XX. YÜZYIL AZERBAYCAN EDEBİYATI’NDA ÖNE ÇIKANLAR MEHMED
3.2. Ağaoğlu’nun Siyasi Düşünceleri
3.2.2. Ağaoğlu ve Liberalizm
Felipe Camarão comporta duas áreas, com características próprias, cujos habitantes não se identificam entre si como um bairro único. A primeira, Felipe Camarão I, foi onde o bairro teve início e é considerada a parte “nobre” da comunidade,
por possuírem moradores de uma condição social mais favorável economicamente, além de possuir mais equipamentos sociais, tais como posto de saúde, escolas, igrejas e estabelecimentos comerciais. A segunda, Felipe Camarão II, localiza-se na parte baixa do bairro, possuindo uma alta concentração de favelas, constituindo-se na parte miserável do bairro, na qual se concentra a população que sobrevive do “lixão”.
Nas falas dos participantes, o bairro de Felipe Camarão sofre, na cidade do Natal, o estigma13 de um bairro “violento e perigoso”, com sua população sendo considerada como pobre e marginal. Nesse sentido, criticam a mídia local, responsável pelo preconceito no tocante aos seus habitantes, como se todos, sem distinção, fossem maus e violentos, reclamando que a imprensa somente enfatiza os problemas e pontos negativos, alimentando o preconceito. Assim, pertencer a um bairro que carrega uma forte imagem negativa torna-se vergonhoso para os jovens, existe o medo da rejeição em espaços públicos pelo simples fato de morarem no local, dificultando a sua integração na cidade e, sobretudo, a sua inserção no mercado de trabalho.
Como em Bom Pastor e Cidade Nova, os jovens sentem-se negligenciados por parte do poder público. Os grupos juvenis organizados querem espaços de expressão e reconhecimento, mas não encontram retorno governamental às suas demandas. Pelo contrário, o governo apenas reprime com violência a população, através de policiais, que geralmente têm como principal alvo os jovens, sempre considerados como potenciais marginais, muitas vezes injustamente.
Apesar das críticas, os participantes reconhecem um dado inquestionável de realidade: o contexto quotidiano de violência ao qual a maioria da população está
13 Conforme noção explicitada por Goffman (1988), o estigma sinaliza o caráter maléfico de determinadas pessoas na sociedade, mas as questões estão voltadas para a exclusão social das populações-tabu (na nomenclatura da teoria freudiana para definir as categorias diferentes, fora dos limites dos padrões “normais”, de caráter simultaneamente sagrado e impuro) em termos econômicos, sociais, culturais, diminuindo assim as suas chances de vida e projetando diretamente nelas a culpa de todas as mazelas decorrentes das contradições inerentes da organização social.
submetida, cujo cenário implica a participação de muitos jovens. O tema da violência foi bastante discutido, associado a temas da droga, tráfico, assaltos, roubos, vandalismo, freqüentes brigas entre grupos rivais, tiroteios e balas perdidas. Outro tema que levantou bastante preocupação foi a iniciação precoce na vida sexual dos jovens de ambos os sexos, sem bases afetivas para as conseqüências – as doenças sexeualmente transmissíveis e a gravidez indesejada, na qual os pais não têm condições materiais e psicológicas para assumir um filho que certamente poderá repetir o contexto de pobreza em que vivem.
A violência também acontece nas relações intra-familiares. Os jovens ressentem- se da falta de um ambiente de comunicação e de diálogo entre pais e filhos e da ausência de um maior suporte moral e afetivo dos pais para o seu desenvolvimento emocional, repercutindo em ações violentas e transgressoras fora de casa.
Por fim, houve uma grande ênfase na degradação do meio ambiente físico, principalmente no tocante à destruição dos recursos naturais (dunas, lençol freático, queimadas de árvores), fato esse que dificultaria sobremaneira a qualidade de vida da comunidade. A falta de trabalhos de conscientização política e ecológica no bairro acarretaria nessa degradação ambiental, segundo os jovens.
