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O Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI), lançado pelo Ministério da Justiça em 2007, prevê algumas orientações e determina premissas básicas esperadas na atuação prática do policial comunitário. Parte do material exposto abaixo foi retirado do Manual dado no Curso Nacional de Multiplicador de Polícia Comunitária7.

Ao longo do texto, reflete-se sobre a eficiência do policiamento comunitário, julgando-se necessário o envolvimento de outras instituições em paralelo, além da população em si. Para se conseguir êxito no processo de implantação de tal policiamento, devem se articular seis grandes pilares: a Organização Policial; a Comunidade Residente; as Autoridades Cívicas Eleitas; a Comunidade de Negócios; e Outras Instituições federais, estaduais e municipais e a Mídia.

Sendo uma responsabilidade partilhada, é sabido e notório que a prevenção da criminalidade deve processar-se necessariamente em três níveis: nas ações de governo através de investimentos na área de educação e saúde, na geração de empregos e na distribuição de renda; na criação de leis fortes e eficazes que cominem penas severas para os crimes violentos e tornem os processos judiciais ágeis e descentralizados; e um sistema carcerário que permita a recuperação do detento, preparando-o para reintegrar-se à sociedade de forma produtiva e participativa. Este terceiro nível de prevenção é fundamental, uma vez que se sabe que 80% dos crimes ocorridos na região metropolitana de São Paulo são praticados por reincidentes, que já foram, um dia, presos, processados e julgados.

Baseado na PRONASCI (2007) há 10 premissas básicas para que seja implantado o policiamento comunitário, que seriam princípios a serem seguidos pelos policiais:

7 Este curso foi realizado em Brasília no ano 2007 com foco na formação de multiplicadores com objetivo de implantação de policiamento comunitário em todas as regiões brasileiras. O material foi construído pela SENASP (Secretária Nacional de Segurança Pública) em conformidade com a portaria nº 014/2006, com apoio da SESP (Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo).Este manual está disponível em:

a. Filosofia e Estratégia Organizacional – A base desta filosofia é a comunidade. Para direcionar seus esforços, a Polícia deve buscar, junto às comunidades, os anseios e as preocupações das mesmas, a fim de traduzi-los em procedimentos de segurança; b. Comprometimento da Organização com a concessão de poder à Comunidade – Dentro da comunidade, os cidadãos devem participar como plenos parceiros da polícia, dos direitos e das responsabilidades envolvidas na identificação, priorização e solução dos problemas;

c. Policiamento Descentralizado e Personalizado – É necessário um policial plenamente envolvido com a comunidade, conhecido pela mesma e conhecedor de suas realidades;

d. Resolução Preventiva de Problemas a curto e a longo prazo – A ideia é que o policial não seja somente acionado pelo rádio, mas que se antecipe à ocorrência. O indicador para este propósito é a previsão da diminuição de número de chamadas para a polícia;

e. Ética, Legalidade, Responsabilidade e Confiança – O Policiamento Comunitário pressupõe um novo contrato entre a polícia e os cidadãos aos quais ela atende, com base no rigor do respeito à ética policial, da legalidade dos procedimentos, da responsabilidade e da confiança mútua que devem existir;

f. Extensão do Mandato Policial – Cada policial passa a atuar como um chefe de polícia local, com autonomia e liberdade para tomar iniciativa, dentro de parâmetros rígidos de responsabilidade;

g. Ajuda às pessoas com Necessidades Específicas – Valorizar as vidas de pessoas mais vulneráveis: jovens, idosos, minorias, pobres, deficientes, sem teto, etc. Isso deve ser um compromisso inalienável do Policial Comunitário;

h. Criatividade e apoio básico – Ter confiança nas pessoas que estão na linha de frente da atuação policial, confiar no seu discernimento, sabedoria, experiência e sobretudo na formação que recebeu. Isso propiciará abordagens mais criativas para os problemas contemporâneos da comunidade;

i. Mudança interna – O Policiamento Comunitário exige uma abordagem plenamente integrada, envolvendo toda a organização. É fundamental a reciclagem de seus cursos e respectivos currículos, bem como de todos os seus quadros de pessoal;

j. Construção do Futuro – Deve-se oferecer à comunidade um serviço policial descentralizado e personalizado, com endereço certo. As pessoas devem ser

encorajadas a pensar na polícia como um recurso a ser utilizado para ajudá-las a resolver problemas atuais de sua comunidade.

O PRONASCI (2007) descreve ainda orientações para a implantação do policiamento comunitário de acordo com o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, que são pautadas em mudanças esperadas a partir de uma superação do policiamento tradicional:

a. Reciclagem dos cursos e currículos existentes, bem como de todo efetivo da Organização;

b. Adotar os procedimentos puramente preventivos, de curto e de longo prazo;

c. Tomar o Policial Militar como agente de mudanças, pró-ativo e em sintonia com sua comunidade;

d. O Policial Militar deverá ajudar a combater as causas da criminalidade e não apenas o crime;

e. Sua formação deve ser generalista para buscar resolver problemas, coordenando a ação junto a outros órgãos;

f. A atividade de patrulha deve basear-se em deslocamentos lentos (a pé, bicicletas, motonetas), sempre buscando detalhes e informações;

g. O conceito de trabalho por hora deve ser trocado pelo conceito de área de trabalho fortalecendo a necessária descentralização.

Um ponto de interesse para a presente pesquisa e que vale ser destacado que ao longo da leitura do manual a categoria do comprometimento com o trabalho aparece como um requisito básico para o êxito do trabalho comunitário por parte dos policiais e instituições de segurança pública envolvidas.