Este capítulo expõe o método utilizado para o desenvolvimento da pesquisa realizada e descrita neste trabalho. Com ele tem-se o objetivo de explicitar o seqüênciamento das etapas da pesquisa até a obtenção dos resultados a serem apresentados em capítulo exclusivo. A Figura 13 ilustra a estrutura geral da pesquisa, bem como suas etapas principais.
EMBASAMENTO TEÓRICO
ELABORAÇÃO TESTES E
CONSIDERAÇÕES
Figura 13: Etapas de desenvolvimento geral da pesquisa.
Teste do SAP-LCO VIRTUAL
Análise final dos resultados e Conclusão
Banco de Dados MySQL
Programação PHP - arquivos para manipulação dos dados e apresentação visual
Estudos preliminares: canteiro de obras e Tecnologia da Informação
Referencial Teórico
Aplicações para ferramenta de apoio ao planejamento de canteiro de obras
Contextualização dos planejamentos - entrevistas e pesquisa na Internet
3.1.1 Descrição das etapas
A pesquisa foi conduzida em, basicamente, três etapas como mostrado na Figura 13:
1 Embasamento teórico: fase inicial onde houve a definição do tema e a busca por apoio teórico em outros trabalhos relacionados ao assunto (descritos no capítulo 2 “Referencial Teórico”). O tema escolhido, nesse caso, canteiro de obras e TI, necessitaria de um alvo mais específico. Nesse ponto, houve a definição de desenvolver aplicação voltada para o auxílio do planejamento de leiaute de canteiro de obras suportado por TI. O referencial teórico corroborou com o embasamento relacionado ao tema, facilitando o estudo das possibilidades de aplicações para uma ferramenta de apoio ao planejamento de canteiro de obras, nos moldes do SAP-LCO Virtual. Ainda nessa fase houve a necessidade de conhecer como efetivamente se faz o planejamento, de uma maneira genérica, para entender como uma ferramenta poderia se inserir na rotina prática dos profissionais, o que foi realizado através de entrevistas e questionários (questionários nos Apêndices A e B e resultados em Freitas, Santos e Souza, 2007).
Descrição das entrevistas e questionários:
• Foram desenvolvidas duas pesquisas junto a profissionais envolvidos com planejamento e gerenciamento de canteiro de obras. Em uma delas, através de contato pessoal com oito profissionais de diferentes empresas, foram feitas entrevistas e aplicado um questionário com 20 questões para o conhecimento da realidade em canteiros e a viabilidade da criação de uma ferramenta voltada para auxiliar os profissionais no desenvolvimento de suas atividades relacionadas ao projeto do leiaute. Questionou-se sobre a elaboração de arranjo físico de canteiro e como seria feito; sobre a existência de computadores com os recursos mínimos possíveis nas obras (Internet, CAD etc.); a utilização de softwares de gestão; sobre as informações disponíveis no início dos trabalhos em canteiro e a maneira com que eram disponibilizadas; sobre as primeiras medidas tomadas antes
do inicio do desenho do leiaute, entre outras questões apresentadas no Apêndice A. Ao final da entrevista o profissional era questionado sobre o possível uso de uma ferramenta computacional para auxiliar no desenvolvimento do leiaute e quais seriam os recursos prioritários que esta deveria conter. Com o resultado obtido mediante estas entrevistas e os questionamentos pode-se ter uma idéia inicial de implementação do sistema. A segunda pesquisa com profissionais foi restrita a um grupo com conhecimento de uma metodologia teórica, desenvolvida para dar uma seqüência lógica nas análises durante a elaboração de leiaute de canteiro (SOUZA, 2000). 61 alunos de cursos de MBA de São Paulo foram convidados, através de correio eletrônico e telefone, a responder um questionário online contendo 10 questões sobre a aplicação da metodologia desenvolvida por Souza (2000), com adesão de 24 alunos (39%). Foram abordadas questões sobre a elaboração do leiaute de canteiros e, em caso onde não era feito, quais os empecilhos. Questionou- se também sobre o uso da metodologia descrita, se era seguida integral ou parcialmente, e ainda quais as etapas mais aplicáveis de acordo com a vivência profissional. Quando a metodologia era usada, questionava-se sobre a profundidade do uso, ou seja, se realmente ocorria de forma integrada e contínua, com o canteiro sendo atualizado de acordo com a fase e a realidade “in loco”. Já quando o uso se dava de forma parcial, o profissional respondia quais as etapas do fluxograma realmente conseguia aplicar em seu planejamento e quais as dificuldades que o impediam de aplicar a seqüência proposta em suas obras, já que tinha conhecimento para isto (FREITAS; SANTOS; SOUZA, 2007). Esta pesquisa também serviu de direcionamento para o trabalho.
