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Nesta seção serão analisadas variáveis que identificam de que forma a população local se insere na atividade turística. As questões abordadas dizem respeito à dependência do turismo, à existência de algum membro da família atuando na atividade turística, à participação em entidades relacionadas ao turismo e a procedência da população que trabalha com o turismo. O gráfico a seguir apresenta esta realidade.

0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% E x tremoz P arnamirim Nís ia F lores ta C eará‐Mirim Á rea de E s tudo

S im Não Não R es pondeu

Gráfico 15 – Dependência do residente em relação ao turismo para sobreviver Fonte: Pesquisa de Campo, Março/2008.

A opinião predominante da população da área de estudo é que as famílias não dependem do turismo para sobreviver (60,8%), e esta opinião foi predominante em todos os municípios pesquisados.

pesquisadas fazem parte do contexto turístico e este é tido como a principal fonte de riquezas, segundo os governantes das esferas municipal e estadual, há que se questionar o porquê de mais de 60% dos entrevistados não depender da atividade turística para sobreviver. Isso contradiz a lógica dos discursos oficiais dos governos que afirmam que o turismo “gera emprego e renda”, que distribui riquezas, que estimula a inclusão social e que é a principal atividade econômica do Estado do Rio Grande do Norte, deixando para trás a carcinicultura e a indústria do petróleo.

Portanto, ocorre uma distância muito expressiva entre os discursos dos governos e a realidade encontrada nas localidades que passam ou passaram por um forte e intenso processo de transformação de suas atividades tradicionais. E que sofrem com a agressividade da especulação imobiliária, verdadeira “recolonização” dos espaços litorâneos por grandes corporações internacionais, ou de capital nacional do sul do país.

Esta “recolonização” traz de forma explícita o discurso do desenvolvimento, do progresso, do crescimento econômico e da melhoria da qualidade de vida. Esse processo tem como principal pano de fundo o fenômeno turístico e todas as suas implicações sociais, políticas, ecológicas, culturais e econômicas. Nesse cenário, o turismo sofre efeitos de miscigenação que se materializa por meio de elementos de “salvação econômica” e da inclusão social, contrapondo-se aos elementos da segregação socioespacial, da concentração de riquezas e profundos efeitos indesejáveis provocados pelo turismo, sobretudo, pelo modelo de desenvolvimento hegemônico vigente.

Tabela 08

Extremoz, Parnamirim, Nísia Floresta e Ceará-Mirim

Inserção de membros da família através do trabalho na atividade turística R es pos ta E x tremoz P arnamirim Nís ia F lores ta C eará‐Mirim Área de E s tudo

S im 48,40% 54,50% 66,70% 35,30% 52,00%

Não 51,60% 45,50% 33,30% 64,70% 48,00%

T otal 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00%

Fonte: Pesquisa de Campo, Março/2008.

Quando questionados sobre se algum membro da família trabalhava na atividade turística, 52,0% dos entrevistados da área de estudo responderam “sim”.

Esta maioria também foi verificada em Parnamirim (54,5%) e Nísia Floresta (66,7%). Nos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim o resultado se inverteu, ou seja, a maior parte da população afirmou não possuir membros atuando na atividade turística, 51,6% em Extremoz e 64,7% em Ceará-Mirim.

Embora os resultados percentuais sejam equilibrados no que diz respeito às pessoas que trabalham na atividade turística e que representam as famílias nessa inserção socioeconômica, sabe-se quais são as principais ocupações e rendimentos atribuídos a essas pessoas, o que não proporciona ascensão social nem autonomia cidadã a esses trabalhadores.

0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% E x tremoz P arnamirim Nís ia F lores ta C eará‐Mirim Á rea de E s tudo 1 2 3 4 5 7 8 15

Gráfico 16 – Número membros da família Fonte: Pesquisa de Campo, Março/2008.

Do total de pessoas da área de estudo que afirmaram possuir algum membro da família trabalhando na atividade turística, a metade (50,0%) afirma possuir apenas um membro da família.

Em Ceará-Mirim, a metade dos entrevistados afirmou possuir um membro da família trabalhando com o turismo e outra metade diz que dois membros da família trabalham neste ramo. De um modo geral, os maiores percentuais estão concentrados nas respostas referentes a um ou dois membros da família.

0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00%

P arnamirim

Nís ia F lores ta

C eará‐Mirim

Á rea de E s tudo

E mpregado P res tando s erviços Informalidade Não s e ins ere Gráfico 17 – Forma de inserção na atividade turística da localidade de residência Fonte: Pesquisa de Campo, Março/2008.

Em relação à inserção da população na atividade turística, 50,0% das pessoas que compõe a área de estudo afirma não se inserir nesta atividade. 16,7% se inserem como empregados, 19,6% se dizem atuar prestando serviços e 13,7% afirmam trabalhar através da informalidade.

Os municípios de Extremoz, Parnamirim e Ceará-Mirim acompanham a tendência verificada na área de estudo. Os percentuais mais significativos encontram-se nas respostas “Não se insere”. Em Extremoz, o segundo percentual mais significativo refere-se àqueles que prestam serviço e em Parnamirim e Ceará- Mirim, o segundo percentual mais significativo, refere-se àqueles que se encontram na informalidade. Em Nísia Floresta esta tendência é quebrada, uma vez que o mesmo percentual é verificado nas respostas “Empregado” e “Não se insere”. Os informais se apresentam como minoria neste município.

