III. YÖNTEM
5. SONUÇ VE ÖNERĠLER
5.2 Öneriler
Este tópico se refere as relações, as aproximações e as ações que aconteceram dentro do curso e que estão impulsionando o processo de mudança a partir das Políticas Públicas (as Diretrizes Curriculares Nacionais, o Pró-Saúde e o Pet-Saúde), bem como das Associações (Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia - ABENFISIO).
Nos últimos anos, o governo brasileiro vem implementando políticas de inclusão social que têm expressões concretas nas áreas sociais do Governo, especialmente nas de saúde e de educação (BRASIL, 2007).
As políticas públicas e os movimentos que discutem saúde no Brasil estão mais próximas das instituições de ensino. Esse novo contexto vem sendo percebido por todos que
estão na universidade, devido ao grande incentivo que está sendo dado para as mudanças curriculares. Três docentes falaram desta influência das políticas no curso de graduação em fisioterapia:
Do ponto de vista específico das diretrizes, eu acho que vieram num bojo de muitas mudanças. E a partir de 2006 uma série de políticas nacionais, 2008 com os núcleos de ação, saúde da família. Foram assim, coisas muito positivas. O que eu sinto, não sei se vou ser feliz na forma como eu vou falar, mas eu sinto que para essas coisas funcionarem há uma necessidade de uma infra-estrutura muito consistente, uma integração de fato entre o sistema de saúde e a proposta pedagógica. E eu temo um pouco da gente se apoiar demais nisso (Docente “I”).
De uns anos pra cá, (...) eu pude perceber que as políticas públicas começaram a trazer, não digo a forçar, mas tentar auxiliar com projetos, com fomentos de iniciação científica voltado para as políticas públicas. Mas é um período de transição (Docente “H”).
As políticas nacionais de formação dos profissionais de saúde nunca tiveram, pelo menos na minha vivência, tão integradas para fazer com que os profissionais sejam formados para se integrar ao SUS (Docente “L”).
As falas destes docentes apresentam diferenças importantes de entendimento e confiança nessa aproximação das políticas públicas de educação e saúde com todos os envolvidos na formação.
Um docente, apesar de ver que coisas novas estão acontecendo no ensino e na atuação profissional, tem receios de que esta coisa que ‘parece que está na moda’ possa provocar mudanças curriculares sem sustentação. Parece que para esse docente, a mudança só é segura quando esta integração for efetiva e que as ações no SUS estejam mais consolidadas.
Outro docente percebe que essa aproximação trouxe avanços para o curso, especialmente no que se refere aos projetos de pesquisa. Apesar da avaliação positiva desta integração parece que a visão sobre os pressupostos e ações da fisioterapia dentro das políticas, e vice-versa, ainda está um pouco restrita.
O terceiro depoimento mostra uma opinião mais ampliada, já que contextualiza historicamente os avanços que estas políticas alcançaram nos últimos anos e enfatiza a importância destas na formação para o SUS.
Feuerwerker e Almeida (2003, p.14) relembram o contexto em que as políticas de ensino na saúde, mais especificamente as DCN, foram adentrando o terreno das instituições de formação:
O contexto em que foram definidas as Diretrizes Curriculares no Brasil não pode ser omitido. Ou seja, se de maneira genérica a orientação das políticas educacionais no Brasil nos últimos anos esteve sintonizada com as definições dos organismos
internacionais. No caso das Diretrizes Curriculares houve uma efetiva modulação que as aproximassem das orientações do sistema público de saúde (público, democrático, em busca da universalidade e da integralidade da atenção).
No curso estudado, é discutível a participação dos docentes no que se refere às políticas ou as discussões do ensino na saúde. O docente “D” traz isso de forma muito clara, no que se refere ao acompanhamento e participação na construção das Diretrizes Curriculares:
As diretrizes foram discutidas, de certa forma, em vários fóruns nacionais, regionais, foram discutidas em vários momentos. Talvez muitos colegas aqui não tenham participado, eu participei dessas discussões, mas foi dado oportunidade para discussão disso (Docente “D”).
