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4 AĞUSTOS 2019 Tarihinde Güney Kore’de Won Budizmi Seul Şubesi’nde Şube

A idéia de desenvolver esta pesquisa de forma interativa com os docentes foi se delineando ao longo da retomada da análise dos resultados obtidos por ocasião do nosso mestrado (ESPERIDIÃO, 2001), dada a ênfase do papel do professor na formação acadêmica, somada à convicção de que a participação direta dos atores na ação educativa aumenta a possibilidade de seu envolvimento com a problemática posta.

Desta maneira, tendo em vista a natureza da proposta de buscar junto ao corpo docente a operacionalização dos dados que foram sendo apontados como relevantes na formação do enfermeiro, escolhemos a pesquisa-ação como estratégia de pesquisa, enquanto orientadora dos objetivos de transformação.

A pesquisa-ação, modalidade de pesquisa enfaticamente explicitada por Michel Thiollent é um tipo de pesquisa social que prevê a ampla interação entre pesquisador e participante, tornando-os envolvidos e ativos no processo de levantamento de problemas, em sintonia com o contexto da situação investigada, tendo como objetivo, acima de tudo, a conscientização do grupo acerca da problemática em questão e, conseqüentemente, seu possível encaminhamento.

A idéia do referido autor é associar pesquisa e ação, num processo onde, através da ação recíproca entre os envolvidos, são esclarecidas questões coletivas, a partir de busca de soluções para a situação-problema vivenciada. Nesse contexto, os membros do grupo têm oportunidade de pensar

e falar, tendo como referência a análise conjunta dos problemas identificados no cotidiano do trabalho e o investigador tem um contato maior com a realidade, havendo trocas de experiências, cuja discussão é imprescindível rumo ao processo de transformação (THIOLLENT,1998).

O método de pesquisa-ação encontra um contexto favorável quando os pesquisadores não querem limitar suas investigações aos aspectos meramente acadêmicos e burocráticos da maioria das pesquisas convencionais, mas querem pesquisas nas quais as pessoas implicadas tenham algo a “dizer” e a “fazer1” Thiollent (1998). Portanto, esse método nos pareceu o mais indicado para desenvolver um estudo que nos permitisse uma ação mais concreta e que fosse, além de uma exigência acadêmica para concluir o curso de doutorado, uma possibilidade real de, em conjunto com os docentes da instituição, compreender e avançar na construção de um caminho para a formação do enfermeiro.

Desta maneira, fomos gradativamente incorporando o ideário do método ao que gostaríamos de trilhar neste momento, estabelecendo uma estrutura coletiva, participativa e ativa ao nível da captação de informação, conforme as orientações de Thiollent (1998). Na medida em que se estreitava a interação entre a pesquisadora e os participantes da pesquisa, visando a compreensão, discussão e superação dos problemas apontados pelos mesmos, percebemos a possibilidade de concretização de ações efetivas, transformações ou mudanças no campo estudado, ratificando a nossa opção metodológica.

Como estratégia de investigação, a pesquisa-ação pode ser pensada como um modo de conceber e organizar uma pesquisa social de

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finalidade prática e que esteja de acordo com as exigências próprias da ação e da participação dos atores da situação observada (THIOLLENT, 1998).

Para que não haja ambigüidade, esse autor diz que uma pesquisa pode ser qualificada de pesquisa-ação quando houver realmente uma ação por parte das pessoas ou grupos implicados no problema sob observação, ou seja, uma ação não-trivial, mas que requer uma ação problematizadora merecendo ser elaborada e conduzida. Um dos principais objetivos das propostas desse tipo de pesquisa consiste em dar aos participantes os meios de se tornarem capazes de responder com maior eficiência aos problemas da situação em que vivem, em particular sob formas de diretrizes de ação transformadora.

Nesta perspectiva, Thiollent (1998) faz algumas distinções entre pesquisa-ação e pesquisa convencional. Numa investigação convencional, não há participação dos pesquisadores junto com as pessoas envolvidas na situação observada; existe uma distância entre os seus resultados e possíveis decisões ou ações dela decorrentes; os sujeitos da pesquisa não são considerados atores, mas meros informantes, para a concretização da coleta de dados.Tais aspectos são, geralmente, captados por meio de questionários ou entrevistas que não permitem obter uma visão dinâmica da situação.

