8. Mitokondriyal DNA hastalıkları b Edinsel nedenler:
1.4.2.1.3. Ġnsülin Direnci Belirtileri Ve Ġnsülin Etki Alanları
Uma das características de Derrida e do pensamento francês da sua época é a abertura para a inovação, geralmente contrastante com a atitude dogmática e fechada que os campos institucionais, e mesmo os científicos (inclusive dentro da própria França), costumam manter
472 Já nos seus tempos na ENS Derrida havia cursado, na Sorbonne, a disciplina de etnologia, permanecendo interessado pelo tema (PEETERS, Benoît. Derrida, pp. 105-106).
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DERRIDA, Jacques. Gramatologia, p. 116. Sobre Fenollosa, inclusive fazendo a conexão com Jacques Derrida, conferir CAMPOS, Haroldo de. Ideograma, Anagrama, Diagrama: uma leitura de Fenollosa.
em relação a novos quadros conceituais que contrastem com os estabelecidos474. Usando o vocabulário de Thomas Kuhn, poder-se-ia dizer que a filosofia francesa está em permanente estado "revolucionário", contrastando com outras tradições que visam, ao contrário, a se estabilizar como "ciências normais"475. No entanto, como os capítulos anteriores mostraram, os "nós" de problematização são os mesmos, correspondendo ao conceito de "momento" que Worms desenvolve. A atitude revolucionária, por isso, contrasta com uma certa normalidade inevitável, revelando, a rigor, uma economia não-oposicional dos termos. A topologia, na realidade, é outra que a kuhniana. Filosofia aberta desde dentro, auto-imune, que se presta à devoração antropofágica dos objetos científicos e antropológicos a fim de transformar a si própria. Se o salto entre Lévi-Strauss e Deleuze não é incomensurável, como a ideia de Kuhn parece salientar, não é porque Deleuze não ponha em questão tudo que Lévi-Strauss sustenta, numa atitude revolucionária, mas porque os saltos, as invenções, não são absolutas, ex nihilo, situando-se em um quadro de iterabilidade diferencial (que Derrida, como veremos, nos ajudará a explicar).
Esse foi o ponto, já destacado no capítulo em que se tratou da epistemologia francesa, que mostrou a completa incompreensão de Alan Sokal e Jean Bricmont sobre o campo filosófico francês. A argumentação dos autores na quase totalidade dos casos resume-se à seguinte estrutura: "essas teorias existem, mas não levam às conclusões tiradas em termos
epistemológicos"476. Em outros termos: os autores defendem uma epistemologia tradicional
474 Ver, p.ex., BADIOU, Alain. L'aventure de la philosophie française depuis des années 1960, pp. 15-16. Contrariamente ao que Rorty afirma quando aponta na ciência o modelo de solidariedade generosa que gostaria de ver reproduzido na sociedade, a história da ciência é um constante relato de ridicularizações e censura a todo tipo de inovação que desordena o quadro conceitual pré-estabelecido por meio de posições sempre incensadas por prestigiados scholars (a prática institucional ainda é uma escolástica). Cito apenas os casos de Boltzmann, na termodinâmica, Freud, na psiquiatria e Walter Benjamin, na filosofia, como exemplos dentre os infinitos casos desse tipo de atitude (que, como se percebe, permanece ainda bem viva hoje em dia). Essa observação, contudo, não tem o intuito de desprestigiar a ciência, reduzindo-a a relações de poder ou coisa do gênero, mas de potencializar o próprio espírito científico naquilo que ele tem de falibilista, diminuindo os restos dogmáticos que a escolástica medieval lhe legou. A experimentação mais radical nesse sentido a que Derrida dedicou vários anos e inclusive trabalhos teóricos foi o Collège International de Philosophie (http://www.ciph.org/), que até hoje se marca pelo cruzamento de vários campos teóricos no trabalho filosófico.
475 Ver, por exemplo, o contraste no debate Derrida-Searle, no qual o último acaba acusando o primeiro, não tem certa intenção retoricamente perversa, de "positivista" (DERRIDA, Jacques. Limited Inc, pp. 98-108 e 156-162). 476 Conforme, p.ex., SOKAL, Alan & BRICMONT, Jean. Imposturas Intelectuais: o abuso da ciência pelos filósofos pós-modernos, p. 137 (mas repete-se muitas vezes). Evidentemente essa é uma leitura generosa da questão, à medida que o livro contém erros grosseiros, como o tomar a apropriação da ciência pelos filósofos com o fito de "relativização" ou "subjetivização", eixo completamente errado de análise (p.ex., idem, p. 61). Se tomarmos por exemplo Lacan ou Deleuze, filósofos mencionados no livro, veremos que eles pretendiam a total objetividade das suas teorias (se tomadas nas dicotomias clássicas e com todos os problemas daí derivados) (Manuel DeLanda, por exemplo, ressalta interpreta de modo puramente realista o pensamento deleuziano - DELANDA, Manuel. Intensive science and virtual philosophy, pp. 2-3). A redução da ciência a uma "construção social" (no sentido representacional) ou ideias do gênero, se eventualmente pode ter feito parte da cultura "pós- moderna", em nada têm relação com a tradição francesa criticada. É French Theory, não filosofia francesa.
