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B) Uzlaşma Talebinde Bulunabilecek ve Uzlaşma Oturumlarına Katılabilecek Kişiler
XIV- ÖKC KULLANMA MECBURİYETİ BULUNMAYAN MÜKELLEFLER
As interpretações Marxistas foram críticas a um paradigma dominante que presumia uma sociedade pluralista, mas encontrou dificuldades em delimitar as variáveis de contingência sobre as quais a mensagem dos meios de comunicação social seria eficaz. Os media seriam aqui frequentemente posicionados como instrumentos de controlo de uma classe dominante, enfatizando desigualdades nas relações de poder que perpetuavam. O foco seria assim principalmente sobre os efeitos ideológicos dos media (McQuail, 1983: 79). Neste sentido, a crítica marxista salientaria o modo como categorias “historicamente construídas e humanamente criadas” surgem como naturais (Calhoun, 1996a: 448). A “ideologia” é concebida como uma distorção da realidade, discursivamente realizada através de categorias naturalizadas, decorrentes de condições históricas particulares, ou da permanência de relações concretas nas estruturas sociais. Mas como indica Bennet (1982: 44), esta posição implica um determinismo nos sistemas de significação, na sua dependência das relações entre a base e a superestrutura.
Entre estes autores, o pensamento de Louis Althusser enfatizou a materialidade da ideologia ao nível das práticas sociais. Para este autor, a “condição última” necessária a qualquer formação social implica a renovação não apenas dos meios, mas também das condições de produção. Os processos de socialização adquirem aqui relevância na inculcação de implicações morais, consciência cívica e profissional, bem como de conteúdos técnicos. Para Althusser (1968: 22), a socialização implica não apenas uma aprendizagem, mas a deferência a uma ordem estabelecida, equivalente a uma “sujeição à ideologia dominante”. Organizações como a Igreja, o exército e os meios de comunicação social seriam “aparelhos ideológicos do Estado” por contribuírem para a reprodução ideológica com vista ao domínio de uma classe dominante. Ainda assim, o determinismo é rejeitado ao presumir a possibilidade de tensões na expressão das contradições destes “aparelhos ideológicos” (p.49). Esta posição representa uma rutura com o pensamento marxista – não são as condições materiais que definem a ideologia, constituindo antes a ideologia uma modalidade de
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representação imaginada entre o indivíduo e as suas condições sociais (Hirst, 1976: 386), mantida por instituições que contribuem para os processos de socialização dos indivíduos. Nesta perspetiva, os meios de comunicação social contribuem para a reprodução da ideologia dominante, não pela imposição direta de uma falsa consciência, mas através dos temas e categorias utilizados na representação do mundo (Curran et al, 1982: 19). Através da inscrição destas categorias nos rituais e práticas da vida quotidiana, a ideologia fundamenta a “natureza imaginária” das relações dos indivíduos com as condições reais da sua vivência (Althusser, 1968:81/97). Ainda que o pensamento de Althusser comporte “uma noção pouco satisfatória de dominação cultural, aquela mediante a qual os sujeitos são inseridos, de forma rígida, no processo ideológico” (Elliot, 1996: 183), a obra do autor estimulou a investigação sobre os textos dos media para além da preocupação marxista com determinantes externas da ideologia, sociais ou económicas. Seguiram-se assim investigações sobre as relações internas entre significantes, por exemplo, nos filmes e televisão (Curran et al., 1982: 19). As perspetivas de inspiração marxista abriram assim caminho à problematização da validade facial do discurso como mero reflexo da realidade. Neste sentido, o trabalho de Althusser demonstrou o papel do discurso no estabelecimento de equivalências entre o que é assumido e aquilo que é considerado como “verdade”. O papel unilateral dos processos de socialização é enfatizado, deixando pouco espaço para a produção de discursos não consistentes com uma suposta ideologia dominante. Ao mesmo tempo, uma das principais fraquezas teóricas das primeiras concetualizações de inspiração marxista seria também a sua incapacidade para explicar o consentimento livre dos governados.
