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Dentre as características em A Letra Escarlate que apontam para o caráter histórico de suas linhas, arrolamos algumas delas a fim de justificar as nossas pressuposições, a partir do que Lukács expõe em O Romance Historico. Entre as muitas que encontramos, podemos citar, por exemplo, a presença do caráter popular das personagens no enredo do romance, juntamente com o fato de elas estarem diretamente ligadas à vida do povo.

Quando lemos o texto, percebemos que claramente tanto Ester quanto Dimmesdale faziam parte da vida social de Salem. Um com o dever de propagar a mensagem do evangelho puritano entre as comunidades, por exemplo, e o outro em ser participante, juntamente com os demais moradores, das reuniões que eram ministradas diariamente nas igrejas da região. Com relação ao jovem teólogo, podemos apresentar o fato de que, segundo os moradores de Salem, o reverendo Mestre Dimmesdale havia ficado horrorizado, ao constar-lhe que em meio de sua congregação tivesse surgido tamanho escândalo (HAWTHORNE, 1993, p.54) [‗People say‘. Saind another, ‗that the Reverend Master Dimmesdale, her Godly pastor, takes it very grievously to heart that such a scandal should have come upon his congregation (HAWTHORNE, 1999, p.45)]. Isso demonstra o conhecimento que tinham a seu respeito e o grau de sua popularidade entre os seus concidadãos. Quanto a Ester, os que antes a conheciam

e esperavam contemplá-la velada, entenebrecida por uma nuvem desdita, mas quedaram-se admirados, e estremeceram ao reparar na fulgurância de sua formosura (HAWTHORNE, 1993, p.56) [The Young woman was tal, with a figure of perfect elegance on a large scale (HAWTHORNE, 1999, p.46)]. Da parte de Chillingworth, o traço popular no seu caráter se dava pelo fato de ele ser médico e de prestar sagrado serviço para todos em Salem.

Conheciam-no agora como homem de saber [...] ouviam-no falar de Kenelm Digby, e de outros homens famosos – cujas descobertas científicas eram reputadas por pouco menos que sobrenaturais –, como de seus companheiros ou associados. Mas se tão elevada era sua categoria no mundo da ciência, como viera ali parar? Que podia ele, homem de vastas relações nas grandes cidades, andar esquadrinhando na selva? Em reposta a esta pergunta, formou-se o boato – apesar de absurdo, espalhado por muita gente – de que o céu operara um milagre, transportando um eminente doutor em medicina, desde uma universidade alemã, pelo ar, em corpo e alma, e o colocara à porta do gabinete de estudo de Dimmesdale! (HAWTHORNE, 1993, p.107).

[He was now known to be a man of skill (…) He was heard to speak of Sir Kenelm

Digby and other famous men — whose scientific attainments were esteemed hardly less than supernatural—as having been his correspondents or associates. Why, with such rank in the learned world, had he come hither? What, could he, whose sphere was in great cities, be seeking in the wilderness? In answer to this query, a rumour gained ground—and however absurd, was entertained by some very sensible people—that Heaven had wrought an absolute miracle, by transporting an eminent Doctor of Physic from a German university bodily through the air and setting him

down at the door of Mr. Dimmesdale‘s study! (HAWTHORNE, 1999, p. 107)].

Pode-se ver que o mundo apresentado no romance é consequência das interações entre homens e a unidade do ser social, que, certamente, é o princípio dominante em A Letra Escarlate. É bom perceber que o modo como A letra Escarlate é composta também acende uma poderosa luz em relação ao romance considerado como histórico quando, em seu enredo, as grandes personagens históricas ali presentes – representações políticas e os líderes religiosos da época em especial – são, do ponto de vista da trama naquele contexto, apenas figuras coadjuvantes. Os seus papeis, entretanto, são por demais importantes pois eles posicionam o romance em um quadro historicamente nítido e cristalino.

