1.5 Hizmet Pazarlama Karması
1.5.1 Ürün
O referencial teórico que fundamenta nossa escolha metodológica advém do campo das ciências sociais. Como descreve LOYOLA (2002) a Saúde Pública, considerada intervencionista, nasceu com o objetivo de ser uma área de atuação do Estado no combate às epidemias e prevenção de doenças, garantindo a qualidade de vida de conglomerados urbanos. Desde sua criação, seus principais pesquisadores eram médicos de tradição filosófica positivista interessada em estudar as populações, o que justifica o predomínio de pesquisas quantitativas.
Posteriormente com a contribuição das ciências sociais, cresceram as pesquisas com interesse em compreender a determinação social da doença, as políticas e instituições de saúde, as relações entre os sujeitos, as representações sociais da doença; os sistemas de saúde, as práticas de saúde oficiais e alternativas; as racionalidades terapêuticas; a medicalização das normas e do comportamento social, entre outros aspectos. Entretanto, como LOYOLA (2002) afirma, a produção cientifica das ciências sociais no campo da saúde ainda são desvalorizadas e submetidas à lógica biomédica, incorrendo no risco de perder o raciocínio crítico e articulado em nome da perspectiva produtivista/quantitativista.
Compreendemos que a escolha do método de pesquisa é constituída por uma estratégia estritamente vinculada a uma perspectiva teórica, que fornece uma forma de pensar sobre o sujeito e o mundo. Destarte, comprometidos com o pressuposto de que são os sujeitos para as quais se dirigem as ações os principais informantes das consequências das mesmas, para a realização desta pesquisa optamos pela utilização da abordagem qualitativa.
Como já apontado, o termo empoderamento é um dos pilares do referencial da promoção da saúde. Apesar da diversidade de experiências que
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utilizam o termo, seja como uma meta a seguir ou como resultado de uma ação, há poucos estudos que trazem a percepção dos sujeitos sobre esse termo, o que mobilizou o desenvolvimento deste trabalho. Ou seja, conhecer o termo empoderamento a partir dos sujeitos que participam de práticas de promoção da saúde no âmbito da Saúde Pública foi nosso objetivo. Essa pretensão de compreender os discursos dos sujeitos justifica-se porque entendemos que podem trazer significados contundentes para a compreensão do referido termo e poderão subsidiar a reflexão sobre o mesmo.
Cada método traz consigo um conjunto de pressupostos sobre a realidade. No caso do método qualitativo, seus pressupostos partem do reconhecimento de que o mundo real só existe na medida em que nós tomamos parte dele e ele faz sentido para nós; a realidade social não é um todo unitário, mas uma multiplicidade de processos sociais que atuam simultaneamente; a sociedade é constituída de micro processos que, em seu conjunto, configuram as estruturas maciças (instituições, culturas, etc.). As sociedades se movimentam a partir da força da ação individual e grupal; os indivíduos estão inseridos num grupo social e, portanto, “representam” esta cultura. Somente a partir desses pressupostos é que podemos reconhecer e recortar micro processos e partir para investigá-los (VÍCTORA ET al., 2000).
Isso porque a realidade social constitui-se em camadas que a fazem tão complexa, sendo a função do pesquisador de apreender esta complexidade. Assim toda a investigação social de caráter qualitativo, ao lidar com sujeitos, tem como objeto algo complexo, inacabado, contraditório e em constante transformação (MINAYO, 1998).
Empregada principalmente no campo das ciências sociais, os métodos qualitativos vêm ganhando espaço na pesquisa em saúde, mas ainda podem ser tomados como “alienígenas” quando comparados aos métodos quantitativos, amplamente utilizados neste meio. Isso porque, comumente a pesquisa qualitativa é definida, em referência à pesquisa quantitativa, como “não científica” por não ser capaz de “medir” numericamente seus dados e ser julgada como de difícil replicabilidade (POPE e MAYS, 2009).
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A pesquisa qualitativa está relacionada aos significados atribuídos pelos sujeitos às suas experiências e compreensões do mundo, sendo frequentemente considerada uma “pesquisa interpretativa”. Utilizando um conceito de Bauman, POPE e MAYS (op. cit.) defendem que um aspecto importante da pesquisa qualitativa é da possibilidade de “desfamiliarização”, ou seja, de questionar suposições ou ideias do senso comum tida como garantida.
