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3. GEREÇ VE YÖNTEM

3.1. Üretici Firmaların Tavsiyeleri Doğrultusunda Restoratif Materyallerin

A definição de arte desenvolvida por Pareyson tenta conciliar três definições tradicionais que figuram ao longo de toda a história da filosofia, são elas: a arte como um fazer51, como um conhecer52 e como um exprimir53. Estas três concepções se aliam e combinam ao longo do pensamento estético pareysoniano.

A concepção de arte como fazer concreto, empírico, fabril, um contexto de elementos materiais e técnicos e um organismo regido por uma legalidade estrutural representa um

49

Cf. PAREYSON, L. Os problemas da estética, p. 5

50 Cf. PAREYSON, L. Os problemas da estética, p. 14.

51 Da Antiguidade, Pareyson toma o conceito de arte como techné, como fazer, operação manual e fabril, considerada, ao mesmo tempo, como organismo. Tal concepção encontra-se primeiramente em Platão e, depois, retomada e aprofundada por Aristóteles. Cf. PAREYSON, L. Estética: teoria da formatividade, p. 10.

52 Em relação à arte entendida como forma de conhecimento, Pareyson alerta para o fato de que nesta o aspecto executivo torna-se secundário, na medida em que a ênfase é colocada sobre a arte como forma suprema do conhecimento, visão da realidade, o que, de certa forma, negligencia as peculiaridades do processo de formação da obra de arte. Cf. PAREYSON, L. Os problemas da estética, p. 22.

53 A concepção de arte como expressão de sentimentos veio a Pareyson através de seus estudos sobre o romantismo, para o qual a beleza da arte consiste na beleza da expressão, na coerência das formas artísticas com os sentimentos que ela suscita. Pareyson afirma que desde o romantismo esta definição da arte vem multiplicando-se e aprimorando-se. Exemplo disso são as teorias estéticas de Croce e Dewey. Cf. PAREYSON, L. Os problemas da estética, p. 21-22.

problema que a estética croceana parecia já ter resolvido, mas que apenas foram confinados ao âmbito dos falsos problemas. De modo que esta concepção de arte, desenvolvida por Luigi Pareyson despontou a partir de investigações voltadas para uma meditação das últimas experiências estéticas européias e americanas (Bergson e Dewey), dos progressos da fenomenologia e das investigações sociológicas. A estética da formatividade ao conceber a produção artística como ação formante e a obra como organismo, fisicidade formada, contrapõe-se à noção de arte desenvolvida por Croce, que a concebia como visão e expressão, já que para Pareyson, mais do que expressão, a obra de arte é um organismo dotado de vida autônoma, harmonicamente dimensionado e regido por suas próprias leis.

A arte é expressão, mas não é isso que caracteriza sua essência, porque ela é forma expressiva da personalidade do artista, do contexto filtrado nesta mesma personalidade que se fez modo de formar e do processo que deu origem à obra acabada.

A forma é expressiva enquanto o seu ser é um dizer, e ela não tanto tem quanto, antes é um significado. De modo que se pode concluir que, em arte, o conceito de expressão deriva o seu especial significado daquele de forma.54

O que nos leva a concluir que, como afirma Pareyson, sua estética não pretende ser uma metafísica da arte,

[...] mas uma análise da experiência estética: não uma definição da arte considerada abstratamente em sim mesma, mas um estudo do homem enquanto autor da arte e no ato de fazer arte. Em síntese, reflexão filosófica sobre a experiência estética no intuito de problematizá-la no seu conjunto, de mostrar-lhe a possibilidade, estabelecer-lhe o âmbito e os limites, esclarecer-lhe o significado humano e desenvolver-lhe a carga de universalidade.55

Um dos pontos de partida da estética de Pareyson é a afirmação, de origem romântica, da relação entre arte e natureza. Ambas as realidades apresentam uma profunda solidariedade, na medida em que a forma e a obra de arte são consideradas organismos

54

PAREYSON, L. Os problemas da estética, p. 23. 55 PAREYSON, L. Estética: teoria da formatividade, p. 11.

