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As váriáveis comparadas nessa análise como: escore dos sinais clínicos (SSC), escore corporal (SCo), escore da coloração das mucosas (SCMu ocular, bucal e genital), escore das alterações macroscópicas (SAMa do duodeno, jejuno, íleo e cólon) e, escore das alterações microscópicas (SAMi duodeno, jejuno, íleo e cólon), foram pontuadas por meio de cruzes ou escores que variaram de 1 a 4, conforme as condições descritas no item 2.5 deste capítulo. Assim, uma análise comparativa para essas variavéis entre cada grupo de animais (G1, G2 e G3), permitiu observar as diferenças entre animais com LVC com ou sem amastigotas de

L. infantum no intestino (G1, G2, respectivamente), comparando sempre com o

grupo controle (G3).

De acordo com a Tabela 4, observou-se que a grande maioria das variáveis estudadas nos cães do G1 (com amastigotas intestinais) foram estatisticamente

diferentes do G3 (controle), tanto para o intestino delgado, como para o grosso, exceção apenas para a variável SAMa observada no cólon em que não houve diferença significativa entre os três grupos de animais. Outro dado importante a ser comentado, é que a maioria das variáveis dos cães do G2 (sem amastigotas intestinais, mas com LVC) não apresentou diferença significativa quando comparadas com as do G1 e as do G3, exceção apenas para a variável SCo (entre G2 e G3), SCMu ocular e bucal (entre G1 e G2).

Realizando-se uma comparação individual para cada variável testada, a varíavel sinais clínicos gerais (SSC) da LVC (como problemas cutâneos, hepatoesplenomegalia, hipertrofia de glângios, onicogrifose, diarreia, dentre outros), e a variável coloração da mucosa genital (SCMu genital), ficou evidente que os cães do G1 (positivos para LVC e com amastigotas intestinais) apresentaram-se estatisticamente diferentes dos cães do G3 (controles negativos), mas não do G2 (positivos para LVC, mas livres de amastigotas intestinais). O G2 também não diferiu estatisticamente do grupo G3, significando que o estado clínico geral dos cães independente da classificação dos grupos G1 ou G2 estava mais relacionado com outros fatores da doença, do que propriamente dos parasitas intestinais (Tabela 04). O mesmo não ocorreu, com a coloração das mucosas ocular (SCMu ocular) e bucal (SCMu bucal), pois as mucosas muito pálidas foram observadas somente nos animais do grupo G1, mas não nos do G2 ou do G3.

Os escores referentes às alterações macroscópicas intestinais (SAMa), variaram de 1 a 2, na maioria dos casos, significando mucosas intestinais aparentemente normais ou levemente lesionadas nos animais do gupo G1, mesmo estando infectados com as formas amastigotas, enquanto os animais do G2 permaneceram com escore inferior a 2 (leve) e do grupo G3 no escore 1, significando aparência macroscópica normal. As alterações macroscópicas observadas (muco, congestão, hemorragia, fezes sanguinolentas e lesões diversas) no intestino delgado do grupo G1, mesmo leves, foram significativas quando se comparou com os cães do grupo G3, mas não com do G2. No cólon, no entanto, não se detectou qualquer alteração macroscópica significativa entre os três grupos estudados, onde o escore permaneceu inferior a 2.

Entretanto, as alterações microscópicas (SAMi) demostraram diferenças significativas no intestino delgado e grosso quando comparou-se os animais do grupo G1 com os do G3. As lesões microscópicas observadas na parede intestinal dos animais infectados com as amastigotas (G1) variaram de moderadas a graves. Nos animais do G2 variaram de leves a moderadas, porém, as diferenças não foram significativas entre os animais dos dois grupos (Tabela 04). Já os cães do grupo G3, apresentavam mucosa normal, sem alteração estrutural (escore 1) diferindo estatisticamente para todos os segmentos do trato intestinal analisado (duodeno, jejuno, íleo e cólon) do grupo G1, mas não do G2. Dessa maneira, as alterações estruturais microscópicas observadas nos animais infectados com amastigotas intestinais apresentaram um padrão significativamente diferente ao nível de 5%, no grupo controle G3, demonstrando que os parasitas presentes no G1 foram responsáveis por parte das alterações microscópicas na mucosa intestinal.

O estudo de correlação comparativa entre as variáveis foi realizado somente com os animais do G1 por estarem estes infectados com as formas amastigotas de

L. infantum no trato intestinal e, utilizou-se o coeficiente de correlação linear de

Spearman para observar a correlação entre as variáveis (Tabela 5).

Pela Tabela 5, verificou-se que as intensidades parasitárias no trato intestinal (SIP) correlacionaram-se linearmente de forma positiva e significativa a 5% com as alterações microscópicas na mucosa (SAMi), tanto no intestino delgado (ρ = 0,81), como no intestino grosso (ρ = 0,78), significando que à medida que se aumentava o número de parasitas no intestino, as lesões na mucosa se intensificavam (Tabela 5 e Figura 6 A). Separadamente, os segmentos íleo e cólon (ρ = 0,86 e ρ = 0,78) apresentaram melhor correlação para essas variáveis (SIP x SAMi), ambos foram estatisticamente significativos ao nível de 1% e 5%, respectivamente (Figuras 6 D e E).

Continuando com a análise de correlação entre os sinais clínicos gerais e a intensidade parasitária (SSC x SIP), verificou-se essa correlação positiva e significativa (ρ = 0,73) apenas no intestino delgado (Tabela 05), tendo como destaque o jejuno e o íleo com valores ρ = 0,71e ρ = 0,75, respectivamente (Figuras 6 C e D). Já no intestino grosso (cólon), ambas varíaveis não estavam relacionadas (Tabela 05, Figura 6 E).

Os sinais clínicos gerais (SSC) e as alterações microscópicas da mucosa intestinal (SAMi) também apresentaram correlação positiva nos intestinos delgado e grosso, cujos respectivos valores encontrados foram (ρ = 0,83 e ρ = 0,72) todos significativos ao nível de 5% (Tabela 05, Figura 6 A), destacando-se o íleo (ρ = 0,83) e o cólon (ρ = 0,72) (Figura 6 D e E). Todavia, para o duodeno e jejuno não houve correlação (ρ = 0,36) na análise dessas duas variáveis (SSC x SAMi) (Figuras 5 B e C).

Ainda na Tabela 5, pode-se observar que as colorações da mucosa ocular e bucal (SCMu oc e SCMu bu) estavam intimamente correlacionadas (ρ = 1) e ambas variáveis apresentaram correlação positiva com a massa corpórea (SCo; ρ = 0,82), significativa a 5% (p ≤ 0,05). No entanto, não houve correlação entre a intensidade parasitária (SIP) com a coloração das mucosas ocular e bucal (SCMu oc, bu; ρ = 0,39), entre a massa corporal (SIP x SCo; ρ = 0,16) e as alterações macroscópicas da mucosa no intestino grosso (SIP x SAMa; ρ = -0,41).

Já a coloração da mucosa genital (SCMu ge) não apresentou valores no teste de Spearman, pois não houve diferença significativa nos resultados de comparação entre os três grupos estudados conforme pode ser observado na Tabela 04.

Benzer Belgeler