1.3.5. Guarapes
Diferentemente de Bom Pastor, Guarapes tem uma delimitação geográfica mais precisa e durante o seminário esse fato refletiu-se nas falas como uma assimilação, por parte dos jovens, mais acentuada do sentimento de pertença ao bairro, definindo uma identidade bem marcada, enquanto moradores de Guarapes. Espacialmente esse bairro encontra-se nas margens da cidade do Natal, já em fronteira com o município de
Macaíba, sendo de difícil acesso, causando uma sensação de isolamento e abandono na população.
Observamos que a violência e insegurança aparecem como principais problemas apontados pelos jovens, aparecendo questões ligadas às drogas e à sexualidade, prostituição, gravidez precoce, falta de saneamento, degradação do rio e fome. Chama a atenção, a indicação de problemas referentes à discriminação e preconceito social e a falta de articulação política da população, que são referenciados como: descaso da comunidade pelos assuntos políticos de reivindicação por melhoria da qualidade do bairro, desunião dos moradores, falta de apoio aos grupos de arte e cultura, falta de respeito aos jovens e marginalidade.
Os problemas familiares geralmente estão associados aos problemas financeiros e desemprego dos diversos membros da família. Note-se a baixa escolarização dos pais (76% apenas atingiram o Ensino Fundamental), com renda familiar que está geralmente situada de 1 a 3 salários mínimos. O relacionamento familiar é traduzido pela violência, brigas, desunião, falta de diálogo e discriminação, além de problemas como o alcoolismo. Isso tudo acrescentado pela precariedade de moradia e saneamento básico.
É interessante observar que em Guarapes existe uma diversidade de grupos de jovens com formas diferenciadas de organização e finalidade (Movimento Hip Hop, Coral de Igreja, Capoeira, Futebol); apesar disso, não há uma unidade nem integração desses grupos, na forma de enfrentamento de seus problemas. Pelo contrário, predomina o individualismo grupal, refletido em atitudes de incomunicabilidade, rejeição entre grupos, estigmatização.
Os sentimentos de discriminação, dor e sofrimento emergem de forma mais intensa que em outros bairros da zona oeste. Os participantes manifestaram grande
tensão pelo fato de constatar que jovens como eles se encontram envolvidos no mundo das drogas, travando “rixas” uns como os outros, ou com jovens de outros bairros.
Os jovens relatam um forte sofrimento a nível emocional, sentido-se desamparados, revelando uma necessidade de estabelecimento de laços afetivos. Sinalizam o desejo de um “espaço de fala”, onde possam discutir seus problemas quotidianos, tais como o sentimento de estar à margem da sociedade, os maus tratos no contato com a sociedade, a injustiça social, a ausência de canais de escuta de suas vozes.
Como em Felipe Camarão, foi bastante presente uma necessidade dos jovens de discutir uma tentativa de desconstrução da imagem negativa do bairro, associada à violência e à degeneração da população, argumentando que são idéias construídas por pessoas que estão “fora do bairro” e que não correspondem exatamente à realidade. Também como aconteceu em Felipe Camarão, essa tentativa de reelaborar o estigma do bairro ocorria simultaneamente com a denúncia do quadro de violência existente, causado pela presença constante de marginais no bairro. De acordo com Gomes e Schwade (2003):
Às suas queixas misturam os constrangimentos de toda ordem – as internas e as externas ao bairro, relatando desde a violência policial, a prisão a todo momento iminente, homicídios perpetrados por certos jovens, prostituição de adolescentes até a discriminação presente na sociedade (pp.182).
Houve uma grande ênfase no sentimento de negligência, exclusão e abandono, no discurso dos jovens. Diversos aspectos foram evocados, como por exemplo: na escola, sentem o “desinteresse, a desmotivação e a irresponsabilidade” dos professores; nas ruas do bairro, o “desinteresse” da prefeitura que não coleta sistematicamente o lixo e o “descaso” dos órgãos públicos no arranjo urbano básico (pavimentação das ruas;
transporte); nos esportes e atividades culturais, a falta de espaços físicos e de apoio para a realização de atividades culturais.
Nesse sentido, a paz novamente torna-se um sonho, uma condição a se atingir. Como em outros bairros, em Guarapes verificou-se de forma mais intensa, o jovem formular como sonho o que lhe é de direito.