As DCN para os cursos de fisioterapia foram construídas coletivamente, com a participação de coordenadores de curso, docentes e estudantes e foi discutida nas bases e com grande participação da Rede Unida. No decorrer do ano de 2006, mais de 20 oficinas regionais para a implementação das DCN foram realizados em todo o Brasil (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO EM FISIOTERAPIA, 2007).
Segundo Guizardi et al (2006) existem dois movimentos que são marcados nas instituições quando novos projetos e políticas adentram o terreno da formação: um quando estes projetos e políticas representam um molde ou um ponto de chegada, em função do qual as escolas procuram se adaptar; o outro movimento ocorre quando esses projetos e políticas representam um desafio ou ponto de partida para a construção de novos modos de ensinar ou novas práticas de formação.
A maioria dos colaboradores trouxe pontos positivos das DCN, especialmente de ocupar um papel de orientação quanto à qualidade do curso frente às demandas atuais do ensino em fisioterapia:
Para a nossa comissão que está trabalhando no processo de reestruturação, as diretrizes são o nosso ponto de partida. Então é por ela que a gente percebeu, conseguiram perceber finalmente que o curso está inadequado (Docente “C”). Outro ponto positivo se refere à flexibilidade das DCN na construção da mudança e do protagonismo que cada instituição deve assumir neste processo:
As diretrizes como o nome diz, são diretrizes, são um encaminhamento, uma seta apontando para um norte, então você sabe qual é o norte que precisa ser atingido. O caminho para chegar a esse norte se dá de acordo com a sua criatividade. Então eu acho que é perfeitamente viável atingir esse norte fazendo coisas inovadoras e interessantes (Docente “D”).
Essa maleabilidade das DCN também foi citada como ponto positivo para o docente “H”, visto que estas não descartam a atividade que os docentes consideram como mais forte no curso que é a pesquisa científica:
As diretrizes são completamente flexíveis. Elas não barram a potencialidade da iniciação. Muito pelo contrário, ela valoriza isso. De certa forma, a gente não pode dizer que a gente não está contemplando todos os quesitos da formação profissional dentro das diretrizes (Docente “H”).
As DCN expressam uma orientação geral porque não pretendem ser a expressão de um Currículo Nacional. As orientações das Diretrizes estimulam as escolas a superar as concepções conservadoras, a rigidez, o conteúdo e as prescrições estritas existentes nos Currículos Mínimos, mas não definem um caminho único (FEUERWERKER; ALMEIDA, 2003).
Além das DCN, as políticas do Pet-Saúde e do Pró-Saúde tiveram importância fundamental no incentivo das pequenas, mas significativas ações que começam a integrar o curso nas ações do SUS:
O Pet-Saúde e o Pró-Saúde foram dois mecanismos que o Ministério da Saúde e da Educação lançaram para incentivar os cursos a ter essa inserção, principalmente voltada para a atenção básica. Aqui na fisioterapia foi essencial porque sem isso a gente não conseguiria. A gente só conseguiu nossa pequena inserção, por causa das bolsas destinadas aos preceptores, que são os profissionais da rede (Docente “C”). O Pró-saúde foi comentado, especialmente, na grande contribuição para a formação dos docentes na parte pedagógica:
O Pró-Saúde veio com uma proposta, a gente que elaborou juntamente com os outros cursos da saúde, oficinas, seminários, entrevistas e simpósios em áreas que a gente se sentia, percebia que precisava de formação mais específica.(...) E os professores que estão interessados fizeram vários cursos que foram proporcionados pelo Pró-Saúde, o curso de formação até para metodologias mais ativas de ensino (...) O Pró-Saúde forma, ajuda na formação desse novo professor que se quer (Docente “C”).
O Pró-Saúde ele tem sido importante na capacitação de docentes, principalmente para quem está trabalhando com o currículo integrado, com problematização, então a capacitação está sendo muito importante, muito interessante (Docente “J”). O Pró-Saúde tem o papel indutor na transformação do ensino de saúde no Brasil, pois, a partir da criação de modelos de reorientação pode-se construir um novo panorama na formação profissional em saúde (BRASIL, 2007).
