BULGULAR VE YORUM
4.2 ALT PROBLEMLERE AİT BULGULAR Sosyo-ekonomik Düzey
4.2.3 Üçüncü Alt Probleme Ait Bulgular
O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – Pronera1 foi instituído em
16 de abril de 1998, por meio da portaria n º 10/98, do então Ministério Extraordinário da Política Fundiária no primeiro governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundo informações obtidas no III Seminário Nacional do Pronera em 2007, para o Balanço Político e Linhas de Ação Rumo aos 10 anos de sua existência, o Pronera, de 1998 a 2002, foi responsável pela escolarização e formação de 122 915 trabalhadores rurais assentados (PRONERA, 2007, p. 01).
De 2003 a 2006, promoveu acesso à escolarização e formação para 247.249 jovens e adultos assentados e capacitou 1. 016 profissionais egressos dos cursos de ciências agrárias para atuar na assistência técnica social e ambiental junto aos assentamentos de Reforma Agrária e Agricultura Familiar.
Em 2007, em nível nacional, mais de 60 mil jovens e adultos das áreas de Reforma Agrária participaram dos cursos do Pronera nos diversos níveis: Educação de Jovens e Adultos, 28. 574 trabalhadores em 23 projetos/convênios; Nível Médio Técnico, 2.874 trabalhadores em 65 projetos/convênios; e no Nível Superior, 5.194 trabalhadores em 36
1 Foi em 1997, a partir do I Enera (Encontro Nacional de Educadores da Reforma Agrária), em convênio com
a UNB e outras instituições das Nações Unidas, que foi formado em 1998, o Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), em convênio com o MST. Esse programa recebeu 38 projetos de universidades para alfabetização de 94.697 adultos. Entre os anos de 1998 a 2003, o programa funcionou precariamente. (MOLINA, Mônica C. (Org.). A Educação na Reforma Agrária em Perspectiva, 2004, São Paulo: Ação Educativa; Brasília, PRONERA, p. 23).
projetos/convênios, envolvendo parceria com mais de 30 universidades públicas, além de Cefets, Escolas Família-Agrícola, Institutos de Educação e Secretárias Estaduais e Municipais de Educação (PRONERA, 2007, 01).
Outros dados sobre o Pronera foram levantados e estatisticamente comprovados pela Pesquisa Nacional da Educação na Reforma Agrária – Pnera, Região Nordeste, realizada pelo Incra/Inep no período de outubro a dezembro de 2005. A nível nacional foram recenseados 5. 595 assentamentos localizados em 1.651 municípios, totalizando os assentamentos da Reforma Agrária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra instalados a partir de 1985. Para o cumprimento do seu objetivo principal, o Pronera coletou dados com três públicos: professores ou dirigentes de escolas localizadas nos assentamentos, presidente de associações de produtores rurais e famílias assentadas. A pesquisa foi coordenada pela Diretoria de Tratamento e Disseminação de Informações Educacionais/Inep e realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – Fipe, vinculada à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo - USP, (PRONERA, 2005, p. 05).
A Pesquisa atingiu um universo de 524. 868 famílias em todo o país, de uma população assentada de 2. 549. 605, em 5. 595 assentamentos rurais do Incra. Em termos educacionais, o número de escolas nos assentamentos rurais em todo Brasil é de 8. 679, perfazendo um total de 987.890 estudantes assentados. Esses números totais sobre os assentamentos no Brasil estão subdivididos nas regiões Nordeste, Norte, Centro Oeste, Sul e Sudeste. No Nordeste existem 2.546 assentamentos cadastrados pelo Incra, com 208.071 famílias assentadas, num total de 1.067.145 pessoas. Os números escolares no Nordeste são de 4.230 escolas e um total de 457.8810 estudantes assentados. A Região Norte tem um total de 1.082 assentamentos rurais, com um total de 167. 932 famílias assentadas e com uma população assentada de 842.303. Em termos escolares, são 2.414 escolas e um total de 313.124 estudantes assentados. A Região Centro-Oeste tem 937 escolas e um total de 123.712 estudantes assentados. No Sul, são 662 escolas e um total de 45.271 estudantes assentados. Na Região Sudeste, são 476 escolas e um total de 47. 973 estudantes assentados.