Além disso, os autores apontam mais dois aspectos importantes da pesquisa qualitativa: que estuda os sujeitos em seus ambientes naturais e não em ambientes experimentais ou artificiais e que frequentemente emprega diferentes métodos qualitativos para sua coleta de dados. Nesse sentido, a pesquisa qualitativa contribui para desvelar processos sociais que não são acessíveis na pesquisa quantitativa, por isso vem crescendo seu uso em estudos sobre organização de serviços de saúde e políticas de saúde POPE e MAYS (op. cit.).
Há também uma percepção incorreta de que a pesquisa qualitativa, por trabalhar com número menor de sujeitos ou ambientes do que a pesquisa quantitativa gera menos dados. Quando na verdade, como exemplificam os autores, uma transcrição de uma única entrevista ou de apenas um grupo focal podem gerar muitas páginas, somado às anotações de campo e análise documental de um ambiente
“encha uma gaveta de arquivo” POPE e MAYS (op. cit. p. 77).
Há ainda outros preconceitos e mal entendidos a serem superados, como a crença de que a pesquisa qualitativa seja mais fácil de realizar por não exigir habilidade ou treinamento, quando na verdade os estudos qualitativos são volumosos e de difícil análise, sendo necessário um alto grau de capacidade interpretativa. A pesquisa qualitativa pode enriquecer o conhecimento sobre a atenção à saúde, mas não é uma opção fácil nem um caminho de respostas rápidas, como os autores colocam, utilizando Dingwall ET al., “a pesquisa qualitativa requer uma real habilidade, uma combinação de pensamento e de prática e não pouca paciência”
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Quanto ao envolvimento do pesquisador na pesquisa, diferente do que a postura clássica positivista propõe sobre o “máximo distanciamento entre o pesquisador e o objeto pesquisado” (GIL, 1999, p. 45), concordamos com MINAYO quando discute que toda a ciência, no campo social, é comprometida, ou seja, o pesquisador não fica a margem da realidade estudada: “a visão do mundo do pesquisador e dos atores sociais estão implicadas em todo o processo de conhecimento, desde a concepção do projeto até o resultado do trabalho” (MINAYO, 1998, p. 21).
Como a autora também discute, no campo da abordagem qualitativa das relações sociais, um aspecto que também é necessário ressaltar diz respeito à identidade entre o sujeito e o objeto de investigação. Embora tenham diferenças de cultura, de faixa etária, de classe e outras “tem um substrato comum que os tornam
solidariamente imbricados e comprometidos” (MINAYO, 1998, p. 21).
Em consonância, POPE e MAYS (2009) afirmam que na pesquisa qualitativa acontece o que chamaram de “empreendimentos colaborativos” onde tanto o pesquisador quanto o sujeito da pesquisa estão engajados no propósito de construir sentidos, assim trata-se de um processo dinâmico onde “o respondente
ativa diferentes aspectos do seu estoque de conhecimentos com a ajuda do entrevistador” p. 28.
Assim, a pesquisa qualitativa exige do pesquisador uma postura flexível, aberta e de interação entre o pesquisador e os atores envolvidos. Por isso seus instrumentos podem ser corrigidos e readaptados durante o processo de pesquisa (MINAYO, 1998).
Para o caso particular desta pesquisa, dentro do escopo da pesquisa qualitativa, o método de estudo de caso foi preconizado. Por meio desta modalidade de pesquisa é possível descrever a situação do contexto em que está sendo feita a pesquisa, além de desenvolver teorias e explicar variáveis causais de determinado fenômeno em situações complexas que não possibilitam levantamentos experimentais (GIL, 2002). Dessa forma, os casos selecionados envolvidos na Rede
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Nacional de Promoção da Saúde do MS foram as bases para realização dos estudos de caso.
Por questões de exequibilidade21 da pesquisa foi estipulado o contato com os dois municípios que cumprissem os critérios propostos pela pesquisa. Os critérios para seleção, descritos posteriormente, tiveram a intenção de encontrar dois municípios que atuassem dentro do escopo da Promoção da Saúde, na área da Saúde Pública, fomentadas pela gestão nacional por meio das ações do Ministério da Saúde.