IV- Sosyalleúme Uygulamaları: Sosyalleúme perspektiflerinden dördüncü konu, sosyalleúme uygulamalarını ilgilendirir ve yeni üyeler üzerinde etkilidir
2.2.6. Örgütsel Sosyalleúme Stratejileri
A literatura e outras fontes de consulta foram importantes para tal intento de compreensão do fenômeno estudado, contribuindo para a produção de compreensões que se consolidaram no convívio com os/as participantes. O pesquisador, em contato com a literatura na área, pôde se preparar e obter conhecimentos que foram compartilhados e criticados junto com os/as participantes, que também fizeram sugestões de leituras. Os textos sugeridos e a convivência permitiram estabelecer pontes entre o escrito e o vivido, no contexto em que a pesquisa se deu.
Além da análise da literatura, durante a exploração de campo, diversas atividades foram realizadas, entre 2005 e 2007, com o objetivo de divulgar e discutir com outras pessoas as noções iniciais que orientavam o pesquisador. Por meio de conversas, entrevistas e palestras, foi possível ampliar a visão sobre as relações entre ensino de Ciências e a educação das relações étnico-raciais. Nessa exploração foram vividas experiências ricas que contribuíram, juntamente com a literatura, na coleta e analise dos dados.
A partir de meados de 2005, o pesquisador conversou informalmente e entrevistou professores/as de Ciências e Biologia13, tendo em vista o objetivo de compreender suas visões acerca da possibilidade de ensinar Ciências para combater o racismo e valorizar a diversidade étnico-racial. As entrevistas realizadas foram ricas e contribuíram para as definições tomadas antes do início efetivo do contato entre pesquisador e participantes de pesquisa. Um dos temas que chamou a atenção, após as entrevistas realizadas, foi a existência de uma maioria absoluta de docentes que nunca haviam pensado sobre a questão levantada. Ao mesmo tempo, há entrevistados/as que já tinham refletido sobre tal temática e, inclusive, realizado atividades de combate ao racismo em sala de aula. Dentre os/as docentes que disseram não haver pensado sobre o tema, foram muito interessantes os relatos da entrevista de uma professora, negra, de Biologia no Ensino Superior. Nessa entrevista, diferentemente das entrevistas a docentes que se identificavam como brancos/as, foi possível discutir detidamente a questão da discriminação racial, sofrida pela docente enquanto aluna em curso de
13 Foram entrevistados três docentes de Ciências no ensino fundamental ciclo 2, um de Biologia em um
curso preparatório para o vestibular e uma docente coordenadora de um curso de licenciatura em Ciências Biológicas. Ver questões orientadoras (Anexo 07)
58 graduação em Ciências Biológicas e como profissional da área de educação. Nesse contexto, ficou clara a necessidade de prestar atenção especial às experiências pessoais dos/as participantes da pesquisa, principalmente aquelas relativas às relações étnico- raciais e ao pertencimento étnico-racial. As reflexões e análises oriundas dessa entrevista também contribuíram para a decisão de dedicar mais tempo à procura de informantes negros/as e reforçou a decisão de, nos Estados Unidos, coletar dados de pesquisa junto às “black schools”.
Na mesma época mencionada, foram também realizadas conversas com docentes de diversas áreas, participantes de cursos de formação continuada em que o pesquisador atuava como formador no “Programa São Paulo: Educando pela diferença
para a igualdade”14. Devido à experiência em tal programa, o pesquisador entrou em
contato com centenas de docentes, muitos dos quais compartilharam suas experiências e contribuíram analisando e criticando o projeto de pesquisa. As conversas foram essenciais para que o pesquisador pudesse ampliar seu conhecimento sobre o tema da investigação, como bem aponta Oliveira (2003). Essa pesquisadora explica que a partir das conversas se pôde:
“(...) obter informações preciosas que auxiliaram, posteriormente, na construção do roteiro de entrevistas, na seleção das observações a serem realizadas, das reuniões e participar e visitas a fazer” (op. cit., p. 18).
