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Já em 1967, Roy Ascott, influenciado pelo crescimento das artes de vanguarda, como os happenings, a arte performática e os community arts, sugere a Capítulo 5

139 6 SACKS, Oliver. Introdução. IN: _____. O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, 1997.

Como neurologista, o autor apresenta casos de pacientes que não se enquadram em categorizações pré- estabelecidas por sofrerem lesões no hemisfério direito do cérebro, menos distintas que as no esquerdo. Numa crítica à postura convencional, o autor argumenta que a neurologia clássica se volta demais para esquemas, ao invés de observar a realidade, tratando situações menos categorizáveis como “bizarras”.

bifurcação da arte em duas áreas distintas. A primeira, que chama de determinista, relaciona-se com obras de arte pensadas e realizadas por artistas e tem fim em si mesmas, enquanto a segunda, abarca o que ele chama de comportamental, que se realiza somente com a participação ativa do usuário7.

Stroud Cornock e Ernest Edmonds8, por sua vez, afirmam que a tecnologia em

si não contribui para a arte; e dentro da discussão corrente, eu complemento que não garante a interação, mesmo quando planejada.

5.1.1

O Arcabouço de Stroud Cornock e Ernest Edmonds

9

A partir da definição de Ascott, Cornock e Edmonds desenvolvem uma matriz para a avaliação da interação do participante10 com as obras de arte, sobretudo

de produção digital, não como uma nova arte, mas uma nova maneira de olhar para soluções criativas. Os autores se basearam na teoria dos sistemas para identificar o “sistema de artes” como a relação entre o artista, o participante, a obra de arte e o ambiente nos quais a relação entre esses atores pode acontecer11.

Uma vez que o participante possui posição importante no processo de tomada de decisão, o ponto central da discussão é a troca da informação. A arte orientada ao processo (art of system or process ou process oriented art) é dinâmica e o controle acontece tanto ao se especificar a matriz quanto ao longo de todo processo onde se tem contato com a obra. Por isso, a obra de arte deve sempre ser usada como um estímulo e incidentalmente conter Museus Contemporâneos e o Uso das Tecnologias

140

7 determinisitc and behavioural arts. Em CORNOCK em GRAHAM, Beryl. A Study of Audience Relationships

with Interactive Computer-Based Visual Artworks in Gallery Settings, through Observation, 1997, p.40.

8 CORNOCK, Stroud and EDMONDS, Ernest. The Creative Process Where the Artist is Amplified or

Superseded by the Computer, 1973, p.12.

9 Toda essa seção é dedicada a avaliação do artigo CORNOCK, Stroud and EDMONDS, Ernest. The

Creative Process Where the Artist... 1973. Qualquer outra contribuição de fontes variadas será especificada em notas de rodapé.

10 termo definido pelos autores, que sugerem que o termo espectador (viewer) seja substituído por

participante. Tal abordagem se aproxima do mesmo questionamento de BALTAZAR (Towards a Virtual Architecture...2007) em relação ao termo observador ainda ser utilizado para descrever situações de cibernética de segunda ordem. A autora argumenta que tal termo ainda sugere uma distinção dentro da própria análise do sistema.

informação. Além disso, deve iniciar o participante em uma relação aberta (open-ended) que se relaciona ao usuário e promove a relação deste com sua própria vida.

Assim como Pangaro, Dubberly e Haque12, os autores reforçam que a

r e l a ç ã o i n t e r a t i v a s e r á m a i s interessante que a relação passiva, e dessa forma, categorizam as relações em diferentes sistemas.

No sistema estático, a obra não se modifica, como as obras tradicionais de arte. O sistema dinâmico passivo é formado por um objeto de arte configurado para mudar com o tempo a partir de um programa elaborado pelo artista, como a arte cinética, ou é transformado por fatores do ambiente (fatores externos ao objeto de arte e aos participantes), como por exemplo, os móbiles de Alexander Calder (FIG. 21). Esses fatores poderiam incluir os participantes que interagem com a obra de arte, mas estes não exercem nenhum controle.

