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BÖLÜM 2: ÖRGÜTSEL BAĞLILIK KAVRAMI

2.2. Örgütsel Bağlılık Yaklaşımları

Observando o apêndice A, localizamos a transcrição dos excertos dos resumos das 321 dissertações de mestrado localizadas por meio da busca on-line. O levantamento desses resumos permitiu os mapeamentos e as reflexões que foram apresentados no capítulo 1 desta tese. Contudo, a necessidade de aprofundar as análises do material coletado implicou a composição de um corpus que viabilizasse a leitura integral das dissertações.

Para a elaboração desse corpus, foram estabelecidos os critérios anteriormente relatados. Esta passagem, que redundou na diminuição de todo o material coletado para algumas produções selecionadas para serem focalizadas no restante desta tese, demanda algumas reflexões acerca das distinções entre coleta de dados e composição do corpus.

Para esta reflexão, levamos em conta a dispersão de informações que nos chegam, haja vista, inclusive, o grande número de publicações em ambientes virtuais. Severino (2007, p. 140) destaca esta problemática, conforme segue:

O que se pode pesquisar na Internet? Como se trata de uma enorme rede, com um excessivo volume de informações, sobre todos os domínios e assuntos, é preciso saber garimpar, sobretudo dirigindo-se a endereços certos.

A disponibilização de tantas formas de acesso às informações, potencializada pela Internet, não pode ser desconsiderada por nenhum pesquisador durante a busca de dados a serem pesquisados. Firma-se, então, como conduta necessária contrastar o que seria todo o material pertinente para análise, decorrente, no caso, de sua investigação virtual, e o que foi efetivamente selecionado para constituir o corpus.

Submetendo-nos a esse exercício de reflexão, ponderamos que a coleta de dados, na presente tese, caracterizou-se como o movimento de identificação do conjunto vário de dissertações que, potencialmente, mantinham relações com o foco de reflexão desta pesquisa. Já a composição do corpus delimitou-se pela intervenção intencional na realidade focalizada,

segundo os critérios que foram estabelecidos nesta tese como viáveis para a seleção do material que será analisado nos capítulos que seguem.

A partir disso, interessa-nos ressaltar que os resultados a que chegamos foram aqueles que se destacaram segundo o processo analítico que adotamos, o que não se confunde com qualquer hegemonia interpretativa. O interesse das análises e discussões que defendemos localiza-se, não em uma suposta unicidade interpretativa, mas na representatividade que elas têm da realidade investigada, que foi observada e interpretada pelo prisma dos subsídios metodológicos e conceituais em que a presente pesquisa ancora-se.

Um entendimento como esse, por um lado, impõe que os resultados sejam tratados adequadamente, isso é, como representativos de algumas características do universo que integra, e, por outro lado, reivindica pesquisas posteriores que possam ir, paulatinamente, ampliando a compreensão do cenário pesquisado, considerando, inclusive, a sua relação com outras investigações sobre o mesmo tema ou com abordagens similares. Avaliamos que os objetivos elencados por esta tese podem dar vazão a novas pesquisas, que continuem analisando a produção de pós-graduação sobre ensino de Língua Portuguesa e o que esta produção acaba por reproduzir e também por disseminar.

Vale ressaltar que livros de metodologia científica costumam tratar da relação entre o conjunto total de dados e seus subconjuntos na elaboração de pesquisas científicas. Considerações desse caráter podem ser localizadas em afirmações como “A amostra é uma parcela convenientemente selecionada do universo [...]” (LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A., 2010, p. 147) ou de que:

[...] de acordo com a natureza da pesquisa, devem-se determinar as técnicas que serão empregadas na coleta de dados e na determinação da amostra, que deverá ser representativa e suficiente para apoiar as conclusões. (LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A., 2010, p. 169)