Também foi importante a experiência na área de formação de professores/as, assim como a aquisição de conhecimentos na área de história e cultura africana e afro- brasileira. Dessa forma, a preparação adquirida no contexto do referido Programa, foram fundamentais para as intervenções de pesquisa realizadas tanto no Brasil quanto nos EUA. No caso do Brasil, ter participado no Programa foi central para que o planejamento e execução da intervenção de pesquisa fossem de melhor qualidade. No caso dos EUA, devido aos conhecimentos adquiridos na referida experiência, o pesquisador pode compartilhar dados sobre as relações étnico-raciais no Brasil e sobre a cultura afro-brasileira. Esses conhecimentos foram chave para despertar o interesse de educadores/as estadunidenses, facilitando muito o processo de aproximação.
Como mencionado, foram também promovidas palestras junto a estudantes do curso de graduação em Ciências Biológicas da UFSCar, docentes de um projeto
14 Programa de capacitação de docentes de Educação Básica que visou o combate ao racismo e à
discriminação na sala de aula, promovido pelo governo do Estado de São Paulo em parceria com o NEAB-UFSCar entre os anos 2004 e 2006, ver Apresentação.
59 educativo, a ONG Fonte, e realizadas apresentações sobre a pesquisa em eventos científicos. Todas essas atividades contribuíram para aprofundar a reflexão sobre a problemática estudada na pesquisa. Esses eventos contribuíram, principalmente, para identificar o interesse, por parte de docentes e estudantes universitários de carreiras das Ciências Naturais, em promover combate ao racismo por meio do ensino de Ciências.
Nas atividades mencionadas, foi possível avaliar criticamente a viabilidade da realização da intervenção planejada, o processo formativo dirigido a docentes de Ciências. Frente ao interesse que tal discussão suscitou entre professores/as e estudantes de cursos de formação inicial na área de Ciências Naturais, iniciou-se o contato com os/as sujeitos que se tornariam participantes do estudo, processo descrito mais adiante. Cabe destacar aqui que foram feitas uma série de tentativas para estabelecer contato com professores/as da disciplina Ciências Naturais interessados/as em participar do processo formativo. Conversando com professores/as, inclusive de outras áreas que não a das Ciências Naturais, procurou-se averiguar as melhores condições para realizar tanto a aproximação quanto a intervenção. Dentre as várias sugestões explicitadas, a mais recorrente foi a necessidade de entrar em contato com as secretarias municipal e estadual de ensino. No mesmo contexto, foi destacada a importância de, para viabilizar a intervenção planejada, realizar um curso de extensão formalizado e devidamente registrado na Pró-Reitoria de Extensão da UFSCar. Ambas as sugestões foram acatadas.
Ao final dessa fase exploratória, foi possível sistematizar um conjunto inicial de idéias, informações, textos e outros materiais que foi a base com a qual se iniciou o processo de formação desenvolvido no Brasil, em que grande parte da coleta de dados foi desenvolvida.
PARTICIPANTES
São participantes sistemáticas da pesquisa no Brasil cinco professoras do ensino fundamental, todas do 3º e 4º Ciclos, 6ª a 9ª séries, da rede pública de São Carlos, SP. Dessas cinco docentes, três ministram a disciplina Ciências Naturais, Anita, docente da rede municipal de educação, Renilda e Vanda, docentes da rede estadual. As outras duas participantes ministram disciplinas de outras áreas. Isolda é professora de Português e Samira de História, sendo que ambas são docentes da rede municipal. Renilda e Vanda, no momento da pesquisa, trabalhavam na mesma escola, assim como Anita e Samira. As professoras são mulheres que se declaram brancas, entre 32 e 58 anos e com experiência na área de ensino que varia entre 08 anos, Anita, e 25, Samira. As docentes
60 participaram integralmente do curso de formação continuada ministrado pelo pesquisador/formador e contribuíram ativamente para a realização da pesquisa aqui descrita.
É importante ressaltar que não houve a participação de docentes negros/as na pesquisa devido à impossibilidade de encontrá-los em meio a uma ampla rede de contatos estabelecidos para tal fim. Tanto no contato estabelecido nos HTPC quanto em visitas a algumas escolas e em solicitações a professores/as de várias áreas, não foi possível encontrar docentes negros/as ministrando a disciplina Ciências Naturais na cidade de São Carlos e região. Essa realidade determinou a presença exclusiva de docentes brancas na pesquisa.
