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5. TARTIŞMA
6.2. ÖNERİLER
O fato de o Congresso Nacional ser cioso de suas prerrogativas e de não deixar de assinalar insatisfação com o desrespeito para o com a relação entre os Poderes Executivo e Legislativo em matéria de política externa não deve ser interpretado como comprovação de descaso pelos parlamentares por parte do Poder Executivo. Pelo menos no que diz respeito ao Ministério das Relações Exteriores.
Em 31 de julho de 1958, o Ministro de Estado das Relações Exteriores envia Aviso para o Senado, por meio do qual informava a substituição do diplomata encarregado das relações entre o Itamaraty e o Congresso Nacional. O Aviso constou da agenda da sessão de 25 de agosto do mesmo ano:
Senhor Primeiro Secretário:
Tenho a honra de levar ao conhecimento de V. Exa. que o Ministro Lucillo Haddoek Lôbo, atual elemento de ligação entre o Ministério das Relações Exteriores e o Congresso Nacional, foi recentemente removido para a Delegação do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos, em Washington.
2. Para substituí-lo na referida função, designei o Primeiro Secretário Roberto Luiz Assumpção de Araújo que deverá ficar à disposição dos Srs. Membros do Senado Federal, para prestar-lhes as informações porventura necessárias à apreciação dos assuntos da alçada do Ministério das Relações Exteriores.342
Em 1959, o Itamaraty deu nova mostra da importância do Congresso Nacional ao criar o "Serviço de Relações com o Congresso", em substituição à simples prática de indicar um "elemento de ligação" entre o Ministério das Relações Exteriores e o Parlamento343. A iniciativa não passou despercebida. Na sessão ordinária de 3 de agosto de 1959, dia da
341 BRASIL. Congresso Nacional. Anais do Senado, livro 2 (1948), p. 65. 342 BRASIL. Congresso Nacional. Anais do Senado, livro 10 (1958), p. 533.
343 CASTRO, Flávio Mendes de Oliveira. História da Organização do Ministério das Relações Exteriores. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1983, p. 404. Na avaliação do diplomata, "[o] novo Serviço revelou-se de grande utilidade para o Itamaraty, que sempre necessitou manter contato estreito com as Comissões de Relações Exteriores do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, e também para os
congressistas, em virtude de suas frequentes viagens, em caráter oficial ao exterior. Assim, a experiência ficou aprovada e o Serviço de Relações com o Congresso prosperou e transformou-se na atual Secretaria de Assuntos
Legislativos, órgão de assessoria superior subordinado diretamente ao Ministro de Estado". Ibid., p. 404. (grifo
160 transmissão de cargo do Chanceler Negrão de Lima, o Senador Afonso Arinos fez uso da palavra para congratular o Chanceler a respeito do novo Serviço:
No dia em que S. Exa. deixa o Itamarati, é-me agradável consignar perante o senado o acerto de uma das suas últimas providências, na Pasta das Relações Exteriores.
Refiro-me à criação do chamado Serviço de Relações com o Congresso. A necessidade de melhor entrosamento entre o Poder Legislativo e o Ministério das Relações Exteriores tem-se feito sentir em muitas oportunidades, e tem sido objeto de reclamações e observações, tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.
Eu mesmo, ainda como Deputado Federal, atendendo a convite do Instituto Rio Branco para proferir aula, utilizei como tema de minha dissertação precisamente as relações entre o Executivo e o Legislativo, em matéria de política internacional. Pude, então, salientar as várias deficiências que se fazem sentir no trato dessa questão e que tornam difícil, e até mesmo algumas vezes inoperante, o entrosamento necessário estabelecido pela Constituição entre os dois Poderes — Executivo e Legislativo, particularmente ao senado, não apenas no que toca às providências administrativas do Ministério das Relações Exteriores mas, também, Senhor Presidente, naquilo que me parece ser da conveniência de ambos os Poderes. É da conveniência nacional uma espécie de entrosamento na própria formulação da política externa.
[...] o entrosamento necessário estabelecido pela Constituição entre os dois Poderes — Executivo e Legislativo, particularmente ao Senado, não apenas no que toca às providências administrativas do Ministério das Relações Exteriores mas, também, Senhor Presidente, naquilo que me parece ser da conveniência de ambos os Poderes. É da conveniência nacional uma espécie de entrosamento na própria formulação da política externa. O departamento recém-criado, se vier a preencher as finalidades para as quais foi convocado, será sem dúvida elemento valioso no estabelecimento do nexo indispensável entre o Congresso Nacional — principalmente a nossa Casa — e o Ministério das Relações Exteriores, em matéria de política internacional.344
Mesmo com o novo Departamento, manteve-se a prática de informar o Congresso da substituição dos diplomatas encarregados do Serviço, conforme se vê na sessão de 29 de junho de 1960, quando esteve na ordem no dia outro Aviso do Ministro de Estado das Relações Exteriores de mesmo teor:
AVISO
Do Ministério das Relações Exteriores, comunicando haver sido designado adjunto de Ligação do Serviço de Relações do Itamarati com o Congresso, o Secretário de Embaixada Joaquim de Almeida Berra.345
344 BRASIL. Congresso Nacional. Anais do Senado, livro 6 (1959), p. 14. 345 BRASIL. Congresso Nacional. Anais do Senado, livro 9 (1960), p. 490.
161 Novo reforço na institucionalização do relacionamento entre os dois Poderes veio por meio de um Decreto presidencial, em 1960, formalizando algo que já era prática por parte da Chancelaria brasileira: convidar parlamentares a integrarem as delegações brasileiras em reuniões internacionais. Por meio das novas regras, a presença de parlamentares, na qualidade de observadores, tornava-se obrigatória quando das reuniões da Assembleia Geral das Nações Unidas:
Decreto no 57.926, de 4 de Março de 1966
Dispõe sobre as Delegações do Brasil às Sessões da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o art. 87, inciso I, da Constituição,
DECRETA:
Art. 1o As Delegações do Brasil as Sessões da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas são designadas pelo Presidente da República e compõem-se dos seguintes membros:
I - Chefe de Delegação;
II - Delegados em número de 4(quatro);
III - Delegados-Suplentes, em número de 5 (cinco); IV - Observadores-Parlamentares;
V - Assessores. [...]