TEHDİTLER
3.4.2.3 Önerilerin Geliştirilmes
Maio, 1936
Spengler está morto. E como um falecido marajá que tem o direito de ter todos os seus serventes sepultados junto com ele, esta imponente figura foi seguida na morte, alguns dias depois, por Albers, que era quem cuidava de sua obra na casa editorial Beck. Albers morreu de um modo horrendo. Ele se jogou sob as rodas do trem de Starnberg, e seu corpo ensanguentado foi encontrado nos trilhos, suas pernas seccionadas na altura das coxas. Quanto a Spengler, nosso último encontro se deu há apenas algumas
semanas, na Bayerstrasse, em Munique. Como sempre, ele vestia roupas de tweed caras e, também como sempre, ele tinha a alma pesada e seu tom era raivoso; sua profunda dor e a sede de vingança contra aqueles que o atingiram, emergiram em uma série de prognósticos certeiros. Era de muita valia, para qualquer um, passar algum tempo com ele...
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Eu ainda me lembro de nosso primeiro encontro, quando Albers o trouxe à minha casa. Na pequena carruagem na qual veio da estação, a qual de maneira alguma fora
construída para carregar um peso daqueles, estava sentada aquela figura massiva, que parecia ainda maior em função do diminuto sobretudo que vestia. Em tudo ele passava a ideia de extraordinária solidez e perenidade: a voz de baixo profundo; a jaqueta de tweed, já, naquela época, uma marca quase obrigatória; o apetite à mesa de jantar; e, à noite, o verdadeiramente ciclópico ronco, alto como uma série de serrotes, que
assustava e tirava de seu pacífico repouso os outros hóspedes na minha casa de campo em Chiemgau20.
Naquele tempo ele não fazia realmente muito sucesso, antes que ele realizasse uma mudança de rumo e marchasse para dentro do campo da oligarquia dos magnatas da indústria, um recuo que determinou seu destino dali em diante. Era um tempo em que ele ainda era capaz de agir de maneira alegre e despreocupada, e quando ele ainda podia ser, às vezes, persuadido a se aventurar, com toda a sua dignidade, a nadar no rio. Mais tarde, é claro, se tornaria impensável que ele expusesse a si mesmo em trajes de banho diante de camponeses e trabalhadores do campo, ou que diante deles ele escalasse, qual um resfolegante Tritão, o barranco, para voltar para a margem!
Ele era a mais estranha mistura que eu jamais encontrei de uma natureza humana verdadeiramente grande com grandes e pequenas fragilidades. Se eu me recordo agora destes últimos traços, isto é parte do processo de me despedir dele, então tenho certeza de que não é errado de minha parte. Ele era daquele tipo de homem que gosta de comer sozinho – um devorador de olhar melancólico numa orgia de comilança. Me lembro, com uma certa nostalgia, de uma noite em que ele se juntou a Albers e eu para uma ceia leve. Isto se deu nas semanas finais da Grande Guerra, quando não se dava muita importância às maneiras que alguém se comportava diante seus convivas. Ainda assim, discursando e declamando o tempo todo, Spengler acabou sozinho com um ganso, sem deixar para nós, seus companheiros de mesa, nem um único pedaço.
Sua paixão por jantares grandiosos (cujas contas eram mais tarde pagas por seus mecenas da Indústria) não era seu único atributo curioso. Depois de conhecê-lo, bem antes que seu primeiro grande sucesso aparecesse, ele me pediu para não ir visitá-lo em seu pequeno apartamento (eu penso que ficava na Agnestrasse, em Munique). A
explicação que ele deu era de que o espaço era muito apertado, e que ele gostaria de me mostrar a sua biblioteca num ambiente apropriado para sua abrangência monumental.
