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3.1. BULGULAR VE YORUMLAR

3.1.5. Açıklayıcı Tablolar

Ao se criar em torno da pessoa do capitão-mor uma aura de mito como o fundador de Itaberaí, querendo dizê-lo descendente de índios goianos, as pesquisas que se fizeram nesse sentido, com base nos dos documentos encontrados, mostraram ser outra a sua ascendência. No seu testamento cita o nome de seus pais e de sua naturalidade, o que propiciou que se encontrasse o termo de seu batismo. Assim, documentou-se que era natural do arraial das Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meiaponte, hoje Pirenópolis. Sua ascendência, conhecida em parte pelo termo de seu batismo, é ligada aos velhos troncos paulistas, com a genealogia já estudada por Pedro Taques de Almeida Pais Leme, ainda no século XVIII, e mais recentemente, no começo do século XX, por Luiz Gonzaga da Silva Leme, autores respectivamente da Nobiliarchia paulistana historica e genealogica e Genealogia paulistana.

Salvador Pedroso de Campos, nasceu no dia 8 de junho de 1754, filho legítimo do capitão-mor Pantaleão Pedroso Bonfante e de Maria de Campos; neto paterno de João Leme Bonfante e Maria Pedroso, naturais de Mogi, São Paulo e neto materno de Valério de Serqueira Caldeira e Ana de Campos, também naturais de São Paulo, da então vila de Itú, como se pode ver pelo seu termo de batismo realizado em Meiaponte:

Aos quinze dias do mes de Julho de mil e Sete Sentos e Cincoenta e Coatro, Baptizei e pus os Santos Olios a Salvador innocente que nasceo a oito do mes de Junho do mesmo anno, filho Legitimo do Capitam Mor Pantaliam Pedrozo Bonfante e de Maria de Campos, Neto paterno de João Leme Bonfante e de Maria Pedroza Naturais da Villa de Mojy Neto Materno de Vallerio de Serqueira Caldeira e de Anna de Campos Naturais da Villa de Itu tudo do Bispado de Sam Paullo foram Padrinhos Antonio de Serqueira Caldeira e Maria de Almeida todos

moradores no Matto Grosso desta freguezia e para constar fis este assento dia era Supra.

O Coadjutor Manoel Perª. de Souza92.

Seu pai, Pantaleão Pedroso Bonfante, em 1752, seguindo os roteiros de Bartolomeu Bueno, organizou uma expedição para explorar os rios ao sul de Vila Boa. Nessa expedição, em 1753, descobriu as minas de Anicuns que somente seriam exploradas em 1809, quando se organizou uma sociedade para a sua exploração, dando início ao arraial fundado por Dom Francisco de Assis Mascarenhas (ALENCASTRE, 1979, p. 77).

Assentando praça possivelmente em Pirenópolis, em 24 de março de 1801, foi concedida a Salvador Pedroso de Campos a patente de alferes agregado à Companhia de Milícias do Regimento General e 1ª de Cavalaria do Quartel de Meiaponte93 (Anexo

B). Em 17 de dezembro de 1817, foi promovido ao posto de capitão-mor de Vila Boa e sua Comarca, vago por falecimento do capitão José Ribeiro Costa94 (Anexo C).

De seu testamento datado da Cidade de Goiás a 21 de setembro de 1817, pôde-se colher os dados seguintes:

Casou-se três vezes, a primeira com Francisca de Paula Bessa, com a qual teve um filho de nome Valentim Pedroso de Campos, falecido ainda novo e sem descendência. A segunda vez convolou núpcias com Maria Josefa de Figueiredo, filha de Antônio Martins de Figueiredo (o dono da sesmaria do Palmital), falecida sem geração. Teve, após os dois matrimônios, dois filhos naturais com Teresa Maria de Jesus, filha de José Francisco Hutim e Rosa Francisca de Santo Antônio, que são: Maria Victória Pedroso de Campos, casada sucessivamente com os dois irmãos, Francisco Antônio Bueno da Fonseca e José Ignácio Bueno da Fonseca, tendo filhos apenas desse último; e o Alferes Antônio Joaquim Pedroso de Campos, falecido em Curralinho a 2 de setembro de 1835 e que foi casado com Polucena Maria de Jesus, com quem deixou geração.

