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4. TASARIM SÜREÇLERİNDE KAVRAMSALLIK VE KÜLTÜR İLİŞKİSİ

4.1. Ürün Tasarımı ve Kültür Bağlamında Göstergebilim

Esta fase da pesquisa dedica-se às questões da integridade literária e da coesão do texto. Nosso interesse é procurar saber se o texto bíblico pesquisado chegou a nós em sua formulação original ou se passou por um processo posterior de atualização da mensagem.

O exame da coesão leva em consideração o estilo, a forma, o conteúdo e o pensamento teológico característico do autor. Seu pressuposto é que os autores redigiram seus textos de maneira compreensível, coerente e lógica. Por essa razão, os textos cuja linha de pensamento ou a progressão interna apresenta problemas são suspeitos de terem sofrido alterações posteriores.

O estudo das etapas anteriores revelou que, no texto de Miqueias 2,1-5, encontra-se um típico dito profético, iniciado com uma denúncia (v. 1-2) e concluído

com um castigo (v. 3-5). Nosso interesse é observar a coesão de linguagem de cada uma das partes.

Na primeira parte (v. 1-2), o resultado do estudo da coesão não apresenta grandes controvérsias em relação à linha de pensamento ou progressão interna da denúncia. Tais versículos demonstram um movimento lógico e coerente, sem apresentar lapsos ou falhas.

No v. 1, o autor denuncia uma conspiração em andamento, e no versículo seguinte (v. 2), os planos engendrados são colocados em prática. Por conseguinte, devido à nítida harmonia entre os dois versículos, podemos considerá-los como palavras autênticas, proferidas no período do profeta Miqueias. No entanto, o mesmo não se dá na parte referente ao castigo.

Na segunda parte, ou seja, no castigo (v. 3-5), a coesão é bem mais frágil. A autenticidade de algumas palavras e frases é colocada sob suspeita. Entre as expressões duvidosas, destacamos as seguintes.

No v. 3, o castigo de Javé é uma resposta ao mal que fora planejado anteriormente (v. 1.3), na hipótese de que a expressão

taZOh;

hx'P'v.Mih;-l[;;

(±al hammishp¹µâ hazzœ°t), “sobre esta família”, originalmente questionada, refere-se aos perversos dos v. 1-2. Tanto a expressão

taZOh; hx'P'v.Mih;-l[;;

(±al hammishp¹µâ hazzœ°t) como

ayhi h['r" t[e yKi

(kî ±¢t r¹±â hî°), “sim, será tempo mau, este”, no fim do versículo, são representadas na Septuaginta e na Vulgata entre outras. No entanto, alguns autores alegam falta de coesão no emprego da expressão

taZOh; hx'P'v.Mih;-l[;;

(±al hammishp¹µâ hazzœ°t), supondo que tais palavras separam o verbo de seu complemento direto, ou seja, interrompem a conexão entre

bvexo

(µœsh¢b), “planejar”, e

h['r"

(r¹±a±), “mal”. Além disso, julgam incoerente a aplicação do singular seguido pelas formas verbais no plural

Wvymit'

(t¹mîshû), “removereis”, e

~k,yteroaW>c;

(ƒaww°rœtêk¢m), “andareis”.65

Ademais, ressaltam que essa expressão abarca o sentido de identificar toda a comunidade de Judá, e não um grupo particular, citado na denúncia, como o verdadeiro destinatário do castigo. Entre os autores que apoiam essa ideia ressaltamos Wolff66 e Mays67. Eles concordam com a hipótese de que redatores

atualizaram a mensagem de Miqueias a fim de melhor entender a catástrofe de 587 a.C. Originalmente Miqueias dirigiu-se a um grupo específico; posteriormente, a profecia foi estendida e endereçada a toda a nação.68

No que tange à primeira questão, sobre a inserção da frase “sobre esta família” entre o verbo e o complemento, é bem provável que não se trata de uma releitura posterior, e sim de um arranjo para dar maior ênfase à referida frase. No tocante às questões de mudança do singular para o plural e da quebra de dois paralelismos, como afirma José Luís Sicre, parece tratar-se de uma mudança estilística do autor, visto que tanto a passagem do singular para o plural como a mudança de ritmo são coisas que ocorrem em numerosos textos, sem por isso interferir em sua autenticidade. Conforme Sicre, na determinação da autenticidade ou da inautenticidade do texto deve-se levar em conta não somente seu aspecto estilístico, mas também os critérios de conteúdo.69

Finalmente, é salutar discorrer acerca de quais seriam os verdadeiros receptores do castigo. A expressão “sobre esta família” indicaria todo o povo de Judá, ou simplesmente o grupo citado na denúncia dos v. 1-2? Seria uma expressão pós-exílica, ou palavras proferidas no ambiente do profeta Miqueias?