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Mais tarde, em 1926, depois que ele abriu seu caminho entre os poderosos dirigentes da indústria pesada e se mudou para a sofisticada Widenmayerstrasse, nas margens do Isar, ele finalmente me convidou para conhecer a série de grandes salas em seu novo
apartamento. Ele me mostrou seus tapetes e telas, e até mesmo a sua cama – que de fato valia a pena ser vista, uma vez que se parecia mais com um catafalco – mas ele se mostrou visivelmente desconcertado quando eu disse que eu estava mesmo ansioso para conhecer sua biblioteca. Depois de vencer sua relutância em mostrá-la para mim, eu me vi numa sala realmente pequena. E ali – numa sólida estante de nogueira, lado a lado com uma fileira de livros da Ullstein21 e histórias de detetives – estavam aqueles que
são usualmente classificados como “livros sujos”.
Mas eu jamais conheci uma pessoa com tão pouco senso de humor e tão sensível mesmo à mais leve crítica. Não havia nada que o aborrecesse mais do que enganos; e ainda assim, lado a lado com as magníficas deduções de O Declínio do Ocidente, ele arrolou uma série de imprecisões, descuidos e erros de fato, que acabaram
permanecendo sem ser corrigidos – como a afirmação de que Dostoievsky veio ao mundo em São Petersburgo, e não em Moscou, e de que o Duque Bernard de Weimar morreu antes do assassinato de Wallenstein22– e conclusões importantes foram obtidas
a partir destes erros. Enganos como estes podem ocorrer com qualquer um; mas coitado de quem tivesse coragem de falar a Spengler a respeito deles!
Eu me recordo de uma cena deliciosa que ocorreu em minha casa, quando, como era costume dele após o jantar, ele passou a discursar e a pregar, ao mesmo tempo em que catequisava um seguidor dele ali presente. O que era engraçado é que este convertido, que acabara de retornar da África, de onde chegara com um severo caso de malária, caiu no sono e estava roncando bastante alto em sua poltrona; mas, entre um ronco e outro,
pelo princípio de respostas automáticas para “his master’s voice”23, ele prontamente
respondia, no mais puro jargão spengleriano, a todas as questões dirigidas a ele pelo grande homem. Spengler, o Mestre, com certeza deveria ter ficado bastante satisfeito, e
21 A Ullstein Verlag, fundada em 1877 pelo judeu alemão Leopold Ullstein e sediada em Berlim, era, as
primeiras décadas do século XX, uma das principais editoras alemãs, responsável por editar autores como Erich Maria remarque e Vicki Baum, entre outros. Além de livros, a editora foi também uma bem- su edida do a de jo ais. Foi a ia izada pelos azistas e , e oltou pa a a fa ília ap s a gue a, mas já sem a importância de antes.
22 O autor faz referência a personagens do século XVII. Albrecht von Wallenstein foi um importante
comandante militar ligado aos Habsburgos durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), mas acabou caindo em desgraça junto ao imperador do Sacro Império, Ferdinando II, e foi assassinado, a mando deste, em 1634. O duque Bernhard de Saxe-Weimar também foi um militar de destaque na mesma guerra, mas morreu, de fato, depois de Wallenstein, em 1639.
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naturalmente deveria ter podido rir desse incidente. Mas, ao contrário, mostrou-se profundamente magoado, e depois daquilo não quis mais saber do criminoso. Para deixar claro: ele foi realmente o sujeito com o menor senso de humor que eu jamais conheci; neste respeito, ele é superado apenas por Herr Hitler e seus Nazistas, o quais tem todas as possibilidades de vir a morrer de uma desgraça agravada pela própria e profunda falta de senso de humor e pela sombria monotonia da vida pública, a qual, sob o domínio deles, ganhou a rigidez de um cadáver e está agora em seu quarto ano a nos sufocar até a morte. Mas incorrerá em erro aquele que pensar que eu pretendo injuriar Spengler ao relatar as suas muitas fraquezas. Eu nem preciso citar seu antigo e indispensável artigo sobre Teócrito24, e nem lembrar que ele no fim das contas deu forma às intuições de toda uma geração. Quem quer que o tenha conhecido sabe da aureola de significados que havia em volta dele, e que não se dissipava nem naqueles momentos em que ele estava de guarda baixa; sabe que nele vivia a melhor
representação possível da pedagogia humanista; sabe a respeito de seu semblante, que refletia o mesmo estoicismo encontrado nos bustos do período romano tardio.