O sistema dinâmico interativo abrange o descrito anteriormente, mas vai além ao incluir o output do participante na obra de arte. Desta maneira, existe um ciclo de retroalimentação que, se por um lado, pode tornar esse tipo de sistema extremamente rico, por outro, pode levar o participante a perder o interesse dependendo da velocidade com a qual o mesmo pode esgotá-lo.

O objeto de arte é visto como sistema e, ainda segundo os autores, a arte tradicional também deveria ser vista dessa maneira. O artista é um participante no trabalho que faz, e nem todos os participantes devem agir da mesma maneira. O sistema variante é um caso especial que acontece quando o artista Capítulo 5

141 12 PANGARO, Paul; HAQUE, Usman; DUBBERLY, Hugh. What is Interaction... 2009.

FIGURA 21 – Mercury Fountain, 1937 Fonte: Calder Foundation [n.d]

modifica o próprio sistema ou o processo de uma maneira não permitida na concepção original.

O Sistema Matriz é o sistema total no qual a arte e os participantes se envolvem. Nesta situação, o participante é “parte integral e interativa”13. O

sistema de arte é um subsistema, com o qual o participante interage através de inputs. Aqui, os autores reduzem o participante a inputs, por o julgarem incomensurável e imprevisível.

5.1.2 A Revisão de Cornock

Em 1977, Cornock simplifica sua divisão dos sistemas dinâmicos proposta em 1973, chegando a três grandes grupos de classificação. O sistema de arte dinâmico é definido a partir de sua dependência organizacional com algumas varáveis ambientais. O sistema de arte recíproco, por sua vez, trata do espectador com o seu ambiente, mas seus estados sucessivos se relacionam com a participação somente durante o evento.

O Sistema de arte participativo relaciona-se a reações interpessoais de um grupo de participantes em uma situação “matriz”. No sistema de arte interativo, existe uma troca mútua entre homem e máquina, na qual os estados sucessivos do processo são relativizados a cada lado da interface. Este sistema possui um artefato (artifact) capaz de sustentar uma conversação entre homem-máquina que se assemelha à conversação entre pessoas. Tal sistema possui diferentes níveis: O indivíduo, um grupo pequeno, a Cultura e, no nível mais abrangente: interações entre culturas14.

5.1.3 O estudo de Pangaro, Dubberly e Haque para avaliação da interatividade

Na sistematização das formas de interação propostas por Pangaro, Pask e Dubberly no artigo “What is interaction?” (O que é interação?) os sistemas são classificados em cinco diferentes níveis (GRAF. 01). Como visto no gráfico, o Museus Contemporâneos e o Uso das Tecnologias

142

13 CORNOCK, Stroud and EDMONDS, Ernest. The Creative Process Where the Artist... 1973. 14 CORNOCK, 1977 em GRAHAM, Beryl. A Study of Audience Relationships ..., 1997.

sistema estático não pode agir, por isso, afeta pouco o ambiente. Já o dinâmico age, mudando a sua relação com o espaço. Nos sistemas dinâmicos, os lineares somente reagem (ciclo aberto) enquanto os de ciclo fechado interagem. Dos sistemas de ciclo fechado, alguns são re-circulatórios (e não possuem um objetivo - por exemplo o ciclo da água na natureza), enquanto outros, os auto-reguladores, podem ter um objetivo e como o próprio termo indica, se auto ajustam. O sistema define sua relação com o ambiente a partir de seus objetivos, sendo que em um sistema simples não é possível ajustá-los, exceto externamente. Eles possuem somente um ciclo (loop) simples e são chamados de primeira ordem.

Finalmente, os sistemas aprendizes (learning systems) possuem um primeiro sistema auto-regulador acoplado a um segundo também auto-regulador. O segundo sistema mede o efeito do primeiro no ambiente e o regula de acordo com a conformidade de seus objetivos de segunda ordem. O aprendizado acontece com a mudança de objetivos a partir do efeito de ações. Este deve ser o mais visado ao projetar interfaces que objetivem a interação de fato. De forma concisa, três sistemas básicos são selecionados; sendo: linear: 0, auto- regulador: 1, e aprendiz: 2 que podem ser associados em 6 tipos diferentes de interação (QUADRO 2).

Benzer Belgeler