Em termos percentuais na distribuição dos assentamentos do Incra em 2005, os menores percentuais são representados em 08%, 12% e 15%, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, respectivamente, seguidos de um percentual de 19% na região Norte. O
maior índice na distribuição percentual dos assentamentos, de 46%, fica representado pela região Nordeste. Na distribuição percentual da população assentada pelo Incra, o maior índice está na região Nordeste com 42%, seguido do percentual de 33% da população assentada na região Norte. Os menores percentuais são representados em 5%, 6% e 14% nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, respectivamente. Em relação aos percentuais de estudantes assentados, os menores índices são de 5% e 13% nas regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste, respectivamente, enquanto nas Regiões Norte e Nordeste estão os maiores índices na distribuição percentual dos estudantes assentados, 32% e 45%, respectivamente (PRONERA, 2005,p. 06).
A Figura 01 mostra a distribuição percentual dos assentamentos, população assentada e estudantes assentados por região do Brasil.
Figura 01. Distribuição percentual dos assentamentos, população assentada e estudantes assentados. Fonte: MEC/Inep/Pronera – Pesquisa Nacional de Educação na Reforma Agrária – Pnera – 2005.
Esse é o quadro geral da educação no campo em cada região e que não se diferencia muito do quadro geral da educação no campo em todo o Brasil. Em termos de análise, a maior parte das avaliações do sistema educacional brasileiro reconhece a dívida social com
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 S SE NE N Centro-Oeste Pre ce nt ua l
os analfabetos adultos e os enormes desafios pendentes no campo em relação à qualidade do ensino, como nos revela Andrade (2004):
Olhando pelo prisma do meio rural, entretanto, o diagnóstico não enseja comemoração: 45% das crianças de 4 a 6 anos e 10% de 7 a 14 anos não freqüentavam escolas em 2004, seja pela inexistência de centros educativos próximos à sua moradia, pela falta de transporte escolar ou porque as miseráveis condições de vida de seus familiares lhes impunham trabalhar em casa ou na roça desde muito cedo. O analfabetismo absoluto era a condição à qual estavam submetidos três em cada 10 jovens ou adultos habitantes de zonas rurais, em uma população cuja escolaridade média não alcançava sequer quatro anos de estudos, tidos como patamar mínimo para uma alfabetização funcional. Essa situação de exclusão cultural extrema atingia também um quarto das crianças e adolescentes e jovens de 15 a 24 anos, dentre os quais havia quase um milhão de analfabetos. (CENSO DEMOGRÁFICO, 2000, IBGE, citado por ANDRADE, 2004 p. 19).
Como sabemos e os dados acima confirmam, na chamada zona rural do Brasil, as escolas, em sua maioria são pequenas, construídas com materiais inadequados e possuem instalações em situações precárias. Verifica-se que 48% dessas escolas têm apenas uma sala de aula, realidade concreta que não possibilita acesso à demanda de estudantes no campo, além de não propiciar as atividades escolares como um todo. Ainda que se constate que 22,8% das escolas no campo apresentam duas salas, elas tampouco solucionam a problemática. Esse é um dos motivos para que 70,5% das escolas de ensino fundamental atuem com turmas multisseriadas, isto é, várias séries ou ciclos em um mesmo espaço físico, ao mesmo tempo, com um único docente. Entre os motivos para a existência dessas turmas, 20% das pessoas entrevistadas disseram que faltam professores, 32% que não há salas de aula para distribuir os alunos e 8% explicaram que se trata de uma opção pedagógica. Além disso, 81% das escolas afirmaram que há poucos alunos em cada série ou ciclo, constatação que nos leva a afirmar que as turmas da escola no campo não podem seguir com o mesmo rigor do número mínimo de alunos exigido por turma na cidade (25), pois há que se considerar que a estrutura espacial e social no campo difere da cidade, o que demanda necessariamente construção de políticas públicas voltadas para as escolas no campo.
É com esse quadro desanimador da situação educacional no Brasil e particularmente da situação educacional no campo que passamos a enfocar especificamente a situação
quantitativa dos assentamentos no Estado da Bahia e dos municípios envolvidos diretamente no Curso Integrado de Nível Médio e Profissionalizante em Técnica Agropecuária Sustentável que está sendo realizado no Departamento de Educação e Ciências Humanas – Campus IX da Uneb na cidade de Barreiras – Região Oeste da Bahia e o Curso de Pedagogia da Terra que está sendo realizado no Departamento de Educação – Campus XV da Uneb na cidade de Bom Jesus da Lapa – Região do Médio São Francisco.
A Tabela 01 mostra a situação da educação no meio rural na Bahia.
Tabela 01. Grandes Números do Ensino Básico - 2003 Fonte: MEC/Inep – 2003.