O conceito de hegemonia de Antonio Gramsci seria assim particularmente útil. Para o autor, o domínio hegemónico concretiza-se pela internalização de ideias e valores num “senso comum” articulado de forma convergente com interesses de uma classe dominante. Este consentimento possui uma base histórica, pois será dependente do prestígio e confiança que este grupo usufrui pela sua posição ou funções sociais (Gramsci, 1971: 12). Excetuando situações de crise, a “hegemonia” manifesta-se assim no consentimento espontâneo da sociedade civil perante um grupo dominante. Os partidos políticos possuem aqui um papel essencial, na sua função de
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coordenação entre os diferentes interesses que competem na sociedade civil (p. 253). O conceito de hegemonia de Gramsci rejeita o determinismo de uma imposição direta de uma falsa consciência, sendo o indivíduo ativo na produção de sentido. Por referência aos estudos literários, Gramsci colocou a produção de significados na relação entre o contexto individual de receção e a componente histórica e coletiva da linguagem. O leitor constrói a sua interpretação de uma mensagem reunindo criativamente o expresso e o não-expresso. Ou como explica Renate Holub (1992: 130), o leitor de Gramsci assenta num modelo tendencialmente fenomenológico, capaz de percecionar e construir significados a partir de uma multiplicidade de códigos semióticos. Ele é um participante ativo que realiza uma função performativa e comunicativa, ainda que limitado a “direções de palco” providenciadas pelo texto. Será assim possível o desenvolvimento de contraideologias e movimentos contrários. Inspirado no trabalho do linguista Valentin Vološinov, o autor salienta o papel das práticas discursivas no estabelecimento de equivalências entre a linguagem e a realidade. Estas equivalências poderiam ser criadas ou destruídas verificando-se para tal as condições necessárias, ocorrendo os conflitos pelos processos de significação precisamente sobre a possibilidade de interesses e forças sociais distintas realizarem rearticulações próprias de elementos discursivos e desenvolverem novos encadeamentos conotativos. Consequentemente, e como refere Stuart Hall (1982: 15), a ideologia não poderá ser assim diretamente adscrita a posições sociais ou classes específicas. A análise histórica adquire aqui relevância (p. 80) ao ser considerada a manutenção de articulações discursivas específicas, historicamente mantidas e reproduzidas numa variedade de discursos – como a equivalência do conceito de “liberdade” no contexto de políticas económicas liberais de “mercado livre”. As tensões na definição de significados desenvolvem-se principalmente em contextos institucionais, estando assim também dependentes do acesso aos meios de significação. O privilégio de alguns atores, traduzido na sua facilidade no acesso aos meios de comunicação social, leva a que se constituam como definidores primários na produção de significado. Mas a hierarquia de privilégio não se configura apenas no acesso ou frequência com que os atores têm voz ativa nos media. Neste contexto, o autor distingue ainda o que considera serem leituras preferenciais, que respeitam
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principalmente aos termos gerais em que questões específicas são enquadradas no debate.
A simple but recurrent example of this point in current media discourse is the setting of the terms of the debate about black immigrants to Britain as a problem ‘about numbers’. Liberal or radical spokesmen on race issues could gain all the physical access to the media which they were able to muster. But they would be powerfully constrained if they then had to argue within the terrain of a debate in which ‘the numbers game’ was accepted as the privileged definition of the problem. To enter the debate in these terms was tantamount to giving credibility to the dominant problematic: e.g. ‘racial tension is the result of too many black people in the country, not a problem of white racialism.’ (Hall, 1982: 77)
Autores como Althusser e Gramsci foram relevantes, por exemplo, para uma corrente estruturalista dos estudos culturais que incentivou o estudo da mensagem para além do seu valor facial, como nos estudos sobre a comunicação da primeira metade do séc. XX. Por outro lado, e como refere Hall (1982: 79), a “questão da ideologia” não pode ser simplesmente extrapolada a partir de um único nível, como acontecia nas versões clássicas do marxismo. O conceito evoluiu desde um conjunto de ideias pré-concebidas e impostas como distorção da realidade, para uma concetualização dinâmica, transversal a práticas de várias áreas institucionais, sem nunca a elas se resumir. A equivalência direta entre ideologias e classes ou grupos sociais específicos foi assim abandonada, insuficiente para explicar processos ideológicos. Retomada sobre o campo das práticas sociais, a importância da produção de significados foi assumida numa perspetiva necessariamente histórica, para a qual contribuem dimensões económicas, sociais e políticas. Os meios de comunicação social adquirem aqui especial importância, dado o seu papel na seleção, produção e distribuição de ideias, conceitos, formas e modos de significação. O conceito de hegemonia providenciou uma base para explicar como estas organizações, aparentemente livres e independentes dos centros de poder político, poderiam contribuir para a formação de consensos. Para Hall (1982: 82), a sua independência assenta precisamente sobre a adesão aos pressupostos fundamentais que subjazem ao tipo de regime – democracia, “mercado livre”, etc. – como legitimado pela vontade aparente de uma maioria. Empiricamente, a análise retorna aos pressupostos de uma
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mensagem, discursivamente realizados em representações comuns, sobre as quais todos os lados concordam. Mas o paradigma dos efeitos viria a transformar-se, realizando importantes contribuições para o estudo dos media.