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O PNE 2001–2010 (MEC, 2001), que estabelece para um período de dez anos, diretrizes, metas e estratégias para a educação no Brasil, trouxe duas metas que tratavam da expansão da educação superior, quais sejam:

Meta 1 - Prover, até o final da década, a oferta de educação superior para, pelo menos, 30% da faixa etária de 18 a 24 anos.

Meta 2. Estabelecer uma política de expansão que diminua as desigualdades de oferta existentes entre a diferentes regiões do país.

No entanto, as políticas de implementação dessas metas foram criadas na vigência do plano, durante os anos de 2001 a 2010 (ver subcapítulo 3.1), e as metas não foram alcançadas.

Neste contexto e visando a expansão com a Lei Nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), as Unidades descentralizadas de Ensino (Uneds), as Escolas Agrotécnicas, as Escolas Técnicas Federais e as escolas vinculadas à universidades, num total de 160 instituições, se tornaram Institutos Federais de Educação. Observa-se, porém, que a legislação é do final de 2008, praticamente em 2009, ou seja, um ano antes do final do prazo do primeiro Plano Nacional de Educação.

O Plano, por sua vez, em sua meta 12 propõe a elevação da meta anterior, ampliando-a e assegurando a qualidade da oferta:

Meta 12. Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta. No que se refere à expansão, como estratégia para a elevação das matrículas, o PNE 2011 – 2020 propõe:

 Otimizar a capacidade instalada da estrutura física e de recursos humanos das instituições públicas de educação superior mediante ações planejadas e coordenadas, de forma a ampliar e interiorizar o acesso à graduação.

 Ampliar a oferta de vagas por meio da expansão e interiorização da rede federal de educação superior, da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e do Sistema Universidade Aberta do Brasil, considerando a densidade populacional, a oferta de vagas públicas em relação à população na idade de referência e observadas as características regionais das micro e mesorregiões

41 definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, uniformizando a expansão no território nacional.

 Expandir o financiamento estudantil por meio do Fundo de Financiamento ao estudante do Ensino Superior - FIES, de que trata a Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001, por meio da constituição de fundo garantidor do financiamento de forma a dispensar progressivamente a exigência de fiador.

 Assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior, na forma da legislação.

Os estudos que analisam as políticas públicas de expansão para a educação superior no Brasil nas décadas de 70 e 80 do séc XX, receberam críticas: para Martins (2000), nos anos 70, a educação superior passou por um movimento expansionista que, no entanto, arrefeceu e estagnou quanto ao número de matrículas na graduação em 1980. Para Corbucci (2004), a expansão da década de 70 teve como marca um desenvolvimentismo autoritário e a década de 80 foi perdida, pois a crise econômica pela qual passava o país desacelerou a expansão e, como consequência, o número de matrículas diminuiu. De acordo com esse autor, a queda ocorreu no setor público e no setor privado. No setor público, a rede federal foi a responsável, mas o declínio foi amenizado pelas redes estaduais e municipais. No que se refere ao setor privado, o fato se deveu à perda do poder de compra, motivado pela crise econômica, o que resultou na desaceleração do crescimento da rede de ensino.

A recessão instalada na década de 80 teve seus efeitos na década de 90. O Estado era considerado ineficiente e o setor privado apresentado como um modelo da eficiência. Nessa perspectiva e também com o argumento de diminuir o déficit público causado por gastos públicos e políticas sociais, a educação pública é atingida e isso favorece ao crescimento quantitativo de instituições privadas oferecendo ensino superior. Portanto, em 1990, a expansão do ensino superior se deu pela ampliação do setor privado. Em resumo, com o setor público em contenção, em virtude de medidas severas para diminuir seus gastos, o setor privado encontrou um ambiente favorável, um mercado em efervescência para ampliar sua presença na oferta de educação superior.

Segundo Sampaio (1991), o setor privado encontrou o caminho livre para atender à demanda social. De acordo com a autora, a qualidade do ensino não é avaliada como importante e sim a obtenção do diploma. O mercado estava em pleno desenvolvimento. Os mais favorecidos ou abastados ocupavam vagas nas instituições públicas e aqueles menos privilegiados, ao saírem do ensino básico, buscavam o ensino superior privado, fosse para melhorar o conhecimento ou, ainda, como forma de ascensão social e financeira. Assim, o caminho era adquirir o diploma de ensino superior a todo custo, inclusive com dificuldade em seu orçamento familiar e, mais ainda, sem pagar por uma educação de qualidade.

42 Zarur (2003) critica a política expansionista por meio de instituições privadas implementadas a partir de 1994. Observa que, dos 36% de crescimento das matrículas nas instituições públicas, as instituições federais têm a participação de um pouco mais da metade dos alunos matriculados e que a participação maior se deve às instituições estaduais e municipais. O Quadro 5, que tem como fonte dados extraídos do INEP, foi elaborado por Zarur (2003, p. 01) comparando o crescimento do número de matrículas nas instituições públicas e privadas de 1994 a 2001.

Quadro 5 - Ensino superior: matrícula na graduação

Ano Total Instituições públicas Instituições privadas

1994 1.661.034 690.450 970.584

2001 3.030.754 939.225 2.091.529

Crescimento 82% 36% 115%

Fonte: Zarur (2003, p. 01)

Segundo dados apresentados na Tabela 5 acima, na década de 90, a expansão do ensino superior aconteceu por meio da oferta de vagas pela iniciativa privada que apresentou um crescimento de 115% de 1994 a 2001, enquanto as instituições públicas apresentaram, nesse mesmo período, apenas 36%.