Quanto a se ele compreendeu ou não que o crescimento do irracional no horizonte de
nossa existência no ponto onde ele agora pode ser visto, se ele percebeu que o “declínio
do Ocidente” anunciado por ele era, na realidade, o declínio do mundo criado pelo homem da Renascença nos últimos quatrocentos anos – isto eu não sei dizer. Uma vez que foi seu destino que, a meio-caminho em sua trajetória, ele caísse na dependência da oligarquia da indústria pesada, e que esta dependência passasse, com o tempo, a ter um efeito em seu pensamento. Eu, pelo menos, mesmo com a maior boa vontade do mundo, não sei como conciliar o verdadeiramente magnífico vaticínio sobre a aproximação de um cristianismo dostoievskiano, feito em 1922 no segundo volume do Declínio, com a retórica tecnocrática de seus últimos trabalhos. Foi a tragédia dele que uma altamente intelectualizada, e eu diria mesmo, um tipo de negativismo de professor chato, manteve- o longe da crença nos deuses, e muito menos em Deus. Seus seguidores começaram a deixá-lo em 1926, quando ele fez as pazes com a Alemanha contemporânea – não com os nazistas, porque eu não sei de ninguém que os tenha detestado quanto ele detestava, ao se deitar, ao dormir, ao se levantar! – mas com aqueles homens de negócio de garupa de cavalo do Ruhr, que fizeram deles mesmos os verdadeiros mestres do Estado que se seguiu à queda da monarquia e que se mostraram mais do que felizes em satisfazer o desejo de Spengler por um estilo de vida que era tanto patrício quanto um tanto quanto hedonista. A poderosa força de sua mente, à qual devemos a visão de seus primeiros trabalhos, foi cortada fora no momento em que os corvos – nãos os de Santo Antônio,
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mas os dos senhores Thyssen e Hösch – começaram a abastecer a sua mesa com bons vinhos.
Assim foi que ele acabou traído por suas inclinações epicuristas, sua paixão por ricos temperos e a incomparável habilidade culinária de suas irmãs, que cuidavam da casa para ele. Os nazistas – naquilo que eles chamam de jornais, editados por aquele tipo de pessoa como antigos professores primários com currículos peculiares e tenentes da Grande Guerra que não fizeram nada desde então – estão exultantes com o fato de que Spengler supostamente acabou se inclinando à forma de pensar deles; eles também estão dizendo que, pouco a pouco, a mesma coisa está acontecendo com o resto da oposição. Mas o segundo, e não publicado, Anos de Decisão, do qual o primeiro volume quase fez dele um mártir, repousa seguro num cofre de banco na Suíça25, aguardando pela
ressurreição pela qual todos as nossas esperanças anseiam.
Julho, 1936
Desde Munique – que agora até parece estrangeira – desde a Munique ocupada pela Prússia, chega uma história interessante. Ela se refere a Herr Esser26, o Ministro dos Transportes, o qual, em vista de suas conhecidas atividades, deveria ser chamado de Ministro dos Transportes Sexuais. Este Esser teve um caso com a filha de um taberneiro, e foi tão duramente espancado pelo pai da moça que não tinha condições nem de sair e nem, comprometido como estava, de permanecer em Munique. Em acordo com o estilo deste regime, o qual simplesmente descartou a decência, tanto quanto o excesso de bagagem, ele foi promovido, logo depois do incidente, a um cargo muito mais alto em Berlim. De lá, ele acaba de anunciar que viagens de indivíduos ao exterior passou a ser coisa do passado, e que de agora em diante os alemães que desejarem ir
25 Apesar dos rumores que circularam amplamente na Alemanha após a morte de Spengler, tanto entre
círculos nazistas quanto opositores, o fato é que a segunda parte de Anos de Decisão jamais chegou a ser escrita, e muito menos escondida em algum cofre de banco suíço.
