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2. MODERN MİMARLIK MİRASI VE KORUMA İLİŞKİSİ

2.3 Korumanın Modern Mimarlık Mirası Üzerinden Değerlendirilmesi

2.3.1 Özgünlük ve tasarım değerleri

Conforme preleciona Orlando Teixeira da Costa, a palavra dignidade provém do latim – dignitas, dignitatis – e significa, entre outras coisas, a qualidade moral que infunde respeito, e consciência do próprio valor. Ao falar- se de dignidade humana, quer-se significar a excelência que esta possui em razão da sua própria natureza. Se é digna qualquer pessoa humana, também o é o trabalhador, por ser uma pessoa humana. É a dignidade da pessoa humana do trabalhador que faz prevalecer os seus direitos, estigmatizando toda manobra tendente a desrespeitar ou corromper de qualquer forma que seja esse instrumento valioso, feito à imagem de Deus.149

A Constituição Federal de 1988 no inciso III do art. 1º erigiu a dignidade da pessoa humana a um dos pilares de sustentação da ordem econômica e social ao incluí-la nos princípios fundamentais do estado democrático de direito do Brasil.

O art. 170 da Carta Constitucional revigora o princípio fundamental previsto no inciso III do art. 1º para consagrar que a ordem econômica, fundada

148 Id Ibid, p. 131.

149 COSTA. Orlando Teixeira da. O Trabalho e a Dignidade do Trabalhador. Revista LTR. v. 59, nº 5, maio de 1996, p. 592.

na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por finalidade assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social.

A relevância atribuída ao princípio da dignidade da pessoa humana importa em lhe reconhecer os atributos de cláusula pétrea voltada à efetivação dos direitos fundamentais, constituindo-se na garantia das faculdades jurídicas necessárias à existência digna da pessoa humana.

Além de se constituir em cláusula pétrea, o princípio da dignidade da pessoa humana faz parte dos direitos e das garantias individuais, elevando-o a uma importância maior que a de outros princípios constitucionais., em face de sua fundamentabilidade.

Conforme Flávia Piovesan, considerando que toda a Constituição há de ser compreendida como uma unidade e como um sistema que privilegia determinados valores sociais, pode-se afirmar que a Constituição de 1988 elegeu o valor da dignidade da pessoa humana como um valor essencial que lhe dá unidade de sentido. Isto é, o valor da dignidade humana informa a ordem constitucional de 1988, imprimindo-lhe uma feição particular.150

Conforme assinala José Afonso da Silva a dignidade da pessoa humana é um valor supremo do ser humano, posto que se refere ao respeito, ao brio, à honra, e quando reconhecida pelo direito, coloca o homem, seu destinatário, no mesmo patamar de todos os outros, sem qualquer distinção ou ressalva relativa aos seus direitos de personalidade. Esse princípio atrai o conteúdo de todos os direitos fundamentais do homem, a começar pelo direito à vida.151

Flademir Jerônimo Belinati Martins aduz que a dignidade da pessoa humana é inerente a cada pessoa que a faz destinatária do respeito e da proteção

150 PIOVESAN. Flávia. Temas de Direitos Humanos. São Paulo: Max Limonad, 1998, p. 133/134.

151 SILVA. José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 6ª ed., São Paulo: RT, 1990, p. 23/24.

tanto do Estado, quanto das demais pessoas, impedindo que ela seja alvo não só de quaisquer situações desumanas ou degradantes, como também lhe garantindo o direito de acesso a condições existenciais mínimas. Por outro lado, a dignidade implica considerar que a pessoa humana é chamada a ser responsável não somente por seu próprio destino, mas também pelos das demais pessoas humanas, sublinhando-se, assim, o fato de que todos possuem deveres para com a sua comunidade.152

Ingo Wolfgang Sarlet, citado por Arion Sayão Romita, afirma que, por ter a Constituição de 1988, elevado a dignidade da pessoa humana à categoria de valor supremo e fundante de todo o ordenamento brasileiro, fácil é atribuir aos direitos sociais a característica de manifestações dos direitos fundamentais de liberdade e de igualdade material porque, encarados em sua vertente prestacional (direitos e prestações não só jurídicas, mas também fáticas), tais direitos têm por objetivo assegurar ao trabalhador proteção contra necessidades de ordem material, além de uma existência digna. Cumpre, em conseqüência, atribuir a máxima eficácia (jurídica e social) aos preceitos que os consagram, com o intuito de obter a realização prática do valor supremo da dignidade da pessoa humana.153

O trabalho, inegavelmente, figura como um dos componentes da condição de dignidade da pessoa. Não há dúvida que o trabalho é uma das mais puras fontes de realização humana. O trabalho é a vida do homem e através do trabalho que o homem se sente útil na sociedade e se realiza.

