• Sonuç bulunamadı

2.11 İlgili Araştırmalar

2.11.1 Öznel İyi Oluş İle İlgili Araştırmalar

Esta seção apresenta alguns dados e informações relevantes sobre o processo recente de desmatamento na Amazônia Legal Brasileira. Essas informações serão importantes para contrastar com os resultados das simulações do modelo REGIA em relação ao desmatamento projetado no capítulo 4 desta tese.

O INPE começou a usar a tecnologia de sensoriamento remoto para mapear o desmatamento em florestas tropicais em meados da década de 1970. O primeiro mapa de desmatamento da Amazônia brasileira foi produzido pelo INPE em 1979. Em 1988 o INPE recebeu do Governo Brasileiro a missão de desenvolver e operar um sistema de monitoramento para calcular anualmente a taxa de desmatamento para toda a Amazônia Legal brasileira através de imagens de satélite (INPE, 2013).

O INPE considera o desmatamento “como um processo único, que se inicia com a floresta intacta e termina com a conversão completa da floresta original em outras coberturas como pastagem e culturas agrícolas” (VALERIANO et al., 2012). O sistema de monitoramento do INPE detecta que o desmatamento17 ocorre por dois meios: o corte raso e a degradação florestal progressiva. O corte raso é o processo onde a floresta é inteiramente suprimida em um curto intervalo de tempo e substituída por outras coberturas. A degradação florestal progressiva é um processo mais lento que inclui a contínua exploração madeireira e ocorrências sucessivas de fogo florestal. Deste modo, as áreas em processo de sucessão secundária18 são excluídas do cálculo dos desmatamentos brutos totais e anuais, implicando que a área uma vez desflorestada assim será considerada permanentemente (MARGULIS, 2003).

Desde 1988, as estimativas do INPE adquiriram o caráter de estatísticas oficiais sobre os desmatamentos da Amazônia Brasileira em nível nacional e estadual. Segundo o INPE, a área

17 O INPE processa imagens na escala 1:250.000 que só permite a identificação de mudanças de cobertura maiores que 6,25 hectares (correspondentes a 1 mm2 na escala) (INPE, 2013).

18 A sucessão secundária ocorre, por exemplo, em áreas que originalmente eram vegetadas e foram desmatadas. Locais já habitados cujo equilíbrio foi rompido devido alterações ambientais drásticas, causadas ou não pelo ser humano.

total desmatada19 na Amazônia aumentou de 21.050 km2 em 1988 para 136.217 km2 em 1995, 220.473 km2 em 2000 e em 2013 essa área passou para 402.615 km2. A Figura 3 apresenta o desmatamento em km2 por ano na Amazônia Legal. Ao longo da década de 1990, a área anual desmatada situou-se em torno dos 17 mil km2 com ascensão vertiginosa na década de 2000, quando o desmatamento anual alcançou 27 mil km2 em 2004 (SOARES-FILHO et al., 2009). Contudo, desde 2004, o ritmo de desmatamento tem declinado, situando-se em 4,6 mil km2 (2012), a menor área desmatada medida pelo Programa de Observação do Desmatamento – PRODES (INPE, 2009).

Figura 3 - Desmatamento anual na Amazônia Legal em km2 de 1988 a 2013

Fonte: Elaboração própria com base nos dados do PRODES/INPE

Conforme mencionado na introdução desta tese, a queda do desmatamento a partir de 2004 pode ser associada à influência de fatores econômicos, como a redução dos preços internacionais da soja e da carne e a valorização do Real que desestimulou as exportações. Além dos fatores econômicos, pode-se destacar o aumento da fiscalização pelo Governo Federal (SOARES-FILHO et al., 2009, ASSUNÇÃO et al., 2012). Conforme assinala Assunção et al. (2012), políticas públicas de combate ao desmatamento evitaram aproximadamente 62 mil km2 de área desmatada entre 2005 e 2009. Dentre as medidas de controle estão a expansão do raio de áreas protegidas na Amazônia de 1,26 para 1,82 milhões de km2, atrelado ao cancelamento de crédito para proprietários de terras ilegais (NEPSTAD et

al., 2009).

