• Sonuç bulunamadı

Tanto pelo crescimento populacional, quanto pela alta densidade de ocupação, e ainda pela sofisticação de seus hábitos, as sociedades modernas têm produzido resíduos em grande quantidade. Tal situação torna impossível aos sistemas naturais transformar pela compostagem natural, esses “refugos da civilização", na velocidade necessária, sem comprometê-los (SCARLATO; PONTIN, 1992). O que ocorre, então, é que muitos países, não dispondo mais de espaços para colocar tantos resíduos descartadospelosistemade produçãoepeloconsumo exagerado, passam a destiná-los para outros países vizinhos, os mais pobres, ameaçando a saúde e o bem-estar de sociedades excluídas do sistema de produção e consumo.

As áreas usadas para se colocarem os resíduos produzidos vêm se tornando cada dia mais escassos, ou já se esgotaram em todo o mundo, como argumenta Berríos (1993). No caso do Brasil, essa realidade é complexa e necessita de atenção urgente, em função do descaso dos administradores públicos para solucionar o problema dos resíduos.

O consumo, a urbanização e a expansão urbana são assuntos que têm chamado atenção de muitos estudiosos e cientistas. Tal preocupação faz sentido quando se considera que, a partir da metade do século XX, o número de habitantes em áreas urbanas triplicou e, decorrente disso, muitos são os problemas urbanos.

A concentração de pessoas vivendo nas áreas urbanas provoca a expansão das cidades. No Brasil, a expansão acontece sem planejamento adequado, e a ocupação de áreas de riscos, sem serviços básicos, desencadeia problemas de habitação, saúde, alimentação, transporte, degradação do meio ambiente, entre outros. Por tudo isso, e porque o homem começa a entender a relação intrínseca entre resíduos-saúde-ambiente, a problemática dos resíduos sólidos tem entrado na pauta das discussões.

O assunto resíduo sólido, atualmente, pauta na política nacional, é tema de

ConferênciasNacionaisdoMeioAmbiente. Sua discussão se dá entre as esferas de governo, em nível federal, estadual e municipal, de forma participativa, com o objetivode construir políticas que retratem a realidade local e que aponte alternativas de soluções viáveis do ponto vista ambiental, econômico e social.

Paraseentenderoquesãoresíduos sólidos, faz-se necessário compreender seu conceito com foco na Lei n. 12.305/2010. Essa lei define resíduo sólido como material, substância, objeto ou bens descartado, resultante de atividade humana em sociedade,bemcomogases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgoto ou em corpos d’água, ou exijam, para isso, soluções técnicas ou economicamente viáveis, em face da melhor tecnologia.

Muitos estudiosos têm se preocupado em discutir os resíduos sólidos. Alguns os conceituam como materiais heterogêneos (inertes, minerais e orgânicos), resultantes das variadas atividades humanas e da natureza, os quais podem ser quase que totalmente processados e utilizados, gerando, entre outros benefícios, proteção à saúde pública e economia de recursos. Pode haver ainda melhorias no âmbito social, educacional e cultural, a partir de mudanças de hábitos. Porém,

quando os resíduos sólidos não são manejados de forma adequada, constituem também problemas, ambiental, social, econômico e estético. Nesse sentido, é de suma importância que seja dado a melhor destinação aos resíduos e disposição final aos rejeitos, tanto por parte dos gestores públicos como por parte do cidadão, no exercício de sua cidadania.

A geração dos resíduos sólidos urbanos é influenciada por diversos fatores, como: produção, consumo, população, tipos de produção, hábitos e costumes da população, nível educacional, condições climáticas, poder aquisitivo entre outros.

A responsabilidade pela gestão e gerenciamento desses resíduos deve ser de forma compartilhada entre os diversos segmentos da sociedade público, privado e a sociedade civil (Quadro 2).

Quadro 2 – Classificação dos resíduos sólidos quanto à origem e periculosidade

Tipos de resíduos/origem Atividades

Resíduos domiciliares Domésticas em residências urbanas

Resíduos de limpeza urbana Varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana

Resíduos sólidos urbanos Resíduos domiciliares Resíduos de limpeza urbana Resíduos de

estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços

Comerciais; prestadores de serviços; resíduos sólidos urbanos; resíduos de serviços púbicos de saneamento básicos; resíduos de serviços de saúde; resíduos da construção civil; resíduos de serviços de transportes. Resíduos dos serviços públicos

de saneamento básico Serviços de saneamento básico e resíduos sólidos urbanos Resíduos industriais Gerados nos processos produtivos e instalações industriais; Resíduos de serviços de

saúde Gerados nos serviços de saúde, conforme regulamento ou normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS. Resíduos da construção civil Gerados nas construções, reformas, reparos e demolições

de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis. Resíduos agrossilvopastoris: Gerados nas atividades agropecuárias e silviculturais, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades.

