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Belgede Kur'an'da ibadetin imani boyutu (sayfa 73-102)

A sociedade brasileira, nos primórdios dos anos 50, revelou uma tendência de crescente urbanização. A exigência de novos produtos tipicamente característicos, neste período, a uma população urbana provocou pressões para a sua livre importação, principalmente por parte de importadores e das classes médias. As importações tenderiam a crescer também graças ao próprio avanço da industrialização substitutiva. Insumos industriais, tecnologia de processos industriais e know how não satisfeitos pelo precariamente instalado Departamento I impunha a sua importação sob pena de comprometer não somente a expansão, mas a própria reiteração produtiva do capital.

As pressões dirigiam-se, portanto, no sentido de produzir no país os novos produtos de consumo duráveis, voltados para o atendimento das novas classes e grupos sociais de vida urbana, como também os equipamentos e matérias-primas que não poderiam ser importados na quantidade necessária e que eram imprescindíveis ao prosseguimento do processo de industrialização. Dois grandes obstáculos colocavam-se: a produção dos bens de consumo duráveis como automóveis e eletrodomésticos, e de bens de produção como derivados de petróleo e máquinas, caracterizavam-se como mercadorias típicas de uma revolução industrial de “segunda fase”, somente possíveis de serem produzidas através de grandes plantas industriais, ou seja, por grupos industriais monopolistas.

As empresas privadas nacionais encontravam-se distantes destas condições e características, necessitando de novos ciclos de acumulação para tanto. Quanto ao setor estatal, não dispunha de meios econômicos para assumir tal tarefa, salvo os bens intermediários

instalados e/ou em processo de instalação, como os minerais não-metálicos: cimento, borracha etc. O Estado não possuía condições para conduzir inversões de grande vulto e com longos prazos de maturação segundo as novas exigências.

A primeira metade dos anos 50 caracterizou-se por uma profunda modificação das relações internacionais. A conclusão da reconstrução européia e japonesa permitiu o restabelecimento de relações imperialistas multipolares, o término da guerra da Coréia distanciou o risco de uma nova guerra mundial total, o novo espaço político-militar dos Estados Unidos (liderando o mundo ocidental e a polarização representada pela guerra fria) constituíam-se nos aspectos mais importantes que impulsionavam esta modificação.

Os acordos de Bretton Woods permitiram a conformação de uma conjuntura internacional caracterizada pela superabundância de capitais disponíveis para investimentos em países como o Brasil. Estes investimentos assumiam a forma de empréstimos governamentais, de empréstimos de agências financeiras internacionais - Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional - e de transferência de recursos para a aplicação direta na forma de capital de risco.

O movimento das empresas multinacionais à procura de compensação relativa em termos de mercados cativos e de matérias primas e mão-de-obra barata e abundante foi intenso. Destacaram-se, num primeiro momento, as empresas multinacionais e capitais europeus. Estes são seguidos, posteriormente, pelas multinacionais e capital de risco dos Estados Unidos ao final dos anos 60 e início dos 70, com enormes vantagens econômico-tecnológico e político- diplomático sobre as demais. Formaram-se, neste período, comissões e grupos de trabalhos entre Estados com o propósito de definir diretrizes, conduzir planejamentos e coordenar investimentos internacionais.

No Brasil, conforme pudemos observar, estas atribuições couberam à Comissão Mista Brasileiro-Americana. Essa comissão não propunha uma reestruturação da tradicional divisão internacional do trabalho. A sua extinção estava vinculada exatamente à agressão da

divisão internacional de trabalho realizada por parte do governo Vargas, através do incentivo à industrialização brasileira em larga escala e à própria vinda das multinacionais.

Internamente crescem as pressões contra a implementação de um projeto de desenvolvimento capitalista nacional, nos termos em que foram apresentados nos discursos dos governos Vargas e Goulart, especialmente quando intensificavam-se as lutas sociais, obrigando estes governos radicalizarem seus discursos para conter as lutas sociais vindas de baixo. Não ocorreram rupturas políticas e econômicas com relação a ordem capitalista internacional hegemonizada pelos Estados Unidos e secundariamente pela Europa e Japão, o que situa o país numa dependência direta dos seus mercados, da sua tecnologia e do seu know how, insumos e matérias-primas.