Tais personagens – também consideradas no romance histórico como secundárias – na concepção de Lukács (2011), ganham destaque exatamente porque não seguimos suas vidas passo a passo, porque vemos delas apenas os momentos em que elas são importantes. Em A Letra Escarlate eles representam os poderes na sociedade de Salem – como o reverendo Wilson58, o governador Bellingham59 e John Winthrop, por exemplo – que ganham destaque

58Segundo Aptheker (1967), John Wilson (1591 – 1667) foi um ministro congregacional que veio para a colônia

porque o olhar do leitor deve seguir os eventos que formam a teia narrativa da obra, a história, isto é, nesse sentido eles fazem com que a prioridade seja dada às tendências sociais do desenvolvimento do lugar em meio à crise histórica local a qual o romance expõe (LUKÁCS, 2011). Senão vejamos a força da presença deles na cena em que Ester é exposta ao público:

mesmo que se tivesse manifestado uma disposição para levar o caso [...] ela teria sido reprimida e sufocada pela solene presença de homens não menos qualificados que o gevernador e muitos de seus conselheiros, um juiz, um general e os ministros do culto da cidade; todos eles se encontravam sentados ou de pé, numa sacada do templo, por cima da plataforma. Quando tais personagens podiam fazer parte de um espetáculo, sem arriscarem a dignidade ou o respeito do cargo e da posição social, isso significava, sem sombra de dúvida, que a imposição de uma sentença legal se revestia de um significado muito sério e de graves consequências (HAWTHORNE, 1993, p.58-59).

[Even had there been a disposition to turn the matter into ridicule, it must have been repressed and overpowered by the solemn presence of men no less dignified than the governor, and several of his counsellors, a judge, a general, and the ministers of the town, all of whom sat or stood in a balcony of the meeting-house, looking down upon the platform. When such personages could constitute a part of the spectacle, without risking the majesty, or reverence of rank and office, it was safely to be inferred that the infliction of a legal sentence would have an earnest and effectual meaning (HAWTHORNE, 1999, p. 50)].

A presença delas é sempre suficiente no enredo do romance e elas agem de modo historicamente grandioso – o que se deve à profundidade de entendimento de Hawthorne a cerca do período histórico em que viveu e do mundo dos seus antepassados. Outro ponto importante a se considerar em A Letra Escarlate é o de que também não há pedestais românticos60 para os seus personagens. Elas são retratadas como pessoas dotadas de virtudes, mas de fraquezas também, de boas e más qualidades. Ester é apresentada no começo do romance como uma ignomínia para todos em Salem por causa de seu erro. Mas, é bem verdade que na medida em que o enredo avança, percebe-se claramente que o caráter de Ester

entretanto, a descrição ali encontrada confere com comentários feitos com Cotton Mather em sua famosa Magnalia Christie daquele mesmo período.

59

Inglês, nascido em Londres, veio para Boston em 1634 e se tornou governador da colônia (Ibid.).

60 Assim como aparece em um quadro de Delacroix (1798 – 1863) – uma mulher, carregando a bandeira tricolor

da Revolução francesa em uma mão e um mosquete com baioneta na outra – representando a Liberdade e guiando o povo por cima de corpos de derrotados. A pintura é talvez a obra mais conhecida de artista, em comemoração à revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X. No momento em que Delacroix pintou o quadro, ele já era o líder reconhecido na escola pintura francesa. Delacroix, que nasceu no período do Iluminismo, foi dando lugar às ideias e estilo do romantismo em suas pinturas. No quadro ele retratou a Liberdade, tanto como figura alegórica de uma deusa como uma mulher do povo. O monte de cadáveres atua como uma espécie de pedestal de onde a Liberdade passa descalça e com os seios nus, aos olhos dos espectadores – que são representações das váriasclasses sociais que haviam se formado na França. Ester seria uma espécie de representante dessa liberdade na América, no sentido em que ela desafia seus concidadãos a, de forma explícita, ter uma postura de enfrentamento em relação aos poderes instituídos em Salem.

