• Sonuç bulunamadı

Özellikle öğretmenlik mesleğini tercih edecek öğrencilerin değer algıları ve değer sistemlerini önceden belirlemeye yönelik çalışmalar

SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER

2. Özellikle öğretmenlik mesleğini tercih edecek öğrencilerin değer algıları ve değer sistemlerini önceden belirlemeye yönelik çalışmalar

respeito de Silvanus Thompson e o livro Calculus Made Easy.

É preciso destacar, contudo, que não tivemos a intenção de discutir o trabalho de Thompson num contexto didático, propondo seqüências e engenharias didáticas para o ensino de Cálculo ou – ainda –, num contexto matemático, avaliando apenas as ferramentas e métodos matemáticos utilizados

no texto. Em vez disso, objetivamos fazer nesta pesquisa uma análise histórica, tentando compreender e escrever, de acordo com nossas considerações teórico- metodológicas, os desdobramentos do livro Calculus Made Easy na educação matemática dos anos 1910.

Para entender e responder a nossas perguntas, enunciadas na introdução deste trabalho, foi necessário – num primeiro momento – recorrer aos estudos sobre rigor e intuição, já que o livro Calculus Made Easy trazia uma abordagem intuitiva e pouco formal dos elementos do cálculo diferencial e integral. Foi por meio do estudo dessas questões que pudemos perceber que as críticas feitas ao livro de Thompson estavam atreladas grandemente ao enfoque intuitivo e informal que seu autor utilizava nos conceitos elementares do Cálculo. Essa característica, aliada à falta de influência de Thompson no meio matemático, gerou uma conseqüência já esperada: o livro foi ignorado – ainda que reeditado em 1910, 1914, 1919, 1945 e, recentemente, 1998. (De fato, como mencionamos acima, esse foi um dos principais fatores que nos levaram à realização deste estudo).

A despeito disso, a análise didática de dois livros de Cálculo, utilizados na primeira década do século passado, permitiu-nos concluir que a abordagem (estilo) utilizada por Thompson no Calculus Made Easy era bastante particular. O período do fim do século XIX e início do século XX havia sido marcado por grandes preocupações e questionamentos em relação às bases da matemática, e grande parte dos livros de Cálculo utilizados naquela época seguiam o modelo formal e rigoroso característico do século XIX. Thompson, apesar de contemporâneo do período de fundamentação do Cálculo, se distinguiu dos demais autores desse período exatamente por não seguir esse

modelo formalista – rigoroso que estava se consolidando em princípios do século XX. O livro de Thompson não tinha por objetivo o rigor matemático; visava, antes de tudo, à formação dos trabalhadores e estudantes ingleses que, com a crescente industrialização, precisavam ser treinados em “princípios científicos”. Nesse sentido, cumpre destacar que o Calculus Made Easy, do ponto de vista estrutural, não era diferente dos demais livros da época. As características que o tornavam distinto eram essencialmente os objetivos do autor e o estilo utilizado por ele na apresentação dos conceitos.

Acerca desse estilo de apresentação (intuitivo, aplicativo e informal), poder-se-ia ainda dizer que expressava claramente o verdadeiro ideal de Silvanus Thompson no livro: a desmistificação do Cálculo. Thompson tinha alguns objetivos atrelados a isso, um dos quais, sem dúvida, era o caráter aplicativo dos conceitos do Cálculo nas áreas da física e da engenharia (nesse caso, vale lembrar que o Calculus Made Easy havia sido escrito tendo por alvo os alunos de engenharia do Finsbury Technical College). Entretanto, é impossível negar que o curso de Thompson tampouco tivesse o objetivo de criticar e questionar a prática do ensino de Cálculo aos iniciantes no assunto. Na verdade, foi exatamente essa característica que nos permitiu traçar algumas relações entre o livro de Thompson e os objetivos dos Movimentos de Modernização do Ensino da Matemática – a partir de 1900, haja vista que esses movimentos pretendiam igualmente criticar a maneira como a matemática (e também o Cálculo) era ensinada.

Esta pesquisa deixou, conscientemente, algumas questões sem resposta. Em uma conversa recente com o Prof. David Tall, da Universidade de Warwick, por exemplo, conjecturamos a possibilidade de relação entre alguns trabalhos de Tall (ver referências) e o livro de Thompson. Essa análise poderia, entre outras coisas, mostrar que o Calculus Made Easy estava de fato conforme com as preocupações da educação matemática. Contudo, esse trabalho não foi feito nesta pesquisa.