2 Elaboração: nesta etapa houve efetivamente o desenvolvimento do sistema com estudos e análises de todos os recursos necessários para atingir o objetivo definido.
Etapas de desenvolvimento:
• análise do planejamento resultante do software MS Project para a compreensão dos dados a serem absorvidos pelo sistema. Houve um
estudo das informações contidas em um arquivo xml genérico (Anexo A) a ser interpretado para definição dos dados relevantes ao sistema e que lhe serviriam de entrada iniciais, evitando a necessidade de digitá-los.
• desenvolvimento do banco de dados relacional MySQL. Fez-se um projeto do banco de dados com a estruturação inicial das tabelas, contendo os campos (colunas) e registros (linhas), assim como determinando as chaves primárias. Alterações foram necessárias ao longo da pesquisa, por exemplo: acréscimo de dados, porém a base foi mantida. Nas tabelas foram armazenados os dados do planejamento do MS Project com seus recursos, tarefas e atribuições, além dos estoques diários calculados mediante a quantidade do material e o período de uso, e dados do projeto (autor, empresa etc.). Foram criadas tabelas também para gravar:
o dados dos usuários cadastrados por projeto (usuário e senha), o datas definidas para início e final de fases,
o dados das imagens carregadas para o servidor (limitadas a cinco) pelo usuário,
o configurações feitas nas dimensões dos elementos segundo a forma de armazenagem escolhida,
o dados das instalações temporárias possíveis em canteiros,
o características de linhas traçadas no visualizador e editor do leiaute (applet),
• programação em PHP (Hypertext Preprocessor) e HTML (HyperText Markup Language). Nesta etapa foi desenvolvido um interpretador (parser) para extração das informações relevantes do xml e gravação no banco de dados. Os gráficos passaram a ser gerados usando uma biblioteca gráfica (versão open source) - JpGraph1. Através da programação as outras partes do sistema foram criadas, montando o esqueleto central do sistema e
possibilitando a manipulação dos dados, assim como a apresentação visual. A interface para interação do usuário foi evoluindo até a versão atual apresentada no capítulo 4 (“Descrição do Sistema SAP-LCO Virtual)”. 3 Testes e Considerações: foram feitos contatos telefônicos com alguns dos
profissionais participantes da pesquisa inicial deste trabalho (ou outros da mesma empresa) para uma apresentação e uma possível interação com a ferramenta desenvolvida. Participaram cinco empresas, sendo que a única cujos profissionais não participaram da pesquisa inicial, contribuiu no desenvolvimento da ferramenta, permitindo acesso aos seus canteiros para coleta de alguns dados reais para a determinação de tamanhos padrões de área de armazenagem adotadas como padrão pelo sistema. Sete profissionais e um estagiário participaram de reuniões para apresentação da ferramenta feitas em conjunto quando da mesma empresa, sendo que em apenas um caso, foram feitas duas apresentações em datas diferentes. As opiniões foram colhidas em observações (alguns casos através de gravação em vídeo) e através de um questionário contendo 5 questões para avaliação das funcionalidades do sistema e sua real utilidade. Os resultados obtidos são reportados no capítulo 5 “Testes do Sistema SAP-LCO Virtual”. Isso serviu de base para avaliação dos resultados obtidos com o sistema e listou itens a serem melhorados como mostra o capítulo 6 “Conclusões e Trabalhos Futuros”.