Pela terceira vez, o capitão-mor se casou com Maria Anastácia de Santa-Cruz, filha do capitão Francisco Antônio da Fonseca e Maria Ribeiro Bueno, união da qual não houve filhos.

92 Livro n. 07 de Batizados de Pirenópolis, fl. 77. APP. 93 Livro n. 427, fl. 11, MUBAN.

Querendo fazer do capitão-mor o primeiro dono do Engenho do Palmital, uma das primeiras fazendas formadas em Curralinho e que abrangia parte da povoação, Derval no Annaes da Comarca do Rio das Pedras, assim se expressa:

O que podemos, entretanto, affirmar e garantir é que a fazenda ‘Palmital’ de facto pertenceu primitiva e exclusivamente ao capitão-mor Salvador Pedroso e Campos, casado em segundas núpcias com a snra. dona Maria Anastácia da Fonseca (CASTRO, 1933, p. 12).

Porém, por intermédio da documentação compulsada, sabe-se que o primeiro dono do Palmital chamava-se Pedro Moniz Leitão 95, que o vendeu em 27 de março de

176196 a Antônio Martins de Figueiredo, o qual requereu carta de sesmaria daquelas

terras, recebendo o título em 1762:

Dom João Manoel de Mello [...] faço saber aos que esta minha Carta de Cesmaria virem, que tendo respeito a me reprezentar por sua petição Antonio Martins de Figueiredo que elle hera Senhor de hum Engenho de Cana no Palmital, termo d’esta Villa, por compra que elle fizera a Pedro Moniz Leytão [...].

Foi, ao que parece, com o seu segundo casamento com dona Maria Josefa de Figueiredo, filha de Antônio Martins de Figueiredo (o sesmeiro do Palmital), que o capitão-mor passou a residir em Curralinho. Porém não herdou de seu sogro o Palmital. Pelo contrário, em seu testamento97, Salvador Pedroso de Campos consigna que, por

não ter tido filhos com Maria Josefa, após o falecimento desta, entregou a Antônio Martins de Figueiredo a parte que lhe tocava na herança da filha.

Sendo casado antes com dona Francisca de Paula Bessa, com quem teve um filho, supõe-se que tenha se casado com dona Maria Josefa de Figueiredo na década de 1790, quando Curralinho já existia, já que é mencionado em um mapa da capitania em 1778.

Os arraiais naqueles tempos, especialmente os que não surgiram da mineração, demoravam muito tempo para se firmarem. Nascido em 1754 e se casado a primeira vez, ao que parece, em Jaraguá, onde habitava a família Rodrigues de Bessa,

95 Livro n. 04 de Cartas e Ofícios aos Governadores e Capitães Generais de São Paulo, fl. 34, documento

datado de 20 de agosto de 1752, AHEG.

96 Carta de Inquirição, processo 03, 1797, fl. 04. Pasta A-1, Fundação Frei Simão Dorvi, FECIGO. 97 Testamento do capitão-mor Salvador Pedroso de Campos, Cartório do 1º Ofício da Cidade de Goiás,

dificilmente o capitão-mor teria participação ativa no início da povoação que deve ter se formado na década de 1760.

Crê-se, mesmo, que ele tenha chegado em Curralinho no segundo lustro de 1790, pois os termos de batismo e óbitos dessa época, só o mencionarão em 1799, sendo, dessa época em diante, freqüentemente referido como senhor de vários escravos que recebiam o batismo ou a sepultura na capela do Curralinho:

Assento de hu baptizado q, se fez de liça. minha no Corralinho.

Aos vinte e seis dias do mes de maio de mil sete centos e noventa e nove na capella do Corralinho, filial de Vila Boa de Goyaz, de licença minha, baptizou solemnemente e poz os Santos Oleos a Anna, filha legitima de Manoel Congo e Bernarda, Escravos de Salvador Pedroso de Campos: forão Padrinhos José Teixeira de Carvalho e Anna Maria da Silva do Spirito Santo. Todos desta Freguezia, e para constar faço este assento que assigno.

