3. KONYA NOVOTEL' ĠN KURUMSAL KĠMLĠĞĠ ÜZERĠNE ANALĠZ
3.5. Konya Novotel‟ in Kurumsal Mimarisi
3.5.2. Ġç Mekân Tasarımı
3.5.2.4. Ġkinci Kat-Ondörcüncü Kat, Yatak Katları :
No período subseqüente à implantação do projeto da NSF, ou seja, no início da década de 90, constata-se a mobilização de entidades ligadas ao campo das Engenharias, para implementar ações de reforma na Engenharia brasileira. Nesse sentido, a Associação Brasileira de Ensino de Engenharia (ABENGE) e o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (CONFEA)13 realizaram uma ampla pesquisa nacional. Consultaram cento e vinte
sem importância, uma vez que ele é parte de um processo mais amplo pelo qual a lógica do capital ajuda a construir identidades e transforma significados e práticas culturais em mercadorias” (APPLE, 1989, p.168).
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Multiculturalismo no ensino envolvendo, por exemplo, “cotas”. 13
Há que se destacar, no apoio da (ABENGE), as discussões e divulgações permanentes sobre o processo de reforma, principalmente em seus congressos anuais (COBENGEs) e meios de comunicação (jornais e revistas). Na mesma direção se encontram os apoios advindos de academias e associações ligadas à Engenharia e de manifestações do setor empresarial. Como exemplo, pode-se citar o discurso da ANE (Academia Nacional de Engenharia) e o pronunciamento de um grande empresário brasileiro no I Seminário
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especialistas das diversas áreas da Engenharia e de diversas regiões do País, com o objetivo de buscar algumas diretrizes para “orientar a formação do engenheiro e supervisionar a atuação do profissional de Engenharia frente aos grandes desafios do início do século que se avizinha” (VIEIRA, IIDA e DANNA, 1991, p.1)14. Com o intuito de subsidiar as análises do REENGE, apresento as recomendações do relatório que mostra os resultados da pesquisa.
As páginas iniciais do relatório destacam a questão da elevada competição industrial, cada vez mais acirrada, em nível mundial, num contexto de gradual diluição das barreiras alfandegárias. A primeira recomendação é para o setor de pesquisa: parte-se da idéia de que a capacidade competitiva das empresas está relacionada com a sua capacidade em desenvolver pesquisa conjunta com os centros de pesquisa em Engenharia, conforme o trecho que se segue:
O desenvolvimento tecnológico será cada vez mais dependente das atividades de pesquisa. As novas descobertas certamente serão incorporadas com velocidades crescentes à produção de bens e serviços. As empresas líderes deverão introduzir melhorias contínuas em sua linha de produtos, para não perderem a hegemonia. Para isso, investirão cada vez mais no desenvolvimento científico e tecnológico. Nas empresas de ponta, existem algumas que já investem até 10% do seu faturamento em pesquisas. As interações das empresas entre si e destas com as instituições de ensino e pesquisa deverão crescer, devido a diversos fatores, como as necessidades comerciais, acesso às informações científicas e tecnológicas, absorção de pessoal qualificado, bem como as exigências de contínua atualização desse pessoal. (Perfil do engenheiro no século XXI, p.2)
Destacam-se, ainda, as críticas ao setor produtivo por ser tecnologicamente atrasado, porque o modelo de industrialização adotado pelas empresas nacionais no País foi baseado na substituição de importações. Ao lado disso, salienta-se o reduzido aproveitamento nas empresas dos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento gerado pela comunidade científica. No entanto, de forma contraditória, o relatório critica a formação dos docentes mencionando que os pesquisadores deveriam apresentar maior interesse em desenvolver
Internacional em Programas de Desenvolvimento da Engenharia, realizado em 1995, no Rio de Janeiro
.
