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3.3. BULGULAR

3.3.3. Toplumsal Cinsiyet Normlarının ĠĢleyiĢ Biçimleri

3.3.3.2. Üretim Süreci

Nesse momento o país torna-se urbanizado em sua maioria, mais de 70% da população brasileira vivia no perímetro urbano, segundo o IBGE. Assim, o fenômeno social e as manifestações associadas ao lazer eram questões constantes na política e na sociedade. Na constituição brasileira, de 1988, no artigo 6, o lazer passa a ser considerado um direito social juntamente com:

educação, saúde, trabalho, moradia, segurança, previdência social, segurança à maternidade e à infância e assistência aos desamparados. Considera, ainda, no

artigo 217, parágrafo terceiro ser dever do Poder Público incentivar o lazer, como

forma de promoção social; e no artigo 227, ser um dever da família, da sociedade e do Estado assegurar tal direito. Como proposto na Carta do Lazer, doze anos

antes.1

O discurso sobre lazer cresceu muito e com ele muitas linhas, linguagens e publicações. A maioria vinculada ao sistema bio-funcional, mas algumas iniciativas de crítica, porém, de menor alcance, segundo Kátia Sá. As produções intelectuais recentes dissertam sobre a importância do lazer educativo, humanizador e cultural mas, principalmente, sobre a prática socialmente inclusiva e será esse discurso que entrará nas ações sociais da cidade.2

Um dos maiores eventos de difusão, discussão e estudos de lazer, atualmente, é o ENAREL – Encontro Nacional de Recreação e Lazer que ocorre desde 1989. Nos dois primeiros anos como Encontro de Profissionais de Recreação e Lazer. O Sesc São Paulo já se responsabilizou por três destes encontros: o 5º ENAREL, em Bertioga, em 1993, sobre o tema Lazer e suas inter-

relações na sociedade; o décimo, na capital, em 1998, realizado juntamente com o

5º Congresso Mundial do Lazer, sobre o tema Lazer numa sociedade globalizada:

inclusão ou exclusão e o décimo quinto, em Santo André, com o tema Lazer e trabalho: novos significados na sociedade contemporânea. O 10º encontro teve

1

SITE da República Federativa do Brasil visitado em março de 2005: http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/22/Consti.htm.

2 SÁ, Kátia Oliveira de. Lazer, trabalho e educação: pressupostos ontológicos dos estudos do lazer no Brasil. Dissertação de mestrado do Programa de Pós-graduação em Educação. Universidade

como resultado a publicação do livro Lazer numa Sociedade Globalizada pelo Sesc juntamente com o WLRA - World Leisure and Recreation Association. Esse encontro é realizado anualmente, cada vez em uma cidade, não tendo sido recebido ainda pela região Norte do país.3

Num artigo publicado nesta coletânea, Milton Santos, afirma que o lazer industrial globalizado faz parte de um sistema fechado e auto-sustentado e estaria agindo sobre a sociedade, transformando-a, distinguindo os gostos, domesticando o tempo, impondo e reforçando imagens de mundo e do outro e, cada vez mais, intensificando a exclusão de muitos que não têm a mesma possibilidade de lazer.4

De fato, o lazer é hoje um hábito incorporado na cultura das sociedades capitalistas ocidentais mesmo nas classes menos favorecidas. No entanto, apesar de ser um fenômeno encontrado em todas as camadas, existem diferenças nos usos, nas práticas, no acesso, nas escolhas e possibilidades de escolhas do lazer5. Isso teria provocado grandes movimentos em favor de uma maior acessibilidade e de uma democratização do lazer legítimo por parte de instituições públicas e privadas, ONGs, intelectuais e produtores culturais, cada um se esforçando para levar e/ou trazer os excluídos para as atividades prudentes.

Historicamente, segundo Theodorus Beckers, até os anos 80, o Estado investia no lazer ditando o que era melhor para a população, e a indústria fazia das necessidades e preferências do consumidor suas diretrizes. Desta forma, o Estado se responsabilizava pelas dimensões tradicionais como parques, espaços para lazer, centros culturais e esportivos. Atualmente, o lazer não-mercadológico tornou-se uma prestação de serviços pelo Estado, organizações comerciais – entre as quais se inclui o Sesc - e voluntários.6 Isso porque a indústria cultural dominou grande parte das atividades de lazer existentes e consegue expandir-se mais rapidamente que as outras instituições, tanto em termos de espaços como em tipos de atividades.

3 SITE do Sesc São Paulo, hot site, enarel, visitado em 2004: http://www.sescsp.org.br/sesc/

hotsites/enarel/apresentacao.htm.

4

SANTOS, Milton. Lazer popular e geração de empregos, in Lazer numa Sociedade Globalizada:

Leisure in a Globalized Society, São Paulo, Sesc/WRLA, 2000.

5 Ver MARCELLINO, Nelson Carvalho. Estudos do lazer: uma introdução. Campinas/São Paulo:

Autores Associados, 2002.

6

A saída para o potencial inclusivo constituiria na conscientização da população para a importância do lazer e na educação para a sua prática, bem como para a autonomia do lazer. Para Lino Castellani Filho, somente a gestão pública de esporte e lazer não garantiria a inclusão, ou seja, haveria uma necessidade de atuação conjunta com a sociedade civil. O lazer da indústria cultural possibilita a integração social, mas não a inclusão. Possibilitaria aos grupos consumirem atividades e bens simbólicos parecidos, identificarem-se criando uma sociabilidade através desses símbolos.7

No entanto, as políticas públicas e o Sesc pretendem inserir no jogo de legitimidade do lazer o perfil inclusivo e democrático. Vale ressaltar que quando instituições como o Sesc falam em inclusão estão se referindo à inclusão nos padrões da sociedade capitalista. Ou seja, querem provocar uma transformação do indivíduo em favor da manutenção do sistema atual. Uma pessoa com informação, cultura, conhecimento e lazer alimenta o próprio sistema de acumulação de capital econômico, cultural, humano, etc, essenciais para a sociedade capitalista. E, quando falam em democratização, é a democratização do lazer considerado prudente, mesmo constando elementos da cultura popular.

7 CASTELLANI FILHO, Lino. Trabalho, lazer e suas relações com a cidadania, in XV ENAREL, – Encontro Nacional de Recreação e Lazer. Santo André/São Paulo: Sesc São Paulo e Prefeitura de