Os empreendimentos estrangeiros, por sua vez, eram significativos e compunham níveis de associação direta e indireta com o empresariado local, tanto no setor de exportação e importação quanto no de serviços. Conforme demonstrou Ianni (1986, p. 151-159), os empreendimentos revelavam o elevado grau de integração entre interesses de empresários, comerciantes, importadores, políticos brasileiros e interesses de governos e homens de negócios dos países dominantes, como também a existência de concepções e valores que respaldavam um processo de integração econômica com as grandes potências capitalistas.

Na defesa do projeto de desenvolvimento capitalista nacional, em nossa perspectiva “inorgânico”, conduzido pela alta cúpula civil e militar, movimentavam-se diversos setores. Encontraram-se mobilizados amplos segmentos da classe operária, influenciada pelo trabalhismo varguista e pelos comunistas, embora excluídos do bloco no poder. Estes segmentos identificavam na industrialização, no nacionalismo e no dirigismo estatal o caminho necessário para a conquista de melhores níveis de vida. Incorporaram-se como força social assessória em campanhas políticas nacionais como “o petróleo é nosso”, mas tenderam a se transformar em

força social autônoma e independente à medida que setores mais politizados rompiam ideologicamente com o populismo.

A baixa classe média assalariada inclinou-se em direção a soluções nacionalistas e intervencionistas. Reconheceram nestas políticas modernizadoras a solução para o atraso do país e para as suas expectativas enquanto consumidores. A pequena burguesia proprietária, ancorada em seus mercados locais e quase sempre urbanos, compôs o setor mais decididamente nacionalista ao lado das classes populares. A baixa classe média assalariada e a pequena burguesia proprietária lideraram campanhas nacionais como “o petróleo é nosso”, a reforma do sistema eleitoral e a preservação/ampliação do setor estatal da economia. É destes segmentos sociais que brotou a radicalidade do movimento estudantil e a luta contra o chamado “imperialismo norte-americano” (Ianni, 1986, p. 141-147; Draibe, 1985, p. 137; Boito Jr, 1982, p. 41-42).

A grande burguesia industrial assumiu posições contraditórias. Desempenhou uma postura tática com relação ao nacionalismo e ao estatismo econômico. O propalado discurso de proteção à indústria nacional, desencadeador de políticas protecionistas às indústrias nacionais por parte do governo, acelerou a acumulação de capital destes setores à medida que lhes permitiu elevações formidáveis e artificiais dos preços médios das mercadorias nacionais. As vozes contrárias à entrada das empresas multinacionais se dirigiram, basicamente, para aqueles setores nos quais a indústria nacional encontrava-se bem acentada. De uma forma geral, viram na entrada das multinacionais a possibilidade de estender suas atividades sobre novos e complementares ramos industriais (Ianni, 1986, p. 141-147; Draibe, 1985, p. 137; Boito Jr, 1982, p. 41-42).

A grande burguesia industrial assumiu, ainda, reservas quanto à estatização de amplos setores da economia. Vale lembrar que era o principal setor beneficiado por este processo graças a venda de serviços e insumos do setor público, não raramente, abaixo dos custos de

produção. A grande burguesia industrial, com base na sua realidade de mercado, tecnologia e capital comportava-se, enfim, dentro de uma postura pragmática e de um senso de oportunidade com relação ao capital estatal e internacional, tendo em vista a extensão das suas atividades econômicas.

Os grandes proprietários rurais também integravam as forças sociais favoráveis ao projeto industrializador. Os setores vinculados à grande propriedade rural que produziam para o mercado interno conceberam a industrialização (e a urbanização) como possibilidade para ampliar mercados para sua produção. Os setores vinculados ao mercado externo, mas que não encontraram-se diretamente integrados e dependentes da burguesia exportadora, dependiam da “classe dirigente” para assegurar a acumulação de capital nas suas atividades - ameaçada pela própria extração de renda comandada pela “classe dirigente” e transferida para o setor industrial e pela burguesia comercial controladora do circuito de comercialização e financiamento -, não restando outra alternativa senão apoiar o projeto industrialista dirigido pela referida “classe”.

A luta contra o projeto de desenvolvimento capitalista em bases nacionais teve na burguesia antiindustrialista vinculada à exportação e importação o setor que o liderou. Identificada com a tradicional divisão internacional do trabalho estabeleceu obstáculos à industrialização e conspirou contra o regime populista.