19 Esses dados do INPE contabilizam apenas o desmatamento ocorrido no período entre 1988 a 2013, não considerando o desmatamento ocorrido antes de 1988.

0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 0 1 2 3 4 5 6 7 8 09 10 11 12 13 Desmatamento em km2/ano

Desde o início da década de 1990, o monitoramento do INPE indicava que o desmatamento estava concentrado em poucas regiões, com 76% dos novos desmatamentos ocorrendo na região do Arco do Desmatamento. Em 1998, quase 80% do desmatamento concentravam-se apenas nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia. Este mesmo percentual subiu para 85% em 2000 e voltou a cair para 75% em 2013. Chomitz e Thomas (2001) sugerem adicionalmente que 75% dos desmatamentos situam-se a menos de 25 km de distância de alguma rodovia municipal, estadual e federal, e 85% a menos de 50 km de algumas destas estradas (MARGULIS, 2003). A Figura 4 apresenta o mapa da Amazônia Legal ilustrando as áreas desmatadas e as áreas de formação não-florestal.

Figura 4 - Desmatamento acumulado na Amazônia Legal até 2010

Fonte: Imagem de divulgação IMAZON (2011)

Segundo Nepstad et al. (2009), o Brasil foi o líder no desmatamento tropical no mundo com média de 19.500 km2 por ano de 1996 a 2005. Esta conversão para pasto e área agrícola liberou de 0,7 a 1,4 GtCO2e (bilhões de toneladas de CO2 equivalente) por ano na atmosfera.

Em 2009 na COP15, o governo brasileiro se comprometeu a reduzir o desmatamento em 80% até 2020, motivado pelas taxas declinantes de desmatamento que foram observadas a partir de 2004. Para alcançar essa meta de redução, o Brasil expandiu sua rede de áreas protegidas que agora contém 51% da área de floresta da região. Foram realizadas campanhas federais para cancelar o crédito aos donos ilegais de terra, pressionar compradores de produtos da Amazônia e prender operadores ilegais. Isso também contribuiu para uma retração das atividades de gado e soja da região (NEPSTAD et al., 2009).

Os dados mais recentes mostram um aumento do desmatamento de 28% no período 2012- 2013 (INPE, 2013). Embora a área desmatada nesse período seja a segunda mais baixa registrada desde o início do monitoramente em 1988, essa área representa um grande desperdício segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia (IMAZON, 2013). Segundo este Instituto, estimativas do INPE e da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) sugerem que sobram na Amazônia uma grande área já desmatada e que se encontra subutilizada. A Embrapa e o INPE estimaram que até 2010 a área abandonada ou subutilizada na região totalizava aproximadamente 12 milhões de hectares. Alguns fatores são apontados como causas desse aumento no desmatamento, como a elevação do preço de produtos agrícolas, que tem historicamente incentivado o desmatamento tanto para fins produtivos como especulativos. As grandes obras de infraestrutura, como o asfaltamento de rodovias (BR-163, Transamazônica) e construção de portos (Itaiatuba e Santarém), realizadas em 2013, alteram a dinâmica da região e também podem ter contribuído para o aumento da derrubada da floresta (IMAZON, 2013).

Ao mesmo tempo, o poder público pode estar enfraquecendo as regras ambientais, de acordo com o IMAZON (2013). O Novo Código Florestal, aprovado em 2012, permitiu a consolidação de parte significativa das áreas ilegalmente desmatadas no passado, o que pode ter criado expectativas de que novos desmatamentos possam ser anistiados no futuro. Apesar do sucesso do combate ao desmatamento registrado entre 2004 a 2012, é preciso, de acordo com o IMAZON (2013) que o governo e a sociedade estejam alertas para que os aumentos, mesmo que eventuais, sejam evitados. Tais medidas devem ser particularmente no campo dos incentivos econômicos para a conservação e a redução do desmatamento especulativo.