O docente “E” traz a contribuição na integração ensino-serviço do Pet-Saúde para o curso e para os serviços de saúde, particularmente na atenção primária:
A gente tem uma ajuda que é fundamental que é o PET que dá bolsa para os preceptores. Então essa ajuda, não é só isso, acredito que não é só a bolsa que vincula o profissional com a equipe. Antes ele ficava cada dia num lugar e não conhecia lugar nenhum. Não atendia da forma que gostaria. Então eles estavam sobrecarregados e sem resolutividade e aí com essa bolsa eles se sentiram mais importantes de contribuir com a formação dos alunos. A maioria dos fisioterapeutas que estão na rede hoje foram ex-alunos da federal. Então eles entendem qual é a nossa formação, eles têm uma visão muito parecida. Então eu acho que eles se sentem valorizados de ajudar na formação de um curso que eles também já fizeram parte (Docente “E”).
É de extrema importância, atualmente, a discussão da interação entre sistema de saúde e ensino de graduação nas profissões de saúde, possuindo como elemento central dessa discussão o exercício da crítica de seus próprios territórios institucionais, como produção coletiva de novos espaços e práticas de cuidado, gestão e formação (GUIZARDI et al, 2006).
Reconhecer a conexão entre a esfera do trabalho e da educação implica na ampliação do conceito de saúde, reconhecendo suas interfaces com outros temas e com a riqueza de valores e processos, somados à diversidade de olhares e subjetividades deste complexo sistema, na busca da transição de um modelo de atenção pautado na Promoção da Saúde (BRASIL, 2007).
Saindo das políticas e entrando no campo das associações, a ABENFISIO foi a associação de ensino citada por alguns docentes que tem tido grande importância no que se refere às discussões do ensino atual em fisioterapia.
A ABENFISIO tem essa preocupação e eu sempre participei da ABENFISIO, então eu aprendi alguma coisa lá dentro (Docente “D”).
A questão da Política de Humanização do SUS, o aluno não vê isso, não domina o que é um acolhimento, não vê esse repertório e muito menos agir nesse sentido. E isso tem entrado na Abenfisio de maneira bem consistente. A ABENFISIO está bem atualizada sobre o que preconiza as novas diretrizes do MEC. Eles falam, por exemplo, nas metodologias ativas de aprendizagem. Assim, eu percebo que a ABENFISIO tem essa percepção de fazer os cursos (...) entrarem mais nessa forma de pensar a questão da saúde e particularmente do fisioterapeuta (Docente “G”). Nós vamos ao congresso da Abenfisio, que vai ter toda essa discussão de alunos de graduação, reunião com coordenadores, então é algo que estou me interessando, tenho muito o que aprender e estou aprendendo a cada dia (Docente “J”).
A ABENFISIO convoca todos os envolvidos com o fazer fisioterapêutico (na formação, na assistência ou na representação), para que sejam observadas as DCN, o padrão
de qualidade, os resultados e encaminhamentos dos fóruns legítimos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO EM FISIOTERAPIA, 2007).
Para finalizar os relatos, dois docentes pontuaram a inserção incipiente do curso de fisioterapia da UFSCar e da fisioterapia brasileira no que se refere a esse novo contexto de formação e das práticas em saúde, evidente através das palavras transição e processo:
Com o Pró-Saúde, a UFSCar foi contemplada. (...) Foi um grande projeto para tentar alavancar essas políticas, que culminou com um processo global das áreas da saúde aqui da UFSCar, mas que aqui dentro do curso de fisioterapia foi uma transição bastante lenta (Docente “H”).
Acho que é processo e eu acho a fisioterapia uma classe bem organizada para isso, tem a Abenfisio que ajuda bastante nisso, acho que é um processo que vai durar alguns anos e que logo muda, a gente vai ser capaz de enxergar a nossa atuação mais abrangente do que é, só na reabilitação (Docente “C”).
Durante o processo de construção das mudanças é necessário construir e preservar os espaços coletivos para debates e reflexões críticas, sobretudo porque os desafios são muitos e as áreas de desconhecimento também são frequentes. E por isso, deverão ser enfrentados conjuntamente no processo de transformação da formação e das práticas de saúde. É necessário selar o compromisso dos movimentos por mudanças considerando que o currículo deva expressar posicionamento da universidade diante de seu papel social (FEUERWERKER; ALMEIDA, 2003).