é de uma força incomum entre aqueles que moram em Salem e eles começam a reconhecer esse fato, ainda que após anos de enfrentamento.

Ester Prynne não ocupava agora precisamente a mesma posição em que a vimos durante os primeiros anos de sua ignomínia. O tempo seguiu seu curso [...] com a letra escarlate sobre o peito, reluzindo em sua fantasiosa dobradura, tornara-se familiar aos habitantes da cidade (HAWTHORNE, 1993, p.137).

[Hester Prynne did not now occupy precisely the same position in which we beheld her during the earlier periods of her ignominy. Years had come and gone. Pearl was now seven years old. Her mother, with the scarlet letter on her breast, glittering in its fantastic embroidery, had long been a familiar object to the townspeople (HAWTHORNE, 1999, p. 143-144)].

As personagens em A Letra Escarlate vivem plenamente a vida como seres humanos, expostos a ação de todas as suas qualidades, tanto as grandiosas quanto as mesquinhas. A expressão de suas personalidades pode atingir um desdobramento pleno, mas apenas na medida em que essa personalidade está ligada aos grandes eventos da história. No caso pudemos comprovar que Chillingworth sofreu com os indígenas, Pérola sempre viveu afastada de outras crianças – que não queriam com ela conviver – e Dimmesdale, apesar de ser um cidadão tomado por grandes ensinamentos, sofre com sua atitude inesperada.

As principais personagens em um romance histórico, segundo Lukács (2011), também são vistas como partidos, como representantes de uma das muitas classes e camadas em conflito. Nesse ponto, Artur Dimmesdale pode, tranquilamente representar o lado dos puritanos, da religião, da fé, enquanto que Rogério Chillingworth, pode representar a ciência, o lado cético ameaçador do puritanismo. Ester é uma figura do povo e Pérola seria uma personagem que representaria o possível futuro de Salem (HAWTHORNE, 1963). Desse modo, além de cumprir sua função de destaque e coroamento do mundo ficcional, elas também tornam direta ou indiretamente visíveis os traços gerais – progressistas ou não – de toda a sociedade da época. Elas são, de alguma maneira, figuras representativas da universalidade dos personagens no romance.

Hawthorne deixa que as grandes qualidades humanas, assim como os vícios e as limitações de seus heróis, brotem do solo histórico de Salem, claramente configurados nos seus papeis. Os heróis nos familiarizam com as peculiaridades históricas da vida psicológica de sua época, mas não por meio da análise ou da explicação psicológica de seus conteúdos mentais e sim pela ampla figuração de seu ser, historicamente situados e pela demonstração de como as suas ideias, seus sentimentos e seus modos de agir crescem a partir da ideologia local – do seio social de Salem.

O maciço de verdura que se estende diante do cárcere, numa certa manhã de verão, dois séculos atrás pelo menos, era ocupado por um razoável número de habitantes de Boston, todos de olhos cravados na pesada porta de carvalho guarnecida de ferragens. Entre qualquer outra população, ou num período mais recente da história da Nova Inglaterra, a soturna rigidez que petrificava as barbudas fisionomias daquela boa gente auguraria que algum temeroso acontecimento estava presete a rebentar (HAWTHORNE, 1993, p.53).

[The grass-plot before the jail, in Prison Lane, on a certain summer morning, not less than two centuries ago, was occupied by a pretty large number of the inhabitants of Boston, all with their eyes intently fastened on the ironclamped oaken door. Amongst any other population, or at a later period in the history of New England, the grim rigidity that petrified the bearded physiognomies of these good people would have augured some awful business in hand (HAWTHORNE, 1999, p. 43)].