26 Hermann Esser, um nazista de primeira hora, foi nomeado, em 1933, para os postos de Ministro sem
pasta e chefe da chancelaria da Baviera, e em 1934 recebeu o cargo de Ministro da Economia da Baviera. Em 1936, na nomeação à qual o autor se refere, ele passou a ser Presidente do Escritório do Reich para Viagens ao Estrangeiro.
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para fora do país só poderão fazê-lo como parte de uma quadrilha, a organização Força pela Alegria27. Nós temos, portanto, todas as possibilidades de perdermos o pouco que resta de nossa liberdade de movimento, e de nos tornarmos, então, completamente prisioneiros desta horda de macacos depravados que há três anos tomaram de nós o poder.
Eu tive recentemente, com um sujeito, a mais esclarecedora conversa a respeito dos nazistas e de como eles chegaram ao poder. Ele disse que essa assim chamada
“revolução Alemã” é pura e simplesmente baseada em chantagem. Esta é a história.
O velho Hindenburg foi a vida toda um homem sem posses28. Mas perto do fim ele decidiu mudar essa situação, e fez com que seu filho, Oskar, assumisse seus negócios. Oskar especulou na bolsa e, quando se deu repentinamente o crash, devia 13 milhões de marcos. Para se recuperar, Oskar se deixou envolver nas manipulações do Osthilfe29–
27So e esta o ga izaç o, e ale o K aft du h F eude , es e e Ri ha d J. E a s: O egi e azista
estava ciente à questão de que o fechamento de sindicatos e a subordinação de trabalhadores à corrupta e autoritária Frente do Trabalho poderia causar descontentamento em meio à mais numerosa classe social da Alemanha, uma classe que, até 1933, havia dado grande apoio aos maiores inimigos dos nazistas, os comunistas e os socialdemocratas. Em paralelo com a constante propaganda, que
t o etea a as it ias da luta pelo t a alho , fazia-se necessário providenciar uma maneira
alternativa de reconciliar a classe trabalhadora como Terceiro reich. A principal destas iniciativas foi uma e t ao di ia o ga izaç o o he ida o o Co u idade Na io al-Socialista da Força através da Aleg ia , fu dada o o u a su sidi ia da F e te Ale do Trabalho em 27 de novembro de 1933. A Força através do Trabalho pretendia organizar o tempo de lazer dos trabalhadores ao invés de deixar que eles fizessem isso por sua própria conta, e portanto fazer com que o lazer servisse aos interesses da comunidade racial e reconciliasse os mundos divergentes do trabalho e do tempo livre, fábrica e lar, li ha de p oduç o e espaço de di e s o. ... I spi ada a o ga izaç o fas ista italia a Depois do T a alho Dopola o o , as este de do seus te t ulos ta aos locais de trabalho, a Força pela Alegria logo desenvolveu uma série de atividades, e rapidamente se tornou numa das maiores
organizações do Terceiro reich. Em 1939 ela tinha mais de 7.000 funcionários e 135.000 colaboradores voluntários, organizada em divisões que cobriam áreas como esporte, educação e turismo, com
ep ese ta tes e todas as f i as ou lojas ue e p egasse ais de i te pessoas. The Third Reich
in Power, Penguin, New York, 2005, pp. 465-466.
28 O papel do herói da Primeira Guerra e Presidente do Reich Paul von Hindenburg no colapso do regime
de Weimar e na ascensão do Nazismo é bastante debatido pela historiografia. Não há dúvida de que o conservador Hindenburg acabou sendo crucial nesse processo, mas se foi por omissão, erro estratégico, se em função de uma crescente senilidade ou pela combinação destes três fatores, é questão em aberto. De qualquer forma, é inegável que muitos conservadores, além do Presidente, acreditavam que Hitler representava um mal menor e temporário, que seria facilmente manipulável e que, em pouco tempo, seria varrido para fora do poder, e para o ostracismo, como tantos outros líderes políticos radicais dos anos anteriores. Afinal, que ameaça poderia representar um ex-cabo do exército de origem humilde, diante da instruída aristocracia prussiana? Ver Richard J. Evans, The Coming of the Third Reich, op. Cit., e Ian Kershaw, Hitler, op. cit.