A informação de que 50% dos entrevistados não se inserem na atividade turística é preocupante, já que o turismo é a principal atividade econômica dos locais pesquisados, segundo os dados do Estado. A não inserção de comunidade em sua plenitude na atividade turística, cerca de 50% da população, é excluída, conforme ilustrado nos dados. Isso legitima que o modelo de desenvolvimento hegemônico é excludente em sua essência, segregador socioespacial e que não contribui para o

fortalecimento da democracia e, tampouco, para a autonomia e organização comunitária em âmbito local.

Portanto, os dados acima revelam uma realidade preocupante e desalentadora em relação à inserção das comunidades na atividade turística, ratificando que o modelo de desenvolvimento do turismo potiguar é, sobretudo, excludente; diferindo, desse modo, dos discursos e documentos oficiais dos governos quando afirmam que o turismo é a atividade econômica que mais gera emprego e renda no Rio Grande do Norte.

0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00% E x tremoz P arnamirim Nís ia F lores ta C eará‐Mirim Á rea de E s tudo S im Não

Gráfico 18 – Membro da família que participa de alguma Associação, Conselho, Cooperativa ou ONG que atua no turismo local

Fonte: Pesquisa de Campo, Março/2008.

Tanto na análise da área de estudo, quanto na análise dos municípios, verifica-se que a maioria dos entrevistados não participou de qualquer tipo de entidade ligada ao turismo ou mesmo possui algum membro da família que participe.

Essa fragilidade no que diz respeito à organização da comunidade por meio de conselhos, cooperativas, associações ou pela não participação em ONG’s ou em outras entidades sociais, desnudam a realidade existente nas localidades turistificadas do litoral potiguar, calcadas na baixa participação popular em instituições que representem os anseios da coletividade, que tenham poder de decisão e que levem à autonomia cidadã e ao fortalecimento da democracia.

residente e fortalecendo os protagonistas sociais do jogo do poder, o Estado e o Capital (corporações, organizações e empreendimentos turísticos).

Tabela 09

Extremoz, Parnamirim, Nísia Floresta e Ceará-Mirim Associações e Cooperativas

R es pos ta E x tremoz P arnamirim Nís ia F lores ta C eará‐Mirim Área de E s tudo

AS DE R N 0,00% 50,00% 0,00% 0,00% 9,09% As s ociação dos barraqueiros 25,00% 0,00% 25,00% 100,00% 27,27% As s ociação Melhor Viver (S aúde) 0,00% 0,00% 50,00% 0,00% 18,18% As s ociação dos Idosos 0,00% 50,00% 0,00% 0,00% 9,09% As s ociação dos moradores de P itangui 25,00% 0,00% 0,00% 0,00% 9,09% C lube de mães 0,00% 0,00% 25,00% 0,00% 9,09% C ooperativa das balsas 25,00% 0,00% 0,00% 0,00% 9,09% C ooperativa dos B ugueiros 25,00% 0,00% 0,00% 0,00% 9,09%

T otal 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00%

Fonte: Pesquisa de Campo, Março/2008.

Do total de pessoas que afirma participar ou possuir algum membro da família que participa de alguma entidade atuante no turismo local, verificou-se que cada município tem destaques diferentes. Em Extremoz, a Associação dos Barraqueiros (25,0%), a Associação dos Moradores de Pitangui (25,0%), a Cooperativa das Balsas (25,0%) e a Cooperativa dos Bugueiros (25,0%) são os destaques. Em Parnamirim, os destaques foram a ASDNER (Associação dos Servidores Federais em Transportes) (50,0%) e a Associação de Idosos (50,0%). Em Nísia Floresta, destacaram-se a Associação Melhor Viver (50,0%), a Associação dos Barraqueiros (25,0%) e o Clube das Mães (25,0%). Em Ceará-Mirim, a Associação dos Barraqueiros foi citada por todos que responderam à questão, embora exista a Associação de Pescadores de Muriú e Jacumã situada na localidade de Muriú, conforme ilustrado na Figura 13.

Figura 13 – Associação dos Pescadores de Muriú e Jacumã, Ceará- Mirim/RN

Fonte: Saulo Gomes, 2008.

0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% E x tremoz P arnamirim Nís ia F lores ta C eará‐Mirim Á rea de E s tudo

L oc alidade Munic ípio

O utros Municípios Não R es pondeu

Gráfico 19 – Procedência da maioria das pessoas que trabalham na atividade turística local Fonte: Pesquisa de Campo, Março/2008.

Em relação à procedência das pessoas que trabalham na atividade turística, verifica-se que a maioria pertence à própria localidade. Em Extremoz, Nísia Floresta e Ceará-Mirim, o segundo percentual mais significativo se concentra na resposta

concentra-se na resposta “outros municípios”.

A procedência das pessoas na inserção da atividade turística em relação aos postos de trabalho traz um dado muito relevante, pois mais de 60% dos entrevistados garantiram que a população residente que trabalha no turismo é proveniente da comunidade. Esse dado seria um forte elemento para a concretização e organização do desenvolvimento com base local nas comunidades pesquisadas, uma vez que esse tipo de desenvolvimento promove a inserção das pessoas no processo de tomadas de decisão e autonomia da comunidade. Porém, conforme discutido anteriormente, a população local é desorganizada sócio-politicamente e refém do modelo de desenvolvimento vigente.