No romance A Letra Escarlate, Hawthorne apresenta a história de Salem através de um momento de crise. Na revivificação do passado como pré-história do presente, na vivificação ficcional daquelas forças históricas – impostas pelo puritanismo –, sociais e humanas que, no longo desenvolvimento da vida, conformaram-na e tornaram-na aquilo que ela é, aquilo que viveram. O grande objetivo ficcional de Hawthorne, ao figurar a crise histórica pela qual Salem passou é, portanto, o de mostrar a grandeza humana que se desnuda em seus representantes significativos a partir da comoção de toda a vida da comunidade, ao mesmo tempo em que expõe as consequências causadas pelos dogmas dos colonizadores daquela região.

Uma das grandes contribuições de Hawthorne surge da forma de como ele não dispensa a grandiosa implacabilidade de Salem para com filhos. O que fica claro é uma interação complexa de circunstâncias históricas em seu processo de formação, em sua interação com homens concretos, que crescem nessas circunstâncias e são influenciados por elas de formas muito diferentes, e que atuam individualmente, de acordo com suas paixões pessoais. Em Salem, as matronas seguem a passos rápidos em direção ao pelourinho a fim de testemunhar tamanho ato de desumano agravo contra uma senhora, por exemplo (HAWTHORNE, 1993). A avidez com que elas se comportam revelam prontamente o incômodo produzido pelas leis em Salem. A pena aplicada em Ester é uma demonstração clara de que a história na Nova Inglaterra estava sendo marcada por equívocos de envergaduras e de repercussões sociais. A intensidade em que vivem prova a tensão existente no cotidiano de seus moradores. Pelo que podemos constatar há em Salem uma espécie de ―crise controlada‖.

É bom registrar que os destinos dos personagens no romance estudado jamais são figurados de modo independente, isolados, mas sempre no contexto de uma crise geral da vida

em comunidade. E o que eles passam, de alguma maneira, deve afetar diretamente toda a comunidade. Pelo que fique claro que, com respeito ao reconhecimento da historicidade de um elemento ficcionalmente representado, torna-se indispensável que o acontecimento – como no caso do adultério na referida obra em estudo – somente seja considerado verdadeiramente histórico quando o mesmo reverbera para além da trajetória individual e familiar da personagem principal – nesse caso, a de Ester. Daí haver um postulado de que deve haver intima ligação entre o destino do protagonista e o da comunidade de que ele faz parte, com todas as amplificações e ramificações possíveis (BASTOS, 2007). A passagem abaixo, por exemplo, pode comprovar tranquilamente a amplificação do fato em toda a comunidade de Salem, nos apresentada logo nas primeiras páginas do romance.

Circunstância digna de nota, na manhã estival em que tem início as nossa história, é que as mulheres, de que havia um número respeitável naquela mó humana, parecia estarem peculiarmente interessadas na pena que se esperava ia ser aplicada, fosse ela qual fosse. As condições sócias da época não se mostravam ainda requintadas ao ponto de se estranhar que dignas matronas, portadoras de saias de balão e ancas postiças, deixando o santuário de suas residências, se aventurassem a passear pelas vias públicas toda a imponência de suas importantes pessoas e furar caminho por entre a compacta multidão, a fim de estacionarem bem perto da plataforma patibular onde teria lugar a execução (HAWTHORNE, 1993, p.54).

[It was a circumstance to be noted on the summer morning when our story begins its course, that the women, of whom there were several in the crowd, appeared to take a peculiar interest in whatever penal infliction might be expected to ensue. The age had not so much refinement, that any sense of impropriety restrained the wearers of petticoat and farthingale from stepping forth into the public ways, and wedging their not unsubstantial persons, if occasion were, into the throng nearest to the scaffold at an execution (HAWTHORNE, 1999, p.44)].

Esse mesmo sentido é reforçado na passagem abaixo:

multidão de homens Barbados, trajando vestes de cor sombria, a cabeça coberta por chapéus cinzentos em forma de canudo, à mistura com mulheres, da quais usavam toucas e outras de cabelos ao léu, se comprimia diante de um edifício de madeira, a porta do qual era feita de pesadas tábuas de carvalho, guarnecidas de pontas de ferro. (HAWTHORNE, 1993, p.51).

