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5. SONUÇLAR VE ÖNERİLER

5.2. Öneriler

Outra situação que evidencia os impactos dos sistemas de DRM no acesso aos livros é a remoção de obras das bibliotecas pessoais dos leitores.

O exemplo mais notório245 ocorreu em 2009, quando a Amazon apagou os livros “1984” 246 e “A Revolução dos Bichos” das contas dos usuários, em uma atitude motivada por problemas nos direitos autorais da empresa que anunciava as obras na Kindle Store (STONE, 2009).247 A exclusão remota dos livros ocorreu por meio da rede Whispernet, utilizada para envio do livro para o dispositivo após a aquisição e para a sincronização entre diferentes dispositivos de leitura (por exemplo, caso você comece a ler uma obra no Kindle mas decida continuar a leitura no celular, o Kindle App será sincronizado para a última página lida no e- reader). Na época, outros usuários comentaram no fórum da Amazon que edições digitais da

244 Cabe mencionar que, em certos casos, o desaparecimento de livros do dispositivo tem a ver com a decisão de

descontinuar os serviços. Essa situação está mais relacionada com os problemas decorrentes do licenciamento do conteúdo do livro do que com os aspectos concorrenciais do mercado de livros digitais, e por isso não será explorada nesta pesquisa. Para uma melhor compreensão desse aspecto, ver DOCTOROW (2009); PUBLISHERS WEEKLY (2014); e ROSENBLATT (2009).

245 Há, também, relatos de remoção de livros pela Barnes & Noble. Embora os arquivos tenham sido restaurados

subsequentemente, os leitores perderam suas notas e grifos (MASNICK, 2010).

246 Um dos leitores que teve o livro deletado foi Justin Gawronski, que estava lendo “1984” para um trabalho de

escola e perdeu com o livro todos os seus grifos e anotações. O garoto, junto com outro consumidor que também teve seu livro deletado, moveu uma ação coletiva contra a Amazon (Gawronski et al v. Amazon.com Inc et al.). As partes firmaram um acordo, cujos termos determinam que a Amazon não irá deletar conteúdo de Kindles adquiridos e utilizados nos EUA a não ser que: (i) o usuário consinta, peça o reembolso, ou tenha seu pagamento negado; (ii) uma ordem judicial determine a remoção ou (iii) a remoção seja necessária para proteger o consumidor ou o funcionamento adequado do dispositivo.

247 A inclusão dos títulos na loja teria sido feita por meio de um serviço self-service oferecido às editoras, o que

série Harry Potter e das obras da escritora Ayn Rand, como “A Revolta de Atlas”, também teriam sido removidas (STONE, 2009).

Apesar de os usuários terem sido reembolsados imediatamente, a ideia de que a loja tem esse nível de controle sobre o conteúdo da biblioteca dos usuários causou surpresa e comoção na mídia especializada. Como foi dito em uma análise da Electronic Frontier Foundation, é difícil imaginar o atendente de uma livraria física seguindo-o até em casa, entrando em sua residência e substituindo um livro da sua estante por notas de dinheiro no valor que você pagou em razão de problemas de direitos autorais (D’ANDRADE, 2009). O exemplo pode enganar se levado ao pé da letra – no caso do livro impresso, há uma operação de compra e venda, enquanto com o livro digital celebra-se uma licença de uso, e a Amazon não pode licenciar um produto sobre o qual não tem esse direito. De qualquer forma, a metáfora ajuda a compreender o nível de interferência das livrarias na leitura digital.

Do ponto de vista dos direitos do consumidor, essa situação levanta uma série de preocupações. Por exemplo, o que ocorre se uma editora resolve retirar seu conteúdo da Amazon? Não há informações claras. Ainda, os termos de uso da Kindle Store não garantem à Amazon o direito de deletar o conteúdo após sua aquisição (D’ANDRADE, 2009). Ao contrário, na época, tais termos garantiam ao usuário o direito não exclusivo de manter uma cópia permanente do conteúdo digital (STONE, 2009).248

É importante mencionar que essa habilidade de interferência no conteúdo pode ser utilizada para prejudicar rivais. No mundo da música, há relatos de que os usuários do iPod que tinham músicas obtidas em serviços concorrentes tiveram que restaurar o dispositivo às configurações de fábrica ao tentar sincronizá-lo com a biblioteca do iTunes, em uma recomendação que a Apple alega ter sido motivada por questões de segurança (ELDER, 2014).249

Nesses episódios, é possível identificar dois níveis de preocupação relacionadas aos sistemas de DRM. Em primeiro lugar, é a presença de DRM nos arquivos digitais que permite essa interferência no conteúdo após a aquisição. Como já foi explicado no Capítulo 2, os sistemas de DRM permitem o exercício remoto de controle sobre o conteúdo. Em segundo lugar, no que diz respeito à falta de interoperabilidade, a vinculação do leitor a um ecossistema reduz sua habilidade para reagir a ações que considere abusivas. Com isso, a

248 “Amazon’s published terms of service agreement for the Kindle does not appear to give the company the

right to delete purchases after they have been made. It says Amazon grants customers the right to keep a ‘permanent copy of the applicable digital content.’” (STONE, 2009). Os termos de uso foram alterados pela última vez em setembro de 2012 e a redação atual não contempla mais esse direito. A respeito da volatilidade dos termos de uso, ver Capítulo 2, item 2.3.3.

suscetibilidade ao controle e à interferência da livraria sobre sua atividade de leitura é maior. Da mesma forma, como o mercado é concentrado, as suas opções para mudança também são restritas (SERINGHAUS, 2009, p. 154). Caso o leitor pudesse alterar ou remover os sistemas de DRM para fins de interoperabilidade, a mudança para outra plataforma em resposta a atitudes controversas seria facilitada.

Benzer Belgeler