A expansão não aconteceu de forma uniforme em todo o território nacional. Sobre a expansão do ensino superior nas Regiões Norte e Nordeste e a presença das instituições privadas na década de 90, Zarur (2003, p.16) comenta:

O estímulo à iniciativa privada no ensino superior deu-se, em ampla medida, às custas da universidade pública, que só não foi efetivamente destruída devido ao seu peso político, sobretudo nos Estados mais pobres da Federação. De fato, na maioria dos Estados do Norte e do Nordeste, o papel de ensino superior privado é relativamente pequeno e a influência política da universidade pública é muito forte. No Nordeste, ao contrário do restante do País, o número de estudantes no ensino superior público é o dobro dos matriculados no ensino superior privado.

Segundo Zarur (2005), para a elaboração do PNE 2001–2010, foi feito um diagnóstico que apontou para a educação superior a necessidade de expansão por conta dos resultados dos anos anteriores. Era necessário estabelecer uma política para promoção e desenvolvimento da educação superior. Para o autor, a expansão veio a acontecer no período de 2000 a 2003 e se deu pela participação das instituições privadas pelo expressivo número de oferta de vagas: em 2003, o setor privado ofereceu 243.787 a mais que em 2002, enquanto as instituições públicas, de 2002 a 2003, apresentaram a sua oferta reduzida em 14.191 vagas, conforme se verifica na Tabela 2, a seguir:

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Tabela 2 - Evolução de vagas nos processos seletivos na graduação (1993-2003)

Ano Total % Pública % Privada %

1993 548.678 ---- 171.627 ---- 377.051 ---- 1994 574.135 4,6 177.453 3,4 396.682 5,2 1995 610.355 6,3 178.145 0,4 432.210 9,0 1996 634.236 3,9 183.513 3,0 450.723 4,3 1997 699.198 10,2 193,821 5,6 505.377 12,1 1998 803.919 15,0 214.241 10,5 589.678 16,7 1999 969.159 20,6 228.236 6,5 740.923 25,6 2000 1.216.287 25,5 245.632 7,6 970.655 31,0 2001 1.408.492 15,8 256.498 4,4 1.151.994 18,7 2002 1.773.087 25,9 295.354 15,1 1.477.733 28,3 2003 2.002.682 12,9 281.163 -4,8 1.721.520 16,5 Fonte: Zarur (2005)

Sobre a tabela 2, Zarur (2005) registra que a oferta total de vagas aumentou cerca de 66% entre os anos 2000 e 2003: o crescimento de 94,45% se deu nas instituições privadas e o setor público apresentou taxas menores de crescimento.

A Meta 3 do PNE 2001–2010 estabelecia para o ensino superior uma política de expansão com o objetivo de diminuir a desigualdade de oferta nas regiões brasileiras e estimulava, por parte das instituições públicas, os programas de assistência estudantil no intuito de apoiar estudantes carentes com bom desempenho acadêmico.

Comparando a expansão da educação superior entre as regiões do Brasil, Zarur (2005) afirma que, em 1993, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste eram as que tinham mais dificuldades quanto ao acesso à educação superior. Diferentemente das demais regiões, o setor privado só investia nas capitais e o atendimento à demanda no interior dos estados se resumia ao setor público. Em 2003, houve um avanço significativo nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, conforme Tabela 3 a seguir:

Tabela 3 - Matrículas na graduação por região geográfica

Região 1998 % 2003 % Norte 85.077 4,0 230.227 5,9 Nordeste 310.159 14,5 625.441 16,1 Sudeste 1.148.004 53,9 1.918.033 49,3 Sul 419.133 19,7 745.164 19,2 Centro-Oeste 163.585 7,6 368.906 9,5 Brasil 2.125.958 100 3.887.771 100 Fonte: Zarur (2005)

Em 1998, como mostra a Tabela 3, a região Norte detinha 85.077 matrículas na graduação, que representava 4% das matrículas no Brasil mas, em 2003, passou para 230.227,

44 representando 5,9% do total de matrículas no Brasil. A região Nordeste, em 1998, tinha 310.159 matriculas, o que significava 14,5% no percentual de matrícula do país e, em 2003, eram 625.441 matriculas, elevando o percentual para 16,1% da matrícula total do Brasil. A região Centro-Oeste, em 1998, contava com 163.585 matrículas e seu percentual em relação ao país era de 7,6% e, em 2003, a matrícula era de 398.906, representando um percentual sobre a matrícula total brasileira de 9,5. Em 1998, as três regiões juntas representavam um pouco mais de 26,1% do total de matrículas do país e, em 2003, passou a representar 31,5%.

Segundo Zarur (2005), embora nessas regiões tenha havido um crescimento significativo da rede privada, houve, também, um expressivo aumento da rede pública onde continua a maior parte dos alunos e, nas demais regiões, predomina a rede privada. Ainda conforme o autor, houve um avanço do sistema de educação no sentido da descentralização, com a presença da educação superior nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas este movimento aconteceu de forma muita lenta.

A partir do ano 2000, o governo federal formulou programas no sentido de alcançar a meta de expansão do Plano Nacional de Educação 2001- 2010.

Benzer Belgeler