A primeira é o extinto DOI- CODI. O general sustentou que foi necessário entender o motivo da criação do órgão:

Foram criados em época difícil para o País, quando proliferavam as ações de subversão, de terrorismo e de guerrilhas, destinando-se aquele órgão, especificamente, portanto, a combatê-las. Assim sendo, admitem-se normais, para aquela época assaz conturbada, as atividades de interrogatórios, análises e detenções. A Segurança Nacional e a paz social assim os exigiam; a sustentação do regime democrático se impunha. Por tudo isso, os documentos

sobre os DOI-CODI tinham o caráter de “ULTRA-SECRETOS”, significando

em síntese, que muito poucas pessoas tinham acesso a eles.194

194 Procedimento Investigatório Criminal do MPM Nº01-67.2011.1101, Acervo Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, p. 312.

Restaram ainda dois pontos de “consideração” feitos pelo general. Um foi sobre o

Pelotão de Investigações Criminais (PIC). O encarregado do inquérito lembrou que as unidades existem em todos os Batalhões de Polícia do Exército para tarefas próprias de polícia técnica e científica, apoio e custódia nas prisões militares, entre outros. Para demonstrar uma distância funcional entre o DOI-CODI e o PIC, acolhendo argumento amplamente defendido nos depoimentos de alguns militares que negam o envolvimento com interrogatórios, o general explicou que:

Deve-se considerar normal, considerada à época de emergência aludida anteriormente, da qual adveio a necessidade de criação dos DOI-CODI, que à falta absoluta de instalações próprias, os presídios dos PIC, não só do 1º BPE, como o dos demais, tenham sido utilizados, sem qualquer laço funcional, para acolher os presos políticos sob custódia dos DOI-CODI. Hoje, como é sabido e noticiado pela imprensa, já é fato superado.195

Por fim, o general também salientou o surgimento do que chama de “carta apócrifa”

publicada no Jornal do Brasil, em 06 de fevereiro de 1987, contendo uma nova versão para o caso Rubens Paiva. Segundo o jornal, uma carta anônima foi entregue ao então secretário de Polícia Civil (STALL, 1987), Nilo Batista, com informações de que o corpo estaria enterrado em uma região da praia do Recreio dos Bandeirantes. O autor da carta também acusou o brigadeiro João Paulo Moreira Burnier de atirar na cabeça de Rubens Paiva e deu o nome de dois oficiais envolvidos no enterro: coronel Ary Pereira de Carvalho e o capitão João Câmara Gomes Carneiro.

O general, no entanto, considera a versão “estranha, risível até quando assegura que um oficial general da Força Aérea Brasileira, jocosamente apontado como ‘todo poderoso’, teria

dentro de quartel do Exército, ou mais precisamente, no PIC do 1º BPE, dado um tiro na cabeça

da vítima”.196 O encarregado do IPM não encarou a nova informação como um dado a ser

apurado. Ele demonstrou em seu relatório justamente o contrário:

Ao indicar o nome de um coronel do Exército como tendo participado do “enterro” do referido ex-parlamentar, a aludida carta anônima busca insinuar, maldosamente, uma ilação com outro inquérito recente ainda, de repercussão nacional, envolvendo militares.197

195 Idem.

196 Procedimento Investigatório Criminal do MPM Nº01-67.2011.1101, Acervo Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, p. 313-314.

Benzer Belgeler