2016-2018 DÖNEMİ BÜTÇE HAZIRLAMA REHBERİ
ÜÇÜNCÜ DÜZEY GİDER KODLARI
Conforme visto teoricamente, a dimensão do comprometimento afetivo refere-se à dimensão mais subjetiva do indivíduo com a instituição, como ele se envolve emocionalmente e reflete sua identificação tanto com a cultura da organização, como com sua prática (REGO, 2003). Nesta perspectiva, dois dos policiais entrevistados apontaram que mesmo reconhecendo tantos desafios e dificuldades, permaneciam na organização porque “queriam e se sentiam bem”, o que, conforme Mowday, Porter e Steers (1982 apud BASTOS, 1994), caracteriza o comprometimento afetivo com a polícia.
Como eixos temáticos a partir da categoria do comprometimento afetivo, elenca- se satisfação com trabalho, realização profissional, sentimentos relacionados ao trabalho e identificação pessoal com o programa.
Com relação à satisfação com o trabalho, os policiais se apresentaram como satisfeitos quanto à natureza do trabalho executado descrevendo o prazer de exercer o cargo de policial que seria focado em ‘resolver problemas’. “O dia a dia do policial é resolver problemas. Ocorrência é um problema que precisa ser resolvido. Acho que todos se sentem bem ao ver uma ocorrência resolvida. Ficamos felizes quando resolvemos a situação.” (Policial 1).
Interessante chamar a atenção para a satisfação demonstrada pelos policiais quando eles percebem o trabalho executado e se orgulham de terem feito de forma efetiva, demonstrando uma realização profissional relacionada à atuação policial. “Eu faço meu
serviço porque eu gosto, eu me sinto útil. Fico feliz demais quando resolvemos uma ocorrência.” (Policial 3).
No entanto, paralelamente a este sentimento positivo, eles demonstram medo de se envolver com problemas que possam acarretar sofrimento, arrependimento ou até mesmo a exoneração no cargo. No quadro 6, abaixo, condensam-se as respostas relacionadas ao item 2 do Anexo C, ao serem questionados sobre a sensação ao vestir a farda para trabalhar. Chama- se a atenção para algumas citações marcantes:
Quadro 6 – Sentimentos relacionados ao Trabalho Sentimentos
Envolvidos Falas dos Policiais
Omissão “Só penso em não me enrolar.” (Policial 2)
Medo
“Não sabemos o que nos espera.” (Policial 1, 2, 3, 4)
“Isso por toda a questão que gera o peso psicológico frente a situações que podemos encarar e tudo que prejudica a nós mesmo e aos outros como o exemplo do Yuri21.” (Policial 1)
Insegurança “Lembramos de exemplos de policiais exemplares que estão preso por tentarem fazer o trabalho de forma correta.” (Policial 4)
Satisfação
“Eu tenho prazer de ver os vagabundos correndo do carro da polícia. Se eu fosse bombeiro eu não estaria interagindo com a comunidade e resolvendo as coisas.” (Policial 3)
“Mas eu amo ser policial. As pessoas olham e já identificam que eu sou policial, antes de eu falar alguma coisa. Eu não tenho vergonha de dizer que eu sou policial não, eu tenho orgulho.” (Policial 3)
“Eu não vou ficar sentado vendo a polícia continuar errando. Eu quero que a polícia funcione. Eu quero um dia dizer eu sou policial militar e não ter vergonha de dizer isso. Eu tenho prazer de ajudar e resolver problemas e ainda recebo por isso, está bom.” (Policial 1)
Reconhecimento
Social “Há o status de ser policial. Eu até fiz concurso para bombeiro. Mas eu gosto de ser policial.” (Policial 3)
Vergonha
“Pessoalmente eu tenho orgulho, mas para externar eu tenho vergonha. Evito falar. Tenho vergonha porque a polícia não supre minhas expectativas, chateia, me deixa triste. Amo a polícia, mas ela me entristece.” (Policial 4)
“Eu particularmente não revelo que sou policial. Porque na mente das pessoas ainda tem aquela imagem de policial herdado da ditadura, policial é aquele ser grotesco, crocodita e truculento.” (Policial 2)
Fonte: Elaborado pela autora
21 Yuri é o nome do policial do Ronda que se envolveu em uma ocorrência em que atirou erradamente na nuca de um adolescente que se encontrava na garupa da moto do pai por ter se confundido com um possível assaltante em perseguição. Este caso chocou a população de forma intensa. Atualmente, o policial se encontra preso, apresenta quadro de depressão maior e já tentou suicídio por duas vezes.
Percebe-se claramente que há um turbilhão de sentimentos envolvidos. Não apenas entre os policiais, pois alguns se apresentavam mais satisfeitos que os outros, mas também na análise do discurso de cada um percebe-se dubiedade e instabilidade de sensações com relação à prática policial do Ronda.
Considerando o sentimento de omissão, referimos o que os autores Chang e Albuquerque (2002), que apontam que os baixos níveis de comprometimento geram uma série de contrariedades por desempenharem unicamente as tarefas que lhe forem atribuídas e diante de problemas não se sentem obrigados a ajudar a organização por não se sentir parte do todo. Sobre este ponto, disse o entrevistado: “A maioria ama a profissão, mas a instituição não dá suporte. Não só a instituição, mas o conjunto de coisas, a sociedade, a cultura. Mas a instituição é uns 50%.” (Policial 4).
Há a hipótese de que o que torna estas sensações confusas, conforme o discurso do grupo, é a incoerência do sentimento relacionado à sociedade e da vontade de contribuir com o Programa, em paralelo que não se sentem acolhidos e protegidos pela estrutura da organização policial, que consideram que não apoia suficientemente sua prática profissional. Diz um deles: “Durante o serviço eu faço todo o possível para fazer o trabalho bem feito, conscientizar as pessoas, mostrar a realidade, mas eu quero que acabe logo.” (Policial 4).
No grupo focal, os policiais consideraram que esta nova geração de policiais militares formados dentro do Programa do Ronda são mais envolvidos com o projeto por se identificarem mais comparados a outros mais antigos. “Os policiais da nossa geração são bem mais comprometidos” (Policial 1). Os policiais reconhecem o policiamento comunitário como um avanço, tanto a nível de prática como de formação. “Eu entendo o Programa do Ronda como bom, como positivo para a polícia, como para a sociedade. Foi uma evolução.” (Policial 2).
Estes dados acerca do comprometimento afetivo se julga compatível com a média encontrada na dimensão conforme a Tabela 3 (média 4,91). Foi a dimensão mais representativa, demonstrando que os policiais se sentem felizes no trabalho, mas ainda assim se considera em nível BAIXO, abrindo espaço para a hipótese que seja devido às dificuldades e falta de apoio de outras instituições ligadas à Segurança Pública.