Nos termos do artigo 203 e seu inciso IV, da Constituição Federal, a pessoa com deficiência tem direito a habilitação e reabilitação, independentemente de contribuição à seguridade social.179
O artigo 89 da Lei 8.213/91 dispõe que a “habilitação e a reabilitação profissional e social deverão proporcionar ao beneficiário incapacitado parcial ou totalmente para o
177 GOLDFARB, Cibelle Linero, Pessoas portadoras de deficiência e a relação de emprego: o sistema de cotas
no Brasil, cit., p. 123
178 NERI, Marcelo Côrtes. As empresas e as cotas para pessoas com deficiência. Disponível em:
<www.fgv.br/cps/deficiencia_br/cps/menu.htm>. Acesso em: 13 jul. 2005.
179 “Artigo 203 - A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à
seguridade social, e tem por objetivos: (...) IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária.”
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trabalho, e às pessoas portadoras de deficiência, os meios para (re)educação e de (re)adaptação profissional e social indicados para a participação do mercado de trabalho e do contexto em que vive”.
Portanto, as pessoas com deficiência habilitadas e os trabalhadores reabilitados serão beneficiários da política implementada.
A reserva de cargos nas empresas está prevista na lei previdenciária, na subseção II da Lei n. 8.213/91, que dispõe sobre a habilitação e reabilitação. Nessa mesma subseção, o artigo 92 prevê que concluído o processo de habilitação ou reabilitação social e profissional, a Previdência Social emitirá certificado individual que indicará as atividades que poderão ser exercidas pelo beneficiário, o que pode levar, em um primeiro momento, à interpretação de que somente preencherá a vaga nas empresas a pessoa habilitada ou reabilitada que possui certificação da Previdência Social.
Todavia, a definição de pessoa com deficiência habilitada como sendo a que concluiu curso de educação profissional de nível básico, técnico ou tecnológico, ou curso superior, com certificação ou diplomação expedida por instituição pública ou privada legalmente credenciada pelo Ministério da Educação ou órgão equivalente, ou aquela com certificado de conclusão de processo de habilitação ou reabilitação profissional fornecido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (art. 36, § 2º, do Dec. n. 3.298/99), é a melhor, por ser um conceito mais amplo, que também inclui educação profissional. Também será considerada pessoa com deficiência habilitada aquela que, não tendo se submetido a processo de habilitação ou reabilitação, esteja capacitada para o exercício da função (art. 36, § 3º, do Dec. n. 3.298/99).
As pessoas com deficiência habilitadas, portanto, não se confundem com os segurados da Previdência Social que foram afastados por doença ou invalidez. A habilitação tem o objetivo de possibilitar que a pessoa com deficiência adquira qualificação prática e os conhecimentos necessários para o seu ingresso no mercado de trabalho.
1) aquela que concluiu o curso de educação profissional de nível básico, técnico ou tecnológico, ou curso superior, com certificação ou diplomação expedida por instituição pública ou privada, legalmente credenciada pelo Ministério da Educação ou órgão equivalente, ou aquela com certificado de conclusão de processo de habilitação ou reabilitação profissional fornecido pelo INSS; 2) aquela que, não tendo se submetido a processo de habilitação ou reabilitação, esteja capacitada para o exercício de uma função.180
O beneficiário do processo de reabilitação é a pessoa que possui alguma deficiência, qualquer que seja a natureza, agente causal, ou grau de severidade (art. 17 do Dec. n. 3.298/99). O processo geralmente acontece após serem vítimas de acidentes ou doenças, resultantes ou não do ambiente de trabalho. O trabalhador reabilitado da Previdência Social é um dos destinatários da reserva de cargos em empresas com 100 ou mais empregados, nos termos do artigo 93 da Lei n. 8.213/91. No caso de ser empregado em empresa com menos de 100 funcionários, após a cessação do auxílio-doença acidentário e da fruição da garantia no emprego de no mínimo 12 meses, via de regra, será demitido.181
Maria Aparecida Gugel, apontando dados estatísticos quanto à duração do auxílio doença acidentário, alerta que:
Até fevereiro de 2006 apontam para 91.786 benefícios sendo que 38,26% das pessoas nele permanecem até doze meses, o restante delas engrossa a estatística de permanência por mais de sete anos, sob os efeitos do benefício previdenciário. No Brasil o beneficiário reabilitado com dificuldades retorna ao mercado de trabalho. A maioria não consegue o retorno ou emaranha-se na informalidade, na tentativa de resguardar os valores percebidos do benefício. Diferentemente, em outros países, como Dinamarca, Alemanha, Israel, Países Baixos, Suécia e Estados Unidos, registram-se grandes taxas de retorno ao trabalho de até 73% após um ano, e até 72% após dois anos com a adoção de medidas de reabilitação focadas no trabalho e no seu próprio ambiente de trabalho.182
A reabilitação é compreendida como um processo de duração limitada e com objetivo definido, destinado a permitir que a pessoa com deficiência alcance o nível físico, mental ou social funcional ótimo, proporcionando-lhe os meios de modificar sua própria vida, podendo
180 GUGEL, Maria Aparecida, Pessoas com deficiência e o direito ao trabalho, cit., p. 89.
181 Para corrigir essa distorção da lei, Maria Aparecida Gugel propõe a alteração do sistema de ação afirmativa
do artigo 93 da Lei n. 8.213/91, por meio de reserva de cargos, tornando-a condizente com nossa realidade em relação ao porte e número de empresas existentes em funcionamento no país. Com a medida, todas, ou quase todas as empresas arcariam com a responsabilidade social de manter em seus quadros os empregados acometidos de doença profissional ou acidente de trabalho que deram causa (Pessoas com deficiência e o
direito ao trabalho, cit., p. 88).
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compreender medidas visando a compensar a perda de uma função ou uma limitação funcional e facilitar reajustes sociais (art. 17, § 1º, do Dec. n. 3.298/99).
O artigo 89, parágrafo único, da Lei n. 8.213/91, dispõe que a reabilitação profissional compreende “a) o fornecimento de aparelho de prótese, órtese e instrumentos de auxílio para locomoção quando a perda ou redução da capacidade funcional puder ser atenuada por seu uso e dos equipamentos necessários à habilitação ou reabilitação social e profissional; b) a reparação ou a substituição dos aparelhos mencionados, desgastados pelo uso normal ou por ocorrência estranha à vontade do beneficiário e c) o transporte do acidentado do trabalho, quando necessário”.
Cibelle Linero Goldfarb ilustra que “os serviços de habilitação e reabilitação profissional no Brasil são limitados, estimando-se, em 2001, a existência de cerca de 30 centros de reabilitação com um total de 2.500 profissionais para todo o país, os quais não conseguem atender aos mais de 100 mil portadores de deficiência que solicitam ajuda anualmente”.183
Diante da realidade existente no nosso país, e acompanhando o entendimento de diversos doutrinadores, entendemos que a pessoa com deficiência pode ser admitida diretamente pelas empresas privadas, independentemente do processo de habilitação ou reabilitação, quando demonstrar que é capaz para desempenhar as atividades necessárias ao preenchimento do cargo oferecido.