Já na pesquisa-ação é possível se estudar dinamicamente os problemas, decisões, ações, negociações, conflitos e tomadas de consciência que se verificam entre os agentes, durante o processo em que a situação se transforma (THIOLLENT, 1998). Esse autor nos lembra que embora essa abordagem privilegie a experiência dos sujeitos em dada situação, nunca deixa de colocar as questões relativas aos quadros de referência teórica, sem os quais nenhum tipo de pesquisa faria sentido.

Vale salientar que este autor estabelece também uma diferença entre pesquisa participante e pesquisa-ação. Primeiramente afirma que, nem toda pesquisa participante tem as características da pesquisa-ação, que além da participação, supõe uma forma de ação planejada de caráter social, técnico ou educativo, característica geralmente não encontrada nas propostas da pesquisa participante. Esta por sua vez, é tão somente um método de pesquisa voltado para a produção do saber partindo da convivência e participação do investigador no mundo dos investigados, enquanto que a pesquisa-ação se volta para a resolução de problemas, tomada de decisão, podendo ter orientação de ação emancipatória, como forma de engajamento sócio-político.

Silva (1991) relata ainda que, quando adequadamente direcionada no plano teórico, a pesquisa-ação pode contribuir para o estudo de situações, instituições, movimentos ou processos sociais nos quais se desenvolve uma ação coletiva, o que quer dizer que é capaz de captar a dinâmica social. Esse aspecto é enfaticamente colocado por ele como uma das limitações da pesquisa convencional, cujas preocupações com a dinâmica social não sejam tão evidentes e nem sempre traz impacto no contexto onde foi desenvolvida.

Como qualquer estratégia de pesquisa, a pesquisa-ação possui objetivos de conhecimento, que naturalmente fazem parte da expectativa científica que é própria das ciências sociais (THIOLLENT, 1998).

Sua exeqüibilidade requer, portanto algumas condições favoráveis, quer sejam: a ampla e explícita interação entre o pesquisador e as pessoas implicadas na situação investigada; o objeto de investigação ser constituído pela situação social e pelos problemas de diferentes naturezas encontrados e não propriamente pelas pessoas envolvidas; os objetivos da pesquisa

consistirem em pelo menos, esclarecer os problemas da situação observada, acompanhar as decisões e toda a atividade intencional dos atores da situação, durante o processo e, acima de tudo, a pretensão em aumentar o conhecimento dos pesquisadores e/ou o nível de consciência das pessoas diretamente envolvidas na pesquisa em relação à problemática posta (THIOLLENT, 1998).

Neste sentido, entendemos que estávamos diante de um ambiente propício para o desenvolvimento desse método de pesquisa, na medida em que propúnhamos não apenas o levantamento de dados, mas a discussão de possíveis caminhos para a execução de ações que viessem ao encontro das prioridades da situação dada, ou seja, a reflexão dos aspectos ético- humanísticos na formação do enfermeiro, diante da necessidade da mudança curricular.

Segundo Thiollent (1997), a pesquisa-ação é vista como meio de criatividade e instrumento para redefinir situações existentes, na medida em que oferece oportunidades aos participantes para formular perguntas e buscar respostas, facilitando a tomada de consciência acerca do que está sendo discutido. O autor afirma também que nessa modalidade de pesquisa, a capacidade de aprendizagem está associada ao processo de investigação, quando todos os envolvidos, incluindo pesquisadores, aprendem alguma coisa ao investigar e discutir possíveis ações cujos resultados oferecem novos ensinamentos. Tal situação pode ser facilitada pelas contribuições dos pesquisadores e, eventualmente, pela colaboração temporária de especialistas em assuntos cujos conhecimentos forem úteis ao grupo (THIOLLENT, 1998).

