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2. BIÇIMLENDIRICI DEĞERLENDIRMEDE KULLANILABILEN ARAÇ VE TEKNIKLER

2.8. Öz, akran ve grup değerlendirme

2.8.1. Öz değerlendirme

O primeiro ímpeto de um jurista ao se deparar com um problema é cogitar a criação de uma lei para resolvê-lo. Assim é que, frente a diversas denúncias de corrupção contra membros do governo, em 2012, o Senador Sérgio Souza (PMDB-PR) propôs a alteração da LDB para incluir em caráter obrigatório as disciplinas “Ética e Cidadania Moral” no ensino fundamental e “Ética Social e Política” no ensino médio87. Em 14 de novembro de 2012, o projeto foi aprovado pelo Senado e aguarda votação na Câmara dos Deputados.

Na exposição de motivos do projeto, há menção a levantamento feito pelo Fórum Econômico Mundial, o qual coloca o Brasil no 50º lugar, de 60, em termos de corrupção e em 55º posição, quando o assunto é ineficiência da justiça.

Ainda na exposição de motivos, pode-se encontrar uma referência ao conteúdo das disciplinas criadas:

[...] por um lado, pela formação moral, ensinando conceitos que se fundamentam na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos; por outro lado, pela formação ética, ensinando conceitos que se fundamentam no exame dos hábitos de viver e do modo adequado da conduta em comunidade, solidificando a formação do caráter; e finalmente para sedimentar o exercício de uma visão crítica dos fatos sociais e políticos que figuram, conjunturalmente, na pauta prioritária da opinião pública, oferecendo aos jovens os primeiros contatos com as noções de democracia, sem caráter ideológico, ensinando- o a construir seu pensamento político por sua própria consciência

A intenção do legislador é louvável. No entanto, tudo o que faz é tentar criar disciplina autônoma para trabalhar conteúdo já discriminado na LDB, conforme artigo 35, inciso III.

Ademais, diversos especialistas, inclusive, representantes do MEC, se manifestaram em oposição à proposta. A relatora das diretrizes curriculares no Conselho

86 RIBEIRO, Welves Konder Almeida. Eficácia dos mandamentos constitucionais para a formação da

cidadania. Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/eficacia-dos-mandamentos-constitucionais-para- a-formacao-da-cidadania/104443/> Acesso em: 25 mai. 2013

87BRASIL, SENADO. Projeto de Lei nº 02/2012 Disponível em:

Nacional de Educação, Regina de Assis, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante e a Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Maria Nilene Badeca da Costa, concordam que a inclusão de mais uma disciplina, promoverá um inchaço no currículo do Ensino Básico. Eles reconhecem a importância do conteúdo, mas argumentam que a grade de horário já está saturada e que o acréscimo dessas novas matérias prejudicará o estudo de outros temas essenciais, como português e matemática. Não obstante, afirmam que o estudo da ética já é contemplado em outras disciplinas, sendo desnecessário separar uma disciplina só para isso.88

Apesar desses argumentos, o MEC não disponibiliza uma grade curricular rígida, ou um programa disciplinar objetivo, com a discriminação da carga horária que cada assunto deve ter ao longo do ano. Sequer é discriminada a carga horária mínima das disciplinas. Ou seja, embora a lei determine que seja estipulada uma base nacional comum para os currículos escolares, o MEC só disponibiliza os chamados Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Básica (DCN), que tem caráter genérico e não vinculante. As instituições escolares são livres para definir seus próprios currículos, ressalvadas as determinações legais. Portanto, o argumento de inchaço do currículo escolar se esvazia, pois não há uma previsão sequer superficial da quantidade de horas/aula que cada tema consome, logo não é possível dizer quantos assuntos podem ser vistos por ano.

Muitos currículos escolares ainda reservam carga horária para estudos religiosos, que, apesar de ter amparo legal, assume cada vez mais uma natureza extracurricular na dinâmica moderna. Parece incoerente que os especialistas manifestem tanta resistência à criação de uma disciplina voltada ao estudo da ética racional e das regras de convivência social, mas não abram mão dos estudos voltados ao desenvolvimento de uma moral religiosa.

Ademais, diversas horas de estudo são dispensadas a conteúdos de utilidade questionável para a vida futura dos cidadãos. Por exemplo, alguns alunos aprendem isomeria, física moderna, nomenclatura de compostos orgânicos, matemática analítica ou desenvolvimento embrionário de cnidários, mas nunca vêem isso, depois, no dia a dia, sendo certo que algumas dessas matérias seriam convenientemente estudadas no ensino superior por quem pretende se especializar no assunto. No entanto, independente de ser químico, cientista nuclear, biólogo ou advogado, todos são ou serão cidadãos, consumidores e trabalhadores,

88O GLOBO. Educadores criticam inclusão de ética e cidadania no currículo. Disponível em:

<http://oglobo.globo.com/educacao/educadores-criticam-inclusao-de-etica-cidadania-no-curriculo-6991486> Acesso em: 24/11/2013.

estando sujeitos à legislação pertinente. Por tanto, o estudo técnico específico não deveria preceder à formação social dos indivíduos.

De fato, porém, os outros argumentos arguidos pelos especialistas mencionados, parecem congruentes. A definição dos currículos deveria ser deixada a cargo de órgãos técnicos, especializados, aptos a definir as matérias indispensáveis à formação do cidadão brasileiro, e não a cargo de parlamentares. Os conteúdos em tela não precisam ser vistos em disciplina específica, podendo ser contemplados em história e geografia, por exemplo, ou mesmo, em disciplinas intituladas de formação humana, preparo para a vida, atualidades ou similares, o importante é a medida trazida pelo legislador não foi inovadora de todo, o conteúdo da disciplina nova já estava previsto na LDB, nos parâmetro e nas diretrizes curriculares nacionais. Como se vê:

6. Ética

A formação ética pressupõe a capacidade de as pessoas pensarem criticamente o mundo e atribuírem sentido às mudanças. Algumas sugestões que ativam a formação de valores éticos:

• apresentar aos alunos situações-problema que os levem a, num deslocamento de posições, sentir-se na pele do outro pode aprofundar e fundamentar valores como a ajuda mútua, a tolerância, o respeito, a confiança, a justiça e outros tantos;

• simulações de tribunais, júris e eleições, debates regrados, mesas-redondas são procedimentos que propiciam o exercício da ética.

7. Cidadania

A perspectiva que se defende é que a sociedade civil, ao lado do Estado, também se responsabilize pela garantia dos direitos à educação, saúde, trabalho, lazer, segurança, entre tantos outros. Por isso, cabe à escola incentivar nos alunos uma atitude vigilante e crítica diante dos diversos contextos, como forma de exercitar a cidadania. Projetos em que os alunos atuem, internamente, em prol da escola ou, fora dela, a favor da comunidade são formas concretas desse exercício. Para tanto, os alunos precisam conhecer seus direitos e se conscientizar de seus deveres, seja como alunos, seja como cidadãos.89

A cizânia parece ter origem na ausência de programa disciplinar detalhado aprovado pelo MEC para o ensino médio. A lacuna de uma indicação técnica amplamente acessível, concatenada, do que seja considerado pelo poder público indispensável para a formação do cidadão dificulta a discussão pelos interessados acerca da conveniência de um ou outro conteúdo, por isso, à primeira vista, acredita-se na oportuna inclusão legislativa para solucionar a questão.

Urge descobrir, na verdade, se a matéria, já discriminada pela LDB, está sendo vista ou não. Em caso negativo, o porquê e como consertar essa falha.