(semelhante a um realismo direto empirista) sem admitir que as observações empíricas da ciência possam levar a uma reconstrução dos próprios conceitos epistemológicos, submetendo também o conhecimento aos mesmos parâmetros ontológicos do restante. Em face da sua tendência materialista, a filosofia francesa, ao contrário, faz do próprio campo transcendental um fenômeno empírico, submetendo-o a reconstruções permanentes a partir de uma relação de generalização dos avanços da ciência. Evidentemente que do ponto de vista de uma filosofia fundacionalista ou do positivismo científico essas exportações podem parecer "exageradas" ou "temerárias" (é a advertência que percorre a quase totalidade das críticas do livro). Contudo, o espírito "falibista" (o "primado teórico do erro") de Bachelard, no seu ritmo experimental, é justamente o que marca esse campo filosófico. Deve-se entender esse materialismo, por isso, como hipotético, errante, especulativo e experimental, sem pretensão de fundamentação última477.
A apropriação dos conceitos científicos, portanto, não é apenas metafórica (se tomada a metáfora no sentido clássico), mas tampouco é estritamente científica. Trata-se de uma "transcendentalização" desses conceitos478, de uma exportação generalizante que os permite pôr não apenas em pastas específicas que não perturbam o todo (como os positivistas em geral pensam), mas de, evitando denegar fenômenos empíricos, fazê-los transformar as próprias categorias com que são analisados. O que a ciência fornece à filosofia, portanto, não é apenas material empírico bruto, mas modelos de pensamento que a própria filosofia, muitas vezes no seu enclausuramento totalizador, deixa de perceber, fechando-se em uma ideia onto-teológica de transcendental479. O que Sokal e Bricmont neutralizam, refletindo com isso o espírito
Trata-se aqui mais uma vez de problema de tradução, mais especificamente de má tradução. Recentemente, o "Sokal Hoax" foi repetido em contexto científico na área farmacêutica (disponível em < http://www.sciencemag.org/content/342/6154/60.full>. Acesso em 7.11.2013).
477 Ver DERRIDA, Jacques. Especular - sobre Freud, pp. 303-307. É o status epistemológico (hipotético ou atético) do discurso desse próprio trabalho também, à medida que estou de pleno acordo com Eduardo Luft, por exemplo, de que o projeto de fundamentação última deve ser abandonado em nome de uma ciência especulativa (LUFT, Eduardo. A Crise do Fundamento: uma conjectura sobre a trajetória da Filosofia da Ciência, pp. 349- 351; idem, Fundamentação última é viável?, pp. 82-83).
478 Esse é o erro grosseiro seguinte do livro de Sokal: não perceber que os conceitos científicos quando tratados em nível filosófico estão deslocados, isto é, passam a ser retranscritos (traduzidos) para o âmbito transcendental das condições de possibilidade, não mais no campo puramente empírico que o cientista trabalha. Do contrário, a atividade filosófica poderia ser substituída integralmente pela do cientista (como pensava o positivismo e hoje em dia o fisicalismo, mas certamente nenhum dos filósofos que Sokal pretendia ter "desmascarado"). Isso explica também sua incapacidade de entender as questões (o que é tomado como um "argumento"), já que não tem competência filosófica para tanto (p.ex., SOKAL, Alan & BRICMONT, Jean. Imposturas Intelectuais: o abuso da ciência pelos filósofos pós-modernos, pp. 156-159). Paradoxalmente, essa "transcendentalização" é uma "detranscendentalização", à medida que aproxima o transcendental do empírico, o historicizando.
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Em termos kantianos, tratar-se-ia de fomentar a imaginação transcendental (ou, hegelianamente, a "imaginação produtiva") (ver DERRIDA, Jacques. Invention de l'autre (PY), pp. 55-57). Entretanto, a fim de não retomar o problema do sujeito e do simbólico, conduzindo novamente ao eixo realismo/relativismo (que
positivista na sua pior faceta (aquela que colide com os interesses da própria ciência), é como a filosofia, incorporando antropofagicamente conceitos científicos, pode transformar os
próprios conceitos filosóficos que representam obstáculos epistemológicos à ciência.
Esse movimento de dupla contaminação ocorre igualmente por um motivo simples e nada contraditório com o que foi dito até agora: o conhecimento, os conceitos, as teorias, etc., são também fenômenos materiais, e não entidades de um mundo paralelo suprassensível cujo espelhamento faria um intelecto transparente do filósofo ou cientista. Este platonismo vulgar, apesar das denegações, permanece plenamente vivo. Para o materialismo, ao contrário, o que existe é material e por isso em alguma medida as próprias teorias (no limite, a própria ideia de transcendental) devem ser "empíricas" (inclusive enquanto "práticas teóricas"). Isso não é trivial (como alguns postulam, mas sem tirar as consequências) e nem "subjetivo", "intersubjetivo" ou "relativo". É preciso entender que diz exatamente o contrário de qualquer relativismo: é porque a ciência "refina" a nossa percepção do mundo objetivo, negando muitas vezes o óbvio visível, que esse refinamento deve reverberar no campo das nossas categorias epistemológicas - que tratam deste mundo, e não de qualquer outro (por exemplo, um de formas eternas e puramente inteligíveis). A reconstrução do "mundo objetivo" que a ciência opera, por isso, é também uma reconstrução da própria forma com que esse mundo objetivo é visto, da sua imagem virtual.
considero improdutivo), aproximaria essa ideia do "comparatismo" que Patrice Maniglier identifica no estruturalismo e procura com isso ler a questão entre Derrida e Saussure. Maniglier afirma: "Il semble donc que le projet général de Saussure a beaucoup à voir avec celui de Derrida lui-même : montrer l'excès d'une découverte positive sur la conceptualité métaphysique qui tente de la recouvrir" (MANIGLIER, Patrice. Téronlogie saussurienne, p. 380). Essa aproximação também pode ser feita com os conceitos de "modelo", de Alain Badiou, o "esquema-motor", de Catherine Malabou.