1.4 Literatür Araştırması
1.4.2 Üç Boyutlu Hidro-Elastisite Teorileri
É importante assinalar que as considerações feitas aqui sobre a participação do Estado como ator político dentro do mecanismo do mercado, não levam em conta a divisão do próprio Estado em diversas esferas, tal como foi descrito na primeira parte do presente capítulo. Muito pelo contrário, boa parte das aproximações teóricas feitas pela economia tratam o Estado como uma entidade monolítica que atua de forma unificada e sem contradições, em oposição às considerações que a teoria política faz desse que somente em poucas correntes de pensamento se considera o Estado monoliticamente.
A dívida pública também é um espaço de relacionamento entre as esferas de governo, de forma similar àquela que representa o orçamento. No entanto, no cenário da dívida existem características particulares deste instrumento que fazem com que ela represente um ponto importante na dinâmica das relações intergovernamentais.
À diferença do que ocorre com o orçamento, no qual cada esfera possui seu próprio orçamento por direito próprio, a dívida contratual e mobiliária, geralmente, necessita do aval de uma esfera superior, uma vez que os agentes econômicos consideram que o avalista possuiria melhores condições de honrar o pagamento das dívidas. Isso implicaria de fato uma assimetria considerável no marco das relações de poder existentes entre as diversas esferas de governo.
Assim, os respectivos governos utilizam sua possibilidade ou não de se endividar como um instrumento de pressão sobre os outros níveis de governo, na medida em que o acesso à dívida garante um maior fluxo de recursos no curto prazo que poderiam modificar também a relação de poder entre estes.
Além de certas dívidas de esferas inferiores de governo precisarem de aval para sua contratação, na maioria das vezes são contraídas justamente com as esferas superiores, configurando assim complexas interdependências nas relações intergovernamentais, o que condiciona a dinâmica da descentralização à administração que os governos fazem da dívida.
É de particular importância a forma como os agentes que atuam do ponto de vista da lógica do público, o Estado, representado pelos governos central e os territoriais, posicionam-se de diversas formas frente ao mecanismo de mercado, fazendo uso dos instrumentos com os quais cada um deles conta.
Cabe agregar que diferentes concepções acerca da relação Estado – mercado podem conviver num cenário de múltiplos níveis de governo, mesmo se um nível em particular detém uma melhor posição nas relações intergovernamentais. Assim, dependendo da autonomia que cada esfera possua pode fazer uso das ferramentas de política a sua disposição no sentido que considere social e politicamente relevante no seu território. Configura-se assim um cenário complexo no qual os atores podem ou não atuar de forma coordenada, dependendo de quais as prioridades que cada governo determina de forma autônoma, fazendo surgir a possibilidade de comportamentos não cooperativos. Por outra parte, é importante frisar a importância que as novas concepções sobre o papel do Estado que emergiram em esse momento, em particular o Neo-Institucionalismo, promovem dentro do marco da concorrência do mercado ações encaminhadas a condicionar as ações do Estado por meio de regras que configuram, parcialmente, um cenário de Estado mínimo que o impede de atuar de forma contundente ou, simplesmente, limita sua atuação às regras anteriormente instituídas.
A caracterização feita anteriormente não pretende ser, em momento algum, uma apologia ao mercado, muito pelo contrário, pretende entender a forma na qual o mercado é compreendido em sua inter-relação com o Estado, porém, de um ponto de vista crítico ao deixar em evidência as falências passíveis de serem cometidas quando se entende este como a instituição onipresente na sociedade, embora isto não signifique que também se considere importante para uma compreensão abrangente dos problemas sociais.
O comportamento não cooperativo consiste em que determinados níveis de governo, ao não atuarem coordenadamente para alcançar objetivos de política que podem ser mais benéficos para todos, mas que, no entanto, podem não lhes ser razoáveis no curto prazo, repassam todos os custos de suas ações para as outras instâncias governamentais, caso típico da guerra fiscal (CAVALCANTI & PRADO, 1998).
É claro que a descentralização como relação de poder entre níveis de governo é caracterizada pela diversidade de cenários que pode comportar, dependendo da forma como os atores que nela estão inseridos fazem uso de instrumentos a sua disposição. Aqui se procurou compreender dois dos principais instrumentos que configuram o principal arcabouço institucional político – econômico com que contam os governos, independentemente do nível ao qual pertençam.
Desta forma, existe uma interação entre as dimensões políticas e econômicas, na qual as reivindicações feitas por alguns atores no plano estritamente político, podem representar não somente melhores posições estratégicas nas relações de poder, mas também uma participação melhor na partilha de recursos econômicos ao interior do próprio Estado. Nesse sentido, as experiências históricas mostram que importantes reivindicações políticas permitiram promover mudanças no sistema econômico de partilha de recursos materiais do Estado, modificando de forma radical as relações intergovernamentais nos momentos históricos em que as reivindicações foram atendidas.
Os estudos de caso que se pretendem analisar aqui são bons exemplos dessas interdependências entre as esferas políticas e econômicas.
3 A DÍVIDA COMO PRINCIPAL ARTICULADOR DAS
RELAÇÕES INTERGOVERNAMENTAIS: O CASO DO
BRASIL CONTEMPORÂNEO
Como definimos anteriormente, as relações intergovernamentais comportam dimensões políticas e econômicas, nas quais os atores nelas envolvidos realizam ações para obter posições que lhes permitam ter acesso a mais e melhores recursos econômicos e políticos de modo a obter maiores ganhos nesses mesmos campos.
No Brasil, a interação entre os espaços políticos e econômicos da sociedade na formulação das relações intergovernamentais, condicionou seu desenvolvimento, devido à complexidade que essas relações implicaram e ainda implicam, na definição das políticas públicas.