Com retornos crescentes à escala geralmente os preços não são tangentes à fronteira de produção. A razão disso é que os produtos marginais dos fatores aumentam com o aumento da produção, quando as fronteiras de produção são das formas representadas na Figura 3, ou permanecem constantes quando as fronteiras de produção são das formas representadas na Figura 4. No caso da Figura 3(a), o produto marginal do fator empregado no setor X é maior que o produto médio do fator, isto é, a quantidade produzida pela última unidade do fator é maior do que o produto médio até àquele nível de utilização do fator. A firma incorrerá em prejuízo se a mesma pagar o valor do produto marginal pela última unidade do fator empregado na produção de X. Com a tecnologia representada na Figura 4(a), se a firma paga o valor do seu produto marginal (que é constante) pela utilização do fator, a firma não cobrirá seus custos fixos. Por isso, retornos crescentes sempre envolvem a situação de competição imperfeita ou de externalidades, pois o equilíbrio na produção preconizado pela igualdade da taxa marginal de transformação com a relação de preços não pode ser alcançado visto que a linha de preço terá que cortar a fronteira de produção7.
Tal situação, conhecida como economias internas às firmas, conduz à condição de competição imperfeita. Este tipo de economias de escala pode ser encontrado em muitas firmas que produzem produtos manufaturados e extraem vantagens da produção em larga escala. Algumas indústrias de extração mineral e algumas indústrias do setor de serviços, como bancos, empresas de seguro e financeiras, também se caracterizam pela presença de economias internas.
7 É possível a ocorrência de economias de escala externas às firmas, que ocorrem ao nível da indústria. Nesse caso, as firmas permanecem pequenas no mercado, sendo possível utilizar a teoria de competição perfeita para analisar tal situação. Tomando-se como exemplo a agricultura, economias de escala ocorrem a um nível de produção bem pequeno, relativamente ao tamanho do mercado. Porém, à medida que o tamanho do setor agrícola se expande, torna-se lucrativo produzir maquinário especializado e fertilizantes, construir estradas e unidades processadoras, conduzir pesquisas em melhoramento vegetal, entre outros. Estas ações conduzem a um aumento de produtividade a custos decrescentes enquanto a indústria como um todo captura economias de escala, apesar de que cada produtor individual produz a retornos constantes e enfrenta preços dados. Portanto, na presença de economias de escala externas às firmas, ao nível da indústria, é possível utilizar a teoria de competição perfeita de forma compatível com a presença de economias de escala.
Na análise de economias internas considere uma firma que precisa incorrer em elevados custos fixos na construção da sua planta industrial ou na aquisição de equipamento para que possa iniciar a produção. Porém, depois de iniciado o processo produtivo, o mesmo dá-se com retornos constantes à escala e com custos marginais constantes. As equações para o custo total e o custo médio dessa firma podem ser representadas pelas equações 7 e 8, abaixo.
X ) CMg ( CF CTx = + x (7) x CMg X / CF CMe= + (8)
onde: CTx é o custo total, CF é o custo fixo, CMgx é o custo marginal, X é a
produção. Na representação gráfica, o custo marginal é constante e o custo médio decresce à medida que o custo fixo é diluído para quantidades cada vez maiores de produção. O custo médio se aproxima do custo marginal, mas nunca o iguala (Figura 5). Nessa situação, não é possível um equilíbrio competitivo, onde o preço do produto se iguala ao custo marginal.
Supondo um preço de mercado dado pelo nível pc igual ao custo
marginal, a firma icorrerá em prejuízo para qualquer nível de produção, pois o custo marginal será sempre menor que o custo médio (CMe > CMg = pc). Dessa
forma, os preços não podem se igualar ao custo marginal no equilíbrio. Considerando o nível de produção indicado por Xc, onde a demanda corta a
curva de custo marginal, a firma apresenta lucros negativos no nível indicado pela área hachureada, o que demonstra a inconsistência da competição perfeita e do equilíbrio competitivo na presença de economias internas.
Supondo, agora, que o preço corrente excede o custo marginal e que a firma acredita que possa vender quanto ela quiser a este preço, cada firma será tentada a produzir uma quantidade infinitamente grande do produto, pois em algum ponto o custo médio será menor em relação ao preço e continuará decrescendo a partir desse ponto. Nessa situação também não é possível existir um equilíbrio de mercado, já que todas as firmas tendem a produzir uma quantidade infinita de produto.
Fonte: MARKUSEN et al. (1995)
Figura 5 - Economias de escala e competição imperfeita
Uma possível solução para este problema refere-se ao caso de uma grande firma monopolista, com alguma forma de impedir a entrada de outras firmas. Tem-se então a situação padrão de monopólio, representada na Figura 5, onde RM é a curva de receita marginal, determinada a partir da curva de demanda. Nessa situação, o preço de monopólio é pm e a quantidade produzida é
Xm, obtidos a partir da equalização de RM e CMg. O lucro do monopólio será
determinado pela área (pm – CMem)Xm.
De forma alternativa, pode-se considerar a livre entrada de firmas até a curva de demanda para cada firma ser deslocada para a esquerda, tangenciando a curva de custo médio em algum ponto. Para qualquer equilíbrio possível nesse caso, a situação de preços maiores que custo marginal continua existindo.
O Xm Xc X D RM CMg pc CMec CMem pm p Custo CMe