29 O Osthilfe, ou Alívio do Leste, foi uma polêmica lei criada na Alemanha em 1931 para aliviar a situação
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eu não acredito que seu pai soubesse – e os nazistas descobriram isso em 1932. (a queda do Gabinete Brüning parece bastante relacionada.) Os hitleristas conseguiram cópias fotostáticas dos documentos incriminadores, e dali em diante tiveram o controle da situação.
Hindenburg sempre, antes daquele episódio, manteve Hitler à distância. Ele bem pode
ter dito, como se comenta, que “eu não faria daquele cabo da Bohemia um chefe de
agência de correios, quanto mais um Chanceler”. Mas, no verão de 1932 ele não já não tinha mais liberdade de ação. Se não fosse assim, como poderia ele, como Chefe de Estado, não ter dito absolutamente nada, quando Hitler cometeu a afronta de enviar um telegrama de congratulações aos assassinos nazistas de Potempa?30
Entre o fim de 1932 e o começo de 1933, os questionamentos no Reichstag a respeito dos favorecimentos do Osthilfe começaram a roçar a propriedade de Hindenburg em Neudeck,
e o grupo de Hindenburg começou a mostrar preocupação. Então aconteceu a greve em Berlim31, que deixou os membros do gabinete Von Papen mais simpáticos a uma “solução” nazista. Foi então que Hitler sentiu que com alguma pressão ele poderia ser nomeado chanceler. A história se casa perfeitamente com informações que eu obtive de outras fontes. Gregor Strasser, que foi morto no putsch de Röhm, aludiu essas mesmas coisas para mim em novembro de 193232. Isso também explicaria as conversas secretas na villa de Von Papen entre o grupo de Hindenburg e os nazistas. Frau von Schröter33 atuou como mediadora naquelas conversas, e Von
Nova York em 1929. Inicialmente considerada insuficiente, a lei foi ampliada em 1932 e ainda mais uma vez 3m 1933, já sob o nazismo. Apesar de formalmente abolida por Hitler em 1936 e em 1939, ela na prática continuou funcionando até quase o fim da Guerra. Ve A. Whit e G is old, The Ju ke s: Hostages to the Past , i VQR, Virginia Quarterly Review – A National Journal of Literature & Discussion, Virginia, University of Virginia, Volume 19, º 3, March 31, 2010.
30 Referência ao assassinato, em 9 de agosto de 1932, do comunista Konrad Pietzruch, dentro de sua
casa, na cidade de Potempa, na Silésia, por um pelotão de milicianos das SA. O escândalo se deve ao fato de que os criminosos foram acusados e condenados pelo crime, e o telegrama de Hitler os congratulou, entusiasticamente, após a condenação pela Justiça. Pouco tempo depois, eles acabariam anistiados. Ver Richard J. Evans, The Coming of the Third Reich. Op. cit.
31 Greve dos transportes em Berlim, entre 3 e 7 de novembro de 1932, iniciada pelos comunistas e
apoiada pelos nazistas.
32 Gregor Strasser foi um dos principais líderes da fase inicial do Nazismo, tendo feito parte do
movimento desde os primórdios. Seu problema foi que, por volta de 1932, ele passou a ser visto como uma liderança rival a Hitler, e foi obrigado a renunciar a todos os seus cargos. Ele acabaria sendo executado em 30 de junho de 1932, no expurgo nazista que ficou conhecido como a Noite dos Longos Punhais.
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Papen, que andava preocupado com a segurança da fortuna de sua esposa desde a greve dos transportes, desempenhou um estranho papel na história.34
E isso explica, finalmente, o relato, que segue frutificando apesar de todas as negativas, de que Von Schleicher35, que estava do outro lado desta intriga, fez com que Oskar von Hindenburg fosse detido na estação de trem de Friedrichstrasse, e mantido preso durante a noite, logo após o rompimento com o velho presidente. O general Von Bredow, que seria assassinado junto com