As altas classes médias compunham este campo de forças permanecendo vinculadas a uma percepção conservadora e moralista de sociedade. Respaldavam o liberalismo econômico clássico e recusavam as soluções nacionalistas à medida que assim tinham asseguradas, por exemplo, através da remoção das leis que protegiam a indústria nacional e que elevavam preços dos produtos importados (e também dos nacionais), condições mais favoráveis para satisfazer suas expectativas enquanto consumidores.

Finalmente, a ação diplomática e econômica (financeira principalmente) dos Estados Unidos compôs o bloco de forças antiindustrialistas. A sua ação política e econômica direcionou-

se no sentido de deter o processo de industrialização intensiva no Brasil, de forma a preservá-lo como consumidor de produtos industrializados dos Estados Unidos e fornecedor de produtos primários (de origem agropecuária, minérios, etc) - conservando o país na tradicional divisão internacional de trabalho - e impedi-lo de contrair relações econômicas com a Europa - o que poderia redundar em acesso a tecnologia, capitais e mercados, ampliando as possibilidades de diferenciação econômica do país e de ação do capital europeu. A ação dos Estados Unidos no Brasil, grosso modo, reproduzida em toda a América Latina, materializava-se através dos objetivos de preservar um grande campo de economia complementar e de deter a presença do capital europeu.

Conforme demonstrou Boito Jr (1982, p. 47-50), o comportamento majoritário dos setores vinculados à grande propriedade rural era de apoio ao projeto industrializador da “classe dirigente” do Estado. Não apenas os setores vinculados ao mercado interno, interessados na ampliação de mercados para os seus produtos com o advento da industrialização, mas também os setores vinculados ao mercado externo - como exemplificam os fazendeiros de café vinculados à Sociedade Rural Brasileira (SRB). Isto porque quando a taxa de câmbio encontrava-se em baixa, o lucro das exportações realizava-se nas mãos dos setores intermediários, que compravam a produção como monopsônios e vendiam como monopólio; quando o câmbio encontra-se alto, fortalecendo a moeda nacional, estimulava a importação de insumos agrícolas, tratores, aspersores de irrigação etc, beneficiando este segmento da grande propriedade como compradores.

Finalmente, apesar do confisco cambial, de forma secundária e sob alguns aspectos, a política industrialista proporcionava horizontes mais seguros e estáveis para a grande propriedade vinculada ao mercado externo quando comparado com o padrão de acumulação e financiamento agroexportador, visto que o interesse do governo em obtenção de divisas externas

passava, em grande medida, pela defesa da rentabilidade das atividades desenvolvidas nestas propriedades.

Estas forças sociais e políticas distribuíam-se nos vários partidos. O Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) predominavam no âmbito das forças sociais e políticas identificadas com o projeto de desenvolvimento capitalista em bases nacionais. A atuação destes partidos encontrava-se, portanto, submetida a hegemonia da burguesia industrial (Boito Jr, p. 57-75).

Os grandes proprietários de terra e setores médios urbanos compunham a base de sustentação do PSD. Industriais também compunham os quadros deste partido.

O PSD compunha o núcleo da hegemonia burguesa (juntamente com o PTB), à medida que refletia a soldagem da aliança entre industrialistas e agraristas. Enquanto os primeiros dividiam com outros setores sociais da classe dominante e da alta classe média o domínio do espaço e relações sociais urbanas, os outros asseguravam o domínio dos trabalhadores rurais e a conformação das máquinas políticas oligárquicas do interior.

O PTB possuía a sua base de sustentação política formada junto a classe operária e segmentos socialmente inferiores das classes médias urbanas. Sujeito às pressões da máquina sindical-trabalhista e das mobilizações de massas dos trabalhadores, este partido tendeu para a defesa do nacionalismo, da industrialização e do dirigismo estatal e para a postura de crítica formal ao capitalismo internacional.

O PTB cumpriu uma lógica primordial ao populismo, qual seja, a mobilização controlada da classe operária, a preservação da estrutura sindical, o suporte político do intervencionismo (industrialista) do Estado e a autonomia relativa do executivo nos quadros da representação ampla dos interesses dominantes. Finalmente, o PTB foi criado para ser o partido de sustentação do esquema populista de Getúlio Vargas e, posteriormente ao seu suicídio, de Goulart.

Nutrindo-se da legitimidade obtida com a regulamentação das relações de trabalho e da instrumentalização da estrutura sindical atrelada ao ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, como também da radicalização dos conflitos e lutas sociais às quais buscou absorver, enquadrar e moderar, o PTB ampliou a sua representação política institucional. Da posição de quinto maior partido nas eleições gerais de 1946, se transformou no maior partido nacional nas eleições gerais de 1962.