A escolha de professoras que ministravam aulas de Ciências Naturais, no ensino fundamental, foi motivada pelo caráter generalista da disciplina, que aborda conhecimentos de distintas áreas das Ciências Naturais, e também pelo grande número de docentes que nela trabalham na rede pública de ensino. Para ministrar essa disciplina é exigido que os/as docentes tenham formação especifica na área de Ciências Naturais, porém essa formação pode se dar em distintas carreiras, como Ciências Biológicas, Física e Química, entre outras áreas afins.
No entanto, no momento do contato direto com professores/as, duas docentes que não eram da área de Ciências solicitaram participar do curso. Elas foram aceitas e a pesquisa contou com docentes de três disciplinas do ensino fundamental, Ciências Naturais, Língua Portuguesa e História. Duas docentes que compareceram ao primeiro encontro desistiram do curso antes da terceira reunião por motivos que serão abordados mais adiante. Dessa forma, não foram consideradas participantes da pesquisa, assim como não foram analisados dados a elas relativos.
Também participaram da pesquisa, durante a realização do mencionado curso, duas estudantes do curso de Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas da UFSCar e um licenciando do curso de Química da mesma Universidade, que atuou como monitor da atividade e contribuiu para a coleta de dados da pesquisa. Ambas as estudantes tinham 22 anos, declaram-se brancas e estavam tendo sua primeira experiência como docentes em uma disciplina da carreira, Prática de Ensino e Estágio Supervisionado em Ciências. O monitor tinha 28 anos no momento da realização do curso e declara-se negro. Os/as estudantes de graduação foram convidados a participar do trabalho devido ao interesse manifestado por eles/as em situações anteriores ao início do curso de extensão. No contexto do curso foram produzidos registros de falas e de
61 atividades realizadas por esses/as estudantes, porém o pesquisador decidiu não incluir tais dados nesta pesquisa. Essa decisão foi tomada frente ao grande volume de dados coletados e tendo por base o foco da pesquisa, de estabelecer diálogo entre as experiências de professoras brasileiras e professores/as estadunidenses. Os dados relativos aos/às estudantes foram sistematizados e serão utilizados na produção de trabalhos posteriores. Cabe mencionar que as interações entre os/as estudantes e as professoras são mencionadas nesta tese e algumas considerações acerca delas são tecidas no Capítulo 04.
São participantes15 da pesquisa nos Estados Unidos nove educadores/as, que exercem a função de docente, porém, há alguns que também exercem outras funções, como a de direção e coordenação nas escolas. Sendo assim, optou-se por apresentar os/as participantes em função da escola em que trabalham.
Cinco dos/as participantes trabalham em escolas afro-centradas:
- Coffie, professor das séries iniciais do ensino fundamental e Tambuzi, diretora da EACP-DC;
- Bakari, diretor e professor da área de Ciências humanas da EAC-NJ;
- Adimu, diretor da escola e professor da área de Ciências Humanas, e Tisha, professora de Ciências da EAC-DC;
- Os/as participantes da escola pública não afro-centrada, EPN-NY, são Rahima, coordenadora da área de Ciências e professora de Biologia no ensino médio, e Gabinda, Dahoma e Bahati, professores/as de Ciências e Biologia, no ensino fundamental e médio.
Todos/as os/as participantes se auto-identificam como negros/as. O tempo de experiência na docência varia entre os/as docentes, desde 04 anos, Gabinda e Tisha, a mais de 30, Adimu, Tambuzi e Rahima. A origem dos/as participantes também é variada. Daqueles que se manifestaram sobre essa questão, alguns se identificam como African-American, atribuindo sua origem aos Estados Unidos, como Rahima, e, mais especificamente ao sul desse país, como Tambuzi e Adimu. Os/as docentes Gabinda e Dahoma mencionaram serem imigrantes, respectivamente, da Jamaica e Guiana.
15 Os nomes de todos/as os/as envolvidos na pesquisa foram alterados por decisão do pesquisador em
concordância com os/as participantes, a fim de evitar quaisquer problemas e/ou inconvenientes para essas pessoas que possam advir da publicação e divulgação desta pesquisa.
62 Os critérios prévios utilizados para definir os/as participantes foram, basicamente, o trabalho em escolas de maioria negra, a docência em Ciências, com algumas exceções, e a possibilidade e interesse em participar da pesquisa.