análogos aos da natureza56, por resultarem de um processo e por servirem de modelos para outras formas. Pareyson afirma que a arte imita a natureza no que diz respeito ao seu processo de execução. A obra de arte cresce nas mãos do artista. Entretanto, tal crescimento se dá somente se o artista identifica e segue a lei da forma que está sendo produzida. A lei rege a produção de uma obra de arte até que esta chegue ao seu êxito. Isso é o que Pareyson denomina consideração dinâmica da obra de arte. Ele parte desta concepção, porque reconhece que a obra encontra-se em constante movimento, desde o ponto de partida de seu processo de formação até chegar à sua realidade acabada57.

A arte é imitação da natureza não enquanto representa a realidade, mas enquanto a inova, isto é, enquanto incrementa o real, seja porque acrescenta ao mundo natural um mundo imaginário ou hetero-cósmico, seja porque no mundo natural acrescenta, às formas que já existem, formas novas que, propriamente, constituem um verdadeiro aumento da realidade.58

Pareyson se desvincula da escola de filosofia do espírito neo-hegeliana, na qual se havia formado. Nos confrontos com Croce59, critica sua concepção de arte como contemplação, que ignora a importância do fazer, bem como a negação da presença da arte nas demais atividades humanas. Além disso, vai contra as noções croceanas de interpretação e execução.

56 Aristóteles foi um dos primeiros autores que chamou a atenção do jovem Pareyson, o que o levou a escrever

um artigo no qual ressalta a fecundidade inesgotável da doutrina aristotélica. Segundo Pareyson, Aristóteles relaciona o conceito de beleza na arte com o de organismo, dando à beleza artística uma origem física e biológica. Um organismo é uma realidade vivente, em constante movimento, porque possui os atributos de unidade, integridade e perfeição, os quais garantem sua beleza. Desta forma, ele resume as características da forma na palavra vida – o que quer dizer, forma organizada, bem feita, portanto, bela e contemplável. Também Goethe e Schelling estabelecem uma analogia entre obras de arte e organismos da natureza, visto que a arte tem no espírito o lugar que o organismo tem na natureza: a arte se comporta no mundo ideal como o organismo faz no mundo natural. Cf. SARTO, P. B. Hacer arte, interpretar el arte. Estética y hermenéutica en Luigi Pareyson, p. 44.

57 Cf. SARTO, P. B. Hacer arte, interpretar el arte. Estética y hermenéutica en Luigi Pareyson, p.294. 58

PAREYSON, L. Os problemas da estética, p. 81.

59 A filosofia de Pareyson deve ser compreendida mais como pós-croceana, do que anti-croceana, pois Pareyson

realiza uma revisão crítica do pensamento de Croce, na qual existem pontos de acordo e de desacordo. Em relação aos últimos, podemos citar alguns: frente à defesa croceana da intuição e da expressão como determinantes à experiência artística, à concepção de arte como expressão de sentimento, Pareyson prioriza a noção de arte como produção e formatividade, acentuando assim o fazer mais do que o contemplar; diante da inspiração hegeliana evidente no pensamento de Croce, Pareyson remonta suas análises a Kant, por meio de Goethe e Schelling, enfatizando que as belas artes se confundem com as artes úteis e conservando a relação entre arte e natureza. Cf. SARTO, P. B. Hacer arte, interpretar el arte. Estética y hermenéutica en Luigi Pareyson, p. 47, nota 107.

[...] fala-se da estética de Pareyson como de uma estética fenomenológico- existencialista: “fenomenológica” porque faz uma análise minuciosa do fazer artístico e da recepção da obra de arte por parte do público; “existencialista” porque faz necessária referência ao ser humano, à existência concreta da pessoa.60

Isso significa que o pensamento estético pareysoniano deseja analisar todos os momentos da produção artística, as características desta e sua recepção por parte do leitor. Sua teoria é aberta e universal; aborda a beleza tanto no âmbito da natureza, como no operar humano, em geral e, na arte, em particular61.

Benzer Belgeler