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3. BİRİNCİ MECLİS’TE KATILAN URFA MİLLETVEKİLERİ’NİN

3.1. ÖZGEÇMİŞLERİ

Quando se pensa em romances pós-modernos, os livros de Ítalo Calvino e García Márquez são geralmente citados como exemplos. Porém, para esta pesquisa, o que interessa é pensar a pós-modernidade na obra

Memoria de mis putas tristes, de García Márquez, e se o narrador desta obra

Para pensar a obra como sendo ou não pós-moderna, farei uso aqui de alguns traços que Ihab Hassan29 menciona como aplicáveis às artes pós- modernas, porém afirma que, apesar de ajudarem a aferir o clima do discurso, não definem o pós-modernismo.

O primeiro traço que aqui será apresentado é o da descanonização, uma deslegitimação dos grandes códigos, uma subversão e desmistificação à ordem. Há várias passagens de Memoria de mis putas tristes que serviriam de exemplo a esta descanonização, afinal, a obra conta a história de um homem que aos 90 anos nunca se casou, não teve filhos e nunca dormiu com uma mulher que não tivesse pagado. No entanto, a título de exemplo, destaco aqui o trecho no qual ele afirma que dormia em prostíbulos, antes por prazer, depois como parte de seu ofício.

Dormía en el Barrio Chino dos o tres veces por semana, y con tan variadas compañías, que dos veces fui coronado como el cliente del año. […] Lo hacía por el gusto, pero terminó por ser parte de mi oficio gracias a la ligereza de lengua de los grandes cacaos de la política, que les daban cuenta de sus secretos de Estado a sus amantes de una noche, sin pensar que eran oídos por la opinión pública a través de los tabiques de cartón.30

Outro traço importante a ser destacado é o apagamento do eu. “O pós-modernismo esvazia o eu tradicional” (Hassan; 1988: 57), rejeita o herói romântico e os símbolos. Porém permite os jogos autorreflexivos, por isso o exercício das escritas de si é considerado um exercício pós-moderno. Para exemplificar esta rejeição ao herói no estilo romântico de ser, pode-se

29 Os traços que me refiro encontram-se no texto Fazer sentido: as atribulações do discurso

pós-moderno. 1988, p. 57-59

destacar o trecho no qual o narrador descreve a si mesmo: “No tengo que decirlo, porque se me distingue a leguas: soy feo, tímido y anacrónico” 31.

O próximo traço a ser apresentado foi denominado por Ihab Hassan de o inapresentável. Há uma rejeição a mimese e uma contestação aos modos de sua própria representação. Interessa-lhe o silêncio, o sublime, o objeto, o inefável, o indisível. Para este traço, também existem muitos exemplos ao longo da obra, porém o trecho que aqui será destacado é quando o narrador encontra pela primeira vez com a jovem. Ela adormecida e ele põe-se a contemplá-la.

Entré en el cuarto con el corazón desquiciado, y vi a la niña dormida, desnuda y desamparada. […] Me senté a contemplarla […]. Era morena y tibia. La habían sometido a un régimen de higiene y embellecimiento que no descuidó ni el vello incipiente del pubis. La habían rizado el cabello y tenía en las uñas de las manos y los pies un esmalte natural, pero la piel del color de la melaza se veía áspera y maltratada. […] Pero ni los trapos ni los afeites alcanzaban a disimular su carácter: la nariz altiva, las cejas encontradas, los labios intensos.32

Passaremos agora para o traço denominado performance. “A indeterminação supõe participação; os espaços têm que ser preenchidos.” (Hassan; 1988: 58). Este, talvez, seja o traço mais pertinente para esta pesquisa, pois, durante todo o texto, o narrador faz uma performance. Para começar, o narrador, protagonista da história não tem seu nome revelado em momento algum da obra, ele passa a vida toda tentando ser alguém diferente daquele que a sociedade espera que seja, ou que se convencionou ser. Não casa, não tem filhos e resolve comemorar seu nonagésimo aniversário em uma noite libertina. Se por um lado, a jovem virgem, a quem chama Delgadina, não tenha seu verdadeiro nome revelado; por outro lado,

31 Id. Ibid, p. 10 32 Id. Ibid, p. 28-29

o protagonista criou uma “Delgadina” em suas fantasias e, talvez, tenha medo de saber seu nome real. O trecho de Memoria de mis putas tristes que servirá de exemplo aqui, será justamente o trecho em que o protagonista esclarece que não quer saber a verdadeira identidade de sua jovem amante: “Se sorprendió (Rosa Cabarcas) cuando mencioné el nombre de Delgadina. No se llama así, dijo, se llama. No me lo digas, la interrumpí, para mí es Delgadina” 33.

Por fim, o último traço que aqui será estudado é o construcionismo. Constitui-se em construir a realidade através de ficções. Este talvez seja um complemento do traço visto anteriormente. O narrador imagina acontecimentos que são tão reais que ele mesmo desconfia se o que imaginou não aconteceu realmente.

Cuando pasó el aguacero seguía con la sensación de que no estaba solo en la casa. Mi única explicación es que así como los hechos reales se olvidan, también algunos que nunca fueron pueden estar en los recuerdos como si hubieran sido. Pues si evocaba la emergencia del aguacero no me veía a mí mismo solo en la casa sino siempre acompañado por Delgadina. La había sentido tan cerca en la noche que percibía el rumor de su aliento en el dormitorio, y los latidos de su mejilla en mi almohada. […] Recordaba cómo preparó al día siguiente un desayuno que nunca fue, y puso la mesa mientras yo secaba los pisos y ponía orden en el naufragio de la casa. Nunca olvidé su mirada sombría mientras desayunábamos: ¿Por qué me conociste tan viejo? Le contesté la verdad: La edad no es la que uno tiene sino la que uno siente.34

Depois desta análise crítica de Memoria de mis putas tristes, vale ressaltar que não foram apresentados aqui todos os traços descritos por Hassan, apenas os mais pertinentes para a discussão.

33 Id. Ibid, p. 69 34 Id. Ibid, p. 61

Benzer Belgeler