Faltou ainda realizar uma análise mais bem detalhada a respeito dos livros utilizados em fins do século XIX e princípios do século XX. Esse trabalho seria também de especial importância para a educação matemática, sobretudo pelo período focalizado, uma vez que revelaria como a apropriação da fundamentação rigorosa do Cálculo foi traduzida pelos autores de livros didáticos no ensino dos conceitos elementares dessa disciplina.

. . .

Resta apenas dizer que esperamos que as questões respondidas em nosso trabalho, junto às perguntas e reflexões que aqui não puderam ser totalmente desenvolvidas, possam servir para um entendimento mais claro e mais detalhado da história do ensino de Cálculo no início do século XX.

.:: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ::.

ABRÃO, Baby. e COSCODAI, Mirtes (org). História da Filosofia. São Paulo: Ed. Best Seller, 2003.

BOOTH, W. C. et al. A arte da pesquisa. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

BOURDIEU, Pierre. Você disse “popular”? In: Revista Brasileira de Educação, p. 16 – 26, São Paulo, 1996.

BOYER, C. B. História da Matemática. São Paulo: Edgard Blücher,1974.

BRAGA, Ciro. O processo inicial de disciplinarização de função na

matemática do ensino secundário brasileiro. Dissertação de mestrado,

PUC-SP, 2003.

BURKE, Peter (org.). A escrita da História: Novas Perspectivas. São Paulo: Ed. Unesp, 1992.

BURKE, Peter. Problemas causados por Gutenberg: a explosão da informação nos primórdios da Europa Moderna. In: Revista Estudos Avançados – Instituto

de Estudos Avançados da USP, n. 44, v. 16, 2002.

CARAÇA, Bento de Jesus. Conceitos Fundamentais da Matemática. Lisboa: Gradiva, 2000.

CARVALHO, J. B. P. et al. Euclides Roxo e o Movimento de Reforma do Ensino da Matemática na década de 30. In: Rev. Bras. Est. Pedag. Brasília, v. 81, n. 199, set./dez. 2000. p. 415 – 424.

CHARTIER, R. O mundo como representação. In: Revista Estudos Avançados

D’AMBROSIO, Nicolau e D’AMBROSIO, Ubiratan. Introdução ao Cálculo. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976.

D’AMBROSIO, Ubiratan. Do Misticismo à Mistificação. In: Anais do Segundo

Congresso Latino-Americano de História da Ciência e da Tecnologia. São

Paulo, 1988. p. 505 – 514.

____________. A História da Matemática: questões historiográficas e políticas e

reflexos na educação matemática. In: Pesquisa em Educação Matemática:

concepções e perspectivas, São Paulo: ed. UNESP, 1999. p. 97 – 115

____________. Stakes in Mathematics Education for the societies of today and tomorrow. In: Moments of Mathematics Education in the Twentieth Century, Geneva, 2000 (a). p. 302 – 316.

____________. A Interface entre História e Matemática: Uma Visão Histórico- Pedagógica. In: Facetas do Diamante: ensaios sobre Educação Matemática e

História da Matemática. John A. Fossa (org.). Rio Claro: Ed. da SBHMat, 2000

(b). p. 241 – 271.

DUARTE, A. R. S. Henri Poincaré e Euclides Roxo: subsídios para a história

das relações entre filosofia da matemática e educação matemática.

Dissertação de mestrado, PUC-SP, 2002.

DURÁN, Antonio José. Historia, con personajes, de los conceptos del cálculo. Madrid: Alianza Ed., 1996.

EVES, H. Introdução à História da Matemática. São Paulo: Ed. Unicamp, 1995.

FERREIRA, Marieta de Moraes. A nova “velha história”: o retorno da história política. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 5, n. 10, 1992, p. 265 – 271.

FREUDENTHAL, Hans. Mathematical Rigour. In: Mathematics as an

Educational Task, p. 147 – 154, Netherlands: D. Reidel Publ., 1973.

GARNICA, Antônio V. M. Fascínio da técnica, declínio da crítica: um estudo sobre a prova rigorosa na formação do professor de matemática. In: ZETETIKÉ /

UNICAMP, Faculdade de Educação, Pesquisa em Educação Matemática – v.

GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1989, p. 13 – 41.

GERDES, Paulus. Karl Marx: arrancar o véu misterioso à matemática – sobre

os manuscritos matemáticos de Karl Marx – Por ocasião do centenário da morte de Karl Marx. Moçambique, 1983.

GRATTAN-GUINNESS, Ivor. The Fontana History of the Mathematical

Sciences. London: Fontana Press, 1997.

HAMBURGER, Jean. A filosofia das ciências hoje. Lisboa: Fragmentos, 1988.

KATZ, Victor. A History of Mathematics: an introduction. USA: Addison- Wesley, 1998.

KLEIN & SHIMMACK. Der Mathematische Unterricht an den hoheren Schulen. Teil I, S. 43 Teubner Leipzig, 1907.