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Ver relatório intitulado Perfil do Engenheiro no Século XXI, versão 3, apresentado em Brasília, em setembro de 1991, em reunião como os presidentes da ABENGE e do CONFEA, além de representantes dos conselhos regionais de Engenharia e coordenadores estaduais da pesquisa. Conforme documentação, esta consulta foi acompanhada de debates nos Congressos Brasileiros de Ensino de Engenharia (COBENGES) e por diversos Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura (CREAS) em vários Estados brasileiros.
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pesquisas de caráter mais tecnológico:
Em relação aos docentes universitários, observa-se que a exigência de dedicação integral ao ensino e à pesquisa provocou o afastamento dos mesmos da prática de Engenharia. Os cursos de pós-graduação “stricto sensu” também não têm contribuído significativamente para isso, pois são quase sempre direcionados para a formação de pesquisadores. Além disso, fora desses cursos formais de mestrado e doutorado, há poucas ofertas de cursos ou estágios para que os docentes possam se manter atualizados. Essa questão se agrava pela não-valorização, na carreira acadêmica, da experiência profissional adquirida em empresas. (Perfil do Engenheiro no século XXI, p.2)
No que diz respeito à formação do engenheiro, o relatório faz outras críticas direcionadas às escolas de Engenharia, apontando a rigidez dos seus currículos e a falta de atividades práticas nos cursos. Recomenda-se, então, para o ensino de Engenharia o aumento de “flexibilização curricular”, com a abertura de novos cursos e maior eficiência na relação aluno/professor:
Atualmente, dada a imensa quantidade de conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis, inclusive aqueles de natureza interdisciplinar, fica difícil acomodá-los em apenas seis áreas, como preconiza a Resolução 48/76 do CFE. Desse modo, verifica-se a necessidade de aumentar a flexibilidade para os arranjos curriculares, de modo que a formação do engenheiro possa seguir padrões mais diversificados, em relação ao modelo vigente. Ademais, o mercado de trabalho também tem exigido profissionais mais especializados para atuações específicas. Essa maior flexibilidade curricular, poderia propiciar a criação de novas modalidades, tais como: Engenharia Ambiental, Engenharia Econômica, Engenharia de Qualidade, Engenharia de Sistemas (automação), Bioengenharia, Engenharia do Trabalho (métodos + ergonomia) e Mecatrônica (mecânica de precisão + eletrônica). (Perfil do engenheiro no século XXI, p.8)
Na seqüência, o relatório conclusivo recomenda que o ensino de Engenharia deve atender às demandas empresariais. É apresentada uma pesquisa sobre o perfil desejável do engenheiro, realizada em 1985 e 1986 pela ABENGE, CONFEA e Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP). A pesquisa aponta que as empresas têm adotado para a seleção, treinamento e desenvolvimento de seus engenheiros os seguintes critérios:
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usual e rotineira; b) boa comunicação oral e escrita, em pelo menos duas línguas; c) sólida formação cultural e tecnológica; d) participação em sistemas de educação continuada; e) domínio das seguintes habilidades e posturas: criatividade e inserção no mundo; capacidade e hábito de pesquisar; exercício e desenvolvimento de senso crítico; capacidade de trabalhar em grupo e liderar pessoas; e experiência em modelos avançados de gerência.” (Perfil do engenheiro no século XXI, p.7)
Curiosamente, a análise dessas solicitações mostra o interesse de ampliar os conhecimentos dos engenheiros em questões de ordem não-técnica (formação cultural, criatividade, senso crítico, postura, liderança, trabalho em grupo, gerência, comunicação oral e escrita). Com base na literatura da Sociologia do Currículo, nota-se que essas propostas priorizam mudanças no âmbito do discurso regulativo. BERNSTEIN (1996a) define o discurso
pedagógico como um discurso de competência — discurso instrucional— referente às
destrezas de vários tipos, e um discurso de ordem social capaz de criar identidades especializadas — discurso regulativo. Para BERNSTEIN, existe um domínio do discurso regulativo sobre o discurso instrucional de tal forma que “a ordem, a relação e a identidade na transmissão do discurso instrucional estão, elas próprias, embutidas nos princípios de ordem, relação e identidade do discurso regulativo” (BERNSTEIN, 1996a, p.261)15. Assim, na pesquisa sobre o novo perfil do engenheiro, podem ser destacadas a “capacidade para trabalhar em grupo e liderar pessoas”, assim como, o “desenvolvimento de senso crítico e de criatividade”.