O Partido Comunista Brasileiro (PCB), mesmo atuando na ilegalidade, conseguiu se constituir num partido inserido no jogo político-institucional. A sua base de sustentação social e política se estendia de setores mais politizados da classe operária a segmentos das classes médias urbanas como intelectuais, artistas e estudantes (Boito Jr, 1982, p. 57-75). Em algumas regiões do país, o PCB estendeu sua influência social e política sobre trabalhadores rurais. Parlamentares, direta ou indiretamente vinculados ao partido, foram eleitos por praticamente todos os partidos legais.

O PCB conviveu com uma profunda contradição. Foi o partido que forneceu as tonalidades mais fortes e classistas ao nacionalismo, industrialismo e intervencionismo estatal, sem, contudo, mobilizar os trabalhadores para romper ideologicamente com o populismo. Embora tenha, em algumas conjunturas, assumido posturas que apontavam para a construção de um espaço de ação autônoma e independente da classe trabalhadora - como exemplifica a greve dos 300 mil em São Paulo em 1953, quando para viabilizá-la os sindicalistas e militantes políticos vinculados ao PCB impulsionaram e dirigiram a formação de dezenas de comitês de mobilização paralelos aos sindicatos oficiais controlados pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, ou, ainda, como nos primeiros momentos de formação das Ligas Camponesas nos Estados do Pernambuco, Alagoas, Goiás etc - a ação do partido, no seu conjunto, se orientou no sentido de submeter os movimentos sociais por ele influenciados e a classe trabalhadora em geral, ao jogo político-institucional. Esta orientação se constituía necessária, de acordo com o

PCB, ao desenvolvimento da “etapa democrático-burguesa da revolução brasileira” em curso no país.

A União Democrática Nacional (UDN) reproduzia uma postura contrária ao intervencionismo (industrialista) do Estado na economia. Hegemonizado pela burguesia comercial antiindustrialista e polarizando os setores socialmente superiores das classes médias urbanas, a UDN transformou a luta pelo liberalismo econômico na sua questão de princípio. Isto porque o intervencionismo (industrialista) do Estado, responsável nos anos 30 e 40 pelo impedimento da reprodução (ou retorno da reprodução) do padrão de acumulação agroexportador, passou agora a controlar e manipular a política econômica para acelerar os ganhos do setor industrial em detrimento de alguns ou contenção da lucratividade de outros (Boito Jr, 1982, 29-35).

A UDN não poupou meios para reverter o projeto político-econômico em curso. Denunciou o artificialismo da indústria nacional, desenvolveu campanhas nacionais contra o intervencionismo (industrialista) do Estado e vanguardeou movimentos golpistas articulados juntos com segmentos da corporação militar e embaixadores norte americanos. Estas iniciativas são reveladoras do caráter e empenho político da UDN.

O período compreendido entre 1956 e 1960, da vigência do Programa de Metas, marcou um ponto de inflexão no padrão de acumulação implementado entre 1933 e 1955. A conjugação entre as pressões internacionais - norte-americanas, contrárias à intensa industrialização brasileira, particularmente com relação às margens de autonomia conquistada, e européia, favorável a uma industrialização internacionalizada com liberdade de remessa de lucros livre de carga fiscal - e as contradições e perda de dinamismo econômico do padrão de acumulação em curso, acentuou conflitos políticos e sociais, abalou alianças estabelecidas no bloco do poder, subverteu diretrizes econômicas e culminou na ruptura político-institucional

representada pelo golpe civil-militar de 1954. Um novo padrão de acumulação teve início no Brasil entre 1956 e 1960.

2.1-A Nova Fase de Expansão

O novo padrão de acumulação e financiamento teve como eixo básico a expansão sem precedentes do Departamento III, convertido no setor dinâmico da economia. A sua instalação ocorreu através da transferência de multinacionais e da recorrência ao capital financeiro internacional.

À esta face da dependência agregou-se outra, qual seja, as condições de instalação do Departamento I com a magnitude exigida para a produção de insumos, equipamentos, máquinas e sistemas produtivos básicos ao Departamento III, característico de uma etapa monopolista do desenvolvimento capitalista. Esta etapa apenas tinha dado os seus primeiros passos no Brasil, através das primeiras empresas monopolistas de caráter estatal como a Companhia Siderúrgica de Volta Redonda e a Petrobrás, que produziu uma restrita pauta de insumos industriais básicos. O Departamento I, básico ao Departamento III conservava-se, no fundamental, nos Estado Unidos e na Europa.