Robert Bogdan e Sari Biklen (1994, p. 207), no livro Investigação qualitativa em

educação, sugerem a importância de se restringir o universo de coleta de dados, diminuindo-o

expressa pelo seguinte aforismo: “Obrigue-se a tomar decisões que estreitem o âmbito do estudo”. Sobre ele, explicam:

[...] na maioria dos estudos, a recolha de dados assemelha-se a um funil. Primeiramente, recolhe os dados de uma forma mais ampla [...] Depois de ter encontrado um assunto para investigar, baseado tanto naquilo que é possível realizar como naquilo que lhe interessa, estreite o âmbito da recolha de dados. (BOGDAN, R.; BIKLEN, S., 1994, p. 207)

Dos trechos citados anteriormente, captam-se as ideias de amostragem e de restrição dos ambientes de coleta de dados. Considerando os distintos vieses de discussão trazidos pelos fragmentos anteriores e sem adentrar em suas especificidades, importa-nos registrar a percepção de que as reduções provocadas pelos dispositivos investigativos abordados nas citações anteriores, obrigatoriamente, reduzem o campo de representatividade dos dados com que se trabalha. Isso significa que quando se trabalha com uma parte dos dados, ela tem valor por representar algumas características do material analisado, o que não legitima enxergar o todo como se ele se limitasse a tal caracterização.

No caso da presente investigação, restringimos nossa coleta de dados ao Banco de Teses da CAPES, no qual buscamos material relacionado ao período estudado. A isso, seguiu- se um novo recorte, desta vez, localizado em especificidades condizentes com o interesse desta pesquisa: analisar unicamente versões eletrônicas de dissertações de mestrado defendidas em IES públicas estaduais ou federais e que focalizassem o Ensino Fundamental da Educação Básica, sem mobilizar dados da Educação Especial. Como terceira e última etapa de estreitamento dos dados a serem considerados, formamos um corpus que resultou da análise da argumentação das dissertações, a partir do referencial da nova retórica.

A abordagem desta distinção entre coleta de dados e composição do corpus, bem como suas implicações, marca a proposta de alinharmo-nos às ideias que capturam as relações entre “fazer científico” e “subjetividade”. Sobre esta questão, é importante retomar o trabalho de Coracini (1991, p. 46), em que a autora defende que o discurso científico constrói, por meio da linguagem, a ilusão de efetiva aproximação da realidade, a fim de convencer os interlocutores daquilo que estão defendendo.

Ao contrário desta aproximação efetiva da realidade, ocorre que as teses enunciadas no trabalho científico são fruto da construção textual-discursiva elaborada a partir de critérios que, ainda que possam ser testados pela avaliação racional, não excluem sua caracterização enquanto concretização de determinadas opções teóricas, conceptuais e metodológicas que determinarão não somente o prisma pelo qual será tratado o tema sob enfoque, mas condicionarão sua própria validade científica, tal como foi concebido por Ferdinand de Saussure no Curso de Linguística Geral (2006, p. 15): “[...] Bem longe de dizer que o objeto precede o ponto de vista, diríamos que é o ponto de vista que cria o objeto [...]”.

A inexistência da total objetividade no discurso científico não implica o seu descrédito enquanto gerador de conhecimentos socialmente válidos, haja vista que, conforme afirma Geraldi (1991, p. 76):

[...] o abandono da ‘ilusão objetivista’ [NÃO] corresponde pura e simplesmente à abertura de um espaço para a ‘ilusão da opinião’: em todas as ciências se constituíram rotinas e métodos de pesquisa que impedem tanto a subjetividade da opinião quanto a influência incontrolada de interesses pessoais. Isto não quer dizer que não seja o interesse que guie a construção do conhecimento. Antes, aponta para a necessidade contínua da avaliação crítica dos padrões que constituíram as condições históricas da objetividade possível em determinado momento.

Considerando as ponderações até aqui expostas, voltamo-nos à configuração do discurso, tal como ele foi materializado no nosso corpus.