1. ELEKTRONIK TICARETE GENEL BAKIġ
1.3. Ġnternetten AlıĢveriĢlerde Ödeme Yöntemleri
Até o início da década de 1990, Ibsen Pinheiro tinha uma grande popularidade e respeito por parte dos colegas da Câmara Federal. À luz de Maquiavel poderíamos dizer que ele tinha virtú e fortuna.
Mesmo diante de tanta popularidade, Ibsen enfrentou, além da grande imprensa, por parte de seus adversários, críticas ferozes. Na política há um constante equilíbrio e desequilíbrio. No início dos anos 2000, no Congresso Nacional, por exemplo, o PT (partido do então presidente Lula) viveu em estado de constante tensão com o DEM e o PSDB.
Existe um reino da instabilidade na política que está repleta de tensões, de conflitos. Para Shakespeare, por exemplo, a política é trágica: ela é impedimento, dificuldade, é morte e traz destruição:
―Shakespeare e Maquiavel se aproximam ao constatar que quanto mais as ações dos homens se voltam ao poder político, ou são atraídas por este, mais perdem o controle das suas ações, até penetrarem naquele âmbito no quais as paixões, ou a razão, podem ser subjugadas irremediavelmente...
(...) Como sucessão de conjunturas que avançam em equilíbrio-desequilíbrio, a política torna-se uma área na qual irrompe com frequência a tragédia, pela ocorrência de acontecimentos contrários e porque aí convivem possibilidades e
impossibilidades. A relação entre liberdade e poder, como já indicado anteriormente, serve para elucidar parte desta tragédia que atinge os súditos, os governados...341‖
Essa constante instabilidade é mostrada também por Thomas Hobbes de Malmesbury. O autor sugere, no entanto, que essas tensões políticas existem por causa da própria natureza do homem e mostra que o ‗estado de natureza‘ é ‗estado de guerra‘ em que os homens competem entre si em difícil sociabilidade.
É impensável a harmonização. Hobbes nos mostra que a humanidade sempre ‗estará na beira do abismo‘, sempre em estado de guerra. Para ele, portanto, não é possível confiar no homem.
Portanto, as tensões políticas, nas perspectivas desses autores, vão existir. Nas peças de Shakespeare, por exemplo, é possível perceber que a política interfere até no amor. Pode até permitir a paz, mas esta é momentânea, nunca duradoura. Nesse sentido, políticos, como Ibsen e Alceni Guerra, vão convivendo com as tensões políticas, tendo de administrar ―com barganha‖ e/ou com sua habilidade política (virtù) para se manter no poder. Essa virtù – teria faltado ao ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, quando teve seu mandato investigado no Congresso Nacional, por exemplo. E, também ao presidente da Câmara, da época, Ibsen Pinheiro, que não conseguiu, apesar da campanha da grande imprensa, se safar do também julgamento político de seus pares.
Somam-se a isso, as relações pessoais, a identidade política com o governo ou o interesse econômico das empresas de comunicação, que podem influenciar sobremaneira, na cobertura política da grande imprensa.
Só para citar um exemplo, no livro ―Notícias do Planalto‖, de Mário Sérgio Conti, ao falar sobre a Revista Veja, percebe-se como a notícia é tratada é moldada aos padrões editoriais, ou melhor ideológicos da revista.
Depois de percorrer pilhas de fotos, para escolher as melhores, e de fazer tabelas, mapas ou gráficos com a editoria de Arte, o repórter diagramava a matéria, que era repaginada pelo editor e depois pelo editor executivo. O encarregado escrevia o texto, seu editor pedia complementos e determinava que fosse reescrito. A cada degrau na hierarquia a reportagem era reescrita novamente. Autorizada a publicação, era hora da checagem. Os checadores conferiam as datas, grafias de nomes e comparavam o texto final com os relatórios originais, buscando incongruências e erros. Esse ir-e-vir levava dias, às vezes semanas e, no gargalo final, era extenuante e neurótico. À meia-noite, acontecia de se reescrever uma matéria de oito páginas, com um novo enfoque reduzido para duas páginas. O repórter que teve a ideia original saía da redação às nove horas da manhã, com o sol
341 CHAIA, 1995.
alto, e chegava em casa massacrado. Apenas uma das oito pessoas que entrevistara durante horas fora citada. Do seu texto original não sobraram nem as vírgulas342.
É importante ressaltar que todo o texto, conforme deixa claro o próprio Conti, era moldado pelos editores que representavam a direção.
Nota-se também, na análise da cobertura de Veja, sobre o caso Ibsen Pinheiro, que existe por parte da mídia e os políticos, um estreito relacionamento. Às vezes pode ser ‗promíscuo‘. Como vamos notar na entrevista de Ibsen Pinheiro, apesar de ter sido atacado por Veja e a grande imprensa, ele parece se afastar, 11 anos depois das denúncias, de qualquer desentendimento com os meios de comunicação.
E, ao contrário do que se esperava, ele defende a liberdade de imprensa, não processou a revista ou qualquer órgão de comunicação, e critica a criação de órgãos de controle na entrevista que deu à IstoÉ na edição do dia 18 de agosto de 2004, nº 1.819. ―O denuncismo tem cura, mas na imprensa censurada o denuncismo é eterno‖343.
E por que a postura do deputado foi essa? Políticos precisam estar na mídia. No futuro vão buscar uma eleição política. É preciso ser reconhecido pelo povo.
Nota-se, sobretudo, que existe uma aproximação muito grande entre a imprensa e o poder político. A imprensa, que sempre debate as contradições das outras instituições sociais, frequentemente deixa a desejar quando é o momento de discutir suas próprias contradições.
