1.4. Edinilmiş Mallara Katılma Rejiminin Sona Erme Halleri
1.4.2. Ölüm Benzeri Durumlar
O Greenpeace tem se destacado como uma das organizações da sociedade civil que mais abertamente trabalha com as linguagens, agentes e modos de operação da comunicação de massa para fazer com que suas demandas ganhem visibilidade na cena midiática. Isso esteve presente desde o início da entidade. Prova disso foi sua primeira manifestação pública, que consistiu em tentar impedir com que ocorresse um teste de arsenal atômico no sub-solo do Alaska por parte do governo dos Estados Unidos. O coletivo que fundou o Greenpeace, à época, alugou um barco para se dirigir até o local do teste, sendo que dos doze tripulantes no barco, três eram jornalistas e um era fotógrafo. Havia, assim, uma preocupação em documentar a ação para divulgá-la tanto nos jornais alternativos como nos convencionais com o objetivo de dissuadir o governo estadunidense a não afundar o barco e a parar com os testes nucleares. Para isso, o coletivo que fundou a organização conseguiu, através desse conjunto articulado de ações, conferir ampla visibilidade à sua primeira manifestação pública:
Em setembro de 1971, o Phyllis Cormack zarpou do porto de Vancouver, diante das câmeras de televisão. Seus tripulantes exibiam uma vela verde, decorada com os símbolos da paz e da ecologia e lançando uma nova palavra: Greenpeace. (GABEIRA, 1988, p.23).
No entanto, não apenas da vocação midiática do Greenpeace essa primeira manifestação tem muito a dizer. No caso, ela também aciona os valores e metas que a motivaram, evidenciando aqui o tipo de cultura política compartilhada e reproduzida pela organização ao longo de quase quatro décadas de existência. Uma cultura política que tem sua fonte de inspiração nos princípios ético-políticos gerados na convulsão contra-cultural dos anos 70, em que diversos movimentos sociais surgiram trazendo novas questões tanto para a agenda da política formal como para as formas de comportamento predominantes, para aquilo
54 que se denominou de ―política da vida‖43
.
Uma das principais fontes desse conjunto de novas questões sociais que compôs o quadro de valores e metas da entidade advém do movimento ambiental. Nesse sentido, é a partir do quadro interpretativo da ecologia que se faz evidente o impulso da entidade para atuar em escala internacional. Uma internacionalidade que alcança atualmente a marca de 40 países, segundo dados da organização44.
Para entender esse perfil internacionalista e também como aquela primeira ação da entidade sintetiza seu conjunto de valores e metas, é oportuno observar o principio ambientalista de que ―a natureza não reconhece fronteiras e [que] somos todos interdependentes‖45
para encontrar a justificativa e a fonte de inspiração principal que tem movido a entidade (Carmin & Balser, 2002, p.379).
Não obstante, se as questões do movimento ambientalista parecem auto-evidentes quando pensamos no Greenpeace, deve-se lembrar também de sua genética ligada ao movimento pacifista. E é dentro da agenda de ambos os movimentos que a primeira ação pública da entidade faz pleno sentido: impedir um teste balístico nuclear era, a um só tempo, uma forma de protestar contra a escalada armamentista como contra a degradação ambiental. Desse modo, temos na paz e na defesa do meio ambiente as metas fundamentais que orientam
a prática política do Greenpeace.
Ao observar o perfil de atuação da entidade, o sociólogo Manuel Castells vai destacar que seus valores e metas pertencem a uma agenda política altamente poderosa na sociedade contemporânea. Nesse caso, ele aponta um conjunto de organizações que teriam conseguido amplo reconhecimento em função das temáticas e valores sustentadas por essa agenda e que, assim, teria se tornado bastante influente sobre a composição de políticas públicas:
Causas humanitárias, tais como as defendidas pela Anistia Internacional, Medicina sem Fronteiras, Greenpeace, Oxfam, Food First, e milhares de grupos ativistas locais e globais e organizações não-governamentais em todo o mundo , constituem o fator de mobilização mais poderoso e pró-ativo na política informacional. Tais mobilizações são organizadas em função de temas de amplo consenso, não necessariamente alinhados a este ou aquele partido político. (CASTELLS, 1999, p.411).
43―A política da vida é uma política não de oportunidades de vida, mas de estilos de vida. Diz respeito a disputas
e lutas sobre como - enquanto indivíduos ou humanidade coletiva — deveríamos viver em um mundo onde o que
costumava ser ‗fixado‘ pela natureza ou pela tradição está agora sujeito às decisões humanas. A política da vida
inclui problemas e dilemas ecológicos, mas entende que estes estão articulados a questões mais amplas de identidade e escolha de vida — inclusive a algumas das questões chaves levantadas pelo feminismo.‖ (GIDDENS, 1994, p.xx)
44
Cf. em <http://www.greenpeace.org>
45 Cf. em
<http://www.greenpeace.org.br/institucional/pdf/greenpeacebr_070706_institucional_politica_de_voluntarios_p ort_v1.pdf> Acesso em 30 de junho de 2009.
55
Tendo em vista esses apontamentos com relação aos valores e metas políticas, faz-se adequado, então, julgá-los como compatíveis com o espectro ético-político de reivindicações democraticamente aceitáveis.
Levando em conta a capacidade desses valores e metas de galgarem, nas palavras de Castells, um ―amplo consenso‖, poder-se-ia reivindicar - para além dessa compatibilidade - uma qualidade democrática especial dessas metas. Não obstante, compartilhamos com o argumento de que aquilo que é capaz de alcançar consenso, assim como os níveis em que tal fenômeno da deliberação pública pode ser alcançado, é de caráter provisório e suscetível a transformações em função do permanente processo de contestação discursiva em que operaria a esfera pública (Dryzek, 2000; Dryzek & Niemeyer, 2006).
Desse modo, não apenas pela capacidade de ressonância das metas que se deve avaliar a capacidade de uma organização em sustentar debate público (Maia, 2009b). A contar que, além desse aspecto, também pesam (1) a organização interna, (2) os valores substantivos que orientam as relações com outros atores sociais, assim como (3) os efeitos políticos em diferentes planos democráticos como elementos-chaves para tal avaliação, é preciso, então, agrupá-los de modo articulado para uma análise mais apropriada. É sob esse plano analítico que se desdobra o sub-tópico seguinte.