O Vigº. Collado João Perª. Pto. Bravo98.

Acresce-se a isto que em 1797 ainda vivia Antônio Martins de Figueiredo, o segundo dono do Engenho do Palmital. Por esta época ele e seu sócio Valério José tiveram seus bens, constantes do Engenho do Palmital e semoventes, arrematados em hasta pública para o pagamento do Contrato das Entradas da Capitania de Goiás, por terem avalizado o alferes Francisco Moreira Leite e sócios que haviam contratado a cobrança desse imposto em Goiás. Não cumprindo estes últimos com o pagamento devido à Real Fazenda, seus fiadores tiveram seus bens seqüestrados e colocados em arrematação. Porém, a arrematação desses bens foi embargada por uma ação movida por dona Ana Maria de Oliveira, viúva de Pedro Moniz Leitão, o mesmo que vendera o Engenho do Palmital a Antônio Martins de Figueiredo. O documento não menciona o porquê dessa ação movida por dona Ana Maria, deduz-se, porém, que Antônio Martins de Figueiredo devia a Pedro Moniz Leitão, por isso sua viúva diz na petição “[...] que obteve o despacho junto, para ter suas preferências pelos bens arrematados a Antônio Martins de Figueiredo e Valério José, pela fiança que fizerão no contrato das entradas ao Alferes Francisco Moreira Leite e socios”99.

O mesmo documento mencionado cita os eventuais arrematantes contra os quais dona Ana Maria de Oliveira diz ter preferência na arrematação:

98 Livro 03 de batizados de Vila Boa de Goiás, fl. 47v, AGDG. 99 Carta de Inquirição já citada, fl. 03.

[...] provará como consta dos mesmos autos fls. 78v, importarem os mesmos bens, [ilegível] tres marcos oitenta e nove oitavas e hum quarto e arrematarem se a fls. 82v por tres marcos, novecentos e vinte oitavas e meya e quatro vintens aos arrematantes Joaquim Caldeira e Salvador Caldeira, digo, Salvador Pedroso, pelo tempo de quatro anos [...].

Portanto, infere-se que foi por esta época que Salvador Pedroso de Campos passou a residir, como proprietário legal, no Engenho do Palmital, a cerca de três quilômetros do arraial do Curralinho.

Com o seu testamento selado e registrado em cartório, faleceu o capitão-mor Salvador Pedroso de Campos na Cidade de Goiás no dia 18 de janeiro de 1823, sendo o seu testamento aberto no dia 7 de fevereiro do mesmo ano (Anexo D).

O capitão-mor Salvador Pedroso de Campos inserido por Derval na reconstrução da memória de Curralinho, juntamente com a figura dos fidalgos Távora, é agente formador da identidade da antiga Curralinho, alicerçando o forte sentido de identidade da população que com isso criou também um forte laço de coesão social. A administração municipal constribuiu sobremaneira para isso. Em 1986 instituiu a “Medalha Capitão-Mor Salvador Pedroso de Campos100”, conferida às pessoas que

prestaram serviços de alta relevância ao município. A reconstrução elaborada por Derval, seguindo o seu intento de fortalecer a ligação da família de sua esposa, descendente do capitão-mor, com a origem de Curralinho, veio contribuir com a formação da identidade hoje indissociável dos habitantes do lugar, cuja memória impregnou-se da reconstrução elaborada por ele. Assim, Curralinho, uma simples cidadezinha do interior goiano, ao invés de ter surgido do ajuntamento de simples fazendeiros da região, teria a sua origem ligada a fidalgos portugueses e a um capitão- mor, genuinamente goiano, que se viu reconstruído na forma de um mito, cuja abastança e riqueza pessoal eram tantas, que permitiu que em sua casa “os seus utensílios caseiros, taes como pratos, talheres, chícaras, copos, bandejas, etc,” (CASTRO, 1933, p. 11) fossem todos do mais puro ouro, certamente ouro dali, de Curralinho, portanto, goiano.

100Lei municipal n. 355/85 de 24 de dezembro de 1986 a qual “Institui a Concecoração Maior do Município

Benzer Belgeler