Na avaliação da aprendizagem obtida em cursos de formação buscamos compreender se os objetivos foram alcançados. Objetivos esses traduzidos na aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes que irão compor a mudança na forma de agir após a exposição do curso (HAMBLIN, 1978). Em nosso estudo, os dados sugerem que aprendizagem ocorreu e foi possível percebê-la tanto, na aquisição de conhecimentos e habilidades que apontaram
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mudanças de atitude dos egressos em seus postos de trabalho, como no atendimento aos objetivos específicos do curso analisado.
Segundo Haccon; Saks (1998) a avaliação no nível da aprendizagem, no modelo que estamos analisando, se baseia no conhecimento apreendido declarado pelos sujeitos em formação, e apontam isso como sendo uma dificuldade em termos de predizer suficientemente se houve a aprendizagem ou não. Na verdade, ela pode ser tanto maior, quanto menor, sendo o ideal analisá-la junto com a mudança no comportamento ou implementar medidas complementares para verificação, tais como, a realização de medidas de avaliação comparando o antes e o depois (HACCON; SAKS, 1998). Em nosso estudo, estabelecemos uma avaliação na perspectiva das situação ocorridas antes e após o curso e utilizamos outras medidas de avaliação (qualitativas) para confrontar os dados, tais como a observação.
Freire (1996, p. 11-12) é categórico ao afirmar que não há validade no ato de ensinar (formar) que não resulte em aprendizagem, na qual o sujeito formado não seja ¨capaz de recriar ou refazer o ensinado¨, ou ainda, na qual o que não foi apreendido da formação, não fosse de fato para ser aprendido pelo sujeito em formação. Ainda que possamos questionar os meios como se processa a formação no curso de especialização em gestão escolar, por exemplo, o fato de ser formação em serviço o que determina uma sobrecarga de atividades aos gestores que precisam realizar as atividades do curso a noite e nos finais de semana sem liberação por parte das secretarias de educação, e ainda, o fato de que está além do alcance de um curso de formação promover a democracia no interior das escolas, devido a falta de estruturas necessárias, que dependem muito mais da vontade política de gestores municipais, estaduais e federais em oferecê-las. Ainda, assim concordamos com Freire (1996, p. 12) quando ele assinala a capacidade do sujeito de ¨dar a volta por cima¨ e aproveitar-se da aprendizagem daquilo que lhe foi ensinado.
Trata-se pois, de um desafio e Machado (2000), destaca que a implementação da formação de gestores na atualidade deve ser cuidadosa, posto que, a gestão da educação está diretamente relacionada com o desenvolvimento institucional, social e humano. Isto requer, segundo a autora, uma formação calcada nas concepções de educação com vistas à formação para a autonomia das pessoas e das instituições. Nesse mesmo sentindo, Wittimann (2000) aponta ainda, a necessidade de uma formação que compreenda os avanços teóricos e práticos na área da administração educacional, em sentido amplo, que contemple a política, o planejamento, a gestão e a avaliação da educação. Ou seja, com os conhecimentos (saber) necessários que
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possibilitem o desenvolvimento de habilidades cognitivas (saber fazer) e atitudes (como fazer) que formam o alicerce da função do gestor (WITTIMANN, 2000).
Isto posto, retornarmos aos resultado da nossa investigação, no sentido de discutirmos as contribuições da formação dos gestores do curso analisado, em relação ao nível aprendizagem do modelo estudado. Buscamos por elementos que sugiram a efetividade da aprendizagem no curso, ou seja, verificamos que houve uma relação direta dos conteúdos trabalhados no curso com a aprendizagem revelada nas respostas dos egressos. Da mesma forma, constatamos que conteúdo trabalhado no curso foi traduzido em ações no cotidiano da escola, revelado nas mudanças implementadas após a sua realização.
Silva; Limonta; Cruz (2014) analisando também uma experiência do curso de gestão escolar, em outro estado brasileiro, verificaram que houve aprendizagens significativas após o curso em questão. Segundo as autoras os egressos revelaram ter aprendido sobre: legislação, conhecimento teórico sobre gestão, gestão técnica-administrativa, planejamento, sistematização dos saberes da prática, avaliação institucional, respeito a diversidade e à subjetividade, expressando assim, a efetividade do curso na compreensão e reelaboração de concepções e práticas de gestão.
Por outro lado, Souza (2010) analisando outra experiência do curso de gestão escolar verificou que o curso contribuiu com a melhoria da prática de gestão entre participantes, ainda que em níveis diferenciados, devido as dificuldades de infraestrutura (acesso a rede e computadores) necessárias ao curso a distância, no estado onde foi implementado. O autor (2010) revela a construção e/ou reelaboração do projeto político pedagógico e a mudança na postura dos gestores egressos em relação à participação da comunidade escolar na escola, como pontos fortes da mudança, e ainda que não tenha sido um experiência exitosa, devido aos problemas citados acima, houve aprendizagem no curso. Em nosso estudo verificamos que as dificuldades de acesso à internet e dificuldades para manusear o computador também foram registradas por alguns egressos. No tocante a participação da comunidade, foram relatadas mudanças de atitudes, mas o processo de implantação dos conselhos escolares, ainda é uma dificuldade presente nas falas.
Por fim, verificamos um elemento importante a ser destacado que se refere a mudança de atitude dos egressos a partir da aprendizagem no curso. Nos relatos observamos uma maior autonomia na forma de agir pessoal e profissionalmente e na forma de resolver situações
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problemas na escola apoiados no projeto político pedagógico construído com toda comunidade escolar. Para Lück (2000), ainda que a escola se situe em uma relação de interdependência central (dos órgãos de gestão municipal, estadual e federal) e local ( da comunidade escolar) é possível construir a sua autonomia, por meio da ampliação das instâncias de decisão colegiadas com a participação da comunidade. Nesse caso, a autora (2000) destaca que a autonomia da escola, para além da dimensão financeira, deve ser expressa na dimensão política e pedagógica, na capacidade de tomar decisões compartilhadas usando o talento e a competência na resolução de problemas e desafios escolares que são postos. Nesse caso, é possível sugerir que o curso contribuiu com os egressos fornecendo as ferramentas teóricas e práticas necessárias ao agir no desempenho da função gestora de forma mais autônoma.