Resíduos de serviços de

transportes Originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira. Resíduos de mineração Gerados na atividade de pesquisa, extração ou

beneficiamento de minérios. Tipos de resíduos

/periculosidade Atividades

Resíduos perigosos características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade,

teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica.

Resíduos não perigosos Todos os tipos de resíduos, exceto os resíduos perigosos. Fonte: Elaborado pela autora com base nas informações da Lei 12.305/2010.

Nessa perspectiva, o presente estudo pretende abordar, entre os vários tipos de resíduos, os urbanos que compreendem os resíduos domiciliares e os resíduos de limpeza urbana, os quais são gerados pelas seguintes atividades: domésticasem residências urbanos, varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana. Justifica-se assim, sua relevância para a temática: coleta seletiva como instrumento propulsor para o aterro sanitário consorciado, considerando que os resíduos que devem ser dispostos em aterros sanitários, são apenas os rejeitos. Nesse sentido os resíduos deveriam ter outras destinações,utilizandotecnologiasapropriadas,possibilitandoassim a inclusão social nos territórios urbanos.

Ressalta-se que os demais tipos de resíduos que não fazem parte dessa pesquisa, muitos podem ser selecionados de forma adequada para serem tratados e destinados a outros usos. Destacam-se, ainda, no processo de gestão e manejo dos resíduos o critério da responsabilidade do poder público, a estruturação do sistema de coleta coletiva de forma compartilhada e com participação da comunidade, questões de suma importância na discussão da pesquisa.

Considerando os dados da Associação de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE, 2011), a geração de resíduos sólidos no Brasil continua crescente por décadas. Em 2010, a sociedade produzia 60.868.080 toneladas e em 2011 passou para 61.936.368 toneladas. O crescimento, no intervalo de 2010 a 2011, foi de 1,8%, superior ao crescimento populacional urbano, que foi de 0,9%, no mesmo período (IBGE, 2010).

Ograndeproblema dos resíduos gerados no Brasil ainda são as deficiências e/ou ausência de sistemas de gestão e o gerenciamento, problemas já solucionados emalguns países, como a Suécia, que conseguiu em 10 anos (2000 a 2010) diminuir de 23% para 1%, a quantidade de resíduos destinada a aterros sanitários (FLYHAMMAR, 2011). Enquanto na Suécia o gerenciamento busca os meios para diminuir os espaços ocupados com os resíduos produzidos, o Brasil ainda busca gerenciar os resíduos, dispondo-os em aterros sanitários.

A coleta de resíduos sólidos urbanos no Brasil, no ano de 2010, foi de 54.157.896 toneladas, um crescimento de 7,7% em relação ao ano anterior, que foi de 50.258.208 toneladas (ABRELPE, 2010). Grande parte desses resíduos ainda tem como destino final os lixões a céu aberto.

dos resíduos sólidos no país tinham como destinação final os vazadouros a céu aberto (lixões). Apenas 22,9% dos resíduos eram confinados adequadamente em aterros sanitários ou tratados em usinas de compostagem e/ou de reciclagem, sendo a grande maioria localizada nos municípios das Regiões Sudeste e Sul do Brasil, as mais desenvolvidas em termos socioeconômicos (BERRÍOS, 2007).

A superfície da Terra continua sendo a mesma, bem como é igual à disponibilidade de água, da massa atmosférica e dos recursos naturais. Os sistemas naturais são forçados a realizar uma dupla função: a de fornecer constantemente mais matérias-primas e, ao mesmo tempo, devem receber todos os restos dos processos da produção dos três setores da economia (BERRÍOS, 2007, p. 85).

Dispor os resíduos em lixões, nas cidades brasileiras, varia de região para região. As regiões mais desenvolvidas dispõem de aterros sanitários, enquanto na região Nordeste 89,3% e na região Norte 85,5% dos resíduos gerados vão para os lixões (IBGE, 2010). Quando uma área satura, buscam-se outras novas, e assim continuam numa incessante contaminação do solo, das águas superficiais, podendo atécontaminaroslençóisfreáticos,dependendodotipodesoloem que as montanhas de resíduos são depositadas, além de favorecer a formação de nichos ecológicos para espécies patogênicas, uma ameaça à saúde pública.

A falta de efetivação das políticas públicas que priorize o cuidado com os destinos dados aos resíduos gerados nas cidades e a falta de consciência cidadã de muitos munícipes, que não cobram direitos e muito menos exercem seus deveres, tornam permissível o descaso com o destino adequado dos resíduos.

Sendo assim, é necessário, portanto, que se exija dos gestores públicos medidasefetivasquantoàgestãodosresíduosequehajaplanejamento,estruturação, acompanhamento, fiscalização e avaliação do processo, garantindo assim um gerenciamento integrado e compartilhado, que minimize os custos e os impactos socioeconômicos e ambientais.

1.3 Expansão urbana e os impactos ambientais nas cidades do consórcio dos