Ortsman apud Thiollent (1998) diz que o papel dos especialistas que intervêm consiste em facilitar a aprendizagem dos participantes de diferentes maneiras: pela restituição da informação, pelos modos de discussão que conseguem promover, pelas modalidades de formação propostas e pelas negociações que estabelecem para evitar que certas partes implicadas na situação não sejam eliminadas da discussão.

Freire (1980) compartilha a idéia de que todo aprendizado deve encontrar-se intimamente associado à tomada de consciência, um aspecto relevante a ser considerado por este método e ao efeito de aprendizagem dele decorrente, destacando sua dimensão conscientizadora, na medida em que propicia o debate de elementos presentes na situação-problema. Diante desse quadro conceitual, Silva (1991) afirma que a pesquisa com este caráter insere- se na proposta de educação libertadora de Freire, enquanto instrumento para a conscientização e como forma de diálogo.

Thiollent (1998) assegura que na pesquisa-ação, inicialmente, é preciso conhecer para agir, agir para transformar e que as possíveis transformações nem sempre são radicais ou as que desejamos a priori. Daí a necessidade de ser bem planejada, embora diferente de outros tipos de pesquisa, não segue, necessariamente, uma série de fases rigidamente ordenadas, pois há sempre um vaivém entre várias preocupações a serem adaptadas em função das circunstâncias e da dinâmica interna dos pesquisadores no seu relacionamento com a situação investigada. Desta maneira, o autor sugere apenas uma ordem que se iniciaria com a fase exploratória e ao final com a divulgação dos resultados, considerando que as

etapas intermediárias estariam em função da multiplicidade de caminhos a serem escolhidos e das condições durante o processo.

Na etapa do diagnóstico é onde se faz o levantamento de todas as informações iniciais, de modo a possibilitar que pesquisadores e participantes estabeleçam os principais objetivos da pesquisa, concernentes aos problemas considerados como prioritários, ao campo de observação, aos atores e ao tipo de ação que estarão focalizados no processo de investigação.

O contexto da pesquisa é então voltado para a descrição de situações concretas e para a intervenção orientada em função da resolução de problemas efetivamente apontados pelos participantes envolvidos, sem, no entanto, deixar de considerar aspectos teóricos, sempre de fundamental importância.

Nesta perspectiva, é necessário definir com precisão qual a ação, seus objetivos, obstáculos e qual a exigência de conhecimento a ser produzido em função dos problemas encontrados na ação ou entre os atores da situação. Em outras palavras, é preciso definir com clareza a problemática na qual o tema proposto adquira sentido. Especificamente na pesquisa-ação, os problemas colocados inicialmente são de ordem prática, buscando-se soluções para se realizar possíveis transformações dentro do contexto observado.

Assim, os procedimentos escolhidos precisam obedecer a prioridades estabelecidas a partir do diagnóstico da situação, onde os participantes devem, de fato ter oportunidade de expressão. Esta é, de acordo com o Thiollent (1998), uma premissa que se torna fundamental para o que pretendemos obter ao longo do desenvolvimento da pesquisa.

Reconhecendo a situação real e as exigências acadêmicas inerentes ao desenvolvimento de uma tese, especialmente à questão temporal, embora o grupo tivesse levantado vários objetivos na etapa diagnóstica, acordamos conjuntamente que trabalharíamos com finalidade de pesquisa apenas uma etapa do processo, em especial, à conscientização da problemática que emergisse nas discussões relativas ao tema do estudo. Nossa preocupação fundamentou-se em não nos limitar a uma satisfação circunstancial das necessidades da própria pesquisadora, que ora se impõem, na condição de apresentar um produto final referente a uma conclusão do curso de Doutorado. Ao mesmo tempo, não perdemos de vista o alcance das metas da pesquisa, lembrando que elas foram delineadas em parceria com os participantes envolvidos, tal como é pressuposto da pesquisa-ação.

Vale lembrar que esse método tem a peculiaridade dos objetivos não encerrarem em si mesmos as propostas delineadas, tendo características dinâmicas e que por isso chama a atenção para outros aspectos, que precisariam ser abordados, não mais como parte de uma investigação, mas como um desdobramento dela mesma.

Benzer Belgeler