KLEIN, F. Matemática Elemental desde un punto de vista superior. Madrid: Col. Biblioteca Matemática, 1v., 1927.

LATOUR, Bruno. Ciência em Ação – como seguir cientistas e engenheiros

sociedade afora. São Paulo: Ed. Unesp, 2000.

LAUDARES, João Bosco et al. A prática educativa sob o olhar de professores

de cálculo. Belo Horizonte: Ed. Fumarc, 2001.

LEVI, Giovanni. Sobre a Micro-História. In: A escrita da História: Novas

Perspectivas. São Paulo: Ed. Unesp, 1992, p. 133 – 161.

MENEGHETTI, Renata C. Geromel. O que a História do desenvolvimento do Cálculo pode nos ensinar quando questionamos o saber matemático, seu ensino e seus fundamentos. In: Revista Brasileira de História da Matemática – v. 2, 2002. p. 103 – 117.

PESTRE, D. Les sciences et l’histoire aujourd’hui. Le débat, Paris, n. 102, nov./dez. 1998. p. 53-68.

REIS, Frederico da Silva. A tensão entre rigor e intuição no ensino de cálculo

e análise: a visão de professores-pesquisadores e autores de livros didáticos. Tese de doutorado, FE-Unicamp, 2001.

ROXO, Euclides. A Matemática na educação secundária. São Paulo: Ed. Nacional, 1937.

____________. Curso de Matemática Elementar. Rio de Janeiro: Francisco Alves, v.1, 1929.

RUSSELL, Bertrand. História do Pensamento Ocidental – A aventura das

idéias dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

SCHWARTZMAN, Simon. Um espaço para a Ciência. Brasília: Ministério de Ciência e Tecnologia, 2001.

SHARPE, Jim. A História vista de baixo. In: A escrita da História: Novas

Perspectivas. São Paulo, Ed. Unesp, 1992, p. 39 – 62.

____________. Benjamin Constant e o ensino da matemática no Brasil. In:

Revista Brasileira de História da Matemática – v.1, 2001, p.86-98.

SILVA, Clóvis Pereira da. A matemática no Brasil: uma história do seu

desenvolvimento. Curitiba: Ed. Un. Fed. do Paraná, 1999(a).

SOARES, Eliana Maria do Sacramento. Formalização e Intuição no Contexto do Conhecimento, do Ensino e da Atuação Social. In: ZETETIKÉ / UNICAMP,

Faculdade de Educação, Pesquisa em Educação Matemática - Ano 3, n. 3,

março 1995, p. 63 – 70.

STRUIK, Dirk J. Por que estudar história da matemática? In: História da Técnica

e da Tecnologia. Ed. USP, 1985, p. 191 – 215.

TALL, David. Intuition and rigour: the role of visualization in the calculus,

Visualization in Mathematics (Zimmermann & Cunningham), M.A.A., Notes n.

19, 1991, p. 105 – 119.

TALL, David. Intuitive infinitesimals in the calculus. In: Fourth International

TAVARES, Jane Cardote. A congregação do Colégio Pedro II e os debates

sobre o ensino da matemática. Dissertação de mestrado, PUC-SP, 2002.

THOMPSON, Silvanus P. The Life of Lord Kelvin. USA: Chelsea Publ. Co., 1976. (publicado originalmente em 1910).

THOMPSON, Silvanus P. e GARDNER, Martin. Calculus Made Easy. New York: St. Martin’s Press, 1998. (publicado originalmente em 1910, sob o pseudônimo de

F.R.S. – Fellow of the Royal Society).

THURSTON, Hugh A. Tangents and Differentials. In: The American

Mathematical Monthly, vol. 71, n. 6, 1964.

VALENTE, Wagner R. Uma história da matemática escolar no Brasil, 1730 –

1930. São Paulo: Annablume / Fapesp, 1999.

____________. A matemática na formação clássico-literária tornando-se ensino de cultura geral. In: Educação Matemática e Pesquisa, v. 1, n. 2, 1999(b).

____________. História da Matemática Escolar: Problemas Teórico- Metodológicos. In: Anais do IV Seminário Nacional de História da Matemática. Rio Claro: Ed. da SBHMat, 2001.

____________. A elaboração de uma nova vulgata para a modernização do ensino de matemática: aprendendo com a história da educação matemática no Brasil. In: Bolema, Ano 15, n. 17, 2002, p. 40 – 51.

____________. Euclides Roxo e o movimento de modernização internacional do ensino de matemática escolar. In: Euclides Roxo e a modernização do ensino

da Matemática no Brasil. São Paulo: SBEM, 2003, p. 46 – 85.