Em síntese, o relatório propõe que (a) as atividades de pesquisa da Engenharia sejam incentivadas para a produção de tecnologias mais competitivas para o mercado; (b) o ensino tenha cursos mais práticos e voltados para uma formação tecnológica; (c) as atividades de extensão sejam voltadas para cursos de curta duração destinados a capacitar os profissionais que se encontram nas indústrias16. De forma mais abrangente, é ressaltada também a importância do ensino básico no sentido de estimular os jovens para “despertar vocações” científicas e tecnológicas para a área de ciências.
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Um exemplo desse tipo de proposta pedagógica é a reforma da Engenharia da Inglaterra, divulgada no I Seminário Internacional de Desenvolvimento das Engenharias, promovido pelos organizadores do REENGE. Dentre as principais recomendações do modelo inglês, voltado para mudanças no ensino que valorizem os interesses industriais, encontram-se as propostas de: “aumento de organização; autodisciplina encorajadora; ego-motivação; trabalho em grupo; melhoramento das habilidades verbais e de escrita”.
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No que se refere às atividades de extensão universitária, destaca-se que a formação continuada deve ocorrer, de preferência, com a participação do setor empresarial nos cursos de pós-graduação.
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Ao final desse relatório, percebe-se o propósito dos organizadores da reforma de que suas conclusões tenham ampla repercussão no sistema educacional em geral. Está explicitada no documento a recomendação de que as propostas nele contidas fossem incluídas na reforma educacional que se processava no País. Embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação se trate de uma discussão mais ampla e anterior ao REENGE, constata-se que algumas propostas da Engenharia, de certa forma, encontram-se na nova lei em vigor, a LDB 9394/96, como (a) a não-exigência dos “currículos mínimos”, evidenciando, assim, uma flexibilidade enorme, inclusive, desde o início da escolarização até a saída do ensino superior; (b) o estímulo à formação continuada; (c) o controle do sistema educativo, que passa a ser perseguido de forma mais objetiva pela nova legislação.
Um aspecto importante na análise dos antecedentes da reforma diz respeito ao grupo que conduziria o processo. Se, por um lado, as análises evidenciaram que as relações entre educação e produção foram idealizadas por grupos de profissionais pertencentes a associações, entidades e órgãos ligados à Engenharia cerca de cinco anos antes da implementação do Programa REENGE, por outro, a reforma seria conduzida, principalmente, por agentes com vinculação com o sistema educacional de Engenharia, criando as bases sobre as quais o movimento de reforma se assenta.
Diante dos estudos sobre a origem do Programa REENGE, conclui-se que sua principal referência é o programa de reforma idealizado pela National Science Foundation, que busca mecanismos para aproximar educação e produção visando aumentar a capacidade competitiva das empresas. Entretanto, as análises da constituição do Programa REENGE evidenciam a influência das entidades condutoras da reforma, que buscam no movimento a revalorização do setor educacional de Engenharia, sobretudo no momento de crise em que se encontra17.
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De acordo com dados apresentados pelos organizadores da reforma, o momento de crise das atividades do setor industrial — no qual as atividades profissionais das engenharias normalmente se concentraram nas últimas décadas — pode ser expresso em termos percentuais: cerca de 70% da força de trabalho se encontram no setor terciário, de 20% a 30% permaneceram no secundário, e menos de 5% encontram-se em atividades agrícolas (LONGO, 1995),
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