A instalação do Departamento I de forma a atender a nova demanda representada, principalmente, pelo Departamento III foi uma pré-condição do novo padrão de acumulação e financiamento. A pressão que a importação de insumos industriais básicos, tecnologia, know how etc, exerceu sobre o balanço de pagamentos no padrão de acumulação precedente ampliou-se enormemente no novo padrão econômico, comprometendo a sua reprodução e expansão. A carência de capitais disponíveis para a expansão acelerada do Departamento I, à medida que o crescimento das exportações, basicamente de origem agropecuária, não se ampliava rapidamente, o que mantinha as divisas externas restritas, obrigou o Estado a recorrer a um intenso

endividamento externo. O objetivo era eliminar pontos de estrangulamentos da economia e desencadear um desenvolvimento acelerado, equilibrado e integrado.

O instrumento catalisador da mudança do padrão de acumulação foi o Programa de Metas. Elaborado pelo governo J.K., o Programa consistiu, basicamente, de um planejamento global para a economia brasileira a ser desenvolvido entre 1956 e 1960. Os objetivos centrais do Programa de Metas foram a aplicação de um programa de infra-estrutura, a condução da internacionalização da economia brasileira e a viabilização da expansão da fronteira agrícola.

O Programa incorporou em si mesmo as diretrizes e o planejamento para a implementação do novo padrão de acumulação. Ele refletiu as relações de interdependência e complementaridade da estrutura econômica brasileira frente à estrutura econômica internacional, nos quadros de uma industrialização induzida que encontrava grandes obstáculos em decorrência do estrangulamento do setor de mercado externo.

O Programa de Metas refletiu também o bloqueio exercido pelo pacto populista sobre o Estado, impedindo-o de efetuar uma reforma fiscal capaz de encontrar recursos internamente ao país para alavancar o Departamento I, ampliando as condições para uma futura instalação do Departamento III. O Programa de Metas expressava, portanto, o prosseguimento da industrialização brasileira mediante as crescentes exigências estabelecidas pela reprodução do capital em âmbito mundial e o impasse político representado pelo populismo.

O Programa de Metas integrava-se no mesmo movimento histórico da doutrina Truman e da Comissão Mista Brasileiro-Americana, definindo os limites possíveis das tendências do subsistema econômico brasileiro em combinação com as tendências do capitalismo internacional sob a hegemonia norte-americana (Ianni, 1986, p. 154-155). Abrangendo setores como energia, transporte, alimentação e indústria de base, o programa buscou preservar e ampliar as condições de fluxo de capital, tecnologia e Know How empresarial, sob a intervenção do Estado.

O Estado, durante a vigência do próprio Programa de Metas, ressaltou a importância dos investimentos externos e definiu as bases da associação com a grande empresa oligopolista. Especialmente importante nesta direção foi a criação da Instrução nº 113 da Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC)16. A referida Instrução permitiu a entrada no país de recursos externos sem cobertura cambial voltados para garantir ao investidor estrangeiro a importação de equipamentos para instalar ou recompor processos industriais, segundo a classificação de prioridade formulada pelo governo, o que representou um incentivo implícito para a entrada de capitais externos.

Tal medida desencadeou importantes protestos por parte de amplos setores do empresariado industrial brasileiro. Contudo, diversos setores deste mesmo empresariado recorreram à associação de capitais multinacionais, buscando beneficiar-se de vantagens equivalentes. Outros ocuparam os novos espaços no mercado como fornecedores de componentes, insumos industriais, matérias-primas e serviços para as multinacionais. A Instrução nº 113 impeliu, ao mesmo tempo, para a associação do capital privado nacional com a grande empresa oligopolista multinacional e a conformação de monopólios privados nacionais necessários para o atendimento das demandas daquelas empresas.

A construção de Brasília assumiu um papel paradigmático no contexto do Programa de Metas e do Governo JK. Brasília assegurou um excepcional estímulo de demanda para o setor industrial. A abertura de novas estradas integrando a região Centro-Oeste e o consumo de vigas

Belgede Kur'an'da ibadetin imani boyutu (sayfa 73-102)

Benzer Belgeler