[A throng of bearded men, in sad-coloured garments and grey steeple-crowned hats, inter-mixed with women, some wearing hoods, and others bareheaded, was assembled in front of a wooden edifice, the door of which was heavily timbered with oak, and studded with iron spikes HAWTHORNE, 1999, p.41)].

Portanto, o modo como Hawthorne compõe a sua narrativa não significa, de modo algum, que as personagens do contexto histórico, em que ele escreve, sejam simples representantes de correntes e de ideias históricas – e de modo isolado. Como escritor ele

também destaca suas personagens de maneira que traços determinados, peculiares de seus caracteres, são postos em relação muito complexa e viva com o tempo em que eles vivem. Hawthorne os apresenta sempre com a necessidade histórica que liga a sua individualidade particular ao ambiente em que vivem e não descarta o papel que cada um desempenha na história.

As relações complicadas, porém unívocas, entre os representantes das diferentes

classes, entre o ‗alto‘ e o ‗baixo‘ da sociedade, criam uma atmosfera histórica

incomparavelmente autêntica,[...] uma atmosfera com que ele dá vida a determinada época não apenas em seu conteúdo histórico e social, mas também em seus aspectos humanos e emocionais, com aroma e marca especial. (LUKÁCS, 2011, p.67).

Em Hawthorne é fácil notar que a necessidade histórica é sempre um resultado, não um pressuposto. A história por ele repassada é, de modo figurado, a atmosfera trágica do período, e não apenas um objeto das reflexões pessoais de um escritor.

O que temos dito é que, isso não significa que as personagens do enredo do romance não reflitam sobre os seus papéis, objetivos e tarefas. Mas, tais reflexões são de homens ativos, em circunstâncias concretas. A atmosfera da necessidade histórica surge, precisamente dessa dialética muito sutil entre a potência e a impotência de discernimento que surge em circunstâncias históricas concretas. Para fazer com que tempos, há muito desaparecidos, possam ser revividos, Hawthorne teve de retratar de maneira mais ampla possível a correlação entre o homem e seu ambiente social.

A inclusão do elemento dramático no romance, a concentração dos acontecimentos, a grande importância dos diálogos – do conflito imediato entre concepções opostas que se manifestam na conversação –, tem íntima conexão com o empenho em figurar a realidade histórica tal como de fato ocorreu de um modo que seja humanamente autêntico e a torne passível de ser vivenciada pelo leitor de uma época posterior. As passagens abaixo podem ilustrar claramente o que queremos dizer:

A seguir, batendo no ombro de um habitante da cidade que estava perto, dirigiu-se- lheem termos cortes e formais.

- Por favor, caro senhor, quem é aquela mulher? E por que motivo está exposta alí, à pública ignomínia?

- Amigo, deve forçosamente ser estranho nesta região – respondeu o interpelado, fitando curiosamente o seu interlocutor e o selvagem que o acompanhava – de outro modo já teria ouvido falar da Senhora Ester Prynne e de sua má conduta. Não imagina o escândalo que ela provocou na igreja do piedoso Mestre Dimmesdale. - Você fala a verdade – replicou o outro – sou estrangeiro e tenho andado viajando bem contra minha vontade. Dolorosas desventuras tem sobrevindo por mar e terra e, durante longo tempo, estive a ferros entre os pagãos, lá para as banda do sul; e agora

fui aqui trazido por este índio, para me resgatar do cativeiro (HAWTHORNE, 1993, p.62).

[Then touching the shoulder of a townsman who stood near to him, he addressed him in a formal and courteousmanner:

‗I pray you, good Sir,‘ said he, ‗who is this woman? — and wherefore is she here set up to public shame?‘ ‗You must needs be a stranger in this region, friend,‘ answered the townsman, looking curiously at the questioner and his savage companion, ‗else

you would surely have heard of Mistress Hester Prynne and her evil doings. She

hath raised a great scandal, I promise you, in godly Master Dimmesdale‘s church.