Baseando-se em duas referências (Am 3,1 e Jr 8,3), utilizadas normalmente para fundamentar a ideia de que

hx'P'v.mi

(mishp¹µâ), “família”, significaria todo o povo, José Luís Sicre empreende um ataque contra tal ideia, e defende a hipótese de que a expressão “esta família” refere-se ao grupo citado na denúncia (v. 1-2).

Para isso, constata que a primeira referência remete a todo o Norte, enquanto a segunda remete a Judá. Todavia, a conclusão não é inferida pelo emprego da própria pala vra, e sim do conjunto de palavras que a precedem e contribuem para seu

66 Hans Walter Wolff, Micah: A Commentary, p. 75. 67 James Luther Mays, Micah: A Commentary, p. 64-65. 68 Hans Walter Wolff, Micah: A Commentary, p. 75-76. 69 José Luís Sicre, A justiça social nos profetas, p. 346.

significado. Dessa forma, somos encorajados a aplicar a expressão “esta família” aos que foram denunciados nos v. 1-2.

Portanto, trata-se de palavras proferidas no próprio ambiente de Miqueias. O autor prossegue em seu argumento afirmando:

Se um redator inseriu essas palavras para que todo o povo se sentisse responsável pelo mal, não foi muito inteligente. Deveria ter mudado o oráculo desde o começo. Porque a pessoa pobre e inocente não pode sentir-se interpelada na metade do texto se lhe disseram no início que os culpados são proprietários ricos. Essa impossibilidade psicológica de mudar de direção na metade do caminho, baseando a mudança só em duas palavras (“essa gente”), parece-me a maior dificuldade contra a teoria da reinterpretação.70

O estudo de Albrecht Alt segue a mesma direção ao considerar improvável a pressuposta extensão do julgamento sobre a população da terra de Judá. Dificilmente o profeta incluiria no castigo sua aldeia natal, que fora pura e simplesmente sacrificada e, portanto, estava isenta de culpa. A terra de Judá não seria afetada pela inevitável catástrofe. No castigo, o profeta se dirige contra determinados exterminadores de camponeses e expropriadores de bens da capital. No castigo, trata- se tão somente do destino pessoal daqueles na catástrofe vindoura.71

Diante do exposto, é possível constatar que a frase “sobre esta família” provavelmente nos remete ao contexto do profeta, e que os acusados (v. 3) são o mesmo grupo denunciado nos v. 1-2. No entanto, também é provável que a comunidade judaica, no posterior período do exílio babilônico, tenha se apropriado e utilizado dessa expressão para designar o castigo contra todo o povo de Judá no contexto da iminente ou já concretizada catástrofe de 587 a.C. 72

Dúvidas também suscita a fórmula

ayhi h['r" t[e yKi

(kî ±¢t r¹±â hî°), “sim, será tempo mau, este”, no fim do v. 3, por ter o efeito de substituir o pano de fundo do castigo, pronunciado a um grupo específico do oitavo século, pelo tempo do exílio babilônico.

O mesmo se dá com outras expressões temporais que se encontram no versículo seguinte; por exemplo, a expressão que abre o v. 4

aWhh;

~AYB;

(bayyôm hahû°), “naquele dia”, por apresentar um teor apocalíptico, e o

70 Idem, p. 347.

71 Albrecht Alt, Miqueias 2,1-5. A redistribuição da terra em Judá, p. 10-14.

72 Noli Bernardo Hahn, Miqueias 2,1-5: profecia e luta pela terra – uma leitura da influência da

situação histórico-social nas últimas décadas do século VIII a.C., em Judá na vida da antiga ordem tribal, p. 37.

verbo

hy"h.nI

(nihyâ), “aconteceu”, considerado glosa posterior ou resultado de uma ditografia que foi entendida pelo redator como uma confirmação da perda da terra.

Porém, antes de se buscar uma solução razoável para as referidas expressões, faz-se necessário um estudo mais detalhado das questões e das hipóteses levantadas em torno dos versículos dos v. 3-5, a fim de que nossa pesquisa seja embasada em estudos recentes e para que tenhamos condições de certificar com maior precisão se essas expressões são palavras autênticas do dito profético de Miqueias ou apenas atualização de sua mensagem em um novo contexto.