CONCLUSÕES E SUGESTÕES
7.1 Conclusões
No Brasil, grande parcela da população é abastecida por água dos mananciais subterrâneos, seja através de poços profundos, rasos, nascentes e/ou poços escavados. Portanto, estudos que induzam a preservação das potencialidades e características naturais dos aqüíferos são de extrema relevância para a conservação destas fontes.Sendo as águas subterrâneas um recurso estratégico, merecedor de proteção contra agentes nocivos e ações prejudiciais, recomenda-se que a adoção de estratégias que evitem a chegada de contaminantes aos aqüíferos são mais apropriadas. Instituir o controle das atividades nas áreas de recarga e na captação através do estabelecimento de zonas de proteção especial em torno dos poços tubulares para abastecimento urbano torna-se extremamente vantajoso, uma vez que, o custo ligado a remediação de águas contaminadas dos aqüíferos é uma tarefa bastante onerosa.
Nesta pesquisa, procurou-se apresentar os principais aspectos úteis ao planejamento e à gestão dos recursos hídricos subterrâneos objetivando protegê-los das principais ameaças de poluição que potencialmente os possam afetar, referindo-se ao meio urbano. Nesse contexto, apresentam-se os conceitos fundamentais sobre perímetros de proteção de captações para o abastecimento público.
O uso desta metodologia torna-se um facilitador na tomada de decisões com relação ao planejamento do uso da terra. Surge com o propósito de disciplinar o uso das águas subterrâneas, exigindo-se maior cuidado do legislador na instalação de aterros sanitários, distritos industriais, postos de combustíveis, lava-jatos, entre outras atividades humanas que possam contaminar os aqüíferos.
A informação georeferenciada produzida no âmbito do projeto dos perímetros de proteção das captações de água subterrânea para o abastecimento público consiste numa aplicação que permite gerir a informação temática com o objetivo de facilitar a gestão das águas subterrâneas por parte da administração regional competente. O trabalho até então
trabalhos de campo, futuras análises espaciais, cruzamento de informação, reajuste das áreas territorialmente delimitadas e melhorar a qualidade dos resultados produzidos, entre outras que no futuro se julgue necessárias.
Os dados geográficos encontram-se, assim, estruturados de modo a permitir uma fácil e expedita análise, criação e edição de novos dados, bem como a criação de mapas temáticos para impressão, inclusão dos mesmos em outros documentos ou publicação eletrônica.
É imprescindível que as medidas de proteção das águas sejam consolidadas em legislação própria estadual e/ou federal e que, a necessidade da preservação dos aqüíferos e sua condição de bem estratégico, seja transmitida à população através de campanhas educativas.
A análise da legislação brasileira indicou ausência de normas legais a nível federal. Com relação às legislações estaduais, apenas cinco Estados (São Paulo, Pernambuco, Distrito Federal, Mato Grosso e Rio Grande do Sul) contam com leis ou decretos sobre perímetros de proteção sanitária de poços de captação.
O Brasil não apresenta rede nacional de monitoramento de águas subterrâneas. Com isso, uma grande lacuna de informações a respeito da qualidade dos mananciais subterrâneos fica evidenciada. As poucas fontes de informação sobre este tema, apresentam geralmente, caráter pontual e correspondem aos trabalhos desenvolvidos nas universidades e alguns elaborados pelas secretarias estaduais. De forma semelhante, os dados sobre as características dos aqüíferos referidos neste trabalho também são bastante escassos apresentando às vezes entre os poucos autores que informam a este respeito, valores discrepantes.
Ficou claramente mostrada uma involução relativa à legislação federal sobre águas subterrâneas, principalmente no que se refere à proteção de aqüíferos, no período concernente à edição do Código de Águas e a época atual. Com efeito, a ausência de diplomas legais no que diz respeito à proteção das captações subterrâneas, bem como a ocorrência de problemas associados que despontam principalmente nas cidades, indicam a necessidade urgente de edição de regras para este fim.
Neste contexto, estabelecer restrições legais para o planejamento da ocupação de áreas de recarga e captação, além do zoneamento dos aqüíferos de forma a orientar a ocupação futura do solo através dos planos diretores, é fundamental. Tal ação é de particular relevância
nas áreas críticas onde a demanda por água subterrânea é elevada e onde são fortes as tendências de crescimentos populacional, industrial e agrícola.
A proteção e a gestão dos recursos hídricos subterrâneos, incluindo a prevenção da ocorrência de possíveis fenômenos futuros de poluição, devem basear-se no planejamento dos recursos disponíveis, atendendo a aspectos básicos como a caracterização da vulnerabilidade dos aqüíferos à poluição, a definição de perímetros de proteção das captações e a salvaguarda das áreas de recarga.
O estabelecimento de zonas de proteção das águas subterrâneas constitui uma importante forma de intervenção e ordenamento territorial, de forma que condicionam-se direta ou indiretamente as atividades inerentes ao meio urbano, industriais, agrícolas, florestais, de transporte. Evidentemente, a sua fixação é dependente da participação dos organismos competentes, comprometidos com a gestão da água.
Por fim, cabe destacar que os estudos de proteção das águas subterrâneas dependem diretamente das atividades antrópicas e, portanto, só se tornarão válidos se adotados conjuntamente dentro dos planos diretores de uso e ocupação dos solos dos municípios.
7.2 Sugestões para Futuras Pesquisas
Considerando a importância desta temática para o abastecimento de água das cidades e os relevantes questionamentos ainda a serem pesquisados sobre a gestão de aqüíferos, recomenda-se como decorrência deste trabalho o desenvolvimento dos estudos e pesquisas a seguir:i) Identificar e analisar os diversos usos e ocupação do solo nas áreas de influência de cada captação subterrânea, bem como a possível existência de atividades incompatíveis nas zonas determinadas para proteção;
ii) Propor medidas administrativas de proteção das áreas de captações de poços públicos a serem incorporadas aos planos diretores das cidades;
iii) Avaliar o desempenho dos modelos analíticos para determinação de perímetros de proteção de poços frente aos modelos numéricos na cidade de João Pessoa;