A dignidade da pessoa humana, enquanto princípio constitucional, coloca em evidência o ser humano, intrinsicamente considerado, para o qual deve convergir todo o esforço de proteção do Estado, através do seu ordenamento jurídico. O trabalho, indiscutivelmente, figura como um dos componentes da condição da dignidade da pessoa humana. É para o bem-estar do ser humano que

152 MARTINS. Flademir Jerônimo Belinati. Princípio Constitucional Fundamental da Dignidade da Pessoa Humana. Dissertação de Mestrado apresentada à Instituição Toledo de Ensino. Bauru, 2002, p. 152 153 SARLET, Ingo Wolfgang. Os Direitos Fundamentais Sociais na Constituição de 1988. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1999, p. 169. In ROMITA, Arion Sayão. Direitos Fundamentais nas Relações de Trabalho. São Paulo: LTR, 2007, p. 268/269.

o trabalho se direciona. É para garantir seu estado de bem viver, condignamente, que o respaldo moral de poder assegurar a si e a sua família o sustento, a saúde, o lazer e o progresso material contínuo e crescente, que deve voltar-se o emprego. As empresas, os meios de produção e todo o engenho voltado ao desenvolvimento de bens e serviços só se justificam se forem respeitados, acima de tudo, os valores humanos do trabalho e, longe de visarem apenas o lucro e o enriquecimento do empregador, deve destinar-se ao bem-estar e ao progresso coletivo.154

A justiça social está disposta como preceito jurídico no caput do art. 170 e no art. 193 da Constituição Federal e consagra o entendimento de que a ordem econômica deve caminhar em harmonia com o valor social do trabalho visando assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social.

A realização da justiça social se constitui, no principal propósito da ordem econômica constitucionalmente organizada. A observância dos ditames da justiça social constitui um direcionamento que o legislador constituinte impôs à atividade econômica e à atuação dos poderes públicos no trato das relações econômicas. Cuida-se, pois, de uma norma constitucional dirigente, na medida em que fixa uma finalidade específica para a ordem econômica nacional, vinculando todas as atuações que se possam operar no seu âmbito.155

Em conclusão das considerações expostas, resta claro que as manifestações concretas do princípio da dignidade da pessoa humana nunca se dissociam do indivíduo e o acompanham em todas as suas atividades. Assim, mesmo que o trabalhador se encontra em situação hierarquicamente inferior ao empregador, o poder diretivo encontrará limites no exercício de todos os direitos fundamentais.

154 DAL COL. Helder Martinez. O Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, o Direito ao Trabalho e a Prevenção da Infortunística. Revista Juristas. ISSN: 8074, p. 15.08.05.

155 REZENDE, Roberto Vieira de Almeida. Delineamento Constitucional do Poder Diretivo. Op. cit., p. 137.

Desta maneira, vislumbra-se na ordem econômica constitucional a existência de potente justificativa para submeter o poder de direção e, por conseguinte, o poder de determinação do conteúdo dinâmico do contrato individual de trabalho pelo empregador, à observância de direitos fundamentais que, em última análise, são direitos tendentes a promover a concretização da dignidade humana. Para tanto, tais direitos reclamada que sejam considerados em sua dimensão objetiva, ultrapassando as fronteiras das relações entre o cidadão o Estado para alcançar também as relações jurídicas em sentido interprivado. A constituição deve ser interpretada em seu conjunto, como todo harmônico, exigindo a ordem econômica constitucional a concretização da dignidade humana, impondo respeito aos direitos fundamentais em todas as relações envolvidas no processo econômico, mesmo as natureza privada como a relação de emprego. A ordem econômica constitucional, ao prever como um dos seus fins a dignidade da pessoa humana, funciona também como limitação ao poder patronal e exigência de sua sujeição aos ditames constitucionais voltados à proteção dos direitos fundamentais.156

Benzer Belgeler