Na entrevista que Ibsen, concedeu à Revista IstoÉ, ele faz considerações importantes, mas prefere preservar, poupar ou falar sobre um controle rígido sobre os meios de comunicação. No entanto diz claramente que sofreu linchamento moral por parte da imprensa que se precipitou.
Voltaire tem uma definição muito interessante. Diz que a primeira infâmia contra alguém é rejeitada. A segunda arranha e a terceira destrói. No quadro que se criou, as imputações sem provas, sem nenhum conteúdo, produziam este efeito. Mas aquele quadro se criou. Uma foto junto com uma acusação de movimentação financeira desproporcional passava para o imaginário das pessoas que o ex- presidente da Câmara devia ser responsável por tudo de errado que acontecesse. Isso no imaginário das pessoas dispensava a necessidade de provas. Bastava a afirmação. Chegou a um ponto que não precisava nem afirmação, bastava a insinuação. Eu disse naquela ocasião algo que eu posso repetir hoje: nunca tive a graça de uma acusação. O próprio relatório da CPI dizia: ―A denúncia inicial não restou provada.‖ Nos processos políticos, o ônus da prova se inverte. É o acusado que precisa provar uma, duas, três, quatro vezes. Passei por processo marcado pela ligeireza, característico dos processos políticos344.
342 CONTI, Mário Sérgio. Notícias do Planalto: a imprensa e Fernando Collor. São Paulo: Companhia das
Letras, 1999. p. 62.
343 IstoÉ, 18 de agosto de 2004, capa. 344 Ibid., p. 37.
Na mesma entrevista Ibsen se diz inconformado com a suposta manipulação praticada no episódio, uma vez que a imprensa sabia do erro e mesmo assim publicou a denúncia:
O que mais me impressionou foi ter havido, antes da publicação, a percepção do erro e ter havido a persistência na informação inverídica. Mas fui jornalista quase toda a minha vida e acredito na liberdade de imprensa. Se a imprensa comete desvios de conduta, só a liberdade de imprensa é capaz de corrigí-los. Pior que o denuncismo é a censura. O denuncismo tem cura, a verdade aparece. Na imprensa censurada, o denuncismo é eterno. Os vícios que a imprensa pratica podem decorrer da liberdade de imprensa, mas não tenho dúvida que os vícios mais graves decorrem da censura. Vivi momentos da censura, como todos, no regime militar, e vimos do que a censura é capaz. Nas ditaduras, os efeitos desses vícios de conduta são eternos, são imutáveis. No regime da liberdade, sempre se tem, no mínimo, a esperança e, no máximo, a convicção de que a liberdade vai oxigenar os fatos e aqueles que não são verdadeiros não sobreviverão. Vejo com preocupação quando se pretende criar um Conselho Federal de Jornalistas, com a função de supostamente orientar e fiscalizar, mas, sem dúvida, ainda que a proposta seja de boa-fé, o conteúdo será do patrulhamento345.
Segundo Rosa, jornalistas e meios de comunicação que cometem erros estão quase sempre imunes ao risco de serem expostos publicamente, como ocorreu com Ibsen Pinheiro. O que ocorre, no máximo, com os jornalistas que cometem o erro é a demissão.
Luís Nassif afirma que, em geral, os meios de comunicação mantêm uma grande complacência para os erros de jornalistas sejam eles deliberados (dolosos) ou não. Para ele, há uma espécie de corporações fechadas para brindar aqueles que cometem os erros. A imprensa, por sua vez, critica as instituições que assim fazem.
Policiais, políticos, militares ou diplomatas que resolverem problemas internos com afastamentos, punições brandas ou transparência para lugares distantes correm o risco de serem imediatamente taxados (pela mídia) de estarem praticando ―acobertamento‖, produzindo ―impunidade‖. Essa regra vale só para os outros? Quando jornalistas erram, essa questão costuma ser abafada, confinada aos escaninhos das redações, sob o argumento de que se trata de ―questão interna‖, ―questão privada‖. Nessa hora, o argumento do interesse público perde força e, ao contrário de quase todas as outras profissões, o infrator normalmente escapa, sem sofrer execração. O biombo, assim preserva a pessoa física346.
Segundo Eugênio Bucci, ―quase nada se noticia sobre o que se passa no mundo dos negócios dos donos dos jornais‖, em nota relatada no livro ―Do B- Crônicas e críticas para o Caderno B‖347, que analisa a mídia. Mário Rosa diz mais:
345 IstoÉ, 18 de agosto de 2004, p. 38. 346 ROSA, 2007. p. 452.
347 BUCCI, Eugênio. Do B – Crônicas críticas para o Caderno B do Jornal do Brasil. São Paulo: Editora
Veículos de comunicação entendem que podem solicitar, através de seus repórteres, praticamente quaisquer informações que considerem importantes, em nome do ―interesse público‖ ou do ―leitor‖. Mesmo que seja uma informação sensível de outra empresa privada: quando esse tipo de dado é negado em meio a um processo de desgaste público, o teor das reportagens realça uma aura de ―suspeição‖. Mas, porque as empresas jornalísticas não poderiam deixar registrados na internet, por exemplo, todos os ingressos publicitários de seu caixa? Por que a sociedade e os leitores não podem saber quais empresas que mais anunciam, quais governos fazem propaganda e qual o volume percentual dessa vinculação? 348
Ou seja, a mesma transparência que os veículos de comunicação na grande imprensa cobram dos governos, das instituições públicas e dos políticos não é seguida por eles próprios. É o ditado: ―Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço‖.
CAPÍTULO 4. “AGENDA OCULTA”: COMPORTAMENTO DA MÍDIA E AS