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2.3. Örgütsel Adanmışlık 39

2.3.4. Örgütsel Adanmışlık Faktörleri 49

No Brasil, as primeiras instituições de atendimento à criança pequena podem ser localizadas no início da República, com os jardins de infância ou escolas maternais. A primeira escola infantil pública foi criada anexa à Escola Normal do Estado de São Paulo – Jardim da Infância Caetano de Campos, em 1896. Ao setor privado da educação pré-escolar, coube a criação do primeiro jardim de infância do país, no Rio de Janeiro, em 1875 e em São Paulo, em 1877. (KUHLMANN JR., 2010)

Até 1960, não ocorreram ações de ampliação da área de creche desenvolvidas pelo Estado. Ações indiretas governamentais surgiram a partir da década de 1940, com a criação do Departamento Nacional da Criança (DNC), órgão normativo, de funções múltiplas, cuja ideologia, fundada num modelo de instituição de baixo custo, passou a ser direcionada para a elaboração de programas de emergência para atendimento às crianças de dois a seis anos no país. A partir da implantação desse órgão, o Estado passou a atuar indiretamente na área de creche, através da associação com instituições particulares filantrópicas e leigas ou confessionais. Vistas como indispensáveis, um “mal necessário”, às creches cumpria a responsabilidade de contribuir para a diminuição da mortalidade infantil e a prevenção de doenças. As ações públicas ofereciam atendimento a baixo custo, com trabalho voluntário, e tinham como prerrogativa o combate à pobreza. (VIEIRA, 1988, p. 8)

A creche esteve vinculada ao Ministério da Saúde e isso trouxe como consequência um trabalho pautado em propostas mais higienistas do que pedagógicas. Sendo considerada “elemento de puericultura social” por sua natureza, a creche passou a ser objeto da intervenção de médicos puericultores, enfermeiras, assistentes sociais ou irmãs de caridade, que dirigiam as instituições e, atuando com as crianças, as educadoras leigas ou auxiliares, que lidavam com as crianças. As mães e os responsáveis pelas creches passavam por uma formação voltada para os preceitos da puericultura. (VIEIRA, 1988) Nesse sentido, observa-se um modelo de atendimento no qual as pessoas que trabalhavam com as crianças não tinham formação especializada, não eram habilitadas. A creche era compreendida enquanto meio de regulação social, como instituição que deveria trazer proteção e cuidados à criança e constituir-se em apoio à mãe pobre.

No Brasil, o atendimento privado da pré-escola iniciou-se nos jardins de infância e estava pautado por um discurso pedagógico que trazia implícita a diferenciação entre o atendimento que oferecia e o atendimento oferecido na creche. De acordo com Kuhlmann Jr. (2010), nesse tipo de atendimento ficava clara

a utilização do termo‘pedagógico’ como uma estratégia de propaganda

mercadológica para atrair as famílias abastadas, como uma atribuição do jardim de infância para os ricos, que não poderia ser confundido com os asilos e creches para os pobres. (KUHLMANN JR., 2010, p. 81)

Estes jardins de infância e as escolas maternais fundamentavam-se nas idéias e propostas pedagógicas de Friedrich Froebel, influenciados pelo modelo de educação pré-escolar europeu, os chamados Kindergarten (jardins de infância), e utilizados pelas famílias que formavam a elite. A educação pautava-se por forte apelo moral, tendo como foco a noção de que as crianças se tornassem “adultos virtuosos”, sem, no entanto, valer-se da coerção. Às “jardineiras” cabia colocar em prática “suas qualidades maternais” na instituição, desenvolvendo um trabalho que levasse em conta a dimensão educacional e não assistencial. Havia a forte presença da religiosidade na educação. Jogos e brincadeiras faziam parte da rotina, bem como a disciplina, a polidez, a obediência e a preocupação com os bons hábitos. (KUHLMANN JR., 2010, p. 108) Nesse sentido, observa-se que a tendência para o trabalho nos jardins de infância era requerer o professor, contrariamente ao pessoal requisitado para o trabalho na creche.

Os jardins de infância e as escolas maternais (considera-se o pré-escolar) foram criados também pelas políticas em nível federal, através do Departamento Nacional da Criança (DNC), e tinham como objetivo dar continuidade à educação oferecida pela família como uma extensão do lar. Este órgão, em 1967, criou um programa denominado Plano de Assistência ao Pré-escolar, cujas políticas de expansão para atendimento às crianças pré-escolares eram correspondentes às prerrogativas do regime militar vigente na época. Essas ações públicas visavam dar contribuição às instituições filantrópicas através de programas de emergência a baixo custo, incentivando-se a realização de trabalhos de pessoas leigas, voluntárias e mães junto à criança pré-escolar, que eram atendidas com atividades em centros recreativos, instalados em locais disponíveis na própria comunidade. (VIEIRA, 1988)

O desenvolvimento industrial exigiu a mão de obra feminina e trouxe como consequência o surgimento das creches, que deveriam funcionar em horário compatível ao das mães trabalhadoras. (ROSEMBERG, 1989; VIEIRA, 1988)

De acordo com Oliveira (1992), o processo de industrialização no país levou não apenas a mulher ao mercado de trabalho, mas atraiu também imigrantes europeus, que passaram a reivindicar melhores condições de trabalho. Dos movimentos operários, com efeito, surgiram os benefícios sociais concedidos pelos donos das fábricas, que temiam a força dos movimentos operários e buscavam contê-los. Nesse contexto, são criadas

vilas operárias, clubes esportivos e também creches e escolas maternais para os filhos dos operários. O fato dos filhos das operárias estarem sendo atendidos em creches, escolas maternais e jardins de infância, montadas pelas fábricas, passou a ser reconhecido por alguns empresários como vantajoso, pois mais satisfeitas, as mães operárias produziam melhor. (OLIVEIRA, 1992, p. 18)

Observa-se que as demandas e as exigências colocadas para a mulher, exigiram um novo modelo de mulher, provocando um processo de amadurecimento dentro do qual ela se viu diante de novas situações. Em relação às condições das mulheres, Veiga (2004), em estudo realizado sobre a infância e a modernidade, reflete que a construção de imagens de novos homens e de novas mulheres em curso na modernidade envolveu muitas questões. Dentre elas, a autora cita:

O aprimoramento das técnicas de autocontrole e dos instrumentos reguladores das emoções e dos sentimentos que contribuíram para uma distinção cada vez mais sofisticada das esferas públicas e privadas, interferindo na precisão da demarcação dos comportamentos entre homens e mulheres, adultos e crianças. (VEIGA, 2004, p. 58)

Para Rosemberg (1989b), o fato de a mãe trabalhadora ter reivindicado a creche, justificando sua necessidade, trouxe

à creche o caráter de instituição provisória, de emergência ou de substituição, acarretando-lhe uma história cíclica, restringindo-a apenas a uma parte das famílias, dificultando o acúmulo das experiências, tanto a nível de seu funcionamento interno quanto da população usuária. (ROSEMBERG, 1989b, p. 91)

O fato, ainda, de a creche não ter promovido a universalidade da experiência entre os pais contribuiu para reforçar sua “má fama” e se constituiu em reivindicação de apenas parte das famílias, não alcançando legitimidade. Além disso, por ter sido uma instituição que veio atender a uma necessidade circunstancial, acabou não ocupando lugar de destaque nos planos governamentais que atendessem às necessidades da criança. (ROSEMBERG, 1989b, p. 91)